Paquistão impede companhias aéreas de Taiwan de sobrevoarem o seu espaço aéreo, obrigando a alterar rotas para a Europa

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Pakistan Bars Taiwanese Airlines From Its Airspace, Forcing Changes to Europe Routes

Pelo menos uma dúzia de voos desviados por cima da Rússia

O Paquistão proibiu as companhias aéreas de Taiwan de sobrevoarem o seu espaço aéreo, ao abrigo da política de Uma Só China, obrigando a China Airlines e a EVA Air a alterarem as rotas entre a Ásia e a Europa. Dados de rastreamento da Flightradar24 citados a 28 de outubro de 2026 mostravam que nenhuma das companhias sobrevoava o Paquistão desde a manhã de 25 de outubro, enquanto pelo menos uma dúzia de voos tinha passado, em alternativa, por cima da Rússia.

Índice
  1. Pelo menos uma dúzia de voos desviados por cima da Rússia
  2. O que disse o ministro da Defesa do Paquistão
  3. Como mudaram as rotas dos voos
  4. Porque voltou a Rússia ao mapa das rotas
  5. Taiwan condena a restrição
  6. Uma parceria que vai além da aviação
  7. O que distingue esta restrição
  8. Principais pontos

A restrição transforma o apoio diplomático de Islamabad a Pequim num problema operacional para duas importantes companhias aéreas de Taiwan. Alguns voos passaram a seguir rotas mais a norte, através da Rússia, enquanto outros atravessaram diferentes zonas do Sul da Ásia e do Médio Oriente. As alterações acrescentaram horas a algumas viagens e aumentaram os custos com combustível.

O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, confirmou que a decisão refletia a posição do país sobre Taiwan. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan condenou posteriormente o uso do espaço aéreo pelo Paquistão como instrumento político e afirmou que iria coordenar-se com as autoridades dos transportes, respeitando as decisões das companhias aéreas sobre segurança, duração das viagens e custos.

A medida foi descrita como a primeira restrição geral conhecida a companhias aéreas comerciais de Taiwan, baseada explicitamente na política de Uma Só China. Os casos anteriores envolveram autorizações para aeronaves que transportavam responsáveis de Taiwan, e não uma proibição abrangente que afetasse transportadoras comerciais.

O que disse o ministro da Defesa do Paquistão

Asif relacionou diretamente a restrição com o reconhecimento, pelo Paquistão, da China continental e com a exclusão das companhias aéreas de Taiwan. O ministro da Defesa paquistanês descreveu a política de aviação nestes termos:

Só autorizámos companhias aéreas chinesas a sobrevoar o Paquistão.

A explicação dizia respeito à distinção que o Paquistão estabelece entre as companhias aéreas da China continental e as de Taiwan. Na prática, a China Airlines e a EVA Air perderam a autorização para atravessar território paquistanês em viagens de e para a Europa, mesmo quando as suas aeronaves não aterrariam no país.

Um sobrevoo é uma viagem através do espaço aéreo de um país sem aterragem. Perder essa autorização pode impedir o uso de uma parte útil de uma rota internacional, obrigando uma companhia aérea a planear um percurso diferente por vários países.

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Não foram esclarecidas a duração da restrição, os pormenores de uma diretiva formal ou a razão imediata da sua introdução, para além da explicação política de Asif. Não foi anunciada qualquer data para uma revisão ou para o restabelecimento do acesso.

Como mudaram as rotas dos voos

A China Airlines e a EVA Air começaram a alterar as rotas durante o fim de semana anterior ao anúncio de 28 de outubro. Um voo específico da China Airlines, de Taipé para Roma, a 24 de outubro, atravessou o espaço aéreo russo em vez de seguir a rota anterior, que passava pela Índia, pelo Paquistão e pelo Turquemenistão.

As observações da Flightradar24 situaram a mudança mais ampla, com o afastamento do espaço aéreo paquistanês, na manhã de 25 de outubro. Pelo menos uma dúzia de voos entre a Ásia e a Europa passou subsequentemente a utilizar o espaço aéreo russo. Outra contagem divulgada referiu mais de 10 voos, apontando para um quadro semelhante de alterações repetidas nas operações das duas companhias.

