Dívida externa do Uzbequistão atinge 88 mil milhões de dólares, enquanto aumentam os custos dos empréstimos e o crédito às empresas

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Uzbekistan's External Debt Reaches $88 Billion as Borrowing Costs and Corporate Loans Grow

Dívida cresce mais depressa do que a média regional

A dívida externa do Uzbequistão atingiu 88,03 mil milhões de dólares no final de 2025, mais 24,7% num ano, de acordo com dados atribuídos ao Relatório da Dívida Internacional 2026 do Banco Mundial. O total inclui 48,46 mil milhões de dólares em obrigações públicas e garantidas pelo Estado, além de um volume substancial de empréstimos contraídos por empresas sem garantias governamentais.

Índice
  1. Dívida cresce mais depressa do que a média regional
  2. Como a dívida chegou aos 88 mil milhões de dólares
  3. Quem é responsável pelo reembolso?
  4. Instituições internacionais são os maiores credores públicos
  5. Emissão de obrigações permite obter financiamento a um custo mais elevado
  6. Empréstimos oficiais oferecem taxas mais baixas e prazos mais longos
  7. Stock da dívida aumenta, mas rácios de reembolso diminuem
  8. Crescimento e investimento na eletricidade ajudam a contextualizar
  9. Pontos-chave

O aumento foi mais rápido do que a subida de 15,3% na Europa e Ásia Central e de 5,5% nas economias de rendimento baixo e médio. A taxa do Uzbequistão superou esses valores de referência em 9,4 e 19,2 pontos percentuais, respetivamente.

Dois desenvolvimentos acompanham este rápido crescimento. O stock da dívida aumentou em relação ao rendimento nacional e às exportações, enquanto os pagamentos anuais diminuíram face a essas mesmas medidas. Os empréstimos junto de credores privados tiveram também uma taxa de juro média de 8,6%, em comparação com 3,4% junto de governos estrangeiros e organizações internacionais.

Para o Uzbequistão, a questão prática é saber quanto financiamento vence, quando tem de ser reembolsado e o que ajuda a produzir o dinheiro emprestado. Os dados mostram um país que recorre a várias fontes de financiamento externo, com condições de reembolso muito diferentes.

Como a dívida chegou aos 88 mil milhões de dólares

Em 2015, o Uzbequistão devia 13,57 mil milhões de dólares a credores estrangeiros. No final de 2025, esse montante tinha aumentado cerca de 6,5 vezes, uma subida de 74,46 mil milhões de dólares ao longo da década.

A dívida externa corresponde ao dinheiro devido por residentes, incluindo o governo, bancos e empresas, a credores fora do país. Abrange mais do que os empréstimos do governo e pode incluir obrigações denominadas na moeda nacional quando o credor está no estrangeiro.

As principais datas ajudam a contextualizar o valor mais recente:

  • 2015: A dívida externa ascendia a 13,57 mil milhões de dólares.
  • Final de 2025: Os dados atribuídos ao Banco Mundial apontam para uma dívida externa de 88,03 mil milhões de dólares, após um crescimento anual de 24,7%.
  • 1 de julho de 2026: A análise do setor externo do Banco Central apontava para uma dívida externa de 84,1 mil milhões de dólares.
  • 2028: Está previsto que as obrigações em soum referidas com uma rendibilidade de 15,5% atinjam a maturidade.
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Os dados do Banco Central referidos na cobertura de outubro sobre o aumento do endividamento das empresas indicavam um saldo de 82,2 mil milhões de dólares no início de 2026, em comparação com os 88,03 mil milhões de dólares atribuídos aqui ao Banco Mundial para o final de 2025. A razão para esta diferença de 5,83 mil milhões de dólares não foi explicada, pelo que é necessário clarificar o âmbito e os cálculos subjacentes para fazer uma comparação coerente com o valor de julho de 2026.

Quem é responsável pelo reembolso?

A dívida pública e as obrigações garantidas pelo Estado ascendem a 48,46 mil milhões de dólares, cerca de 55% do total de 88,03 mil milhões. Uma garantia governamental significa que o Estado promete reembolsar o credor caso o devedor original não o faça.

Outros 32,84 mil milhões de dólares correspondem a empréstimos externos de empresas privadas sem garantias governamentais. Este montante representa cerca de 37,3% da dívida externa total. Nos termos dos respetivos contratos de empréstimo, a responsabilidade pelo reembolso cabe a esses devedores, não estando coberta por uma garantia explícita do Estado.

A dívida de curto prazo representa os restantes 6,73 mil milhões de dólares, cerca de 7,6%. Em geral, estes empréstimos vencem no prazo de um ano, pelo que o calendário dos reembolsos e o acesso a novo financiamento assumem particular importância.

