Um plano de 371 milhões de dólares para modernizar 60 subestações
O Banco Mundial aprovou, a 27 de outubro de 2026, um empréstimo de 100 milhões de dólares ao Uzbequistão, integrando um pacote de financiamento no valor de 371 milhões de dólares destinado a modernizar e digitalizar 60 grandes subestações elétricas. O programa visa reduzir as perdas de energia e as interrupções do fornecimento, preparando simultaneamente a rede para acomodar pelo menos 3,3 gigawatts de capacidade de energias renováveis.
Índice
- Um plano de 371 milhões de dólares para modernizar 60 subestações
- Como se estrutura o financiamento
- O que vai mudar nas subestações?
- Criar espaço para a energia solar e eólica
- Compreender as metas de eletricidade e emissões
- Os empregos dependem da entrada em funcionamento das instalações
- As atualizações digitais trazem novas responsabilidades operacionais
- Como se enquadra noutros investimentos na rede
- Pontos principais
O Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) concederá mais 200 milhões de dólares em empréstimos, e o Uzbequistão contribuirá com 71 milhões de dólares do orçamento de Estado. A National Electric Grids of Uzbekistan, uma sociedade anónima estatal, será responsável pela execução do Programa de Modernização dos Sistemas de Distribuição de Eletricidade.
Até 2031, o Banco Mundial prevê que as perdas anuais de eletricidade nas subestações modernizadas diminuam em 20 000 megawatts-hora. Prevê-se também que o programa evite quase 23 000 toneladas de emissões de gases com efeito de estufa por ano, medidas em equivalente de dióxido de carbono.
O envelhecimento e a sobrecarga das infraestruturas elétricas do Uzbequistão tornam urgente este investimento. Os equipamentos instalados há décadas têm dificuldade em responder à procura crescente, contribuindo para interrupções que afetam casas, empresas, escolas e hospitais. As novas centrais solares e eólicas também precisam de uma rede capaz de transportar a eletricidade até aos consumidores.
O financiamento reúne obras de construção, sistemas de controlo digitais e mudanças na forma como a empresa da rede opera. Além da substituição de equipamentos obsoletos, o programa inclui gestão financeira, cibersegurança, normas ambientais e sociais e medidas para promover a igualdade de género no emprego.
Como se estrutura o financiamento
Os dois financiadores internacionais concederão 300 milhões de dólares, cerca de 81% do orçamento total do programa. A contribuição de 71 milhões de dólares do Uzbequistão representa os restantes 19%. O empréstimo de 200 milhões de dólares do ADB é o dobro do empréstimo do Banco Mundial e corresponde a aproximadamente 54% do pacote total.
As aprovações e os acordos decorreram em várias etapas:
- 30 de setembro de 2026: o ADB aprovou o seu empréstimo de 200 milhões de dólares para o programa.
- 15 de outubro de 2026: foi assinado o acordo de empréstimo com o ADB.
- 27 de outubro de 2026: o Banco Mundial aprovou o seu empréstimo de 100 milhões de dólares.
- 2030: o Uzbequistão pretende atingir 25 gigawatts de capacidade instalada de energias renováveis.
- 2031: o programa visa reduzir as perdas anuais de eletricidade e permitir acomodar pelo menos 3,3 gigawatts de energias renováveis.
O Banco Mundial e o ADB estão a recorrer ao Full Mutual Reliance Framework, um acordo de cooperação que lhes permite partilhar métodos de preparação de projetos e de supervisão da sua execução. O ADB será o financiador principal.
Para o Uzbequistão, o benefício prático é evitar duplicações. Em vez de realizarem avaliações e procedimentos de supervisão paralelos para cada banco, os financiadores pretendem coordenar o seu trabalho, reduzindo os custos administrativos e as exigências impostas ao Governo. O anúncio não especificou uma data para a entrada em funcionamento das instalações modernizadas nem as condições detalhadas de reembolso dos empréstimos.
O que vai mudar nas subestações?
As subestações são pontos de ligação numa rede elétrica. Direcionam a eletricidade através da rede e alteram a sua tensão, permitindo que circule entre diferentes partes do sistema e chegue, por fim, aos consumidores.
