Compromisso com câmaras posto à prova nas ruas de Jacarta
O chefe da polícia da Indonésia, general Suyudi Ario Seto, apelou a uma maior utilização de câmaras usadas pelos agentes para reforçar a responsabilização durante manifestações, enquanto estudantes em protesto que se dirigiam à rotunda Hotel Indonesia, em Jacarta, foram travados por barricadas de segurança a 28 de outubro de 2026.
Índice
- Compromisso com câmaras posto à prova nas ruas de Jacarta
- O que anuncia a medida das câmaras corporais
- Polícia promete prevenção antes da repressão
- Um direito legal com responsabilidades de ambas as partes
- Estudantes impedidos de chegar ao local previsto
- Amnistia pede acesso ao espaço público
- Cinco reivindicações ligam o ambiente, os orçamentos e os direitos
- Como se desenvolveu a mobilização
- Avisos de trânsito e um compromisso mais amplo de reforma
- Pontos principais
Manifestantes do Conselho Executivo de Estudantes da Universidade da Indonésia, do órgão representativo dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Pancasila e da União Indonésia de Presos Políticos chegaram à zona em frente ao edifício do Bank UOB, na Jalan Sudirman, por volta das 14h30, hora da Indonésia Ocidental. Às 15h14, continuavam sem conseguir chegar à rotunda.
A barricada incluía centenas de agentes da polícia, com cerca de 100 militares atrás deles. O chefe da polícia de Jacarta Central, comissário sénior Reynold Elisa Partomuan Hutagalung, reuniu-se com representantes dos estudantes e afirmou que a polícia continuaria a acolher e a apoiar a manifestação.
Os acontecimentos juntaram duas questões imediatas: de que forma os agentes protegeriam as pessoas que exerciam o seu direito de protestar e como seria registada e avaliada a sua conduta. A proposta de câmaras de Suyudi fazia parte de um compromisso mais amplo de recorrer ao diálogo, à prevenção e ao uso proporcional da força na gestão de multidões.
A manifestação #IndonesiaSadar estava marcada para as 14h00 na rotunda, habitualmente chamada Bundaran HI. Os organizadores apresentaram cinco conjuntos de reivindicações, relativos a catástrofes e ao ambiente, à despesa pública, à educação, à corrupção e às liberdades civis. A Amnistia Internacional Indonésia apelou ao levantamento das restrições às manifestações pacíficas naquele local.
O que anuncia a medida das câmaras corporais
Suyudi apresentou a maior utilização de câmaras usadas no corpo dos agentes como parte do reforço da responsabilização nas operações de segurança. As suas declarações, divulgadas a 27 e 28 de outubro, abrangeram manifestações e a gestão de conflitos sociais.
O anúncio foi descrito como um plano para equipar os agentes destacados para manifestações em várias regiões. A formulação citada de Suyudi foi mais restrita: a polícia estava a incentivar uma maior utilização dos dispositivos. A polícia não indicou o número de equipamentos a adquirir, um prazo para a sua distribuição nem regras de funcionamento que explicassem quando começaria a gravação, como seriam guardadas as imagens ou quem poderia aceder-lhes.
Uma câmara corporal é um pequeno dispositivo de gravação fixado à roupa ou ao equipamento de um agente. Pode criar um registo das interações entre os agentes e o público. Para os manifestantes, a questão prática é saber se as interações com a polícia, incluindo as instruções e qualquer uso da força, ficam gravadas. Para os agentes, as gravações podem documentar as circunstâncias em que atuaram.
Suyudi associou o equipamento às instruções para que os agentes gerissem as multidões através do diálogo, permitindo às pessoas expressar as suas opiniões em segurança e de forma ordeira. A iniciativa das câmaras está, assim, ligada às decisões sobre a forma como os agentes falam com os manifestantes, permitem a circulação e respondem a incidentes.
