Indonésia reporta prejuízos de 863,8 mil milhões de rupias no caso das motas elétricas do MBG; cinco suspeitos passam para a fase de acusação

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Indonesia Reports Rp 863.8 Billion Loss in MBG Electric Motorcycle Case as Five Suspects Move to Prosecution

Auditoria calcula em 863,8 mil milhões de rupias os prejuízos na aquisição de motas

Os procuradores indonésios comunicaram prejuízos para o Estado de 863 846 166 953 rupias num alegado esquema de corrupção relacionado com motas elétricas adquiridas para o programa Refeições Nutritivas Gratuitas, conhecido como MBG. Cinco suspeitos e as provas contra eles foram entregues aos procuradores em Jacarta Central a 9 de outubro de 2026, aproximando o caso de aquisição da fase de julgamento.

Índice
  1. Auditoria calcula em 863,8 mil milhões de rupias os prejuízos na aquisição de motas
  2. Baterias em falta em quase três em cada dez motas
  3. Cinco suspeitos incluem um responsável da BGN e executivos de empresas
  4. Investigadores alegam que o concurso foi organizado para favorecer determinados fornecedores
  5. Porque não coincidem ainda os totais de motas
  6. A apreensão do armazém antecedeu a auditoria de outubro
  7. O orçamento, o valor do contrato e os prejuízos auditados são medidas diferentes
  8. Investigação mais ampla à BGN abrange outras aquisições e bens
  9. Acusações e recuperação dos prejuízos são as próximas etapas legais
  10. Principais pontos

O cálculo dos prejuízos consta do relatório de auditoria PE.03.03/SR/S-791/D6/03/2026, datado de 5 de outubro de 2026. A investigação incide sobre aquisições feitas pela Agência Nacional de Nutrição, ou BGN, em 2025 e 2026 através da PT Yasa Artha Trimanunggal, também identificada como PT YAT.

O relato do caso de outubro abrange 19 269 motas elétricas. Os investigadores indicaram que 5 585 não tinham baterias e que nenhum dos veículos desse grupo tinha matrícula oficial. Segundo o Gabinete do Procurador-Geral, as motas não podiam, por isso, ser utilizadas nem inscritas no inventário de bens do Estado.

Anang Supriatna, diretor do Centro de Informação Jurídica do Gabinete do Procurador-Geral, indicou o valor exato dos prejuízos financeiros atribuídos ao caso:

O caso causou prejuízos financeiros ao Estado no valor de 863 846 166 953 rupias.

A entrega dos autos é uma etapa processual que antecede a acusação, não uma declaração de culpa. Os procuradores têm de analisar os processos e as provas, preparar as acusações e apresentar o caso ao Tribunal de Corrupção do Tribunal Distrital de Jacarta Central.

Baterias em falta em quase três em cada dez motas

O lote de aquisições descrito em outubro era composto por 13 155 motas de todo-o-terreno e 6 114 scooters ou ciclomotores. Destas, foi indicado que 5 355 motas de todo-o-terreno e 230 scooters ou ciclomotores não tinham baterias.

Estes números significam que cerca de 29 por cento das 19 269 motas não tinham baterias. O problema concentrava-se nas motas de todo-o-terreno: cerca de 40,7 por cento não tinham bateria, contra aproximadamente 3,8 por cento das scooters ou ciclomotores.

Sem bateria, uma mota elétrica não pode funcionar. O problema da matrícula era, contudo, mais abrangente, uma vez que os procuradores afirmaram que afetava os 19 269 veículos, incluindo os que não foram assinalados como estando sem bateria. Resolver apenas a falta de baterias não eliminaria, portanto, todos os obstáculos identificados pelos investigadores.

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Esta distinção é importante para avaliar o que o Estado recebeu em troca da despesa. O relato de outubro descreve veículos concretos com deficiências específicas, não simplesmente a falta de aquisição de motas. Identifica também um problema distinto no reconhecimento dessas aquisições como bens públicos utilizáveis.

