Malásia diz não ter recebido novo pedido de extradição da Índia de Zakir Naik e mantém recusa

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Malaysia Says No New Indian Extradition Request for Zakir Naik, Maintains Refusal

Um pedido de 2018 e um recurso de 2020 continuam no centro da questão

A Malásia não recebeu da Índia nenhum novo pedido formal de extradição do pregador islâmico Zakir Naik e não se comprometeu a entregá-lo, afirmou o ministro do Interior, Saifuddin Nasution Ismail, numa resposta escrita ao Parlamento. O Governo mantém a decisão de recusar a extradição, invocando o artigo 6.º do tratado de extradição assinado com a Índia em 2010 e a Lei da Extradição da Malásia de 1992.

Índice
  1. Um pedido de 2018 e um recurso de 2020 continuam no centro da questão
  2. O que a Malásia diz que a lei permite
  3. Como evoluiu a disputa
  4. A Índia continuou a insistir no caso
  5. Porque recusaram os anteriores governos malaios
  6. Anwar pondera as provas e as relações com a Índia
  7. Pressão política e posição de Naik
  8. Pontos principais

Saifuddin identificou duas comunicações com datas precisas: o pedido formal da Índia, recebido a 19 de janeiro de 2018, e uma nota diplomática recebida a 29 de maio de 2020, na qual a Índia pedia à Malásia que reconsiderasse a recusa. A resposta considera a nota posterior um apelo à revisão da decisão em vigor, mas afirma que não chegou nenhum novo pedido de extradição.

Naik, cidadão indiano com estatuto de residente permanente na Malásia desde 2015, é procurado pelas autoridades indianas por acusações que incluem branqueamento de capitais e incitamento ao discurso de ódio. Nega as acusações. A extradição é o processo jurídico pelo qual um país entrega uma pessoa a outro para responder a um processo penal ou cumprir uma pena.

Saifuddin respondia a Ahmad Marzuk Shaary, deputado do Perikatan Nasional eleito por Pengkalan Chepa, que perguntou quando tinha sido recebido o pedido mais recente, se os documentos e as provas apresentados pela Índia cumpriam os requisitos legais e se a Malásia tinha prometido entregar Naik.

O ministro do Interior apresentou a posição do Governo:

O Governo decidiu não extraditar Zakir para a Índia. Não foi assumido qualquer compromisso de o extraditar.

A declaração é relevante tanto para a situação de Naik na Malásia como para uma disputa diplomática que se prolonga por sucessivos governos malaios. Responde também a uma preocupação política interna: saber se conversações privadas com a Índia tinham resultado numa promessa de o devolver.

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O que a Malásia diz que a lei permite

O Ministério do Interior fundamentou a recusa no artigo 6.º do tratado de extradição entre a Malásia e a Índia de 2010, bem como na Lei da Extradição de 1992. O tratado estabelece o quadro acordado entre os países para tratar pedidos de extradição, enquanto a lei malaia regula o processo no país.

O tratado de extradição entre a Malásia e a Índia foi assinado em Nova Deli a 20 de janeiro de 2010. O artigo 6.º, intitulado «Restrições à entrega», estabelece:

1. Um fugitivo não será entregue se o Estado requerido considerar que -
(a) a infracção de que essa pessoa é acusada ou pela qual foi condenada tem carácter político; ou
(b) se, nos termos da lei do Estado requerente, o procedimento penal relativo à infracção que fundamenta o pedido de entrega estiver prescrito.

2. Para efeitos do presente Tratado, não serão consideradas de carácter político as seguintes infracções -
(a) homicídio ou outro crime doloso contra a pessoa de um Chefe de Estado ou de Governo de um dos Estados Contratantes, ou de um membro da sua família directa;
(b) uma infracção em relação à qual os Estados Contratantes tenham, ao abrigo de um tratado multilateral/internacional, a obrigação de extraditar a pessoa procurada ou de submeter o caso às autoridades competentes para decidirem sobre a instauração de um processo penal; ou
(c) a tentativa, o auxílio ou a conspiração para cometer qualquer uma das infracções acima referidas.

3. A autoridade executiva do Estado requerido pode recusar a extradição -
(a) por infracções ao abrigo da lei militar que não sejam infracções ao abrigo do direito penal comum; ou
(b) se, devido a -
(i) à natureza insignificante do caso; ou
(ii) ao facto de o pedido de entrega não ter sido apresentado de boa-fé ou no interesse da justiça, ou ter sido apresentado por motivos políticos ou por qualquer outro motivo, se afigurar injusto ou opressivo, tendo em conta todas as circunstâncias, entregar a pessoa ao Estado requerente.