Polícia promete prevenção antes da repressão
Suyudi afirmou que a polícia garantiria a segurança das manifestações em toda a Indonésia a 28 de outubro, data que coincidiu com o Dia do Juramento da Juventude. Apelou aos participantes para manterem a ordem e evitarem a violência, reafirmando o seu direito a expressar publicamente as suas opiniões.
Ao falar na sede da polícia, em Jacarta, Suyudi descreveu a abordagem que se esperava dos agentes:
Continuamos a dar prioridade a uma abordagem humanitária. As nossas medidas policiais continuarão a ser preventivas e proativas.
O chefe das relações públicas da polícia, inspetor-geral Johnny Edison Isir, descreveu várias medidas associadas a esses termos. A deteção precoce, os avisos e a comunicação com grupos comunitários visariam identificar possíveis problemas antes que estes se agravassem. Patrulhas, gestão do trânsito e contacto com os coordenadores do protesto ajudariam depois a proteger os participantes e os restantes membros do público.
Em termos práticos, a polícia afirmou querer antecipar problemas, manter os canais de comunicação abertos e evitar situações perigosas antes de ponderar medidas coercivas. Isir disse que qualquer ação tomada em resposta a uma infração à lei teria de ter em conta a base legal, as condições no terreno, a proporcionalidade, a responsabilização e os direitos humanos.
Um direito legal com responsabilidades de ambas as partes
A polícia invocou a Lei n.º 9 de 1998 sobre a Liberdade de Expressão em Público como base para gerir as manifestações. O artigo 5.º consagra o direito dos cidadãos a expressarem opiniões, enquanto o artigo 6.º estabelece responsabilidades, incluindo respeitar os direitos de outras pessoas, manter a ordem pública e cumprir a lei.
Ao explicar a posição da polícia, Isir afirmou que a liberdade de expressão exigia proteção:
A Polri respeita o direito de todos os cidadãos a expressarem as suas opiniões em público. Conforme estipulado na Lei n.º 9 de 1998, a liberdade de expressão é um direito que deve ser respeitado e protegido.
Isir afirmou também que os funcionários públicos têm o dever de proteger os direitos humanos, respeitar os princípios jurídicos e a presunção de inocência, e garantir a segurança. Esses deveres atribuem responsabilidades tanto aos agentes como às pessoas que participam numa manifestação.
Suyudi tinha defendido uma posição semelhante na sua audição de confirmação parlamentar, a 1 de outubro. Disse que os participantes pacíficos deviam ser protegidos e que as pessoas que cometessem atos de violência deviam ser tratadas em função da sua conduta e das provas. Afirmou ainda que o uso da força pela polícia tinha de ser legal, necessário, proporcional, documentado e sujeito a responsabilização.
A proporcionalidade significa adequar a intervenção à situação concreta. Na abordagem descrita por Suyudi, os agentes distinguiriam os participantes pacíficos das pessoas que praticassem atos de violência e documentariam os motivos para recorrer à força. A proposta das câmaras corporais acrescenta a esse compromisso uma componente prática de registo.
Estudantes impedidos de chegar ao local previsto
Em frente ao edifício do Bank UOB, os manifestantes depararam-se com várias barreiras de forças de segurança no percurso para Bundaran HI. A presença da polícia e dos militares tornou o acesso ao local anunciado para a manifestação um ponto de discórdia imediato.
Reynold conversou com Hafidz Hernanda, coordenador dos assuntos sociais e políticos da BEM UI, e Fathimah Azzahra, vice-presidente da organização. A garantia de que a polícia acolheria a manifestação foi dada enquanto os participantes continuavam atrás da barricada.
Muhammad Raihan, da Frente de Ação Estudantil da UI, afirmou que os estudantes continuavam a tentar passar. Se não conseguissem fazê-lo até às 16h00, disse, discursariam e apresentariam as suas reivindicações em frente ao edifício do Bank UOB.
