Novas regras sujeitam os riquexós elétricos urbanos a registo e a zonas fixas
O Bangladesh tornou obrigatório o registo dos riquexós a bateria em todas as áreas das corporações municipais, com taxas de registo de Tk 8.000 ou Tk 10.000 e uma proibição de circulação em estradas nacionais, vias rápidas e principais percursos de autocarros. Os regulamentos limitam também cada veículo a uma zona de operação aprovada, alterando os locais onde os condutores podem ganhar a vida e onde os passageiros podem encontrar transporte.
Índice
- Novas regras sujeitam os riquexós elétricos urbanos a registo e a zonas fixas
- Que estradas estão vedadas aos riquexós elétricos?
- O que os proprietários têm de pagar e entregar
- O registo tem prazos e prevê um processo de recurso
- Velocidades mais baixas e limites rigorosos de passageiros
- Os veículos existentes terão de passar por inspeções técnicas
- O carregamento passa a estar limitado a instalações aprovadas
- Os vendedores de baterias têm de recolher as usadas
- A fiscalização abrange acidentes e o sustento quotidiano
- Pontos principais
A Divisão da Administração Local publicou, através de aviso no boletim oficial na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, as Regras de Circulação de Riquexós de Três Rodas, Baixa Velocidade e Elétricos a Bateria nas Áreas das Corporações Municipais (E-Riquexós), 2026. As regras entraram imediatamente em vigor, substituindo os regulamentos publicados em 14 de dezembro de 2025.
As corporações municipais decidirão quantos riquexós elétricos podem operar nos seus limites, mediante aprovação prévia do Governo e consulta às autoridades de trânsito. As autoridades locais e os responsáveis pelo trânsito definirão conjuntamente os percursos, as zonas de operação e as cores dos veículos. O registo será, por isso, apenas uma parte da autorização para trabalhar: o veículo terá também de se manter nas estradas que lhe forem destinadas.
Os regulamentos vão além da gestão do trânsito. Fixam limites de passageiros, exigem que os veículos cumpram normas de engenharia e segurança, restringem o carregamento das baterias a locais aprovados e responsabilizam os vendedores pela recolha de baterias usadas para reciclagem. Os condutores envolvidos em acidentes têm de parar, ajudar os feridos e informar a polícia.
Para os proprietários, as obrigações imediatas passam por documentação, taxas e inspeções aos veículos. Para as autoridades municipais, o trabalho inclui decidir o número de veículos, delimitar os percursos autorizados e organizar o estacionamento. Para os passageiros, as mudanças mais visíveis serão os limites aos locais onde os riquexós elétricos podem circular e ao número de pessoas que cada veículo pode transportar.
Que estradas estão vedadas aos riquexós elétricos?
Os riquexós elétricos estão proibidos em estradas nacionais, vias rápidas, vias rápidas elevadas, principais percursos de autocarros, corredores de Transporte Rápido por Autocarro e passeios. Estão também proibidos em qualquer outra estrada sujeita a restrições impostas pelas autoridades. O Transporte Rápido por Autocarro, ou BRT, utiliza corredores reservados para fazer circular autocarros em zonas urbanas movimentadas.
As corporações municipais dividirão os seus territórios em zonas de operação. Um veículo autorizado para uma zona não pode entrar noutra, mesmo que esta pertença à mesma corporação municipal. Um veículo registado numa corporação municipal também não pode operar comercialmente noutra.
Assim, um condutor que leve um passageiro até perto do limite de uma zona terá de manter a viagem dentro da área autorizada. Os passageiros cujas deslocações atravessem esse limite poderão precisar de outro veículo ou de outro meio de transporte. A utilidade destas disposições dependerá da ligação entre os percursos autorizados e os locais a que as pessoas precisam de chegar.
As autoridades têm também de organizar estacionamento designado em cada distrito ou noutros locais adequados. Os detalhes anunciados não especificam quotas de veículos, mapas das zonas, listas de percursos locais nem um calendário de implementação dos espaços de estacionamento e carregamento. Essas decisões determinarão a forma como as regras nacionais serão aplicadas em cada rua.
