Os veículos são responsáveis por 19–24% da poluição de Deli, diz a CAQM ao Supremo Tribunal, enquanto persistem lacunas regionais mais amplas

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Vehicles account for 19–24% of Delhi pollution, CAQM tells Supreme Court as wider regional gaps persist

Uma década de estudos coloca os transportes sob escrutínio

Os transportes são responsáveis por 19–24% da poluição atmosférica de Deli e a queima de biomassa por 17–23%, segundo uma avaliação da Comissão de Gestão da Qualidade do Ar (CAQM), apresentada ao Supremo Tribunal da Índia. A comissão reuniu conclusões de estudos realizados entre 2015 e 2025, trazendo uma década de dados para o debate sobre como melhorar a qualidade do ar na capital.

Índice
  1. Uma década de estudos coloca os transportes sob escrutínio
  2. Conclusões do estudo detalhado sobre a poluição
  3. Porque é que o inverno altera a mistura de poluentes
  4. Algumas partículas formam-se depois de os gases saírem da fonte
  5. O ar de Deli atravessa fronteiras administrativas
  6. Menos incêndios agrícolas, mas a queima continua sob escrutínio
  7. O que mudaria para os veículos e os passageiros?
  8. A preocupação do tribunal abrange as escolas e quem trabalha ao ar livre
  9. Os estudos locais continuam atrasados
  10. Principais pontos

A CAQM identificou as PM2,5 como o principal poluente que afeta o Índice de Qualidade do Ar (AQI) de Deli. Estas partículas têm um diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrómetros, suficientemente pequeno para chegarem às zonas profundas dos pulmões. Provêm dos gases de escape dos veículos, da queima de combustíveis e de outras atividades, e algumas formam-se na atmosfera quando os gases reagem entre si.

A comissão registou também uma forte redução dos incêndios de resíduos agrícolas. Em comparação com 2021, os casos registados entre 15 de setembro e 4 de novembro diminuíram 91,9% no Panjabe e 98,4% em Haryana. Ainda assim, Deli enfrenta poluição causada pelo trânsito, fábricas, centrais elétricas, poeiras, queima de resíduos e poluentes transportados pelo vento para a cidade.

A procuradora-geral adicional Aishwarya Bhati apresentou a análise perante um coletivo composto pelo presidente do Supremo Tribunal, Surya Kant, e pelos juízes Joymalya Bagchi e Vipul M. Pancholi. A CAQM propôs 15 medidas para alcançar melhorias duradouras, incluindo controlos mais rigorosos dos veículos, a expansão dos transportes públicos, autocarros menos poluentes e uma melhor gestão do trânsito.

Os números apontam para um desafio prático: Deli precisa de agir nas suas estradas, mas os distritos vizinhos também influenciam o ar que os seus habitantes respiram. Um estudo detalhado anterior ajuda a explicar por que motivo as estimativas das fontes variam consoante a estação, a localização e o método utilizado para as calcular.

Conclusões do estudo detalhado sobre a poluição

A Associação de Investigação Automóvel da Índia (ARAI) e o Instituto de Energia e Recursos (TERI), no seu estudo de repartição das fontes de poluição, publicado em 2018, analisaram medições recolhidas em vários pontos da Região da Capital Nacional entre abril de 2016 e fevereiro de 2017. A repartição das fontes consiste em estimar quanto contribui cada atividade para as partículas medidas no ar.

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O estudo concluiu que a contribuição direta dos veículos para as PM2,5 era de 20–23% no inverno e de 18–20% no verão, em Deli e nas localidades da Região da Capital Nacional estudadas. A queima de biomassa contribuía com 22% no inverno e 15% no verão. A biomassa inclui materiais como madeira e resíduos agrícolas queimados em casas ou nos campos.

As estimativas sectoriais do mesmo estudo para Deli atribuíram aos transportes 28% das PM2,5 no inverno, à indústria 30%, às poeiras 17% e à queima de combustíveis domésticos e agrícolas, em conjunto, 14%. No verão, a percentagem dos transportes desceu para 17%, enquanto a das poeiras subiu para 38% e a indústria representou 22%.

Estas estimativas para o inverno em Deli colocam a indústria ligeiramente acima dos transportes, ao passo que a síntese mais abrangente da CAQM identifica os transportes como o maior contributo. Os cálculos abrangem períodos e áreas geográficas diferentes e atribuem a poluição a cada fonte segundo métodos distintos. Por isso, os leitores precisam de conhecer o local, a estação e o método associados a cada percentagem.

