First Resources enfrenta novas acusações sobre ligações ocultas ao óleo de palma e perda de floresta na Indonésia

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First Resources Faces New Allegations Over Hidden Palm Oil Links and Indonesian Forest Loss

Rotas partilhadas de óleo levantam dúvidas sobre as negativas das empresas

Registos contabilísticos internos, depoimentos em tribunal e carregamentos de óleo de palma ao longo do rio Mahakam, na Indonésia, estão no centro de novas acusações de que a First Resources, cotada em Singapura, ocultou ligações comerciais a empresas acusadas de desflorestar milhares de hectares.

Índice
  1. Rotas partilhadas de óleo levantam dúvidas sobre as negativas das empresas
  2. Do percurso do óleo de palma, das fábricas ao rio
  3. Documentos contabilísticos e ligações entre funcionários agravam a disputa
  4. Perdas florestais abrangem diferentes concessões
  5. Medidas de certificação não esclareceram as alegações sobre a propriedade
  6. Venda no sul de Sorong levanta novas questões
  7. First Resources apresenta a sua resposta aos incêndios
  8. Anos de queixas levam a exigências dirigidas a compradores e bancos
  9. Principais pontos

A Rainforest Action Network (RAN) afirma que os registos identificam empresas da First Resources, do grupo Kalimantan Agro Sejahtera (KAS) e da FAP Agri como «partes relacionadas». A investigação também rastreou óleo de palma bruto desde as respetivas fábricas, através de infraestruturas partilhadas de transporte e armazenamento no Kalimantan Oriental, na parte indonésia do Bornéu.

No comunicado sobre a investigação, a RAN refere mais de 9800 hectares de floresta desmatados em concessões que descreve como controladas pelo grupo Fangiono, entre janeiro de 2021 e maio de 2026. O comunicado, datado de 29 de outubro, identifica também cerca de 1,2 mil milhões de dólares em crédito concedido a empresas do grupo entre janeiro de 2021 e setembro de 2026.

A First Resources, controlada pela família bilionária Fangiono e responsável por mais de 270 000 hectares de plantações de palmeira-de-óleo, rejeita a alegada integração. Afirma que opera dentro da lei e nega ter coordenado ou misturado as cadeias de abastecimento de óleo de palma bruto com os fornecedores indonésios identificados pelos investigadores. A FAP Agri também contesta acusações importantes. A KAS não respondeu aos pedidos de comentário.

Do percurso do óleo de palma, das fábricas ao rio

Os investigadores da RAN seguiram camiões e barcaças que transportavam óleo de palma bruto, extraído do fruto da palmeira após a colheita e antes da refinação. Documentaram carregamentos provenientes de fábricas da KAS que passavam por uma instalação de consolidação da First Resources no rio Mahakam, juntamente com óleo da First Resources e da FAP Agri.

Uma instalação de consolidação recolhe e armazena óleo antes de este ser expedido em carregamentos de maior dimensão. A RAN afirma que o óleo dos três grupos terá sido misturado nesse local antes de seguir para refinarias costeiras que abastecem os mercados internacionais. Funcionários entrevistados no âmbito da investigação também descreveram ligações entre as empresas.

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Para os compradores, o percurso é importante porque o histórico ambiental de um carregamento depende das plantações que o abastecem. Quando o óleo de vários produtores entra num espaço de armazenamento partilhado, verificar apenas os nomes nos documentos finais de venda não permite aos compradores saber plenamente de onde veio o óleo.

A First Resources vende à Cargill e a outras grandes empresas de transformação e comercialização de alimentos. A RAN apresentou queixas formais a comerciantes e marcas globais, pedindo-lhes que investiguem e suspendam o abastecimento a todo o grupo. As queixas são pedidos de ação; a investigação não anunciou decisões dos compradores em resposta.

Documentos contabilísticos e ligações entre funcionários agravam a disputa

Segundo a RAN, documentos contabilísticos internos, datados de abril de 2024, parecem identificar empresas da First Resources, da KAS e da FAP Agri como partes relacionadas. Em contabilidade, o termo descreve geralmente empresas ou pessoas ligadas por propriedade, controlo ou influência. Os investigadores consideram importante o seu uso porque a First Resources tinha negado publicamente ligações comerciais à KAS.