As 60 subestações selecionadas para modernização receberão novos equipamentos e sistemas de controlo digitais. Os operadores poderão monitorizar as cargas elétricas e detetar avarias mais rapidamente, ajudando-os a gerir equipamentos atualmente sujeitos a pressão.
Há sobrecarga quando a procura ultrapassa o nível que os equipamentos conseguem suportar confortavelmente. A par do envelhecimento dos componentes, pode contribuir para perdas de eletricidade e interrupções do fornecimento. A modernização das subestações responde, por isso, tanto à quantidade de energia que a rede consegue transportar como à fiabilidade do seu funcionamento.
Para uma família, o sucesso traduzir-se-ia em menos interrupções na iluminação, nos equipamentos de aquecimento e nos eletrodomésticos. Para uma empresa, significaria menos perturbações no funcionamento das máquinas e nas operações diárias. As escolas e os hospitais também dependem de um fornecimento estável de eletricidade para manter os serviços essenciais em funcionamento.
Criar espaço para a energia solar e eólica
O Uzbequistão pretende aumentar a capacidade instalada de energias renováveis para 25 gigawatts até 2030. O programa das subestações foi concebido para ajudar a rede a acomodar pelo menos 3,3 gigawatts, o equivalente a 13,2% da meta nacional.
Esta comparação mostra a dimensão do investimento na rede face às ambições do país em matéria de produção de eletricidade. As centrais produzem eletricidade, enquanto as subestações e as linhas a transportam até aos locais onde é necessária. O aumento da capacidade de produção exige, por isso, um investimento correspondente na rede.
Um gigawatt mede a capacidade de produção, ou seja, a quantidade de eletricidade que uma instalação pode produzir num determinado momento, em condições adequadas. A quantidade efetivamente produzida ao longo de um ano depende da frequência com que opera e, no caso das centrais solares e eólicas, das condições de luz solar e vento.
O objetivo de 3,3 gigawatts do programa diz respeito à capacidade da rede para acomodar a produção de energia renovável. Os trabalhos financiados centram-se nas subestações e nos sistemas usados para as operar, apoiando as ligações entre novas fontes de eletricidade e os consumidores.
Compreender as metas de eletricidade e emissões
A redução prevista das perdas anuais de eletricidade é de 20 000 megawatts-hora até 2031, o equivalente a 20 milhões de quilowatts-hora. O quilowatt-hora é a unidade normalmente usada nas faturas domésticas de eletricidade; 1 000 quilowatts-hora correspondem a um megawatt-hora.
As perdas de eletricidade correspondem à energia que entra na rede, mas não chega aos consumidores sob a forma de eletricidade utilizável. Parte da energia transforma-se em calor ao passar pelos equipamentos elétricos. A substituição de equipamentos envelhecidos e a melhoria da sua operação podem reduzir essas perdas, permitindo que uma maior parte da eletricidade já produzida chegue aos utilizadores.
A meta de 20 000 megawatts-hora aplica-se às subestações modernizadas. Não foi indicado um valor de referência para as perdas anuais dessas instalações, pelo que a redução prevista não pode ser expressa em percentagem.
O programa prevê também uma redução anual de quase 23 000 toneladas de dióxido de carbono equivalente. Esta medida coloca diferentes gases com efeito de estufa numa escala comum, de acordo com o seu impacto no aquecimento global. A redução das perdas de eletricidade e o aumento da capacidade para acomodar a produção de energias renováveis fazem parte do contributo previsto do programa para reduzir as emissões.
A distinção entre capacidade e energia ajuda a compreender as duas metas principais. Os gigawatts indicam a capacidade de produção de energia renovável que a rede deverá conseguir acomodar. Os megawatts-hora indicam a quantidade de eletricidade que se espera poupar todos os anos nas subestações modernizadas.
Os empregos dependem da entrada em funcionamento das instalações
O Banco Mundial prevê que o programa ajude a criar quase 11 700 empregos adicionais de qualidade nos cinco anos seguintes à entrada em funcionamento das infraestruturas modernizadas. A estimativa de emprego está associada ao início da operação das instalações, e não à data de aprovação dos empréstimos.
Os empregos previstos são descritos como postos de trabalho que o investimento poderá criar ou apoiar através da melhoria do fornecimento de eletricidade. O anúncio não apresentou uma repartição por profissão, localização ou emprego permanente e temporário.
