Lançamento previsto para novembro, com testes de pagamentos em 2027
A Indonésia planeia substituir os produtos e bens subsidiados por transferências diretas em dinheiro, através de um sistema digital de proteção social que tinha registado 11,5 milhões de famílias até 20 de outubro de 2026. O presidente Prabowo Subianto deverá lançar o programa digital a 10 de novembro, estando previstos testes dos novos mecanismos de pagamento para o primeiro trimestre de 2027.
Índice
- Lançamento previsto para novembro, com testes de pagamentos em 2027
- O que significa passar dos produtos para as pessoas
- Inscrições abrangem cada vez mais zonas da Indonésia
- Quem poderá receber assistência?
- O que revelam os resultados de Bali sobre as famílias excluídas
- Exclusões anteriores mostram o que está em causa
- As transferências para contas têm uma longa história
- A preparação exige mais do que um portal funcional
- As próximas datas importantes
- Em resumo
Luhut Binsar Pandjaitan, presidente do Conselho Nacional de Economia, conhecido pela sigla DEN, apresentou o plano depois de se reunir com Prabowo e responsáveis económicos do Governo no Palácio Merdeka, em Jacarta, a 20 de outubro. O Governo quer que a assistência chegue às pessoas que reúnem as condições para a receber, em vez de direcionar os subsídios para produtos que também podem ser comprados por famílias mais abastadas.
O membro do DEN Mochamad Firman Hidayat afirmou que os testes do sistema digital já abrangiam os 514 municípios e cidades. Mais de 600 000 registos davam entrada no portal diariamente, com o apoio de 775 000 agentes que ajudam os residentes a inscrever-se.
Um estudo-piloto realizado em Bali forneceu os principais dados que sustentam o anúncio. Firman afirmou que a abordagem digital reduziu em 24,1% os erros que deixam sem assistência pessoas elegíveis, enquanto os erros que atribuem assistência a pessoas que não reúnem as condições diminuíram 4,1%.
Para as famílias, a mudança proposta envolve duas decisões relacionadas: quem consta da lista de beneficiários e de que forma recebe a assistência. O lançamento de novembro é uma etapa desse processo. As autoridades pretendem concluir a integração e atualização dos dados dos beneficiários até ao final de 2026, antes de testarem a distribuição de dinheiro no início do ano seguinte.
O que significa passar dos produtos para as pessoas
Luhut descreveu uma mudança no destino da despesa pública. No caso de um subsídio a um produto, o Governo ajuda a baixar o preço de um artigo. Numa transferência monetária direcionada, o Governo envia dinheiro a uma pessoa identificada como elegível para receber assistência.
Luhut explicou a orientação pretendida durante a conferência no palácio. Em indonésio, afirmou:
Jadi pemerintah pada ujungnya tidak memberikan subsidi kepada produk lagi.
A sua declaração significa que, em última análise, o Governo deixaria de subsidiar produtos. O anúncio coloca a identificação dos beneficiários no centro dessa transição: uma família receberia apoio por cumprir os critérios do programa.
Luhut tinha indicado anteriormente que o valor médio da assistência reunida de diferentes programas para o regime de transferências monetárias proposto seria de 5,4 milhões de rupias por pessoa. Não especificou o período a que esse montante se refere. O número final de beneficiários, a cobertura do programa e os mecanismos de pagamento dependem da atualização dos dados e da preparação do sistema.
A orientação política tem um precedente. Uma análise do Lowy Institute, publicada por Hilman Palaon a 24 de julho de 2024, descreve uma proposta de 2020 para reformar os subsídios ao gás de cozinha, substituindo o apoio aos bens por fundos destinados aos beneficiários elegíveis. O novo anúncio alarga essa mesma abordagem à discussão mais abrangente sobre a assistência social.
Inscrições abrangem cada vez mais zonas da Indonésia
Os números divulgados por Firman a 20 de outubro descrevem uma operação de registo que abrange todo o país. Os 11,5 milhões de registos correspondiam a cartões de família ou a chefes de agregado familiar, e não ao número de pessoas individuais. Um cartão de família é um registo administrativo que identifica os membros de um agregado familiar.
A meta de planeamento do Governo é expressa de outra forma: cerca de 50 milhões de beneficiários individuais. Luhut afirmou que o número final poderá ultrapassar os 50 milhões após a correção dos dados. Assim, os registos de agregados familiares e as metas de beneficiários individuais medem diferentes aspetos da operação.
