Wang rejeita solução indireta para as declarações de Takaichi sobre Taiwan, enquanto o Japão procura melhorar as relações

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Wang Rejects Indirect Fix for Takaichi's Taiwan Remarks as Japan Seeks a Thaw

Uma reunião em Pequim expõe o obstáculo à melhoria das relações

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, rejeitou uma proposta do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Takeshi Iwaya, para resolver a disputa em torno das declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan através da reafirmação de um acordo diplomático de 1972, segundo Iwaya. Pequim queria, em vez disso, que a própria líder japonesa abordasse o problema.

Índice
  1. Uma reunião em Pequim expõe o obstáculo à melhoria das relações
  2. O que Takaichi disse sobre Taiwan
  3. A explicação de Tóquio não convenceu Wang
  4. Por que razão Iwaya recorreu ao acordo de 1972
  5. Retirada ou correção?
  6. Como evoluiu a disputa
  7. A cooperação económica continua a ser uma oportunidade distinta
  8. A política de defesa do Japão acrescenta outro ponto de fricção
  9. Por que razão o canal através de Iwaya é importante
  10. Principais pontos

A proposta surgiu durante uma reunião realizada a 28 de setembro no Grande Salão do Povo, em Pequim. Iwaya, que visitava a China na qualidade de presidente da Associação Japonesa para a Promoção do Comércio Internacional, argumentou que a política do Japão em relação a Taiwan não tinha mudado e que uma retirada explícita das declarações por parte de uma primeira-ministra em funções teria um elevado custo político.

Wang, ministro dos Negócios Estrangeiros da China e membro do Politburo do Partido Comunista, insistiu repetidamente numa retirada, segundo os detalhes da reunião partilhados no seio do Governo japonês. Considerou que as declarações de Takaichi exprimiam a sua visão de longa data sobre a história, e não que fossem um lapso verbal acidental.

Um segundo participante, Tomoki Izumikawa, diretor da associação, descreveu mais tarde o pedido de Wang como uma exigência de correção rápida, e não de retirada. Esta diferença de formulação deixa por resolver uma questão diplomática central: que declaração de Tóquio seria suficiente para Pequim?

O que Takaichi disse sobre Taiwan

Na sua resposta parlamentar de 7 de novembro de 2025, Takaichi associou um possível conflito envolvendo Taiwan a uma categoria jurídica que poderia permitir ao Japão exercer o direito de legítima defesa coletiva. Disse que uma situação envolvendo navios de guerra e o uso da força poderia ser considerada uma situação que ameaçasse a sobrevivência do Japão.

A legítima defesa coletiva consiste no uso da força para ajudar a defender outro país, em condições específicas. A expressão relativa à sobrevivência do Japão é importante porque associa uma discussão sobre Taiwan às circunstâncias em que o Governo japonês poderia autorizar uma ação militar.

A China contestou veementemente essa associação. A exigência de Pequim diz agora respeito à forma como a primeira-ministra deve abordar as suas palavras, enquanto Tóquio sustenta que a política em vigor se mantém inalterada.

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A explicação de Tóquio não convenceu Wang

Posteriormente, o Conselho de Ministros do Japão aprovou uma resposta escrita que afirmava que o Governo mantinha integralmente a sua posição estabelecida. Segundo essa posição, qualquer decisão sobre se uma situação ameaça a sobrevivência do Japão dependeria das circunstâncias específicas e de uma avaliação objetiva e razoável de toda a informação disponível ao Governo.

Em termos simples, Tóquio afirma que analisaria uma crise concreta antes de decidir que poderes legais se aplicariam. Iwaya levou essa explicação à reunião de Pequim, argumentando que as declarações posteriores de Takaichi no Parlamento e outras observações tinham deixado clara a continuidade da política japonesa.

Wang continuou a exigir uma resposta da própria Takaichi. Segundo Iwaya, os dois concordaram que era necessário melhorar as relações, mas a avaliação do Governo chinês sobre a administração de Takaichi continuava a ser dura.

A divergência diz, portanto, respeito tanto ao conteúdo como à responsabilidade. O Japão apresentou uma explicação do Governo sobre a forma como seriam tomadas as decisões. Wang quer que a líder que fez as declarações contestadas resolva a disputa.