Registos de um processo judicial instaurado pela KAS em 2022 acrescentam outra linha de prova. A RAN afirma que declarações de funcionários nesse processo descreveram o transporte regular de óleo de palma da KAS para operações da First Resources.

A Environmental Investigation Agency (EIA) e a sua parceira indonésia Kaoem Telapak analisaram ligações empresariais, laborais e comerciais na sua investigação sobre ligações empresariais. Identificaram um comissário de empresas da KAS que também foi apresentado como responsável comercial da FAP Agri, bem como documentos que registam transações entre empresas dos dois grupos.

A First Resources disse à EIA que a KAS não é uma subsidiária, empresa associada, parte relacionada nem pessoa interessada da First Resources. Disse também que não comprou produtos de óleo de palma à KAS nem realizou outras transações com esta. A FAP Agri contestou a interpretação da EIA sobre as provas relativas a funcionários e transações, afirmando que as relações comerciais não demonstram controlo empresarial.

A disputa diz respeito tanto à propriedade como aos acordos comerciais do dia a dia. Os investigadores querem saber se empresas apresentadas como independentes partilham práticas de gestão, comércio e logística em número suficiente para que as suas atividades fiquem abrangidas pelos mesmos compromissos de sustentabilidade.

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Perdas florestais abrangem diferentes concessões

A análise por satélite descrita nas investigações atribuiu à KAS e à FAP Agri mais de 9300 hectares de floresta desmatados entre 2021 e 2026. O comunicado da RAN apresenta um valor mais abrangente, de mais de 9800 hectares em concessões que identifica como controladas pelo grupo Fangiono, entre janeiro de 2021 e maio de 2026.

Os totais abrangem grupos de concessões e períodos descritos de forma diferente. A RAN documentou gibões-de-bochechas-cinzentas-orientais ameaçados em habitats afetados pelo desmatamento, ligando a disputa empresarial à sobrevivência dos animais que vivem nessas florestas.

A KAS tem pouca visibilidade pública face à escala das suas operações, segundo os dados disponíveis. Informações empresariais sobre recrutamento e formação citadas pelos investigadores referem cerca de 70 000 hectares de terreno, seis fábricas de óleo de palma e aproximadamente 15 000 funcionários. A sua estrutura de propriedade remete para empresas registadas nas Ilhas Virgens Britânicas, onde não são divulgadas publicamente as pessoas que, em última instância, beneficiam dessas entidades.

Investigações anteriores foram além do Bornéu. Em Um Caso de Família, publicado a 7 de agosto de 2025, a Kaoem Telapak e a EIA alegaram que uma empresa afiliada à Ciliandry Anky Abadi (CAA) desmatou mais de 6000 hectares de floresta na Papua desde 2022.

Esse relatório identificou a First Resources, a FAP Agri e a CAA como empresas alegadamente afiliadas à família Fangiono. Descreveu também alegações de conflitos prolongados com povos indígenas e comunidades locais, e operações sem todas as licenças necessárias. O valor relativo à Papua diz respeito a uma localização e período diferentes dos dos totais mais recentes de desflorestação.

Medidas de certificação não esclareceram as alegações sobre a propriedade

Em 2015, a First Resources comprometeu-se a pôr fim à desflorestação na sua cadeia de abastecimento. Registos empresariais indicam que, desde então, mais de metade das suas plantações recebeu certificação da Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), uma organização voluntária que estabelece requisitos ambientais e sociais para os seus membros.

A certificação da RSPO tem importância comercial porque clientes e entidades financiadoras a utilizam para avaliar compromissos ambientais. A First Resources também publica um relatório de sustentabilidade enquanto empresa cotada na Bolsa de Singapura. Esse relatório não é analisado por uma entidade terceira independente.