A sequência mostra como a perturbação se tornou visível antes da explicação do ministro:

  • 24 de outubro de 2026: Um voo da China Airlines de Taipé para Roma utilizou uma rota pelo espaço aéreo russo, em vez do percurso anterior pela Índia, pelo Paquistão e pelo Turquemenistão.
  • 25 de outubro: As observações de rastreamento mostraram que a China Airlines e a EVA Air evitavam o espaço aéreo paquistanês desde a manhã.
  • 28 de outubro: A explicação de Asif relacionou a restrição com a política de Uma Só China do Paquistão, quando as alterações de rota se tornaram do conhecimento público.

As rotas que ligam Taipé a Roma e Londres foram algumas das identificadas na cobertura das alterações. A China Airlines opera a ligação a Roma, enquanto a EVA Air serve Londres. Outras aeronaves afetadas passaram a atravessar o Sul da Ásia e o Médio Oriente, em vez de utilizarem a Rússia.

Porque voltou a Rússia ao mapa das rotas

As companhias aéreas de Taiwan tinham, em geral, evitado o espaço aéreo russo desde fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou a invasão em grande escala da Ucrânia. A sua abordagem era semelhante à de muitas companhias aéreas da Ásia, da Europa e da América do Norte.

A Administração da Aviação Civil de Taiwan afirmou nunca ter proibido as transportadoras taiwanesas de sobrevoarem a Rússia. Não comentou os recentes desvios de rota. A China Airlines e a EVA Air também não quiseram comentar quando foram inicialmente contactadas sobre as alterações.

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A Rússia oferece uma rota setentrional entre a Ásia Oriental e a Europa. A sua utilização renovada mostra como a perda de um corredor aéreo pode alterar as opções de uma companhia aérea noutros pontos. Para as transportadoras de Taiwan, uma rota que em geral evitavam passou a fazer parte da resposta à restrição imposta pelo Paquistão.

As companhias aéreas têm de ponderar vários fatores ao escolher um percurso: a autorização para entrar no espaço aéreo de cada país, a segurança do voo, a duração da viagem e os custos operacionais. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan identificou especificamente a segurança, o tempo e os custos como fatores a considerar pelas transportadoras ao planearem as próximas rotas.

As horas adicionais referidas em alguns serviços significam viagens mais longas para os passageiros e maior consumo de combustível pelas aeronaves. As companhias aéreas não anunciaram um ajustamento comum dos horários nem um valor para as despesas adicionais.

Taiwan condena a restrição

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan rejeitou a posição do Paquistão e condenou o que descreveu como a politização e instrumentalização do espaço aéreo. Afirmou que Taiwan é um país soberano e nunca esteve subordinado à República Popular da China.

O ministério afirmou que manteria um contacto estreito com o Ministério dos Transportes de Taiwan e respeitaria o planeamento de rotas das companhias aéreas comerciais. A resposta abordou tanto a disputa de soberania como a tarefa imediata de manter os serviços internacionais em funcionamento.

Pequim reivindica Taiwan como parte do seu território. Taiwan, que tem um governo eleito e uma população de cerca de 23 milhões de habitantes, rejeita essa reivindicação. Apenas 12 países mantêm relações diplomáticas formais com Taipé, entre os quais Belize e Tuvalu.

A posição do Paquistão sobre Uma Só China reconhece a República Popular da China como governo da China e considera Taiwan parte do território chinês. Islamabad opõe-se à independência de Taiwan e às tentativas de estabelecer duas Chinas ou uma China e um Taiwan.

O Paquistão também levou essa posição às organizações internacionais. Opôs-se à participação de Taiwan em entidades como a Organização Mundial da Saúde e rejeitou uma proposta para convidar Taiwan para a assembleia anual da organização.

Uma parceria que vai além da aviação

O Paquistão pôs fim às relações oficiais com Taiwan em 1951 e estabeleceu relações diplomáticas com a República Popular da China nesse mesmo ano. O apoio a Pequim na questão de Taiwan tem-se mantido ao longo de sucessivos governos.