A ARAI e o TERI utilizaram duas abordagens. A modelação de recetores parte da composição química das partículas recolhidas para determinar as suas origens. A modelação da dispersão estima como as emissões se deslocam na atmosfera. As estimativas relativas aos transportes foram, em termos gerais, comparáveis: 20–30% através da modelação de recetores e 17–28% através da modelação da dispersão, nas diferentes estações analisadas.

Porque é que o inverno altera a mistura de poluentes

As condições meteorológicas de inverno dificultam a dispersão da poluição em Deli. O estudo da ARAI e do TERI explica que os ventos mais lentos e uma camada-limite atmosférica mais baixa deixam menos espaço para a dispersão dos poluentes. A camada-limite é a zona inferior da atmosfera onde o ar se mistura; por isso, quando o seu limite superior é mais baixo, a poluição acumula-se mais perto do solo.

As poeiras seguem um padrão sazonal diferente. Em Deli e nas localidades da Região da Capital Nacional estudadas, as fontes de poeiras contribuíram com 31–34% das PM2,5 no verão, contra 15% no inverno. As estimativas sectoriais para Deli mostraram também que as poeiras representaram 42% das PM10 no verão, contra 25% no inverno. As PM10 incluem partículas com até 10 micrómetros de diâmetro, uma gama de dimensões superior à das PM2,5.

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Os veículos e a queima de biomassa têm maior peso na mistura de poluentes no inverno, enquanto as poeiras representam uma proporção maior no verão. Por conseguinte, as autoridades precisam de combinar medidas de controlo diferentes ao longo do ano, em vez de dependerem das mesmas restrições sazonais para combater todas as fontes.

A lista de fontes de poluição invernal da CAQM inclui os transportes, as instalações industriais e as centrais termoelétricas, as poeiras das estradas e da construção, a queima de biomassa e as partículas formadas por reações químicas. A queima de resíduos e a utilização doméstica de combustíveis integram esse quadro mais amplo, juntamente com a queima de resíduos agrícolas.

Algumas partículas formam-se depois de os gases saírem da fonte

Os veículos, as instalações industriais e a queima de biomassa libertam gases que podem reagir no ar e formar partículas finas. O dióxido de enxofre e os óxidos de azoto são alguns dos gases envolvidos. Os cientistas chamam à poluição daí resultante partículas secundárias, isto é, partículas formadas na atmosfera, em vez de serem emitidas diretamente como partículas.

O estudo da ARAI e do TERI concluiu que os iões secundários, componentes destas partículas, representavam 26% das PM2,5 no inverno e 17–18% no verão, em Deli e nas localidades da Região da Capital Nacional estudadas. A sua proporção no inverno era oito a nove pontos percentuais superior à do verão.

As estimativas sectoriais e as análises químicas descrevem a poluição de formas diferentes. Um cálculo organizado por setor atribui a poluição a atividades como os transportes ou a indústria. Uma análise química identifica a composição das partículas. As emissões gasosas de várias atividades podem contribuir para o mesmo conjunto de partículas secundárias.

Por isso, as medidas de controlo têm de ir além do fumo e das poeiras visíveis. Reduzir os gases emitidos pelos motores, pela produção de eletricidade e por outras formas de queima de combustíveis também ajuda a reduzir as partículas finas que acabam por chegar aos pulmões das pessoas.

O ar de Deli atravessa fronteiras administrativas

Segundo as estimativas do estudo da ARAI e do TERI, as emissões geradas na própria Deli representavam 36% das PM2,5 no inverno e 26% no verão. De acordo com estes cálculos, as fontes fora de Deli eram responsáveis pelos restantes 64% e 74%, respetivamente.

O estudo identificou a confeção de alimentos em habitações, a queima de resíduos agrícolas, as chaminés industriais e as poeiras fora da cidade entre as fontes cujos poluentes podem chegar com os ventos que sopram para Deli. A síntese da CAQM descreve igualmente a qualidade do ar da cidade como resultado tanto das emissões locais como da poluição transportada pela região.

A coordenação regional também é importante para as deslocações diárias. O Supremo Tribunal tem-se debruçado sobre o intenso trânsito entre Deli e Ghaziabad, Greater Noida, Gurugram e Faridabad. Os veículos atravessam estas fronteiras ao longo do dia, enquanto as emissões que produzem se dispersam em função das condições meteorológicas, e não das jurisdições.

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As autoridades de Deli podem agir sobre o trânsito local, a queima de resíduos e as poeiras. As administrações vizinhas também controlam estradas, zonas industriais, habitações e atividades agrícolas que contribuem para a mesma poluição atmosférica regional. Os números do estudo mostram por que motivo é necessário agir a ambos os níveis.

