China intensifica patrulhas em Scarborough Shoal enquanto as Filipinas investigam equipamento de embarcação

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China Steps Up Scarborough Shoal Patrols as Philippines Investigates Vessel's Equipment

Patrulhas militares sucedem-se a uma semana de diplomacia tensa

A China enviou forças navais e aéreas para patrulhas de prontidão para combate em torno de Scarborough Shoal na sexta-feira, 30 de outubro, enquanto as Filipinas investigavam uma embarcação chinesa que transportava equipamento não identificado no interior da lagoa da zona disputada. As operações seguiram-se a reuniões regionais de defesa em Cebu, que terminaram com Pequim e Manila a contestarem publicamente o tratamento dado à China.

Índice
  1. Patrulhas militares sucedem-se a uma semana de diplomacia tensa
  2. O que a China diz que as suas forças estão a fazer
  3. Embarcação na lagoa sob escrutínio das Filipinas
  4. Nove outras embarcações chinesas avistadas nas proximidades
  5. Reuniões de defesa terminam com versões divergentes
  6. Porque são importantes a localização e a decisão de 2016
  7. Conversações e patrulhas têm prosseguido em paralelo
  8. Como se desenrolaram os acontecimentos mais recentes
  9. Pontos-chave

O Comando do Teatro de Operações Sul do Exército Popular de Libertação da China descreveu as patrulhas como uma resposta às ações das Filipinas e afirmou ter reforçado a sua presença em torno do baixio. A Guarda Costeira da China anunciou patrulhas de aplicação da lei no mesmo dia e afirmou ter agido contra embarcações que acusou de infringirem ilegalmente os direitos chineses.

Nenhum dos organismos chineses identificou a ação específica das Filipinas que motivou as operações de sexta-feira. A embaixada das Filipinas em Pequim e as forças armadas filipinas não responderam de imediato aos pedidos de comentário.

Scarborough Shoal, chamada Huangyan Dao por Pequim e Bajo de Masinloc por Manila, fica a cerca de 124 milhas náuticas a oeste da província filipina de Zambales, dentro da zona económica exclusiva das Filipinas. Ambos os países reivindicam o baixio, tornando a presença e a atuação de navios na zona uma fonte recorrente de tensão.

Os acontecimentos mais recentes juntam três fatores de pressão sobre a relação: uma presença crescente de patrulhas chinesas, o escrutínio filipino de uma embarcação desconhecida e uma disputa diplomática logo após um encontro regional de segurança. Para os navios que operam em torno do baixio, estas divergências dizem respeito a questões práticas, como os locais onde podem navegar, as atividades que podem realizar e as autoridades que procuram controlar os seus movimentos.

O que a China diz que as suas forças estão a fazer

O Comando do Teatro de Operações Sul afirmou na sexta-feira que as patrulhas navais e aéreas cobriram aquilo a que Pequim chama as águas territoriais, o espaço aéreo e as zonas circundantes do baixio. Apresentou a operação como uma forma de reforçar o controlo, defender a soberania e a segurança chinesas e manter a paz e a estabilidade no mar do Sul da China.

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O comando descreveu as patrulhas de 30 de outubro como:

uma contramedida necessária em resposta à violação de direitos e aos atos provocatórios das Filipinas.

A Guarda Costeira da China usou uma linguagem semelhante para descrever a sua própria operação. Afirmou que as patrulhas em torno do baixio tinham sido reforçadas ao longo de outubro e que as embarcações acusadas de infração tinham sido alvo de medidas em conformidade com as leis e regulamentos chineses.

As descrições militares apontam diferentes momentos como início do aumento da atividade. Uma declaração do Comando do Teatro de Operações Sul afirmou que as patrulhas navais e aéreas tinham sido reforçadas desde setembro; o relato da operação de 30 de outubro indicou que as patrulhas tinham aumentado desde o início de outubro. Ambas descrevem uma atividade contínua ao longo de várias semanas, e não uma única mobilização na sexta-feira.