Cinco suspeitos incluem um responsável da BGN e executivos de empresas

Entre os cinco suspeitos entregues a 9 de outubro está o coronel Budi Utomo, identificado como antigo secretário do vice-diretor da BGN responsável pelo aprovisionamento e distribuição. Foi também responsável pelos compromissos de aquisição, função conhecida na Indonésia como PPK, que responde pelos compromissos contratuais relacionados com a despesa pública.

Os quatro suspeitos do setor privado são Andri Mulyono, identificado como comissário da PT YAT e da PT ASE; Yenna Yuniana, identificada como diretora da PT YAT e referida como YY em vários relatos; AA, diretor da PT ASE; e GB, diretor da PT ASE, também identificado como diretor da PT AKI.

A entrega dos suspeitos teve lugar na Torre Kartika Adhyaksa, em Jacarta. Foi conduzida pela equipa conjunta de investigação sob a alçada do Vice-Procurador-Geral para os Crimes Militares, conhecido como Jampidmil, e os suspeitos e as provas foram entregues à equipa de acusação no Ministério Público Distrital de Jacarta Central.

Os cinco ficaram detidos por mais 20 dias. Os investigadores estavam também a apurar se Budi recebeu benefícios ou promessas de pagamentos de entidades privadas. Os relatos não estabelecem uma conclusão definitiva sobre esses alegados benefícios nem especificam o seu valor.

Investigadores alegam que o concurso foi organizado para favorecer determinados fornecedores

A alegada conduta ilícita não se limita ao estado das motas. Os investigadores suspeitam de conluio na escolha do vencedor do concurso, nas especificações técnicas e no cálculo do preço estimado da aquisição, com o objetivo de garantir contratos à PT YAT e à PT ASE.

O cálculo, conhecido como Harga Perkiraan Sendiri ou HPS, é a estimativa da entidade compradora sobre o custo que a aquisição deverá ter. A alegada manipulação dessa estimativa diz respeito à base usada para avaliar os preços, enquanto alterações às especificações podem influenciar os fornecedores que reúnem condições para concorrer.

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Os investigadores alegaram também que os custos da aquisição foram inflacionados e que foram atribuídos contratos a fornecedores que não cumpriam os requisitos. Suspeitava-se que a PT YAT não dispunha de uma rede de concessionários adequada nem de centros de assistência ativos para apoiar um projeto de aquisição à escala nacional.

Estas alegações dizem respeito a diferentes fases da mesma aquisição: como foi escolhido o fornecedor, como foi definido o preço, se o fornecedor podia prestar assistência aos veículos e o que foi efetivamente entregue. São alegações que terão de ser apreciadas durante a acusação e o julgamento.

Porque não coincidem ainda os totais de motas

Os relatos da investigação apresentam vários totais de motas, que não devem ser tratados como equivalentes sem reservas. Anang afirmou que a quantidade inicialmente prometida era de aproximadamente 25 644 unidades, tendo sido posteriormente revista para 21 000. Disse que, por volta do final de março de 2026, a execução efetiva era de apenas 2 117 unidades, embora os registos indicassem que cerca de 21 800 estavam concluídas.

Face à meta revista de 21 000, a execução indicada para março foi de aproximadamente 10,1 por cento. A diferença entre as 2 117 unidades efetivas e as cerca de 21 800 dadas como concluídas era de aproximadamente 19 683 motas. Este cálculo descreve a discrepância alegada nos registos, não uma contagem de veículos em falta confirmada de forma independente.

Um relato de junho descreveu um armazém com 21 801 motas pelas quais a BGN tinha pago na totalidade. Já o relato da acusação de outubro abrange 19 269 motas incluídas no lote de aquisição objeto do processo.

