Jamnagar lidera os envios de combustíveis para a UE, enquanto as exportações de refinarias que utilizam crude russo aumentam 43%

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Jamnagar Leads Fuel Shipments to EU as Exports From Refineries Using Russian Crude Rise 43%

Sete carregamentos colocam restrições da UE aos combustíveis sob escrutínio

Seis carregamentos provenientes da refinaria de Jamnagar, da Reliance Industries, no estado de Gujarat, chegaram a portos da União Europeia em setembro de 2026, segundo o Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), oito meses depois de o bloco ter proibido as importações de combustíveis produzidos a partir de crude russo. Um sétimo carregamento veio da refinaria de Izmit, da Tupras, na Turquia.

Índice
  1. Sete carregamentos colocam restrições da UE aos combustíveis sob escrutínio
  2. Qual foi o destino dos combustíveis?
  3. O que abrange a proibição da UE
  4. Por que razão o norte de Chipre é contabilizado separadamente
  5. A Índia comprou menos crude russo
  6. Índia e China dominam o comércio de crude russo
  7. Os descontos persistem enquanto os compradores disputam o crude
  8. Os menores volumes continuam a gerar receitas avultadas para a Rússia
  9. Pontos principais

A análise das sanções relativa a setembro, redigida por Luke Wickenden e Isaac Levi, enquadra os carregamentos num comércio mais vasto, avaliado em cerca de mil milhões de euros (1,2 mil milhões de dólares). Refinarias na Índia, na Turquia e no Brunei que processam crude russo exportaram esse valor em produtos petrolíferos para países que impõem sanções à Rússia, um aumento de 43% face a agosto.

A UE recebeu 667 milhões de euros desses produtos, seguida da Austrália, com 168 milhões de euros, dos Estados Unidos, com 154 milhões de euros, e da Nova Zelândia, com 19 milhões de euros. O CREA estimou que 295 milhões de euros dos produtos foram produzidos a partir de crude russo, cerca de três décimos do total arredondado das exportações.

O crude é a matéria-prima que as refinarias transformam em gasóleo, gasolina e outros combustíveis. Uma refinaria pode comprar crude a vários países, pelo que a origem do petróleo utilizado nos combustíveis exportados é fundamental para a aplicação das restrições. O CREA identifica como prioritários para investigação os carregamentos provenientes de instalações que processam crude russo. A sua análise não apresenta qualquer decisão de aplicação da lei relativa às sete chegadas de setembro.

As compras indianas de crude russo evoluíram no sentido oposto durante o mês, caindo 13% para o nível mais baixo desde abril. O aumento das exportações de combustíveis e a diminuição das importações de crude ocorreram, assim, em simultâneo, colocando em evidência tanto os padrões comerciais das refinarias como as regras que regulam o acesso aos mercados ocidentais.

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Qual foi o destino dos combustíveis?

A Itália recebeu três dos sete carregamentos descarregados em portos da UE, a Roménia recebeu dois, e Espanha e a República de Chipre receberam um cada. Jamnagar forneceu seis carregamentos, tornando a refinaria indiana o principal ponto de partida na contagem do CREA relativa a setembro.

O valor das exportações indicadas como destinadas a portos da UE aumentou 80% face a agosto. Esse indicador incluiu um carregamento de 104 000 toneladas de gasóleo, proveniente de Jamnagar, que ainda seguia para Roterdão no final de setembro. Por isso, o valor relativo à UE abrange um fluxo comercial que inclui carregamentos ainda no mar, enquanto os sete carregamentos dizem respeito especificamente às chegadas durante o mês.

Jamnagar também forneceu produtos no valor de 122 milhões de euros aos Estados Unidos. A refinaria STAR, na Turquia, forneceu outros 33 milhões de euros, segundo o CREA. Os carregamentos de Jamnagar representaram cerca de quatro quintos do total arredondado de 154 milhões de euros relativo aos EUA.

As compras dos EUA às refinarias abrangidas pela análise caíram 16% face a agosto, enquanto as exportações com destino à Austrália aumentaram 12%. Assim, o aumento combinado de 43% nos mercados que impõem sanções incluiu evoluções diferentes entre compradores, tendo o crescimento mais acentuado sido registado nos carregamentos destinados à Europa.