Por que razão Iwaya recorreu ao acordo de 1972

Iwaya propôs que ambos os Governos reafirmassem o espírito do Comunicado Conjunto Japão-China de 1972, um dos documentos políticos fundamentais que regem a relação entre os dois países. Apresentou a proposta como uma forma de alcançar, na prática, o mesmo efeito de uma retirada, sem exigir que Takaichi retractasse explicitamente a sua resposta.

O comunicado regista que o Japão compreende plenamente e respeita a posição da China de que Taiwan é parte inalienável do território da República Popular da China. Retomar essa formulação daria aos dois Governos um texto diplomático já estabelecido em torno do qual poderiam construir um acordo.

Para Iwaya, essa era uma possível saída para uma disputa em que um recuo explícito seria politicamente difícil para a primeira-ministra. Para Wang, a formulação proposta deixava demasiadas questões por resolver.

Iwaya descreveu a rejeição de Wang numa entrevista a 7 de outubro. Wang, na qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros da China, opôs-se a uma resolução indireta da disputa:

«Uma abordagem ambígua não é boa»,

Wang também citou um provérbio chinês segundo o qual quem causa um problema deve resolvê-lo. A sua mensagem atribuía novamente a responsabilidade a Takaichi, em vez de a um acordo negociado em torno das suas declarações.

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Retirada ou correção?

Izumikawa, de 47 anos, acompanhou Iwaya nas reuniões com Wang e com He Lifeng, vice-primeiro-ministro da China, durante a visita de setembro. Numa entrevista por ocasião do primeiro aniversário da resposta de Takaichi, descreveu Wang como alguém que pretendia uma correção o mais rapidamente possível das declarações que Pequim considerava erradas, feitas por uma líder sobre Taiwan.

O relato de Iwaya descreve uma exigência de retirada; o de Izumikawa, um pedido de correção, que este interpretou como uma formulação menos exigente. Ambos os relatos colocam o próximo passo substantivo do lado japonês.

Izumikawa também referiu que o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou, numa conferência de imprensa, que a bola estava do lado do Japão. Defendeu que o diálogo era indispensável e que o Japão precisava de apresentar uma resposta que a China pudesse aceitar.

Nos relatos, não foi anunciada nenhuma formulação acordada, prazo ou data para uma nova reunião. A avaliação de Izumikawa sugere que poderá haver margem para discutir a forma como Takaichi responde, enquanto a rejeição da proposta de Iwaya mostra que, na reunião de setembro, a simples reafirmação de um acordo existente não foi suficiente.

Como evoluiu a disputa

O esforço diplomático prolongou-se desde a resposta parlamentar de Takaichi, em novembro de 2025, até às reuniões em Pequim no setembro seguinte e aos relatos públicos de outubro e novembro de 2026. As principais etapas foram:

  • 7 de novembro de 2025: Takaichi disse no Parlamento que uma situação de emergência em Taiwan envolvendo navios de guerra e o uso da força poderia ser considerada uma situação que ameaçasse a sobrevivência do Japão.
  • Após a resposta: o Conselho de Ministros do Japão aprovou uma resposta escrita, mantendo que o Governo avaliaria qualquer situação desse tipo à luz das circunstâncias específicas.
  • De 27 a 30 de setembro de 2026: Iwaya visitou a China na qualidade de presidente da associação de promoção do comércio e reuniu-se separadamente com Wang e He.
  • 28 de setembro: Iwaya e Wang discutiram as declarações sobre Taiwan no Grande Salão do Povo.
  • 7 de outubro: Iwaya descreveu publicamente a solução que propusera e a rejeição de Wang.
  • Por volta do aniversário de 7 de novembro: Izumikawa descreveu as palavras de Wang como um apelo à correção e defendeu a continuação do diálogo.

A sequência mostra por que razão as conversações de setembro foram importantes. Quase um ano depois da resposta original, um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros continuava a tentar encontrar uma formulação que permitisse reabrir uma relação política prejudicada por ela.

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A cooperação económica continua a ser uma oportunidade distinta

He Lifeng manifestou um forte desejo de promover a cooperação económica durante a sua reunião separada com Iwaya. O visitante japonês pediu à China que melhorasse a gestão das exportações de terras raras e de outros minerais essenciais para o Japão.