O artigo impede, portanto, a entrega por infracções de carácter político, sem prejuízo das excepções nele previstas, ou quando a instauração de um processo penal estiver prescrita nos termos da lei do país requerente. Permite também a recusa por infracções ao abrigo da lei militar que não sejam crimes comuns ou quando, dadas as circunstâncias, a entrega fosse injusta ou opressiva, nomeadamente por se tratar de um caso insignificante ou de um pedido que não tenha sido apresentado de boa-fé ou no interesse da justiça, ou por motivos políticos.

Ao citar esses instrumentos, o ministério apresentou a decisão como um exercício dos direitos legais da Malásia ao abrigo do quadro de extradição. A explicação centrou-se na autoridade do Governo para recusar o pedido, sem apresentar uma avaliação pública detalhada das acusações contra Naik.

Ahmad Marzuk perguntou também se os documentos e as provas enviados pela Índia cumpriam os requisitos do tratado e da lei. A resposta não abordou directamente essa questão nem identificou os fundamentos específicos do artigo 6.º aplicados pela Malásia. Assim, o público conhece a decisão do Governo e a base jurídica invocada, mas não dispõe de uma explicação pública sobre a forma como as autoridades avaliaram cada elemento da documentação apresentada pela Índia.

Como evoluiu a disputa

O caso de Naik remonta a investigações iniciadas na Índia em 2016. Nesse ano, a Índia declarou também ilegal a Islamic Research Foundation, organização que fundou. Naik saiu da Índia em 2016 e continua a contestar as acusações contra si.

Os acontecimentos datados mostram como os processos penais na Índia e as decisões diplomáticas da Malásia seguiram percursos distintos:

  • 2010: A Malásia e a Índia assinaram o tratado de extradição.
  • 2015: Naik obteve o estatuto de residente permanente na Malásia.
  • 2016: As autoridades indianas instauraram processos contra Naik e a Índia declarou ilegal a sua Islamic Research Foundation.
  • 19 de janeiro de 2018: A Malásia recebeu o pedido formal de extradição da Índia.
  • Junho de 2019: Um tribunal indiano ordenou que Naik comparecesse, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia afirmou que continuaria a procurar a sua extradição.
  • 28 de junho de 2019: O ministro dos Negócios Estrangeiros da Malásia, Saifuddin Abdullah, afirmou que o Governo mantinha a decisão inicial.
  • 29 de maio de 2020: A Malásia recebeu a nota diplomática da Índia a pedir que a decisão fosse reconsiderada.

O pedido formal e a nota diplomática foram recebidos com mais de dois anos de intervalo. A resposta parlamentar mais recente relaciona esses passos anteriores com a posição actual do Governo: a recusa mantém-se e não foi recebido nenhum novo pedido formal.

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A Índia continuou a insistir no caso

Em junho de 2019, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia afirmou que o Governo tinha solicitado formalmente a extradição de Naik e que continuaria a tratar do assunto com a Malásia. Nesse mês, um tribunal indiano ordenou também que Naik comparecesse.

A Direcção de Execução da Índia obteve um mandado de detenção depois de Naik não ter comparecido no processo por branqueamento de capitais. Na altura, foi referido que o processo envolvia fundos equivalentes a 113 milhões de ringuites malaios. Naik nega qualquer irregularidade.

A recusa da Malásia significa que a Índia não conseguiu obter o seu regresso através do pedido de extradição referido pelo Ministério do Interior. Para as autoridades indianas, a questão prática central continua a ser levá-lo perante os tribunais; para a Malásia, a decisão diz respeito à entrega de um residente permanente ao abrigo da sua legislação e do tratado bilateral.

A nota indiana de maio de 2020 mostra que os esforços diplomáticos prosseguiram após a recusa inicial. Uma nota diplomática é uma comunicação escrita formal entre governos. Neste caso, o objectivo declarado era pedir à Malásia que reconsiderasse, e não apresentar o novo pedido de extradição sobre o qual Ahmad Marzuk perguntou.

Porque recusaram os anteriores governos malaios

Em 2018, o antigo primeiro-ministro Mahathir Mohamad defendeu a permanência de Naik na Malásia, afirmando que este poderia ficar desde que não causasse problemas no país. Em 2019, Mahathir argumentou que a Malásia podia recusar a extradição se Naik não tivesse um julgamento justo na Índia.