As forças militares e a guarda costeira têm funções diferentes. As forças navais e aéreas realizam operações militares, enquanto uma guarda costeira se ocupa normalmente da vigilância e da aplicação da lei no mar. Os anúncios paralelos mostram Pequim a recorrer tanto à presença militar como à autoridade de aplicação da lei para defender a sua posição em torno do mesmo baixio disputado.

Embarcação na lagoa sob escrutínio das Filipinas

A Guarda Costeira das Filipinas está a examinar uma embarcação chinesa que começou a monitorizar em 3 de outubro. Durante um voo de vigilância marítima, em 29 de outubro, os seus elementos viram-na a rebocar uma embarcação mais pequena e a transportar um objeto cor de laranja com a forma de um barco, equipado com sensores e antenas.

O contra-almirante Jay Tarriela, porta-voz da Guarda Costeira das Filipinas para o mar das Filipinas Ocidentais, descreveu a investigação numa entrevista à estação pública PTV:

«Estamos a tentar determinar quais são as capacidades desta embarcação»,

Tarriela afirmou que a guarda costeira gostaria de acreditar que a embarcação fazia parte dos meios de apoio utilizados pelo Governo chinês. A sua configuração tinha mudado várias vezes desde que foi observada pela primeira vez, o que levou a um exame mais atento do equipamento e das possíveis utilizações.

A guarda costeira está a avaliar se o equipamento poderá servir de apoio a operações subaquáticas. A sua função continua por identificar, e a avaliação prossegue sem que tenha sido anunciada uma data para a sua conclusão. As autoridades filipinas estão também a verificar a identidade da embarcação, uma vez que as marcações na proa e os números de identificação da Organização Marítima Internacional não correspondem aos de navios de investigação chineses conhecidos.

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Esta distinção é importante para a monitorização marítima: identificar um casco é apenas uma parte da compreensão do que uma embarcação está a fazer. O equipamento a bordo, as alterações à sua disposição e as embarcações mais pequenas que operam em conjunto com ela podem ajudar as autoridades a avaliar a sua função operacional.

Nove outras embarcações chinesas avistadas nas proximidades

No mesmo voo filipino de 29 de outubro foram seguidos três navios da Guarda Costeira da China, cinco embarcações identificadas pela guarda costeira filipina como milícia marítima chinesa e um navio de guerra da marinha chinesa em torno do baixio. No total, são nove embarcações, além da embarcação investigada, descrita separadamente.

O relato filipino oferece uma imagem mais detalhada dos navios presentes do que os anúncios gerais de patrulhas da China. Os navios da guarda costeira representavam três das nove embarcações, enquanto as cinco classificadas como milícia marítima constituíam o maior grupo. O termo milícia marítima é usado para designar embarcações civis organizadas ou utilizadas para apoiar os objetivos do Estado no mar.

As observações filipinas dizem respeito à atividade de 29 de outubro, enquanto os anúncios da guarda costeira e das forças armadas chinesas se referem às patrulhas de 30 de outubro. As duas datas situam os avistamentos e as operações anunciadas num curto intervalo, num período em que a China afirma ter aumentado a sua presença.

Manila acusou embarcações chinesas de manobras perigosas e de utilizarem canhões de água para interferir em missões filipinas de reabastecimento em águas disputadas. Também foi noticiado um ataque com canhão de água a um navio filipino nas proximidades de Scarborough Shoal, em julho. Estes confrontos fazem dos movimentos dos navios e do seu equipamento uma questão de segurança, além de soberania.

As preocupações das Filipinas estendem-se a outras zonas disputadas. Em março, Manila acusou um navio de guerra chinês de realizar um seguimento provocatório de alvos nas proximidades de Sabina Shoal. A acusação dizia respeito a outro local, mas ajuda a explicar por que motivo as autoridades filipinas examinam atentamente tanto as capacidades dos navios chineses como as zonas onde operam.