Para os participantes, isso significava que a operação policial estava a afetar o local onde podiam reunir-se e falar. Para os agentes, as conversações com os representantes dos estudantes tornaram-se o meio imediato para gerir o desacordo sobre o acesso.
Amnistia pede acesso ao espaço público
Usman Hamid, diretor executivo da Amnistia Internacional Indonésia, instou as autoridades a levantarem a restrição às manifestações pacíficas em Bundaran HI. Descreveu a rotunda como um espaço público que as pessoas tinham o direito de usar para expressar as suas preocupações.
Usman argumentou que a principal responsabilidade da polícia era proporcionar um local seguro para reuniões pacíficas. Disse que as restrições podiam gerar mal-entendidos e desencadear violações dos direitos humanos, e apelou às autoridades para ouvirem os manifestantes em vez de responderem com repressão.
Defendeu também o slogan #IndonesiaSadar e o símbolo dos três dedos usado pelos organizadores para expressar consciência sobre a extorsão, a queima e o empobrecimento. Usman descreveu-o como uma expressão de preocupação com a situação atual e rejeitou a sugestão de que incitasse à hostilidade, à discriminação ou à violência.
O desacordo centrou-se no acesso e no papel das forças de segurança. A polícia prometeu proteção e ordem pública, enquanto a Amnistia defendeu que os manifestantes pudessem entrar no local público que tinham escolhido. A presença de militares também tornou imediatamente pertinente uma das reivindicações dos manifestantes: pôr fim à militarização dos espaços civis.
Cinco reivindicações ligam o ambiente, os orçamentos e os direitos
A aliança organizadora, Komite Selamatkan Daulat Rakyat, conhecida como SADAR, reuniu organizações estudantis de universidades como a UI, a ITB, a UGM, a Diponegoro, a Brawijaya, a Universidade Estatal de Semarang, a Airlangga e a Padjadjaran. Os seus representantes descreveram a mobilização de 28 de outubro como uma continuação de uma ação realizada a 20 de outubro.
Os cinco conjuntos de reivindicações ligavam o custo de vida e os serviços a questões mais amplas sobre o poder do Governo:
- Declarar uma catástrofe nacional em resposta aos incêndios florestais e às crises ambientais, levar a tribunal as empresas responsáveis e melhorar a coordenação da gestão dos solos.
- Orientar o orçamento do Estado para as necessidades públicas e pôr fim a despesas que os organizadores consideravam esbanjadoras.
- Reduzir os custos da educação e alargar o acesso aos serviços básicos.
- Combater a corrupção, o conluio e o nepotismo, e deixar de usar a lei como instrumento de poder político.
- Proteger a liberdade de expressão, resolver casos de violações dos direitos humanos e pôr fim à militarização dos espaços civis.
Os organizadores criticaram as despesas com o programa de refeições nutritivas gratuitas, conhecido como MBG, e com iniciativas de cooperativas de aldeia. A reivindicação relativa ao orçamento dizia respeito ao APBN, o plano nacional de receitas e despesas da Indonésia. Em termos práticos, pretendiam escolhas diferentes quanto à utilização do dinheiro público.
Usman referiu preocupações ambientais que abrangiam incêndios florestais e terrestres em Sumatra, Kalimantan, Java e Papua, bem como um sismo em Nusa Tenggara Oriental. Essas preocupações ligavam o pedido de declaração de catástrofe nacional às reivindicações de responsabilização das empresas e de alterações à administração dos solos.
Como se desenvolveu a mobilização
Namora Siahaan, responsável pelos estudos estratégicos da BEM UI, afirmou que o encontro previsto deveria incluir trabalhadores, agricultores e outros grupos da sociedade civil, além dos estudantes. Os organizadores queriam que o local do protesto permitisse a participação de pessoas de diferentes origens.
O planeamento e os acontecimentos nas ruas desenrolaram-se ao longo de várias datas:
- 1 de outubro: Suyudi disse na sua audição de confirmação parlamentar que os manifestantes pacíficos deviam ser protegidos e que o uso da força pela polícia devia ser documentado.
