A governadora do Bank Indonesia defende a autonomia das taxas de juro perante a pressão cambial e orçamental

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Bank Indonesia Chief Defends Rate Autonomy as Currency and Fiscal Pressures Mount

Damayanti traça a linha entre coordenação e controlo

A governadora do Bank Indonesia, Destry Damayanti, afirma que só o banco central decide as taxas de juro, apesar do envolvimento mais próximo com o governo do presidente Prabowo Subianto. A garantia, dada a 12 de outubro de 2026, surge depois de uma subida acumulada de 100 pontos base em maio e junho, da manutenção da taxa de referência em 5,75% em setembro e da persistente preocupação dos investidores com a rupia e a influência política sobre a política monetária.

Índice
  1. Damayanti traça a linha entre coordenação e controlo
  2. O governo também rejeita interferir nas taxas
  3. Uma mudança na liderança após meses de pressão cambial
  4. O debate jurídico vai além da promessa de uma governadora
  5. Porque preocupam os investidores as nomeações e a supervisão
  6. As taxas subiram e, depois, o banco procurou outra forma de apoiar a rupia
  7. A pressão orçamental dificulta a manutenção da fronteira
  8. As reservas dão apoio, mas há obrigações a considerar
  9. Os pagamentos em moeda local estão a aumentar rapidamente
  10. Pontos principais

Representantes do governo foram convidados a assistir a parte da reunião mensal de revisão da política monetária do banco central. Damayanti também participa em reuniões com Prabowo. Afirma que nenhuma destas situações dá ao governo poder de decisão sobre a fixação das taxas.

Damayanti, que se tornou governadora depois de ter sido a segunda figura mais importante do banco, descreveu a fronteira entre as conversas com o governo e as decisões do Bank Indonesia:

Quando estamos prestes a tomar uma decisão de política — seja subir ou baixar as taxas de juro, seja recorrer a outros incentivos —, temos plena autoridade para decidir.

Esta distinção é importante porque o debate vai além da taxa de referência. Alterações ao mandato do banco, operações com obrigações do Estado e transferências de fundos públicos para bancos comerciais aproximaram a política monetária da agenda de crescimento do executivo.

Damayanti defende que a cooperação permite aos responsáveis pela política orçamental e monetária avançar na mesma direção sem abdicar da autoridade decisória do banco. Os investidores ponderam esta garantia face a uma moeda descrita como a que pior desempenho tem na Ásia emergente, às preocupações com as finanças públicas, às alterações na política de exportações e à transparência no mercado bolsista.

O governo também rejeita interferir nas taxas

O ministro das Finanças, Suahasil Nazara, deu uma garantia semelhante numa entrevista televisiva transmitida a 2 de outubro. Disse que não diria ao Bank Indonesia o que fazer quanto às taxas de juro, explicando que o governo e o banco central têm mandatos distintos. Descreveu a relação entre ambos como de cooperação e coordenação, e não de orientação governamental das decisões monetárias.

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A distinção tem consequências práticas. A política orçamental abrange a despesa pública, os impostos e o endividamento. A política monetária inclui a fixação da taxa de juro de referência do banco central e a gestão das condições monetárias. As decisões numa área afetam a outra, tornando necessária a comunicação, mesmo quando a autoridade permanece separada.

Damayanti afirmou que as conversas regulares com o governo abrangem a emissão de obrigações em rupias e em moeda estrangeira, a gestão das reservas de tesouraria do Estado e formas de estimular a procura de crédito. Estes temas podem afetar a liquidez, os custos dos empréstimos e a procura de ativos indonésios sem que o governo tenha de escolher a taxa de política monetária.

A governadora explicou também por que razão considera que as reuniões com o presidente são compatíveis com a posição do banco no Estado:

Na Indonésia, o presidente é simultaneamente chefe do governo e chefe de Estado. O BI integra o Estado indonésio, por isso, se o presidente quiser conhecer a evolução da situação, penso que é normal.

Estas garantias não dissipam todas as preocupações quanto à independência. O controlo da taxa de referência é uma questão; saber se outras operações do banco central estão cada vez mais ao serviço dos objetivos de financiamento do governo é outra.

Uma mudança na liderança após meses de pressão cambial

A nomeação de Damayanti ocorreu após a saída de Perry Warjiyo, no final de julho. A maioria dos relatos descreve uma demissão inesperada, enquanto um comentário afirma que Prabowo o afastou. As descrições divergem quanto às circunstâncias da sua saída, embora concordem que Damayanti lhe sucedeu, depois de ter sido a sua principal adjunta.