O que abrange a proibição da UE

A proibição da UE às importações de produtos petrolíferos produzidos a partir de crude russo entrou em vigor em 21 de janeiro de 2026, segundo o CREA. Visa uma rota comercial em que o petróleo russo é refinado fora da Rússia antes de o combustível acabado ser vendido no bloco.

As orientações da Comissão Europeia sobre a proibição de produtos refinados identificam como disposição legal aplicável o artigo 3.º-MA do Regulamento (UE) n.º 833/2014 do Conselho. A proibição abrange produtos petrolíferos classificados no código aduaneiro NC 2710, obtidos a partir de petróleo bruto russo classificado no código NC 2709 00. Espera-se que os operadores apresentem às autoridades aduaneiras provas que identifiquem o país onde foi extraído o crude utilizado na produção do combustível, com exceção das importações provenientes dos países parceiros enumerados no anexo LI. As orientações recomendam o reforço da diligência devida relativamente a carregamentos provenientes da Índia, da Turquia e da China, devido ao aumento das importações de crude russo por esses países.

No caso das refinarias que processam crude russo e de outras origens, as orientações permitem importações para a UE provenientes de uma linha de produção separada, documentada e que processe crude não russo. Entre as verificações de apoio contam-se a comparação contínua, ao longo de 60 dias, entre as entregas de crude russo e a capacidade da linha que abastece os mercados interno ou extracomunitário, bem como provas verificadas de forma independente de que as linhas de produção e a respetiva logística estão separadas. Essa verificação baseada apenas nos volumes não prova, por si só, a origem não russa. Se o crude não puder ser processado separadamente, as provas de que a linha de produção não recebeu nem processou crude russo nos 60 dias anteriores à data do conhecimento de embarque do carregamento podem sustentar as importações; sem separação ou garantias razoáveis de processamento separado, as importações não são permitidas. Não é aceite uma alegação contabilística global segundo a qual o crude russo se destina ao consumo interno, enquanto outro crude é usado para abastecer as exportações.

O crude russo representou 32% das importações de crude de Jamnagar entre julho e setembro. O CREA insta as autoridades dos Estados-Membros da UE a investigarem os carregamentos de combustível provenientes de refinarias que processam crude russo, incluindo os que partem de portos ligados a essas instalações.

A restrição concede aos produtos originários de países que são exportadores líquidos de crude, ou seja, que exportam mais crude do que importam, a presunção de que foram produzidos a partir de crude nacional e não russo. O CREA argumenta que isto cria uma lacuna, uma vez que um país pode vender mais crude ao estrangeiro do que compra e, ainda assim, importar petróleo russo para algumas das suas refinarias. A balança comercial global de um país e as compras de uma refinaria específica dizem respeito a diferentes etapas da cadeia de abastecimento.

Segundo as orientações da Comissão, os importadores que recorram a essa presunção têm de estabelecer a origem do produto acabado, e não a origem do crude utilizado na sua produção. As autoridades podem afastar a presunção e pedir provas sobre o crude quando existam motivos razoáveis, sustentados por elementos significativos, para suspeitar que foi utilizada matéria-prima russa. Esses motivos podem incluir entregas significativas ou desproporcionadas de crude russo a um país ou refinaria, ou indícios de que um exportador líquido está a ser utilizado como plataforma para rotular falsamente produtos produzidos noutro local.

O CREA recomenda a proibição de produtos provenientes de qualquer refinaria que tenha processado crude russo nos seis meses anteriores, independentemente da origem declarada para o combustível acabado. Trata-se de uma proposta do grupo de investigação e defesa de políticas públicas, não da política atualmente em vigor na UE. A proposta daria maior peso às compras recentes de crude de cada instalação e exigiria que os exportadores que procuram aceder ao mercado prestassem contas desse historial.

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Por que razão o norte de Chipre é contabilizado separadamente

Foram descarregados três carregamentos adicionais em Kalecik, no norte de Chipre, durante setembro. O CREA exclui-os das sete chegadas contabilizadas ao abrigo da proibição da UE aos combustíveis, porque a aplicação do direito da UE está suspensa na parte norte da ilha.

O relatório cita o artigo 1.º, n.º 1, do Protocolo n.º 10 da Ata de Adesão de 2003. Essa disposição diz respeito às zonas onde o Governo da República de Chipre não exerce controlo efetivo. Assim, o carregamento contabilizado para a República de Chipre e as três chegadas a Kalecik pertencem a categorias jurídicas distintas.