Naji Benhassine, diretor regional do Banco Mundial para a Ásia Central, associou um fornecimento fiável de energia às necessidades das famílias, ao emprego e aos serviços públicos. Ao falar sobre o objetivo do investimento, afirmou:
Um fornecimento fiável de eletricidade é uma necessidade básica para as famílias e a atividade empresarial, além de ser uma base para o emprego, os serviços públicos e o crescimento económico.
Benhassine afirmou também que a cooperação com o ADB ajudaria a modernizar as infraestruturas elétricas e a utilizar os recursos financeiros de forma mais eficiente. As suas declarações relacionam o trabalho técnico do programa com o seu objetivo económico: proporcionar às pessoas e às empresas um fornecimento de energia mais fiável.
As atualizações digitais trazem novas responsabilidades operacionais
A National Electric Grids of Uzbekistan será responsável por mais do que a substituição de equipamentos. O programa inclui também melhorias na manutenção, na supervisão financeira e na cibersegurança, bem como um reforço do cumprimento das normas ambientais e sociais.
Os sistemas de controlo digitais podem fornecer aos operadores informações mais rápidas sobre as cargas dos equipamentos e as avarias. Proteger esses sistemas é essencial para garantir a fiabilidade das operações elétricas, razão pela qual a cibersegurança faz parte do programa de modernização.
As medidas de gestão financeira destinam-se a melhorar a forma como a empresa planeia, utiliza e contabiliza os seus recursos. As normas ambientais e sociais orientarão a execução do investimento e a gestão dos efeitos sobre as pessoas e as áreas envolventes.
O programa visa também promover a igualdade de género no emprego e alargar as oportunidades para as mulheres no setor da energia. Não foi definida qualquer meta numérica para a contratação de mulheres.
Como se enquadra noutros investimentos na rede
Desde 2010, o ADB concedeu ao Uzbequistão mais de 3,4 mil milhões de dólares em financiamento e garantias para o setor da energia. Em 2023, aprovou separadamente 200 milhões de dólares para digitalizar 26 subestações de distribuição, mostrando que o pacote mais recente dá continuidade a investimentos anteriores na rede.
Taixquente tem também planos para modernizar 10 subestações. A substituição dos respetivos transformadores de potência deverá acrescentar uma capacidade total de 333,2 megavolt-ampere. O megavolt-ampere é uma unidade de potência aparente usada para classificar equipamentos elétricos, incluindo transformadores, enquanto a meta de energias renováveis é expressa em gigawatts de capacidade de produção.
O novo programa combina um pacote nacional de modernização de 60 subestações com a supervisão conjunta de dois grandes financiadores. Os seus objetivos mensuráveis são reduzir as perdas, aumentar a capacidade para acomodar mais eletricidade renovável e diminuir as emissões até 2031.
Para os consumidores, o resultado mais tangível será saber se o fornecimento de eletricidade se torna mais fiável. Para os planos do Uzbequistão em matéria de energias renováveis, o teste será perceber se a rede modernizada consegue transportar energia adicional dos locais de produção até às famílias, empresas e serviços públicos que dela necessitam.
Pontos principais
- O Banco Mundial aprovou, a 27 de outubro de 2026, um empréstimo de 100 milhões de dólares para modernizar a rede elétrica do Uzbequistão.
- O ADB concederá um empréstimo de 200 milhões de dólares e o Uzbequistão contribuirá com 71 milhões, elevando o financiamento total para 371 milhões de dólares.
- O programa irá modernizar e digitalizar 60 grandes subestações.
- Até 2031, prevê-se que as perdas anuais de eletricidade nas subestações modernizadas diminuam em 20 000 megawatts-hora.
- A rede deverá conseguir acomodar pelo menos 3,3 gigawatts de capacidade de energias renováveis.
- Prevê-se uma redução anual de quase 23 000 toneladas de emissões em equivalente de dióxido de carbono.
- Prevê-se a criação de quase 11 700 empregos adicionais nos cinco anos seguintes à entrada em funcionamento das instalações modernizadas.
- A National Electric Grids of Uzbekistan executará o programa, cabendo ao ADB liderar a supervisão coordenada dos financiadores.