Os relatos da transição também diferem: a maioria situa a sua tomada de posse em setembro, enquanto um resumo a coloca no mês seguinte à saída de julho. Um comentário académico indica que a tomada de posse ocorreu a 2 de setembro e que o mandato decorre de 2026 a 2031.

A sequência mostra como a transição na liderança se insere num período mais longo de pressão:

  • Meados de janeiro de 2026: a nomeação de Thomas Djiwandono para vice-governador coincidiu com a queda momentânea da rupia para 16 985 por dólar dos EUA.
  • Maio e junho: o Bank Indonesia subiu a taxa de política monetária num total acumulado de 100 pontos base, à medida que a rupia se desvalorizava ainda mais.
  • Final de julho: Warjiyo deixou o cargo. O comentário académico data a sua demissão de 26 de julho.
  • 2 de setembro: Damayanti tomou posse, segundo esse comentário.
  • 22 e 23 de setembro: o Bank Indonesia manteve a taxa de referência em 5,75%.
  • 2 e 12 de outubro: Suahasil e Damayanti, respetivamente, rejeitaram o controlo governamental das decisões sobre as taxas.
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A tomada de posse em setembro trouxe algum alívio aos mercados. O relato académico regista a rupia a 17 763 por dólar nesse dia, uma valorização de 1,4% desde 26 de julho, e o índice composto de Jacarta nos 6595 pontos, uma subida de 6,6% no mesmo período. Estes ganhos indicam uma melhor receção durante a transição, não uma inversão da tendência mais ampla de fraqueza da moeda. Um relato distinto apontou para uma desvalorização superior a 6% face ao dólar no conjunto do ano.

O debate jurídico vai além da promessa de uma governadora

A independência do banco central da Indonésia assenta em reformas introduzidas após a crise financeira asiática de 1997 e 1998. Numa análise da independência do BI, publicada a 10 de abril, Deni Friawan, investigador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Jacarta, explica que a Lei de 1999 sobre o Bank Indonesia e a alteração de 2004 protegeram a política monetária das pressões políticas e atribuíram ao banco o mandato de manter a estabilidade da rupia.

Friawan contextualiza os dados de inflação posteriores: entre 2016, a inflação média situou-se entre 3% e 4%, face a cerca de 58% durante a crise financeira. Os números abrangem períodos muito diferentes, mas mostram a dimensão da estabilidade alcançada após a crise e as reformas institucionais.

A Lei de 2023 sobre o Desenvolvimento e o Reforço do Setor Financeiro alargou as responsabilidades do Bank Indonesia, incluindo a estabilidade dos pagamentos e do sistema financeiro em apoio ao crescimento sustentável. Friawan afirma que a lei preserva formalmente a independência, mas torna o papel do banco mais sensível às mudanças de política.

Uma análise posterior do mandato do BI, dos economistas Suryaputra Wijaksana e Maria Monica Wihardja, investigadora do ISEAS, examina a Lei n.º 4/2023 e a alteração de junho de 2026. Os autores argumentam que as exceções previstas na lei e a supervisão política limitaram a independência e aproximaram o banco tanto da gestão monetária como do financiamento do governo.

Estas são avaliações académicas, não decisões judiciais. Identificam preocupações jurídicas e operacionais que vão além da questão mais restrita abordada por Damayanti: quem tem a autoridade final para subir ou baixar as taxas de juro.

Porque preocupam os investidores as nomeações e a supervisão

A nomeação por Prabowo do sobrinho, Thomas Djiwandono, para vice-governador do Bank Indonesia fez sobressair estas preocupações. Friawan regista uma reação rápida dos mercados à nomeação, em meados de janeiro, mas ressalva que as taxas globais, as condições orçamentais e as perceções mais amplas sobre a governação também influenciaram a reação.

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Não é, portanto, possível atribuir a queda da rupia a uma única nomeação. A mesma cautela se aplica à fraqueza posterior da moeda: as preocupações com a saúde das finanças públicas, as regras de exportação e a transparência do mercado bolsista coexistem com as dúvidas sobre a independência monetária.

Wijaksana e Wihardja analisaram dados mensais de janeiro de 2022 a junho de 2026 e identificaram uma quebra no comportamento da taxa de política monetária por volta de novembro de 2024. Registam alterações na relação da taxa com as taxas de juro dos EUA e o crescimento do crédito bancário, em vez de com a inflação ou a taxa de câmbio.

Os autores descrevem os seus resultados como provisórios. Uma alteração estatística nas relações não prova, por si só, que o governo tenha orientado uma decisão concreta sobre as taxas. A preocupação é que um crédito cada vez mais impulsionado por projetos do Estado e pela política orçamental possa reduzir a eficácia dos instrumentos monetários convencionais.