O CREA afirma também que a suspensão não concede aos cidadãos ou empresas da UE uma isenção geral das sanções da União quando participam em transações envolvendo Kalecik. Para as empresas que manuseiam os carregamentos, os aspetos relevantes incluem tanto o destino como as obrigações aplicáveis às pessoas e empresas envolvidas.

A Índia comprou menos crude russo

A queda de 13% nas importações indianas de crude russo assinalou a segunda descida mensal consecutiva. As três maiores refinarias importadoras do país reduziram as compras, mas em proporções diferentes: as aquisições de Jamnagar caíram 27%, a refinaria de Paradip, da Indian Oil Corporation, registou uma descida de 21%, e a refinaria de Vadinar, da Nayara Energy, uma queda de 8%.

A menor redução de Vadinar alterou a classificação dos principais compradores indianos. O CREA, organização que acompanha este comércio, descreveu o resultado na sua análise mensal:

Apesar da descida, Vadinar ultrapassou Jamnagar e tornou-se o maior importador de crude russo da Índia.

Várias instalações mais pequenas também receberam menos crude russo. As entradas no terminal petrolífero de Mundra, da HMEL, caíram 74%, enquanto a refinaria de Kochi registou uma redução de 32% face a agosto.

O terminal petrolífero de Mundra, da Indian Oil Corporation, evoluiu no sentido contrário: recebeu 570 000 toneladas em setembro, depois de não ter recebido nenhuma em agosto. O aumento nesse terminal ocorreu ao mesmo tempo que as descidas na maioria das outras instalações identificadas pelo CREA. Mostra também por que razão os valores de instalações individuais podem variar acentuadamente mesmo quando o total nacional está a diminuir.

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Índia e China dominam o comércio de crude russo

A Índia manteve-se como o segundo maior cliente de combustíveis fósseis da Rússia em setembro, gastando 4,1 mil milhões de euros em hidrocarbonetos russos. O crude representou 88% dessas compras, no valor de 3,6 mil milhões de euros. O carvão contribuiu com 309 milhões de euros e os produtos petrolíferos com mais 161 milhões de euros.

A China foi o único comprador de maior dimensão, adquirindo 9,1 mil milhões de euros em combustíveis fósseis russos durante o mês, incluindo 6 mil milhões de euros em crude. O total das suas compras foi mais do dobro dos 4,1 mil milhões de euros da Índia.

O historial comercial de longo prazo mostra o grau de concentração das vendas russas de crude. Entre 5 de dezembro de 2022 e setembro de 2026, a China comprou 50% das exportações russas de crude e a Índia comprou 37%, segundo o CREA. Em conjunto, representaram 87%, restando 13% para todos os outros compradores.

Antes da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, a Índia era um comprador relativamente pequeno. As suas compras aumentaram depois de os clientes ocidentais se retirarem e de a Rússia começar a oferecer descontos substanciais. Os valores de setembro mostram que a Índia manteve um lugar central no mercado de exportação russo, mesmo com a descida das importações mensais.

Os descontos persistem enquanto os compradores disputam o crude

Em setembro, o crude russo Urals teve um preço médio de 90,70 dólares por barril, 23 dólares abaixo do Brent, a referência internacional do petróleo. O desconto manteve-se inalterado face a agosto. Com base nesses valores, o preço implícito do Brent era de cerca de 113,70 dólares, pelo que o Urals era aproximadamente 20% mais barato.

Para uma refinaria, um crude mais barato pode reduzir o custo de produção de combustível. O resultado comercial final depende também dos custos de transporte e processamento, bem como do preço pago pelos compradores pelos produtos acabados. A manutenção do desconto em setembro ajuda a explicar o interesse pelo crude russo, mesmo quando a sua compra atrai um escrutínio adicional relacionado com as sanções.

Analistas da Kpler atribuíram parcialmente os menores volumes de importação da Índia à oferta mais limitada e à concorrência mais intensa da China, além da pressão dos EUA. Esta explicação junta a disponibilidade comercial e a concorrência entre compradores às forças políticas que influenciam o comércio.

A Kpler previa que as importações indianas de crude russo se mantivessem entre 1,8 e 1,9 milhões de barris por dia em outubro. A previsão apontava para a continuação de compras substanciais depois da descida registada em setembro.