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Uma queixa apresentada à RSPO em 2021 alegava que a First Resources controlava outros grupos empresariais. A New Borneo Agri, designação anteriormente utilizada pela KAS, foi acrescentada à queixa em 2024. Segundo a EIA, o processo foi encerrado em 2025 e a First Resources foi suspensa por três meses por não ter declarado integralmente a sua relação com a FAP Agri.

A decisão não obrigou a First Resources a considerar a KAS parte do mesmo grupo. Alex Helan, investigador sénior da RAN, contestou a forma como o processo foi tratado, argumentando que a decisão não abordou suficientemente a alegada circulação de óleo ligado à desflorestação através de rotas de abastecimento partilhadas.

Para as entidades certificadoras, a questão prática é onde traçar os limites de uma empresa. Um compromisso que abranja apenas empresas formalmente registadas como subsidiárias pode deixar de fora outras operações ligadas ao grupo. A EIA e a RAN querem uma análise mais aprofundada da gestão, do financiamento, das compras e da logística, além da estrutura formal de participação no capital.

Venda no sul de Sorong levanta novas questões

A EIA e a Kaoem Telapak analisaram também duas concessões no sul de Sorong, a PT PMP e a PT PPM, que a First Resources adquiriu e vendeu mais tarde. O relato original data a venda de 2025. As concessões pertencem agora à PT HAM.

Os investigadores afirmam que a PT HAM e a PT BMS, uma empresa de transporte marítimo associada à First Resources, têm o mesmo beneficiário efetivo final: a Zarvex Global Ltd, registada nas Ilhas Virgens Britânicas. O beneficiário efetivo final encontra-se no fim de uma cadeia de propriedade e é, em última instância, proprietário da empresa ou dela beneficia.

A ligação de propriedade comum levou a EIA a pedir esclarecimentos mais completos sobre a venda e as empresas envolvidas. Ben Melling, responsável pela campanha florestal da EIA, afirmou que as conclusões levantam dúvidas sobre se a transferência resultou numa separação completa dos ativos.

Melling explicou por que motivo a sua organização analisa mais do que os nomes associados a cada empresa:

A questão é a responsabilização. Uma empresa não pode ser avaliada apenas pelo historial ambiental das empresas que ostentam formalmente o seu nome se, por detrás da estrutura empresarial, existem ligações significativas a outras empresas que estão a desflorestar.

A EIA e a Kaoem Telapak pedem à First Resources e à FAP Agri que divulguem as suas relações passadas e atuais com a KAS, incluindo acordos relativos a pessoal, transações, logística e financiamento.

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First Resources apresenta a sua resposta aos incêndios

A First Resources também está sob escrutínio devido aos incêndios e à neblina na Indonésia. Na sua resposta atualizada aos incêndios, datada de 16 de outubro de 2026, a empresa afirmou que a prolongada falta de chuva, associada ao El Niño, tinha aumentado a atividade de incêndios na região, sendo as suas concessões no Kalimantan Ocidental as mais afetadas.

O comunicado, assinado pelo secretário da empresa, Victor Lai Kuan Loong, afirmou que as verificações no terreno indicaram que muitos focos de incêndio nas proximidades tinham origem fora dos limites das suas operações. Alguns incêndios alastraram depois a áreas sob gestão da empresa, onde as equipas trabalharam para os conter. A First Resources afirmou ainda que o número de focos de incêndio no Kalimantan Ocidental tinha diminuído acentuadamente nas semanas anteriores e se concentrava sobretudo em zonas onde não operava.

A empresa descreveu uma política de tolerância zero à queima, aplicável à preparação dos terrenos e a futuras replantações, apoiada por vigilância diária por satélite, drones, patrulhas terrestres, bombeiros com formação e equipamento. Nas plantações existentes em solos turfosos, afirmou que as equipas monitorizam os níveis da água, a precipitação e a humidade do solo. A turfa é um solo rico em matéria vegetal parcialmente decomposta, que fica mais vulnerável aos incêndios quando seca.