O que os proprietários têm de pagar e entregar
O registo de um veículo concebido para dois passageiros custa Tk 8.000, com uma taxa de renovação anual de Tk 4.000. Para um veículo concebido para quatro passageiros, a taxa de registo é de Tk 10.000 e a renovação anual custa Tk 5.000. O condutor não é contabilizado nesses limites de passageiros.
O veículo para quatro passageiros custa, assim, mais Tk 2.000 no registo e mais Tk 1.000 por ano na renovação. Ambas as taxas são 25% superiores às do modelo para dois passageiros, embora a capacidade de passageiros permitida seja o dobro.
O aviso da Divisão da Administração Local indica que a taxa do certificado de aptidão é de Tk 1.000. Também foi divulgado um valor contraditório de Tk 10.000, pelo que os requerentes devem confirmar o montante junto da corporação municipal antes de pagar. Com uma taxa de Tk 1.000, o registo e o certificado de aptidão totalizariam Tk 9.000 para um veículo de dois passageiros ou Tk 11.000 para um de quatro passageiros, sem contar as taxas anuais de renovação nem eventuais trabalhos necessários para passar na inspeção.
Os requerentes têm de entregar uma cópia autenticada do bilhete de identidade nacional, duas fotografias tipo passe autenticadas, comprovativo do pagamento da taxa de registo e o certificado de aptidão exigido. A autenticação significa que a cópia ou fotografia foi formalmente certificada.
Cada registo é válido por cinco anos, mas as taxas de renovação são pagas anualmente. Os requerentes aprovados recebem um número de registo único associado a um código QR, uma chapa de matrícula e um livrete com os dados do veículo. A chapa tem de indicar o nome da corporação municipal, o código da zona e o número do veículo, em letras brancas sobre o fundo de cor previsto.
O registo tem prazos e prevê um processo de recurso
As autoridades têm de concluir o registo no prazo de 30 dias úteis quando o pedido cumpre os requisitos, após a verificação dos documentos e da aptidão do veículo. Os dias úteis não incluem os dias em que o serviço competente está encerrado, pelo que o prazo é superior a 30 dias de calendário.
Os requerentes cujo pedido seja rejeitado têm de receber os motivos por escrito no prazo de sete dias úteis. Podem recorrer para uma autoridade superior no prazo de 10 dias úteis. A comunicação escrita dos motivos permite aos proprietários compreender a rejeição e decidir se a contestam.
Um único bilhete de identidade nacional pode ser utilizado para registar um máximo de cinco riquexós elétricos, numa ou em várias corporações municipais. O limite aplica-se ao total combinado: registar veículos em cidades diferentes não permite dispor de cinco em cada uma.
As principais datas e prazos são:
- 14 de dezembro de 2025: Foram publicados os regulamentos anteriores relativos aos riquexós elétricos.
- 29 de outubro de 2026: As novas regras entraram imediatamente em vigor e revogaram os regulamentos de 2025.
- 30 dias úteis: Prazo para emitir o registo quando o pedido cumpre os requisitos.
- Sete dias úteis: Prazo para comunicar por escrito os motivos da rejeição.
- 10 dias úteis: Prazo para apresentar um recurso.
Velocidades mais baixas e limites rigorosos de passageiros
A velocidade máxima de circulação é de 25 quilómetros por hora. Junto a escolas, hospitais, locais de culto e zonas movimentadas, os condutores têm de reduzir a velocidade para um máximo de 15 quilómetros por hora. Trata-se de uma redução de 10 quilómetros por hora, ou 40% do limite geral.
Os condutores têm de circular na faixa da esquerda, respeitar os sinais de trânsito e evitar ultrapassagens indevidas ou mudanças ilegais de faixa. É proibido utilizar o telemóvel durante a condução. Cada veículo tem de estar equipado com velocímetro ou conta-quilómetros. O velocímetro indica a velocidade, enquanto o conta-quilómetros regista a distância percorrida.