O CREA também indicou que o preço médio do Urals foi mais do dobro do limite máximo de 44,10 dólares por barril imposto pela UE e pelo Reino Unido. O limite máximo regula o acesso a serviços marítimos abrangidos para o petróleo russo, enquanto a proibição da UE às importações de combustíveis regula os produtos que podem entrar no seu mercado. Ambos procuram restringir o comércio de petróleo da Rússia, mas atuam em diferentes etapas do percurso.

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Os menores volumes continuam a gerar receitas avultadas para a Rússia

As receitas totais da Rússia com as exportações de combustíveis fósseis foram, em média, de 625 milhões de euros por dia em setembro, praticamente inalteradas face a agosto, apesar de uma descida de 6% nos volumes exportados. As receitas das exportações de crude caíram 8%, para 339 milhões de euros por dia, enquanto os volumes de crude diminuíram 11%.

As vendas de outras fontes de energia ajudaram a sustentar o total. As receitas do gás natural liquefeito, ou GNL, aumentaram 68%, para 75 milhões de euros por dia, o nível mais elevado desde janeiro de 2023. O GNL é gás natural arrefecido até passar ao estado líquido, para poder ser transportado por navio a longas distâncias.

A própria UE tornou-se o terceiro maior comprador de combustíveis fósseis russos em setembro, adquirindo diretamente à Rússia produtos no valor de 1,7 mil milhões de euros. O gás transportado por gasoduto representou 817 milhões de euros, o GNL 615 milhões de euros e o crude entregue através do oleoduto Druzhba à Eslováquia e à Hungria 290 milhões de euros. Essas compras correspondem a um fluxo comercial distinto dos 667 milhões de euros em produtos refinados fornecidos pelas refinarias da Índia, da Turquia e do Brunei.

As datas permitem acompanhar a evolução do papel da Índia e das restrições da UE:

  • 2022: As compras indianas de crude russo aumentaram após a invasão da Ucrânia e a retirada dos compradores ocidentais.
  • 5 de dezembro de 2022: Início do período abrangido pelos valores acumulados do CREA, segundo os quais a China e a Índia compraram 87% das exportações russas de crude.
  • 21 de janeiro de 2026: Entrou em vigor a proibição da UE aos produtos petrolíferos produzidos a partir de crude russo.
  • Julho a setembro de 2026: O crude russo representou 32% das importações de crude de Jamnagar.
  • Setembro de 2026: Foram descarregados em portos da UE sete carregamentos provenientes de refinarias que processam crude russo, enquanto as importações indianas de crude russo caíram 13%.
  • Outubro de 2026: A Kpler previa que as importações indianas de crude russo se mantivessem entre 1,8 e 1,9 milhões de barris por dia.

Para as autoridades de fiscalização da UE, a recomendação imediata do CREA é investigar os carregamentos e as suas ligações às refinarias. Para as refinarias indianas, os valores descrevem um equilíbrio comercial que se mantém: o crude russo continua a ser vendido com desconto, a concorrência pelo abastecimento é intensa e o acesso aos principais mercados de combustíveis depende cada vez mais das regras que regem o petróleo utilizado no fabrico desses produtos.

Pontos principais

  • Em setembro, refinarias na Índia, na Turquia e no Brunei que utilizam crude russo exportaram cerca de mil milhões de euros em combustíveis para países que impõem sanções, mais 43% do que em agosto.
  • A UE recebeu produtos no valor de 667 milhões de euros. Jamnagar forneceu seis dos sete carregamentos descarregados em portos da UE.
  • O CREA estimou que 295 milhões de euros do total das exportações foram produzidos a partir de crude russo.
  • A proibição da UE aos combustíveis, ao abrigo do artigo 3.º-MA do Regulamento (UE) n.º 833/2014 do Conselho, entrou em vigor em 21 de janeiro de 2026. Os produtos originários de países exportadores líquidos de crude beneficiam de uma presunção ilidível de utilização de crude nacional, não de uma isenção geral. A restrição proposta pelo CREA, baseada na utilização de crude por uma refinaria nos seis meses anteriores, não é política atualmente em vigor.
  • As importações indianas de crude russo caíram 13%, mas as compras de combustíveis fósseis, no valor de 4,1 mil milhões de euros, mantiveram a Índia como segundo maior comprador da Rússia, atrás apenas da China.
  • O crude Urals manteve-se 23 dólares por barril abaixo do Brent, enquanto a Kpler previa que as compras indianas continuassem a ser substanciais em outubro.
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