Reuniões de defesa terminam com versões divergentes

As patrulhas ocorreram um dia após o encerramento de dois dias de reuniões de defesa da ASEAN em Cebu. A China acusou um político filipino não identificado de ter obstruído a sua participação, enquanto o secretário da Defesa das Filipinas, Gilberto Teodoro, afirmou que Pequim fora convidada e que o seu representante tivera oportunidade de intervir.

A disputa nas conversações de Cebu centrou-se, em parte, na decisão da China de enviar Yang Lei, adido de defesa da sua embaixada, à 13.ª Reunião dos Ministros da Defesa da ASEAN Mais (ADMM-Plus), em vez do ministro da Defesa, Dong Jun. Foi o nível de representação mais baixo da China desde a criação do fórum, em 2010.

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O porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Zhang Xiaogang, acusou as Filipinas de violarem o princípio da ASEAN de alcançar acordos através da consulta. Afirmou também que vários países da ASEAN tinham questionado as ações de Manila. Teodoro disse que nenhum membro da ASEAN lhe tinha manifestado preocupações desse tipo.

Teodoro, que presidiu às reuniões, rejeitou a descrição de Pequim sobre a posição do bloco regional:

É a posição da China; não é a posição da ASEAN.

A ASEAN, Associação das Nações do Sudeste Asiático, reúne os governos da região para conversações diplomáticas e de segurança. O seu fórum de defesa permite à China, às Filipinas e aos outros países participantes exporem as suas posições, mesmo quando as respetivas embarcações se confrontam no mar.

O encontro de Cebu terminou com as Filipinas a entregarem a Singapura a liderança da agenda de defesa da ASEAN para 2027. Manila reiterou também o seu apoio à decisão arbitral de 2016 sobre o mar do Sul da China, mantendo a disputa jurídica ao lado da discussão imediata sobre a participação chinesa.

Porque são importantes a localização e a decisão de 2016

Scarborough Shoal situa-se dentro da zona económica exclusiva das Filipinas, uma área que, em geral, se estende até 200 milhas náuticas da costa de um país. Nessa zona, o Estado costeiro tem direitos de exploração, utilização e gestão dos recursos naturais, incluindo os peixes e os recursos do subsolo marinho. Os outros países mantêm o direito de navegação.

A soberania sobre um território terrestre diz respeito a quem é dono desse território. Uma zona económica exclusiva diz respeito a direitos específicos no mar circundante. Estas duas questões jurídicas ajudam a explicar por que razão os dois governos descrevem a mesma patrulha em termos tão diferentes: Pequim fala em defender o seu território, enquanto Manila invoca os seus direitos marítimos.

A reivindicação mais ampla da China, habitualmente representada pela linha dos nove traços, abrange a maior parte do mar do Sul da China e sobrepõe-se às zonas marítimas reivindicadas pelas Filipinas, pelo Vietname, pela Malásia, pelo Brunei e pela Indonésia. A linha tem estado no centro de disputas sobre pesca, recursos energéticos e atividade governamental no mar.

Em 2016, um tribunal arbitral internacional decidiu que a ampla reivindicação chinesa de direitos históricos dentro dessa linha não tinha fundamento jurídico na medida em que excedia os direitos previstos na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O tribunal pronunciou-se sobre direitos marítimos e conduta; a soberania sobre Scarborough Shoal continua disputada. Pequim rejeitou a decisão.

Assim, a divergência jurídica prossegue em paralelo com a disputa concreta pelo acesso. As declarações chinesas sobre as patrulhas reivindicam autoridade em torno do baixio, enquanto as Filipinas recorrem a voos de vigilância e declarações diplomáticas para monitorizar e contestar a atividade chinesa em águas onde Manila reivindica os seus próprios direitos.