Menos incêndios agrícolas, mas a queima continua sob escrutínio

A redução de 91,9% no Panjabe e de 98,4% em Haryana diz respeito aos casos registados de incêndios de resíduos agrícolas durante o período de comparação de 15 de setembro a 4 de novembro, face a 2021. A estimativa mais abrangente da CAQM, de 17–23% para a queima de biomassa, inclui mais atividades, como a queima doméstica, de resíduos e de resíduos agrícolas.

Noutra audiência no Supremo Tribunal, Bhati afirmou que os incêndios agrícolas contribuíram com 14% para a poluição de Deli na quinta-feira anterior. Aparajita Singh, advogada sénior que auxilia o tribunal na qualidade de amicus curiae, também chamou a atenção para esse contributo e defendeu medidas contra a poluição dentro de Deli, em especial a queima de resíduos.

A percentagem de 14% refere-se ao contributo dos incêndios agrícolas num dia específico. O intervalo da CAQM para a biomassa resume um conjunto mais amplo de atividades de queima ao longo de vários estudos. As condições meteorológicas, o momento dos incêndios e as atividades consideradas influenciam as percentagens resultantes.

O Supremo Tribunal instou os agricultores a utilizarem maquinaria para gerir os resíduos agrícolas, em vez de incendiarem os campos. Abordou também a possibilidade de anunciar antecipadamente os preços de compra da palha e de equipar os conselhos das aldeias com sistemas de gestão. Estas propostas visam resolver as dificuldades práticas da recolha e do tratamento dos resíduos entre a colheita e a sementeira seguinte.

O que mudaria para os veículos e os passageiros?

As propostas da CAQM para os transportes combinam veículos menos poluentes com alternativas à condução. Incluem um sistema de inspeção dos veículos mais rigoroso, designado PUC 2.0, e a utilização de deteção remota para monitorizar as emissões dos veículos nas estradas. A deteção remota utiliza equipamento para avaliar os gases de escape à medida que os veículos passam.

Bhati descreveu medidas já introduzidas, incluindo restrições aplicáveis a certas categorias de veículos, a geolocalização dos certificados PUC e o tratamento de queixas sobre veículos visivelmente poluentes, recebidas através de aplicações e das redes sociais. A geolocalização regista o local onde o certificado foi emitido, dando às autoridades outra forma de verificar as inspeções.

As recomendações a mais longo prazo incluem retirar de circulação os veículos poluentes, criar incentivos para o abate de veículos mais antigos, instalar mais postos de carregamento de veículos elétricos e de troca de baterias, e expandir as frotas de autocarros elétricos e a gás natural comprimido. A CAQM propôs também melhorar a gestão do estacionamento, integrar o controlo do trânsito e aumentar as taxas de proteção ambiental.

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Os passageiros seriam afetados pelas propostas de expansão dos serviços de metro, caminhos de ferro regionais e do Sistema de Trânsito Rápido Regional. O plano inclui também interfaces de transportes que liguem diferentes serviços e informação aos passageiros sobre o estado atual dos serviços. O objetivo prático é facilitar viagens que envolvam mais do que um meio de transporte público.

O estudo da ARAI e do TERI, publicado em 2018, oferece uma comparação útil para o planeamento. Na sua projeção para o inverno de 2030, os transportes representavam 16% das PM2,5 na Região da Capital Nacional e a indústria 44%. O estudo estimava que uma maior utilização de veículos elétricos poderia reduzir as concentrações de PM2,5 e PM10 em 5–6% entre 2025 e 2030. Eram resultados modelados com base nos pressupostos do estudo; as alterações propostas para os transportes não dispensam a necessidade contínua de controlar as emissões industriais.

A preocupação do tribunal abrange as escolas e quem trabalha ao ar livre

Na audiência de 6 de novembro, um coletivo composto pelo presidente do Supremo Tribunal, Surya Kant, e pelos juízes Joymalya Bagchi e V. Mohana analisou o quadro regulamentar relativo à poluição atmosférica em Deli. O presidente do tribunal salientou a distância entre o debate e as condições que os habitantes já enfrentam.

Continuamos a falar e, por vezes, fazemos declarações e sugestões, mas o que importa é que o AQI já está a chegar aos 400.

Os dados do Conselho Central de Controlo da Poluição citados em torno dessa audiência apontavam para um AQI de 391 em toda a cidade na sexta-feira, na categoria de muito fraca qualidade do ar. Às 9h00, 30 das 59 estações de monitorização registavam qualidade do ar severa, incluindo Rohini, com 475, e o IIT Delhi, com 472. Um valor para toda a cidade agrega as condições de diferentes locais, pelo que os valores registados em determinados bairros podem ser muito mais elevados.