Recomendam que a estabilidade dos preços e da rupia passe a ser o objetivo prioritário, que sejam eliminados os poderes vinculativos do parlamento para avaliar e demitir responsáveis e que as compras de obrigações do Estado no momento da emissão sejam limitadas a crises claramente definidas e sujeitas a uma estratégia de saída. São recomendações, não reformas anunciadas nem decisões pendentes com um calendário definido.

As taxas subiram e, depois, o banco procurou outra forma de apoiar a rupia

A subida de 100 pontos base em maio e junho equivale a um ponto percentual. Elevou a taxa de referência dos 4,75% registados durante a manutenção da taxa em janeiro para os 5,75% mantidos na reunião de setembro. Setembro marcou a terceira reunião consecutiva com a taxa nesse nível.

A decisão anterior, de janeiro, já mostrava que o banco dava prioridade à estabilidade cambial em detrimento de uma maior flexibilização. Em junho, a rupia atingiu um novo mínimo histórico, levando a uma resposta mais forte através das taxas. Não é indicado aqui o valor da taxa de câmbio em junho, pelo que não é possível compará-lo com precisão com os 16 985 por dólar registados em janeiro.

Desde as subidas, o Bank Indonesia disponibilizou instrumentos de cobertura cambial com desconto. A cobertura permite aos investidores reduzir o risco de uma variação cambial anular o retorno de um investimento. Damayanti afirmou que o desconto poderia acrescentar 40 pontos base, ou 0,4 pontos percentuais, ao retorno dos investidores estrangeiros em ativos denominados em rupias, sem nova subida das taxas.

Esta é uma intervenção diferente da subida da taxa de referência. Reduz o custo da gestão do risco cambial para os investidores que utilizam estes instrumentos, em vez de aumentar os custos dos empréstimos em toda a economia.

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Damayanti afirmou que as futuras decisões sobre as taxas dependeriam dos dados económicos e que o banco estava preparado para responder quando necessário. Não anunciou qualquer nova subida ou descida. A meta de inflação indicada situa-se entre 1,5% e 3,5%, enquanto a decisão de setembro foi descrita como visando apoiar a estabilidade da rupia, manter a inflação dentro da meta e sustentar o crescimento económico.

A pressão orçamental dificulta a manutenção da fronteira

O governo ambiciona alcançar um crescimento económico de 8% até 2029. A análise de Friawan descreve uma margem limitada para financiar essa meta: a dívida pública ronda 40% do produto interno bruto, o défice orçamental aproxima-se do limite legal de 3% do PIB e a receita fiscal equivale a cerca de 10% do PIB.

Em 2025, os custos do serviço da dívida ultrapassaram 45% das receitas públicas, segundo a análise. A dívida em relação à economia e os custos do serviço da dívida em relação às receitas medem coisas diferentes. Uma dívida moderada pode coexistir com um pesado encargo orçamental quando as receitas do Estado são baixas.

Wijaksana e Wihardja identificam outro canal de ligação entre as prioridades orçamentais e o sistema bancário. Segundo os autores, a partir de setembro de 2025, na sequência de diretivas do Ministério das Finanças, o Bank Indonesia transferiu para bancos comerciais públicos excedentes orçamentais acumulados pelo governo, no total de 300 biliões de rupias, cerca de 17 mil milhões de dólares, que estavam depositados em contas do banco central.

Esse valor é superior aos cerca de 200 biliões de rupias referidos durante o debate sobre a política de crescimento de 2025. A análise posterior indica um total acumulado desde setembro, enquanto a cobertura anterior descrevia a colocação de fundos nessa fase. Sem uma discriminação mais detalhada, a diferença não deve ser tratada como se fosse a mesma operação medida de forma inconsistente.

Os autores académicos afirmam que o crédito a empresas públicas cresceu a um ritmo mais de duas vezes superior ao do crédito ao setor privado. Argumentam que essa orientação do crédito, a par das compras de obrigações do Estado com prazos mais longos, pode apoiar programas públicos e, ao mesmo tempo, enfraquecer a separação entre a política monetária e o financiamento orçamental.

O risco depende, em parte, de as operações monetárias compensarem ou não a liquidez adicional. Esse processo, chamado esterilização, retira dinheiro de circulação noutros pontos para contrariar uma injeção. Sem compensação, o aumento da liquidez pode dificultar o controlo da inflação, mesmo que a taxa de juro de referência se mantenha elevada.