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O presidente Asif Ali Zardari e o primeiro-ministro Shehbaz Sharif reiteraram ambos essa posição. Um comunicado conjunto após a visita de Sharif à China, em maio, opôs-se à independência de Taiwan e apoiou os esforços da China em prol da reunificação nacional. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan rejeitou as afirmações do comunicado sobre o estatuto de Taiwan.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Tahir Andrabi, também reafirmou a posição do Paquistão no início de janeiro, descrevendo Taiwan como «parte inalienável da China». Em vários relatos, o comunicado está datado de 2 de janeiro; na descrição original das declarações, surge datado de 3 de janeiro. Foi divulgado após exercícios militares chineses em torno de Taiwan, que incluíram fogo real e ataques simulados contra alvos marítimos.

Os laços económicos e militares constituem o contexto mais amplo da decisão do Paquistão. A China canalizou milhares de milhões de dólares para o Paquistão através do Corredor Económico China-Paquistão, integrado na Iniciativa Faixa e Rota do presidente Xi Jinping.

A China é também o maior fornecedor de armamento do Paquistão. A relação de defesa entre os dois países chamou a atenção durante o conflito entre o Paquistão e a Índia, em maio de 2025, quando o Paquistão utilizou caças chineses J-10C. Outra iniciativa, o Corredor de Informação China-Paquistão, foi lançada na terça-feira anterior à divulgação da restrição do espaço aéreo.

Estas ligações explicam a profundidade da relação no âmbito da qual Islamabad enquadrou a sua política de aviação. A razão apresentada por Asif para a restrição foi a posição do Paquistão sobre a China e Taiwan.

O que distingue esta restrição

A medida do Paquistão afeta serviços comerciais regulares, e não uma única viagem diplomática. Uma restrição que afete uma companhia aérea pode obrigá-la a alterar repetidamente as rotas dos seus voos, com consequências para os passageiros, o consumo de combustível e o planeamento das aeronaves.

Em abril, as Seicheles, as Maurícias e Madagáscar revogaram as autorizações de sobrevoo para a aeronave do presidente de Taiwan, Lai Ching-te, durante os preparativos para uma visita a Essuatíni. A visita prevista foi adiada. Essas decisões diziam respeito a uma aeronave presidencial; a restrição do Paquistão visa transportadoras comerciais de Taiwan.

O artigo 1.º da Convenção sobre a Aviação Civil Internacional de 1944 reconhece que os Estados têm soberania completa e exclusiva sobre o espaço aéreo acima do seu território. Em termos simples, os governos controlam o acesso ao espaço aéreo sobre os seus países, no âmbito das regras e obrigações internacionais de aviação que lhes são aplicáveis.

A possibilidade de as companhias aéreas de Taiwan utilizarem atualmente o espaço aéreo da China continental é descrita de forma contraditória: vários relatos afirmam que a China permite os seus sobrevoos, enquanto outro diz que as restrições políticas os impedem. A exclusão confirmada pelo Paquistão é a limitação imediata que está a provocar as alterações de rota aqui descritas.

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Para os passageiros, a questão concreta é o percurso que as suas aeronaves podem fazer. Para as companhias aéreas, trata-se de manter os serviços para a Europa depois de perderem um corredor de trânsito. As autoridades dos transportes de Taiwan e as transportadoras enfrentam agora estas decisões operacionais, a par de uma disputa de soberania cada vez mais explícita.

Principais pontos

  • O Paquistão proibiu as companhias aéreas de Taiwan de sobrevoarem o seu espaço aéreo, invocando a política de Uma Só China.
  • Segundo as observações de rastreamento de voos, a China Airlines e a EVA Air deixaram de sobrevoar o Paquistão na manhã de 25 de outubro.
  • Pelo menos uma dúzia de voos entre a Ásia e a Europa passou, em alternativa, pelo espaço aéreo russo, enquanto outros seguiram rotas alternativas pelo Sul da Ásia e pelo Médio Oriente.
  • Algumas viagens tornaram-se mais longas e mais dispendiosas de operar.
  • O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan condenou a medida do Paquistão e afirmou que as companhias aéreas devem planear as rotas tendo em conta a segurança, o tempo e os custos.
  • Não foram anunciadas a duração da restrição nem uma data para a sua revisão.
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