Na quinta-feira anterior, 18 estações tinham registado um AQI superior a 400, incluindo Jahangirpuri, com 459, o IIT Delhi, com 447, e a Universidade Tecnológica de Deli, com 436. Estas leituras mostram que a poluição grave se estende a diferentes zonas da capital.

O tribunal chamou a atenção para os trabalhadores à jorna e outras pessoas que têm de trabalhar ao ar livre. Estava também a analisar um pedido de encerramento das escolas ou de adoção de aulas em formato híbrido, online e presencial, acima de um determinado limiar de AQI. A decisão seria orientada pela opinião de especialistas. A audiência seguinte estava marcada para 16 de novembro; não foi indicado o ano nem uma decisão sobre esse pedido relativo às escolas.

Os estudos locais continuam atrasados

Uma análise do Conselho Central de Controlo da Poluição (CPCB) concluiu que tinham sido concluídos estudos de repartição das fontes em 107 das 130 cidades abrangidas pelo Programa Nacional para o Ar Limpo, enquanto os trabalhos prosseguiam em 23 cidades de oito estados. Noida, Faridabad, Meerut e Khurja eram quatro das cidades onde os estudos estavam por concluir, ou 17,4% do total pendente. O CPCB fixara 15 de novembro de 2025 como prazo previsto para a conclusão.

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O estudo de Faridabad foi encomendado em 2022 e atribuído ao TERI pela Corporação Municipal de Faridabad, mas o relatório final continuava pendente. Os estudos atribuídos à ARAI em janeiro de 2023 para Gurugram, Sonipat e Panipat tinham sido concluídos e estavam a ser analisados pelo Conselho de Controlo da Poluição de Haryana. Em todo o programa nacional, outros 53 relatórios concluídos sobre cidades aguardavam revisão por pares.

O quadro da CAQM, publicado em abril de 2025, prevê uma abordagem comum, com o mapeamento das fontes de poluição numa grelha de quadrados de 500 metros de lado. Um inventário regional atualizado e um estudo de repartição das fontes, com 2026 como ano de referência, foram atribuídos a um consórcio liderado pela ARAI, em conjunto com o IIT Delhi, o TERI e o Instituto Indiano de Meteorologia Tropical, em Pune.

Os principais marcos mostram como a base de dados foi evoluindo:

  • Abril de 2016–fevereiro de 2017: Recolha de medições no terreno para a avaliação da ARAI e do TERI.
  • Agosto de 2018: A ARAI e o TERI publicaram o estudo sobre as fontes de poluição em Deli e na Região da Capital Nacional.
  • 2022 e janeiro de 2023: Foram encomendados novos estudos para Faridabad e outras três cidades de Haryana.
  • Abril de 2025: A CAQM publicou o seu quadro comum para a avaliação regional.
  • 15 de novembro de 2025: Prazo previsto pelo CPCB para a conclusão dos estudos sobre as fontes de poluição nas cidades.
  • 2026: Ano de referência escolhido para a avaliação regional atualizada.

Medições locais mais consistentes ajudariam as autoridades a identificar onde as inspeções de veículos, o controlo das emissões industriais, a gestão das poeiras e as alternativas à queima podem produzir as maiores reduções. A síntese da CAQM já coloca os transportes no centro da resposta, enquanto os dados regionais atribuem um papel significativo à indústria, à queima e à poluição que chega de fora de Deli.

Principais pontos

  • A CAQM estima que os transportes contribuam com 19–24% para a poluição de Deli e a queima de biomassa com 17–23%, com base em estudos realizados entre 2015 e 2025.
  • Os casos registados de incêndios de resíduos agrícolas diminuíram 91,9% no Panjabe e 98,4% em Haryana, durante o período de comparação indicado face a 2021.
  • O estudo da ARAI e do TERI estimou que as emissões geradas na própria Deli representavam 36% das PM2,5 no inverno e 26% no verão.
  • A CAQM propôs inspeções de veículos mais rigorosas, frotas menos poluentes, a expansão dos transportes públicos e uma melhor gestão do trânsito.
  • Noida, Faridabad, Meerut e Khurja estavam entre as 23 cidades do programa com estudos de repartição das fontes por concluir.
  • A avaliação regional atualizada utilizará 2026 como ano de referência e mapeará as fontes numa grelha de 500 por 500 metros.
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