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Conversações e patrulhas têm prosseguido em paralelo

A China anunciou também patrulhas navais, aéreas e da guarda costeira em torno de Scarborough Shoal no domingo, 29 de março. A operação seguiu-se à retoma das conversações entre Pequim e Manila sobre as águas disputadas e uma possível cooperação no setor do petróleo e do gás.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas descreveu essas conversações como a primeira análise mais abrangente das relações bilaterais desde março de 2023, com a promoção da confiança entre os seus objetivos. A combinação de conversações e patrulhas mostra que o diálogo diplomático e a pressão marítima têm decorrido em simultâneo.

A cooperação no setor do petróleo e do gás exigiria que os dois governos encontrassem formas de superar as divergências sobre os direitos aos recursos. As patrulhas tratam de uma questão mais imediata: quem está presente no mar e como reage cada Governo aos navios do outro. Por isso, os progressos numa área podem coexistir com confrontos noutra.

A disputa de outubro surgiu também na sequência de uma repreensão por declarações sobre o uso da força no início do mês. Em 15 de outubro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas criticou o embaixador chinês Jing Quan, depois de este ter afirmado que a China poderia vencer facilmente se decidisse recorrer à força, acrescentando que Pequim não o faria por valorizar a paz.

Na altura, Teodoro afirmou que os canais diplomáticos e da guarda costeira continuavam abertos, embora Manila tivesse suspendido as comunicações militares diretas por recear a forma como Pequim as utilizava. Esses contactos que se mantêm são particularmente relevantes quando navios militares, embarcações da guarda costeira e outras embarcações operam próximas umas das outras em águas disputadas.

Como se desenrolaram os acontecimentos mais recentes

A sequência de outubro liga uma investigação iniciada várias semanas antes a um novo anúncio de patrulhas e a um confronto diplomático. As datas principais são:

  • 3 de outubro: A Guarda Costeira das Filipinas começou a monitorizar a embarcação chinesa que está agora a ser examinada no interior da lagoa de Scarborough Shoal.
  • 15 de outubro: O Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas repreendeu o embaixador da China por declarações sobre a possível utilização da força.
  • 29 de outubro: Um voo de vigilância filipino observou o equipamento da embarcação e seguiu três navios da guarda costeira chinesa, cinco embarcações classificadas como milícia marítima e um navio de guerra da marinha.
  • 29 de outubro: As reuniões de defesa da ASEAN em Cebu terminaram em ambiente de desacordo entre a China e as Filipinas sobre a participação de Pequim.
  • 30 de outubro: O Comando do Teatro de Operações Sul da China anunciou patrulhas navais e aéreas em torno de Scarborough Shoal, enquanto a Guarda Costeira da China anunciou patrulhas de aplicação da lei.

A China descreve o reforço da sua presença como necessário para defender a soberania e responder às ações das Filipinas. As Filipinas continuam a avaliar a embarcação na lagoa, contestando simultaneamente as reivindicações mais amplas de Pequim. A situação imediata combina patrulhas contínuas com uma investigação ainda por concluir sobre equipamento já presente no baixio.

Pontos-chave

  • A China anunciou patrulhas navais, aéreas e da guarda costeira em torno de Scarborough Shoal a 30 de outubro.
  • Pequim acusou Manila de provocação sem identificar a ação específica que esteve na origem das patrulhas de sexta-feira.
  • A Guarda Costeira das Filipinas está a investigar os sensores e as antenas transportados por uma embarcação chinesa observada pela primeira vez a 3 de outubro.
  • Num voo de 29 de outubro, as Filipinas seguiram outras nove embarcações chinesas, pertencentes à marinha, à guarda costeira e à milícia marítima.
  • As operações seguiram-se a uma disputa sobre a participação da China nas reuniões de defesa da ASEAN em Cebu.
  • Scarborough Shoal situa-se dentro da zona económica exclusiva das Filipinas, embora a soberania sobre o baixio continue disputada.
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