As reservas dão apoio, mas há obrigações a considerar

No final de setembro, as reservas cambiais da Indonésia ascendiam a 146,3 mil milhões de dólares. Damayanti afirmou que esse montante era suficiente para estabilizar a rupia, incluindo as reservas constituídas por depósitos em dólares dos EUA de bancos comerciais junto do Bank Indonesia.

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Algumas estimativas de mercado apontam para passivos a prazo de cerca de 30 mil milhões de dólares. Os passivos a prazo são obrigações associadas a operações que serão liquidadas mais tarde. Não equivalem a um levantamento imediato do total de reservas publicado, mas são relevantes para avaliar os compromissos futuros em moeda estrangeira.

Os 30 mil milhões de dólares estimados correspondem a cerca de 20,5% das reservas de 146,3 mil milhões. Esta comparação mostra a dimensão da estimativa, não representa um cálculo confirmado das reservas livremente utilizáveis. Subtrair simplesmente um valor ao outro não permite determinar a capacidade líquida do banco para intervir.

Damayanti afirmou que a maioria dos bancos coloca fundos em instrumentos com prazo de um ano e que esses depósitos serão renovados. Ao falar sobre o volume contínuo de fundos que os bancos mantêm no banco central, disse:

Costumam ter aquilo a que chamam “reserva permanente”, uma posição que está garantido que continuará sempre aqui.

Esta é a avaliação da governadora sobre a permanência desses depósitos. Não constitui um calendário de vencimentos publicado nem uma reconciliação detalhada dos passivos a prazo estimados. Damayanti afirmou também que um reforço das exportações contribuiria mais para as reservas.

Os pagamentos em moeda local estão a aumentar rapidamente

O Bank Indonesia também procura reduzir a dependência do dólar dos EUA na liquidação de operações comerciais e de investimento. Damayanti afirmou que as transações em moedas locais atingiram 49,42 mil milhões de dólares até agosto, face a 25,74 mil milhões no conjunto do ano anterior.

Assim, os primeiros oito meses ultrapassaram o total do ano anterior em 23,68 mil milhões de dólares, ou cerca de 92%. Como os períodos de referência são diferentes, não se trata de uma comparação com os mesmos oito meses do ano anterior. Ainda assim, mostra que as transações já tinham atingido cerca de 1,92 vezes o total do ano precedente.

Cerca de três quartos do total atual foram realizados em yuan chinês, afirmou Damayanti. Aplicada aos 49,42 mil milhões de dólares, essa proporção aproximada corresponde a cerca de 37,1 mil milhões em transações em yuan. Esta concentração significa que a redução dos pagamentos em dólares está associada sobretudo a uma moeda alternativa, em vez de estar distribuída de forma equilibrada pelos parceiros.

O banco estabeleceu acordos de liquidação com a China, o Japão, a Coreia do Sul e Singapura. Está em preparação um acordo com a Índia, mas não foi anunciada qualquer data para a sua conclusão. A liquidação em moeda local pode reduzir a necessidade de obter dólares para as transações elegíveis; não elimina a exposição da Indonésia ao endividamento em dólares, aos fluxos internacionais de capitais ou à pressão cambial.

O teste imediato para Damayanti é saber se as ações do banco correspondem à garantia de autonomia nas taxas, na liquidez e nas operações com obrigações. Não foram especificadas a data da próxima reunião de política monetária, uma nova decisão sobre as taxas, um calendário para reformas legais ou uma discriminação detalhada dos passivos associados às reservas. Os factos concretos são a manutenção das taxas em setembro, a garantia da governadora em outubro e a utilização continuada de instrumentos que vão além das taxas de juro para apoiar a rupia.

Pontos principais

  • Destry Damayanti afirma que o Bank Indonesia mantém plena autoridade sobre as taxas, apesar da coordenação mais estreita com o governo.
  • A taxa de referência situou-se em 5,75% em setembro, após subidas acumuladas de um ponto percentual em maio e junho.
  • Análises académicas questionam o impacto dos mandatos alargados, da supervisão política e das operações de financiamento do governo na independência do banco.
  • Em setembro, as reservas ascendiam a 146,3 mil milhões de dólares; algumas estimativas de mercado apontam para passivos a prazo próximos dos 30 mil milhões.
  • As transações em moedas locais atingiram 49,42 mil milhões de dólares até agosto, cerca de 92% acima do total do ano anterior.
  • As futuras decisões sobre as taxas dependerão dos dados. Não foi anunciada qualquer nova alteração das taxas nem uma data para o acordo de liquidação com a Índia.
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