A diferença entre o número de motas no armazém indicado em junho e o total do caso de outubro é de 2 532. Não foi apresentada qualquer explicação que esclareça se estes totais correspondem a âmbitos contratuais, fases de entrega ou conjuntos de provas diferentes. Também não está estabelecido que as 19 269 motas tenham sido todas roubadas ou estejam desaparecidas: o relato de outubro descreve veículos sem baterias e sem matrículas.

A apreensão do armazém antecedeu a auditoria de outubro

Os investigadores selaram um armazém em Sentul, na província de Java Ocidental, a 17 de junho de 2026, depois de verificarem fisicamente os bens aí existentes. Nessa altura, a maioria das 21 801 motas descritas como totalmente pagas continuava, segundo relatos, armazenada e ainda não tinha sido distribuída aos destinatários previstos.

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Syarief Sulaeman Nahdi, diretor de investigação da Unidade de Crimes Especiais do Gabinete do Procurador-Geral, explicou por que motivo os investigadores selaram o armazém:

O armazém foi selado para garantir que as provas permanecem protegidas enquanto a investigação estiver em curso.

As principais datas mostram como a investigação passou das dúvidas sobre as entregas para a auditoria e a entrega dos autos para acusação:

  • Final de março de 2026: Os procuradores afirmam que a execução efetiva da aquisição era de 2 117 unidades, apesar de os registos indicarem que cerca de 21 800 estavam concluídas.
  • 17 de junho de 2026: Os investigadores selaram o armazém de motas em Sentul, na província de Java Ocidental.
  • 29 de setembro de 2026: Suspeitos de outra vertente da investigação à BGN foram entregues ao Ministério Público Distrital de Jacarta Central.
  • 2 de outubro de 2026: Anang descreveu publicamente a alegada manipulação das quantidades adquiridas e um orçamento de aproximadamente 1,2 biliões de rupias.
  • 5 de outubro de 2026: Data do relatório de auditoria que calculou os prejuízos no caso das motas.
  • 9 de outubro de 2026: Os cinco suspeitos da aquisição de motas e as provas foram entregues aos procuradores.

Os relatos divergem quanto a se a declaração escrita de Anang com o valor exato dos prejuízos foi divulgada a 9 ou a 10 de outubro. Coincidem quanto à entrega dos autos a 9 de outubro e à data da auditoria, 5 de outubro.

O orçamento, o valor do contrato e os prejuízos auditados são medidas diferentes

Anang descreveu o orçamento para a aquisição de motas como sendo de aproximadamente 1,2 biliões de rupias. O relato de junho sobre o armazém indicou um valor contratual de 1,035 biliões de rupias para 21 801 motas. Os prejuízos auditados posteriormente citados no caso de outubro foram de 863,846 mil milhões de rupias.

Um orçamento é uma verba destinada a despesas, o valor de um contrato é o montante associado a um acordo e os prejuízos auditados são uma estimativa dos danos financeiros. Por isso, estes valores não devem ser apresentados como estimativas concorrentes da mesma coisa.

Os prejuízos auditados correspondem a aproximadamente 83,5 por cento do valor contratual indicado de 1,035 biliões de rupias, ou a cerca de 72 por cento do orçamento declarado de 1,2 biliões de rupias. Estas comparações mostram a dimensão dos prejuízos, mas os diferentes totais de motas não permitem determinar uma taxa de recuperação nem o valor dos veículos utilizáveis.

A metodologia detalhada da auditoria não é descrita. Em particular, os relatos não explicam como foram avaliados os veículos sem baterias ou matrículas, nem que valor residual foi atribuído às motas apreendidas.

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Investigação mais ampla à BGN abrange outras aquisições e bens

O processo relativo às motas é uma das vertentes de uma investigação mais ampla à gestão do programa MBG. No início de outubro, os procuradores tinham identificado 11 suspeitos nos processos relacionados com a BGN, tendo seis suspeitos de outra vertente já sido entregues para acusação.