A capacidade de passageiros depende do modelo de veículo aprovado: duas ou quatro pessoas, sem contar o condutor. Transportar passageiros em excesso constitui uma infração. É proibido transportar mercadorias, exceto os pertences que os passageiros possam levar à mão, pelo que as regras reservam estes veículos para o transporte de passageiros e não para entregas de mercadorias.
O ruído da buzina não pode exceder 40 decibéis, a unidade utilizada para medir níveis sonoros. Os condutores receberão também formação sobre leis de trânsito, segurança rodoviária, manuseamento de baterias e manutenção dos veículos. Em conjunto, estes requisitos atribuem responsabilidades tanto a quem conduz como ao estado do veículo.
Os veículos existentes terão de passar por inspeções técnicas
O projeto e a aptidão dos veículos têm de cumprir as normas técnicas e de segurança estabelecidas pela Universidade de Engenharia e Tecnologia do Bangladesh, conhecida como BUET. Os veículos não registados e os que apresentem defeitos mecânicos ou de segurança não podem circular nas estradas.
Os riquexós elétricos existentes poderão ser aprovados após as alterações estruturais necessárias. Terão de passar nas inspeções de aptidão e obter uma certificação com a contra-assinatura do departamento de trânsito. Os proprietários cujos veículos precisem de alterações terão, por isso, de suportar os custos das inspeções e reparações, além das taxas de registo.
As regras também regulamentam o fabrico. Os produtores têm de obter licenças, cuja aprovação está sujeita aos requisitos do Governo e a uma avaliação segundo as normas da BUET. Um comité liderado pelo secretário-adjunto da Divisão da Administração Local responsável pelo desenvolvimento urbano fará recomendações, com representantes da BUET, da polícia e da administração distrital.
As alterações aprovadas para obter o certificado de aptidão terão de cumprir as normas previstas. As alterações não autorizadas ao motor ou à estrutura do veículo estão entre as infrações enumeradas. Os regulamentos proíbem também a utilização de baterias não autorizadas.
Cada veículo tem uma vida útil económica de 12 anos a contar da data do registo. Terminado esse período, o registo e a chapa de matrícula têm de ser cancelados. Os proprietários terão, assim, de acompanhar dois prazos distintos: o período de registo de cinco anos e a vida útil máxima permitida para o veículo.
O carregamento passa a estar limitado a instalações aprovadas
O carregamento das baterias fica limitado a pontos de carregamento aprovados ou a garagens designadas licenciadas pela corporação municipal competente. Os condutores e proprietários terão de recorrer a essas instalações, em vez de carregarem as baterias em qualquer local com acesso a eletricidade.
A utilização ilegal de eletricidade para carregamento pode dar origem a medidas ao abrigo da legislação em vigor. As regras preveem também um maior recurso à energia solar e a outras fontes renováveis nos postos de carregamento, incluindo medidas para introduzir a compensação de energia (net metering).
A compensação de energia permite contabilizar a eletricidade produzida num local, por exemplo através de painéis solares no telhado, face à eletricidade consumida da rede, nos termos do regime aplicável. Isto pode permitir que uma instalação de carregamento utilize energia produzida localmente, além da eletricidade da rede.
A exigência de carregamento liga a regulamentação dos transportes à gestão da eletricidade. Mesmo registado, um veículo precisa de um local legal para recarregar antes de voltar ao trabalho. A localização e a capacidade das instalações aprovadas serão, por conseguinte, tão importantes para os condutores como a localização das estradas autorizadas.
Os vendedores de baterias têm de recolher as usadas
Os retalhistas têm de recolher uma bateria usada sempre que vendem uma nova e garantir que a bateria usada chega a uma instalação de reciclagem autorizada. A responsabilidade não se limita, por isso, ao condutor que entrega uma bateria gasta: cabe também ao vendedor assegurar a sua transferência para um processo de reciclagem aprovado.