As terras raras são um grupo de elementos utilizados em produtos industriais e processos de fabrico. A sua importância nesta disputa decorre das aplicações tanto na produção civil como nas indústrias de defesa, tornando especialmente relevantes as decisões sobre o destinatário ou a utilização prevista.

He, vice-primeiro-ministro da China, disse a Iwaya que Pequim pretendia distinguir entre utilizações militares e civis:

«Imporemos restrições se forem para uso militar, mas não haverá problema se forem para uso civil»,

Disse também que a China estava a estudar formas melhores de gerir as restrições. Para as empresas japonesas, a questão prática é saber se as autorizações de exportação permitem que os materiais cheguem às fábricas quando são necessários.

A 21 de outubro, o Japão procurava o apoio dos Estados Unidos devido a uma escassez de ítrio, uma terra rara utilizada em motores a jato e equipamento de fabrico de semicondutores. Responsáveis japoneses e executivos do setor comercial alertaram para a possibilidade de escassez até ao final de 2026. As conversações económicas em Pequim diziam, por isso, respeito a fornecimentos com consequências diretas para a produção, a par da disputa sobre a linguagem política.

A política de defesa do Japão acrescenta outro ponto de fricção

Iwaya pediu também a Wang que deixasse de descrever os esforços do Japão para reforçar as suas capacidades de defesa como uma nova forma de militarismo. O pedido abordava uma fonte mais ampla de desconfiança entre os Governos, para além da resposta parlamentar específica sobre Taiwan.

Separadamente, o Japão ponderava como descrever a China na versão revista da sua Estratégia de Segurança Nacional. No final de outubro, Tóquio avaliava se deveria manter a expressão «maior desafio estratégico», evitando, ao mesmo tempo, a designação mais forte de «ameaça».

A formulação proposta para a estratégia de segurança continuava em discussão, estando previstas consultas com os partidos que integram a coligação governamental japonesa a partir de meados de novembro e a revisão de três documentos de política de segurança até ao final de 2026.

Estas decisões colocavam a linguagem diplomática e o planeamento da defesa em calendários sobrepostos. Tóquio procurava margem para discutir a melhoria das relações, ao mesmo tempo que reavaliava a forma como descrevia a atividade militar da China e outras pressões. Pequim, entretanto, continuava a opor-se ao reforço das capacidades de defesa do Japão.

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Por que razão o canal através de Iwaya é importante

Iwaya viajou na qualidade de responsável de uma organização de promoção do comércio, e não de ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão em funções. Ainda assim, a visita garantiu-lhe reuniões com dois altos responsáveis chineses e permitiu-lhe transmitir tanto explicações políticas como preocupações empresariais.

Alguns observadores interpretaram a receção calorosa como uma tentativa de Pequim de fomentar divisões no Japão. Iwaya disse que poderiam estar em causa vários fatores, mas argumentou que a China parecia reconhecer a necessidade de dialogar com alguém do lado japonês.

Iwaya, membro do Partido Liberal Democrata, que está no poder, explicou por que razão considerava útil esse contacto:

É importante começar por falar e transmitir à China que também há pessoas do lado japonês que acreditam firmemente que as relações devem melhorar.

As suas reuniões revelaram tanto a abertura como os seus limites. He Lifeng manifestou interesse na cooperação económica e Wang concordou que as relações deveriam melhorar. No entanto, Wang rejeitou a fórmula diplomática proposta, deixando a resposta de Takaichi no centro da disputa política.

Principais pontos

  • Wang Yi rejeitou a proposta de Iwaya de resolver a disputa em torno das declarações sobre Taiwan através da reafirmação do Comunicado Conjunto Japão-China de 1972.
  • O Japão sustenta que a sua política não mudou e que qualquer decisão de segurança dependeria das circunstâncias de uma crise concreta.
  • Iwaya descreveu uma exigência de retirada; o outro participante, Izumikawa, descreveu um pedido de correção e interpretou-o como uma formulação mais branda.
  • He Lifeng, vice-primeiro-ministro, manifestou interesse na cooperação económica e afirmou que as restrições à exportação de minerais distinguiriam entre utilizações militares e civis.
  • Nos relatos da visita, não foi anunciada nenhuma formulação para um acordo nem uma data para uma nova reunião.
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