Esse grupo incluía o antigo diretor da BGN, Dadan Hindayana; os antigos vice-diretores Sony Sonjaya e Lodewyk Pusung; Asep Yusuf Somantri; Glory Harimas Sihombing, presidente da fundação Indonesia Food Security Review; e Lalu Muhammad Iwan, identificado como secretário do vice-diretor da BGN para a promoção e cooperação. O apelido de Sony também surge como Sanjaya, enquanto o nome de Asep aparece como Soemantri noutro relato.

A investigação mais ampla examina suspeitas de irregularidades envolvendo 32 000 pares de sapatos, 31 994 tablets e 5 400 televisores, bem como alegadas ligações entre suspeitos e fundações que gerem unidades de serviços de nutrição.

Os procuradores indicaram prejuízos estimados em 10 biliões de rupias no processo mais amplo relativo à gestão da BGN, com base em cálculos da Agência de Supervisão Financeira e do Desenvolvimento, ou BPKP. Esse valor diz respeito a uma investigação mais abrangente e não deve ser somado aos prejuízos no caso das motas sem provas de que os cálculos são distintos.

Na investigação mais ampla, foram também apreendidos aviões, um helicóptero, veículos, 24,970 mil milhões de rupias em numerário, telemóveis e documentos. Os relatos não especificam quais destes bens estão relacionados com a aquisição de motas nem que parte do seu valor poderá vir a ser recuperada.

Acusações e recuperação dos prejuízos são as próximas etapas legais

Os suspeitos enfrentam acusações principais ao abrigo do artigo 603.º do Código Penal, promulgado pela Lei n.º 1 de 2023, e acusações subsidiárias ao abrigo do artigo 604.º. As disposições são invocadas juntamente com o artigo 18.º da Lei n.º 31 de 1999, relativa à corrupção, alterada pela Lei n.º 20 de 2001, e com o artigo 20.º, alínea c), do Código Penal. Uma acusação subsidiária oferece uma base jurídica alternativa caso a acusação principal não seja provada.

Anang afirmou que os procuradores iriam analisar os processos, preparar as acusações e remeter o caso para o Tribunal de Corrupção de Jacarta Central. Não foi indicada uma data para o início do julgamento. Os 20 dias de detenção anunciados correspondem a um período de custódia, não a um prazo para o julgamento ou a uma pena.

Zaenur Rohman, investigador do Centro de Estudos Anticorrupção da Universidade Gadjah Mada, instou os investigadores a examinarem de forma mais abrangente as aquisições da BGN e a darem prioridade à recuperação de fundos públicos. Defendeu que as aquisições devem ser avaliadas em função das necessidades reais e que os investigadores devem identificar quem beneficiou:

Para obter resultados ideais, temos de seguir o rasto do dinheiro. Todas as partes que beneficiaram das receitas do crime devem ser acusadas e essas receitas confiscadas.

Entre as questões por resolver estão a reconciliação dos números de motas, o método de avaliação da auditoria, os alegados benefícios recebidos por suspeitos e o montante que poderá ser recuperado através dos bens apreendidos. Cabe agora aos procuradores transformar as conclusões da investigação em acusações concretas que possam ser apreciadas em tribunal.

Principais pontos

  • Uma auditoria datada de 5 de outubro de 2026 calculou em 863 846 166 953 rupias os alegados prejuízos na aquisição de motas.
  • Cinco suspeitos e as provas foram entregues aos procuradores de Jacarta Central a 9 de outubro.
  • O caso de outubro abrange 19 269 motas, das quais 5 585 foram dadas como estando sem baterias.
  • Os procuradores afirmaram que nenhuma das 19 269 tinha matrícula oficial e que não podiam ser utilizadas nem inscritas no inventário de bens do Estado.
  • Os totais de março, do armazém em junho e do caso de outubro ainda não foram reconciliados.
  • A investigação mais ampla à BGN abrange outras aquisições e prejuízos estimados em 10 biliões de rupias.
  • A preparação das acusações e a remessa para o tribunal de corrupção são os próximos passos; não foi indicada uma data para o julgamento.
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