Mahathir comparou a disputa com os esforços da Malásia para obter o regresso de Sirul Azhar Umar da Austrália, onde as preocupações com a pena de morte tinham influenciado a questão da extradição. A comparação foi criticada na Malásia e no estrangeiro.

O então ministro dos Negócios Estrangeiros, Saifuddin Abdullah, distinto do actual ministro do Interior, Saifuddin Nasution Ismail, confirmou em 28 de junho de 2019 que a posição da Malásia não tinha mudado:

Por agora, não há nenhuma nova decisão. Mantemos a decisão inicial.

As declarações anteriores ajudam a explicar a continuidade que está na origem da resposta mais recente. A recusa da Malásia é anterior à chegada de Anwar Ibrahim ao cargo de primeiro-ministro, e as preocupações com o tratamento de Naik na Índia têm feito parte da justificação política há vários anos. Na resposta actual, o Ministério do Interior apresenta como fundamento formal o tratado e a legislação malaia.

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Anwar pondera as provas e as relações com a Índia

O primeiro-ministro Anwar Ibrahim abordou o caso no contexto das relações mais amplas da Malásia com a Índia. Numa entrevista a 12 de setembro, confirmou que a extradição de Naik tinha sido discutida em privado com representantes indianos em Nova Deli. Afirmou que era necessário ter em conta os princípios jurídicos e as relações entre os dois países.

Numa intervenção anterior no Conselho Indiano de Assuntos Mundiais, Anwar afirmou que a Malásia poderia ponderar a extradição se a Índia apresentasse provas suficientes que ligassem Naik ao extremismo. Disse também que a Malásia estava disponível para analisar as provas e que o caso não devia impedir o reforço das relações bilaterais.

Anwar afirmou que a Índia não tinha levantado a questão durante as conversações de terça-feira relacionadas com essa intervenção anterior, embora o primeiro-ministro Narendra Modi já a tivesse abordado antes. A confirmação posterior de conversações privadas dizia respeito a uma troca diplomática subsequente.

Estas declarações revelam disponibilidade para analisar as provas, a par do esforço para evitar que a disputa domine as relações entre os dois países. A resposta parlamentar de Saifuddin apresenta a posição actual do Governo sobre a entrega: a Malásia não se comprometeu a extraditar Naik e mantém a recusa.

Pressão política e posição de Naik

O PAS pediu esclarecimentos depois de Anwar ter reconhecido as conversações com a Índia. O secretário-geral do partido, Takiyuddin Hassan, questionou se a Malásia tinha assumido algum compromisso político relativo a um possível regresso de Naik.

Takiyuddin alertou que Naik poderia tornar-se uma:

vítima política ou concessão diplomática

A preocupação era que o desejo de demonstrar amizade com a Índia pudesse prejudicar o processo jurídico. A declaração do Ministério do Interior de que não foi assumido qualquer compromisso responde directamente à principal questão levantada pelo PAS, embora não esclareça a avaliação jurídica que o Governo fez das provas indianas.

Naik também condicionou a sua disponibilidade para regressar à liderança política da Índia. Em declarações publicadas a 21 de outubro, afirmou que só regressaria quando o Partido Bharatiya Janata, de Modi, deixasse o poder, alegando que não teria um julgamento justo sob o seu Governo.

Por agora, a situação concreta mantém-se: Naik continua na Malásia, a Índia continua a procurar o seu regresso e a Malásia recusa a extradição. A resposta parlamentar não anunciou nova audiência, prazo ou calendário para reconsiderar a decisão.

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Pontos principais

  • A Malásia afirma não ter recebido nenhum novo pedido formal de extradição da Índia relativo a Zakir Naik.
  • O pedido formal da Índia chegou a 19 de janeiro de 2018; a 29 de maio de 2020, seguiu-se uma nota diplomática a pedir que a decisão fosse reconsiderada.
  • O Ministério do Interior afirma que a Malásia não se comprometeu a extraditá-lo.
  • A Malásia invoca o artigo 6.º do tratado de extradição de 2010 e a Lei da Extradição de 1992 como fundamento jurídico.
  • A resposta parlamentar não esclareceu directamente se as provas da Índia cumpriam os requisitos do tratado e da legislação.
  • Naik nega as acusações contra si e não foi anunciado qualquer calendário para uma nova decisão.
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