A dívida pública e garantida pelo Estado é, portanto, a maior componente, mas os empréstimos fora dessa categoria também são substanciais. As empresas podem recorrer a empréstimos estrangeiros para financiar investimentos e operações, enquanto a exposição direta do governo depende de ter contraído o empréstimo ou garantido as obrigações de outro devedor.

Instituições internacionais são os maiores credores públicos

As instituições financeiras internacionais detêm 22,82 mil milhões de dólares da dívida externa pública e garantida pelo Estado do Uzbequistão. Este montante equivale a cerca de 47,1% dos 48,46 mil milhões dessa categoria, fazendo destas instituições o maior grupo de credores.

O Banco Asiático de Desenvolvimento detém 8,36 mil milhões de dólares, enquanto a Associação Internacional de Desenvolvimento, integrada no Grupo Banco Mundial, detém 5,01 mil milhões. Outros credores multilaterais detêm 9,45 mil milhões. Os credores multilaterais são instituições apoiadas por vários países, e não por um único governo nacional.

Os governos estrangeiros detêm outros 10,53 mil milhões de dólares, o equivalente a cerca de 21,7% da dívida externa pública e garantida pelo Estado. A China é o maior credor bilateral, com 3,85 mil milhões de dólares, seguida pelo Japão, com 2,99 mil milhões. Os restantes países representam, em conjunto, cerca de 3,7 mil milhões.

A China e o Japão detêm, assim, cerca de 65% da dívida do Uzbequistão a governos estrangeiros, com base nos 6,84 mil milhões de dólares que totalizam. No conjunto da dívida externa pública e garantida pelo Estado, porém, as instituições internacionais continuam a ser a maior fonte de financiamento.

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Os credores privados detêm 15,11 mil milhões de dólares, ou aproximadamente 31,2% da dívida externa pública e garantida pelo Estado. Neste caso, «privado» descreve o credor, como um investidor comercial, e não o devedor. Uma obrigação do Estado adquirida por um fundo de investimento integra esta categoria, embora seja o governo a dever o dinheiro.

Emissão de obrigações permite obter financiamento a um custo mais elevado

O Uzbequistão emitiu 3,9 mil milhões de dólares em obrigações internacionais em 2025, o maior montante entre os países elegíveis para financiamento em condições concessionais da Associação Internacional de Desenvolvimento. O financiamento concessional consiste em empréstimos em condições mais favoráveis, como taxas de juro mais baixas ou prazos de reembolso mais longos.

As obrigações permitem a um governo ou empresa pedir dinheiro emprestado a investidores através da venda de títulos que prometem pagamentos em condições acordadas. Oferecem aos devedores uma fonte de financiamento adicional aos empréstimos de instituições de desenvolvimento e governos estrangeiros.

A decomposição divulgada atribui 1,6 mil milhões de dólares em emissões ao governo, incluindo obrigações denominadas em soum, e 2,4 mil milhões a outras entidades do setor público. Estes valores somam 4 mil milhões de dólares, face a um total de emissões declarado de 3,9 mil milhões.

Os dados do Banco Mundial também dão conta do custo do financiamento nos mercados. As obrigações em soum com maturidade em 2028 tinham uma rendibilidade de 15,5%, enquanto as obrigações em dólares foram emitidas com uma rendibilidade de 7,38%. A rendibilidade traduz o retorno dos investidores em relação ao preço da obrigação e aos pagamentos prometidos.

Os autores do relatório atribuem parte da rendibilidade mais elevada das obrigações em soum aos riscos de inflação. Os investidores que recebem pagamentos em soum enfrentam a possibilidade de a subida dos preços reduzir o poder de compra desses pagamentos. O endividamento em dólares acarreta outro risco para um devedor que obtenha receitas em soum: poderá precisar de mais moeda local para reembolsar o mesmo montante em dólares se o soum desvalorizar.

Empréstimos oficiais oferecem taxas mais baixas e prazos mais longos

Em 2025, governos estrangeiros e organizações internacionais concederam empréstimos ao Uzbequistão a uma taxa de juro média de 3,4%, com uma maturidade média de 21 anos e um período de carência de cinco anos. A maturidade é o prazo até ao reembolso integral do empréstimo.

Os credores privados concederam financiamento a uma taxa média de 8,6%, com um prazo de 10 anos. A taxa média destes credores foi 5,2 pontos percentuais superior, ou cerca de duas vezes e meia a taxa dos credores oficiais, enquanto o prazo de reembolso foi inferior a metade.

Os dados do financiamento privado referem um período de carência que se prolonga durante todo o prazo do empréstimo. Em geral, um período de carência adia o reembolso do capital, ou seja, do montante originalmente emprestado. Os juros podem continuar a vencer-se durante esse período, e o capital poderá ter de ser reembolsado na totalidade no vencimento.