- 20 de outubro: Os organizadores realizaram uma ação anterior que, segundo os representantes da SADAR, o protesto de 28 de outubro iria continuar.
- 26 de outubro: A BEM UI realizou uma reunião de coordenação no centro de atividades estudantis da universidade, em Depok, para discutir preocupações e planos para a manifestação.
- 27 de outubro: Foram divulgados os compromissos de Suyudi relativos às câmaras corporais e ao diálogo, e os organizadores anunciaram a mobilização #IndonesiaSadar.
- 28 de outubro, 14h00: Estava previsto que a manifestação começasse em Bundaran HI.
- 28 de outubro, entre cerca das 14h30 e as 15h14: Os participantes chegaram em frente ao edifício do Bank UOB e continuavam impedidos de chegar à rotunda.
A ação de 28 de outubro coincidiu com o Dia do Juramento da Juventude, uma ocasião que os organizadores aproveitaram para reunir grupos de estudantes e reivindicações mais amplas da população. O desafio imediato nas ruas era conseguir um local para apresentar essas reivindicações.
Avisos de trânsito e um compromisso mais amplo de reforma
A polícia de trânsito de Jacarta aconselhou os automobilistas a evitarem as zonas em redor do complexo parlamentar DPR/MPR, de Bundaran HI, do Monas e de Tugu Tani. O aviso abrangia manifestações a partir das 10h00 e alertava para congestionamentos e alterações aos fluxos de trânsito, recomendando aos condutores a utilização de percursos alternativos.
O porta-voz da polícia de Jacarta, comissário sénior Budi Hermanto, apelou às pessoas para protegerem as instalações públicas e respeitarem os direitos de todos os que utilizam os espaços partilhados. Referiu os manifestantes, os trabalhadores, os estudantes e outros residentes que realizam as suas atividades diárias como grupos cujas necessidades tinham de ser tidas em conta.
Suyudi enquadrou a iniciativa das câmaras num conjunto mais vasto de mudanças internas: reforço da supervisão, progressão na carreira baseada no mérito, digitalização do trabalho policial e maior transparência. Um sistema de mérito significa que as promoções devem depender das qualificações, do desempenho e da adequação ao cargo.
Reconheceu que as melhorias na polícia ainda não estavam concluídas e afirmou que a força continuaria a aceitar comentários do público. Associou também a segurança e o serviço público às prioridades Asta Cita do Governo, em particular à segunda e à sétima, e à ambição de desenvolvimento Indonésia Dourada 2045.
A agenda mais ampla de combate à criminalidade incluía ações contra a droga, o jogo em linha, a extorsão e a intimidação criminosa, bem como a proteção de mulheres, crianças, trabalhadores e vítimas de tráfico. Na manifestação de 28 de outubro, as medidas de serviço mais imediatas eram mais concretas: saber se as pessoas podiam reunir-se em segurança, se o diálogo resolvia os desacordos sobre o acesso e se as ações dos agentes eram registadas.
Pontos principais
- Suyudi apelou a uma maior utilização de câmaras corporais durante manifestações e outras operações de segurança pública.
- A polícia prometeu diálogo, prevenção e aplicação proporcional da lei, invocando o direito à expressão pública consagrado na Lei n.º 9 de 1998.
- Às 15h14 de 28 de outubro, os manifestantes que se dirigiam a Bundaran HI continuavam atrás das barricadas da polícia e dos militares, em frente ao edifício do Bank UOB.
- A Amnistia Internacional Indonésia instou as autoridades a levantarem as restrições às manifestações pacíficas na rotunda.
- A aliança SADAR apresentou cinco conjuntos de reivindicações relativos a catástrofes ambientais, despesa pública, educação, corrupção e liberdades civis.
- A polícia de trânsito alertou para perturbações nas imediações do complexo parlamentar, de Bundaran HI, do Monas e de Tugu Tani.