A PT Kayung Agro Lestari, ou PT KALE, passou a integrar o grupo com a aquisição da PT Austindo Nusantara Jaya, em maio de 2025. A First Resources afirmou que a PT KALE não tinha nenhum programa de replantação previsto. Descreveu dificuldades em chegar aos incêndios em zonas de conservação devido às limitações de acesso e de abastecimento de água.

A First Resources reconheceu que a fraca visibilidade e a deterioração da qualidade do ar perturbavam as operações, mas afirmou não prever um impacto operacional ou financeiro significativo. O comunicado sobre os incêndios aborda a prevenção, a resposta e a gestão das plantações, enquanto as novas investigações se centram nas relações empresariais e na origem do óleo de palma comercializado.

Anos de queixas levam a exigências dirigidas a compradores e bancos

As acusações foram-se desenvolvendo ao longo de mais de uma década, através de queixas empresariais, investigações e respostas das empresas. As principais datas são:

  • 2015: A First Resources comprometeu-se a pôr fim à desflorestação na sua cadeia de abastecimento.
  • 2021: Uma queixa à RSPO contestou o alegado controlo de outros grupos empresariais pela First Resources.
  • 2022: Um processo judicial da KAS deu origem a declarações de funcionários posteriormente citadas como prova de ligações de transporte.
  • 2024: A New Borneo Agri foi acrescentada à queixa à RSPO; a First Resources negou ligações comerciais à KAS.
  • 2025: O processo da RSPO foi encerrado, com uma suspensão de três meses devido à divulgação incompleta da relação com a FAP Agri. A EIA e a Kaoem Telapak publicaram Um Caso de Família a 7 de agosto.
  • Outubro de 2026: A First Resources publicou a sua resposta atualizada aos incêndios, seguida do anúncio de novas conclusões da RAN, a 29 de outubro.
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A estimativa da RAN de 1,2 mil milhões de dólares em crédito coloca os bancos ao lado dos compradores de matérias-primas na disputa. A organização afirma que o financiamento incluiu grandes bancos asiáticos com políticas destinadas a impedir o apoio a clientes responsáveis pela desflorestação.

Os compradores de óleo de palma recorrem frequentemente a compromissos NDPE, sigla inglesa para «sem desflorestação, sem desenvolvimento em solos turfosos e sem exploração». Fazer cumprir essas promessas exige rastrear o óleo através de comerciantes, instalações de armazenamento e fábricas até às plantações onde o fruto é produzido.

Pete Cooper, especialista sénior em relações empresariais da RAN, afirmou que os compradores precisam de verificações independentes tanto do desmatamento como da informação prestada pelos fornecedores:

Os compradores não podem confiar em promessas de óleo de palma sem desflorestação quando o fornecedor oculta a origem do óleo.

A RAN quer que o abastecimento a todo o grupo seja suspenso enquanto decorre a investigação. A EIA e a Kaoem Telapak pedem a suspensão do abastecimento, do comércio e de outras relações identificadas com a KAS até que as suas perguntas sejam respondidas. Os comunicados não indicam um prazo para as respostas nem uma data para uma nova decisão de certificação.

Principais pontos

  • A RAN alega que registos contabilísticos e a logística partilhada do óleo de palma ligam a First Resources, a KAS e a FAP Agri mais estreitamente do que é reconhecido publicamente.
  • A RAN refere mais de 9800 hectares de floresta desmatados em concessões que descreve como controladas pelo grupo Fangiono, entre janeiro de 2021 e maio de 2026.
  • A First Resources nega a alegada integração da cadeia de abastecimento; a FAP Agri contesta conclusões importantes e a KAS não respondeu.
  • Uma queixa à RSPO foi encerrada em 2025, tendo a First Resources sido suspensa por três meses devido à divulgação incompleta da sua relação com a FAP Agri.
  • A EIA e a Kaoem Telapak pedem maior transparência empresarial, enquanto grupos ambientais instam os compradores a suspender relações comerciais específicas.
  • A First Resources afirma que proíbe a queima, mantém sistemas de monitorização e resposta a incêndios e não prevê um impacto financeiro significativo devido aos incêndios e à neblina.
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