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As opções de financiamento do Uzbequistão afetam, por isso, tanto os custos anuais como as datas dos pagamentos futuros. Os empréstimos de prazo mais longo distribuem os reembolsos do capital por um período maior. Os empréstimos em que o capital só é pago no final implicam um pagamento mais elevado no vencimento, que o devedor terá de cobrir com recursos próprios ou através de novo financiamento.

Stock da dívida aumenta, mas rácios de reembolso diminuem

Em 2025, a dívida externa do Uzbequistão atingiu 60% do rendimento nacional bruto e 227% das receitas anuais de exportação. Ambos os rácios aumentaram face ao ano anterior. O rendimento nacional bruto mede os rendimentos dos residentes de um país, incluindo o rendimento líquido proveniente do estrangeiro.

O rácio face às exportações significa que a dívida em aberto equivalia a 2,27 vezes as receitas de exportação de um ano. As receitas de exportação são importantes porque trazem moeda estrangeira para a economia, ajudando as empresas e o país a cumprir as obrigações perante credores estrangeiros.

O serviço da dívida, isto é, o capital e os juros efetivamente pagos durante o ano, seguiu uma trajetória diferente. Em 2025, os pagamentos corresponderam a 29% das receitas de exportação e a 8% do rendimento nacional bruto. Estes rácios diminuíram 18,6% e 17,7%, respetivamente, face a 2024.

O stock da dívida é o montante ainda em dívida numa determinada data; o serviço da dívida é o montante pago ao longo de um período. Um país pode terminar o ano a dever mais e, ao mesmo tempo, gastar uma parcela menor do seu rendimento em reembolsos, porque os calendários de pagamento, os rendimentos e as receitas de exportação variam.

Na Europa e Ásia Central, o serviço da dívida correspondeu a 25% das receitas de exportação e a 8% do rendimento nacional bruto. O rácio do Uzbequistão face às exportações foi quatro pontos percentuais superior, enquanto o rácio face ao rendimento igualou o valor regional. O Banco Mundial identificou o rácio regional entre o serviço da dívida e o rendimento como o mais elevado entre as regiões que integram economias de rendimento baixo e médio.

Crescimento e investimento na eletricidade ajudam a contextualizar

A expansão da economia do Uzbequistão ajuda a contextualizar o endividamento. A atualização de outubro do Banco Mundial, abordada na revisão em alta da previsão de crescimento, apontava para um crescimento económico de 7,7% em 2025 e projetava 7,9% para 2026. O consumo privado aumentou 9,5% em termos reais em 2025, enquanto o investimento cresceu 10,5%.

De acordo com essa avaliação regional, fontes estrangeiras, incluindo investimento direto e empréstimos, financiaram mais de 70% do investimento total. O investimento direto disponibiliza capital em troca de uma participação, enquanto os empréstimos criam obrigações de reembolso. Ambos podem contribuir para criar nova capacidade, mas têm efeitos diferentes sobre os rendimentos futuros.

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Um exemplo posterior de financiamento de infraestruturas é o financiamento da rede elétrica aprovado em 2026. O programa, no valor de 371 milhões de dólares, combina um empréstimo de 100 milhões do Banco Mundial, um empréstimo de 200 milhões do Banco Asiático de Desenvolvimento e 71 milhões do orçamento do Uzbequistão para modernizar e digitalizar 60 importantes subestações elétricas.

O programa visa reduzir as perdas de energia e os cortes de eletricidade, bem como preparar a rede para integrar pelo menos 3,3 gigawatts de capacidade de energias renováveis. Até 2031, prevê-se que as perdas anuais de eletricidade nas subestações modernizadas diminuam 20 000 megawatts-hora. Para as famílias e as empresas, o benefício esperado é um fornecimento de eletricidade mais fiável; para o devedor, os empréstimos implicam obrigações de reembolso que acompanham esses ganhos previstos.

Pontos-chave

  • A dívida externa do Uzbequistão atingiu 88,03 mil milhões de dólares no final de 2025, mais 24,7%, de acordo com dados atribuídos ao Banco Mundial.
  • As obrigações públicas e garantidas pelo Estado ascenderam a 48,46 mil milhões de dólares; os empréstimos de empresas privadas sem garantias estatais totalizaram 32,84 mil milhões.
  • As instituições financeiras internacionais detinham 22,82 mil milhões de dólares da dívida externa pública e garantida pelo Estado, a maior parcela por grupo de credores.
  • Os empréstimos oficiais tiveram uma taxa de juro média de 3,4% e um prazo de 21 anos, em comparação com 8,6% e 10 anos para os credores privados.
  • A dívida atingiu 227% das receitas de exportação, enquanto o serviço anual da dívida caiu para 29% das receitas de exportação.
  • O saldo de 88,03 mil milhões de dólares precisa de ser reconciliado com o valor inicial de 82,2 mil milhões usado na comparação do Banco Central para 2026.
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