As baterias velhas ou inutilizáveis não podem ser abandonadas em espaços abertos, no solo, em massas de água ou no lixo comum, nem queimadas. A desmontagem ou fusão de baterias exige autorização do Departamento do Ambiente.
Estes requisitos dizem respeito a uma fase da vida útil do veículo diferente do registo ou das inspeções rodoviárias. As baterias acabam por ter de ser substituídas, e a sua eliminação cria riscos depois de saírem do riquexó. A recolha pelos vendedores cria um percurso definido entre o veículo e uma instalação de reciclagem.
Deba Nusrat Aurna, estudante da Universidade North South que escreve sobre a regulamentação dos riquexós elétricos, defendeu a criação de incentivos para ajudar os condutores a passar de baterias de chumbo-ácido para baterias de iões de lítio. Aurna apontou também a construção deficiente dos veículos, as ligações ilegais à rede elétrica para carregamento e a pressão sobre a rede como problemas que exigem atenção. Os incentivos à compra de baterias acrescentariam uma medida financeira aos controlos de registo, carregamento e reciclagem previstos nas regras.
A fiscalização abrange acidentes e o sustento quotidiano
Os condutores envolvidos num acidente têm de parar imediatamente, ajudar os feridos e informar a polícia. Fugir após um acidente é uma das infrações enumeradas, a par de circular sem registo, exceder a velocidade, transportar passageiros em excesso, entrar em estradas proibidas, conduzir de forma imprudente e desrespeitar os sinais de trânsito.
A utilização de baterias não autorizadas ou alterações proibidas aos veículos também pode dar origem a medidas legais. A fiscalização abrangerá, portanto, tanto o comportamento na estrada como o equipamento utilizado para operar o veículo.
Aurna considera a regulamentação formal preferível a uma proibição total, uma vez que os condutores, mecânicos e pequenas empresas dependem deste setor. Aurna aponta o registo e as normas de segurança dos riquexós elétricos na Índia, bem como os esforços para modernizar os triciclos locais com alternativas elétricas nas Filipinas, como exemplos de integração deste meio de transporte num sistema regulamentado.
As regras do Bangladesh permitem que os riquexós elétricos continuem a operar dentro de limites definidos. Os proprietários passam a dispor de um processo de registo e de uma via para obter a aprovação de veículos existentes modificados, mas ficam sujeitos a taxas recorrentes, inspeções e obrigações de carregamento. Os condutores passam a ter áreas de operação mais restritas, e os passageiros poderão ver alteradas viagens que lhes são familiares.
As corporações municipais têm agora a tarefa central de traduzir estes requisitos em disposições locais funcionais. O teste prático será perceber se os veículos, percursos, parques de estacionamento e instalações de carregamento aprovados se articulam suficientemente bem para apoiar as deslocações diárias, mantendo ao mesmo tempo estes veículos mais lentos fora das vias reservadas ao trânsito mais rápido ou de maiores dimensões.
Pontos principais
- As regras entraram em vigor em 29 de outubro de 2026, em todas as áreas das corporações municipais, substituindo os regulamentos de dezembro de 2025.
- O registo custa Tk 8.000 para veículos de dois passageiros e Tk 10.000 para veículos de quatro passageiros, com taxas anuais de renovação de Tk 4.000 e Tk 5.000.
- Os riquexós elétricos não podem circular em estradas nacionais, vias rápidas, principais percursos de autocarros, corredores BRT, passeios ou outras estradas com restrições.
- Os veículos têm de permanecer nas zonas aprovadas e não podem operar comercialmente noutra corporação municipal.
- A velocidade máxima é de 25 quilómetros por hora, reduzida para 15 junto a escolas, hospitais, locais de culto e zonas movimentadas.
- Os veículos têm de cumprir as normas da BUET, utilizar instalações de carregamento aprovadas e deixar de operar após 12 anos a contar do registo.
- Os vendedores de baterias têm de recolher as usadas para reciclagem autorizada, e os condutores têm de parar e prestar auxílio após um acidente.