As preparações anteriores incluíram testes em 215 municípios e cidades. A 20 de outubro, Firman afirmou que o teste digital mais abrangente já cobria os 514. Os agentes de registo destinam-se a ajudar os residentes a entrar no sistema, oferecendo uma alternativa assistida ao registo público através do portal.
A campanha de registo implica também um amplo trabalho de verificação. As informações introduzidas pelos residentes têm de ser cruzadas com os registos do Governo, avaliadas à luz das regras do programa e mantidas atualizadas à medida que as circunstâncias dos agregados familiares mudam.
Quem poderá receber assistência?
A base de dados dos beneficiários é o Sistema Nacional Único de Dados Sociais e Económicos, conhecido pela sigla indonésia DTSEN. As autoridades pretendem que os agregados familiares dos decis um a cinco constituam o universo abrangido pela proteção social digital.
Um decil é um de dez grupos de igual dimensão numa classificação. Neste caso, os agregados familiares são ordenados de acordo com as suas condições sociais e económicas. Os decis um a cinco correspondem à metade inferior dessa classificação, desde os agregados familiares muito pobres até às famílias com recursos modestos.
O membro do DEN Arief Anshory Yusuf e a responsável pelo Statistics Indonesia, Amalia Adininggar Widyasanti, estão envolvidos na melhoria da precisão do DTSEN. Luhut afirmou que o trabalho recorre a inteligência artificial desenvolvida na Indonésia.
As autoridades tencionam cruzar os registos da população mantidos pela Direção-Geral da População e do Registo Civil, conhecida pela sigla Dukcapil, com informações de ministérios e outras entidades. O registo público oferece outra forma de identificar residentes cujas necessidades devem ser avaliadas para efeitos de assistência.
A inteligência artificial pode ajudar a processar e comparar grandes volumes de informação. As decisões relativas aos agregados familiares continuam, contudo, a depender dos dados recolhidos e das regras usadas para determinar a elegibilidade. Para uma família cujas circunstâncias se tenham deteriorado recentemente, a atualização desses registos pode determinar se o sistema reconhece ou não as suas necessidades.
O que revelam os resultados de Bali sobre as famílias excluídas
Firman identificou dois tipos de erro no estudo-piloto de Bali. Há erro de exclusão quando uma pessoa elegível fica sem assistência. Há erro de inclusão quando alguém que não cumpre os critérios recebe apoio.
Estes erros afetam os agregados familiares de forma diferente. A exclusão pode deixar uma família sem o dinheiro destinado a ajudar a satisfazer necessidades essenciais. A inclusão canaliza parte do orçamento da assistência para alguém que não pertence ao grupo visado.
Firman afirmou que, com a abordagem digital, os erros de exclusão diminuíram 24,1% e os de inclusão 4,1%. A conferência não indicou as taxas de erro iniciais, a dimensão do estudo ou se as variações correspondiam a reduções relativas ou a pontos percentuais, dados necessários para calcular quantas famílias foram afetadas.
A melhoria mais significativa reportada dizia respeito às pessoas elegíveis que ficavam excluídas. Isso torna particularmente importante o trabalho de registo e correção dos dados: o programa pretende tanto chegar aos agregados familiares esquecidos como remover os registos de quem não reúne as condições.
O estudo de Bali abrange uma província. A implementação nacional levará o mesmo processo de registo e verificação a uma variedade muito mais ampla de comunidades, tornando o tratamento da informação local e das reclamações uma parte prática da execução do programa.
Exclusões anteriores mostram o que está em causa
A experiência recente da Indonésia mostra por que razão as alterações às listas de beneficiários podem rapidamente gerar controvérsia. Estimativas divulgadas em setembro de 2025 sugeriam que 45% dos beneficiários de assistência social poderiam ter sido selecionados indevidamente. As autoridades começaram a verificar 12 milhões de beneficiários, e a exclusão de 1,9 milhões suscitou protestos e reclamações de pessoas que consideravam ter sido afastadas injustamente.
Estudos sobre programas de transferências monetárias em zonas rurais descrevem uma discrepância persistente entre as classificações oficiais de pobreza e as avaliações locais das necessidades. Em dois estudos de caso, os programas abrangeram 44% e 23% dos agregados familiares considerados pobres através de exercícios de classificação locais.
Os investigadores também descreveram problemas práticos na recolha e utilização de informação sobre os agregados familiares. Por vezes, os responsáveis pelos inquéritos recorreram a atalhos devido à falta de tempo. Os líderes das aldeias depararam-se com listas que omitiam famílias que consideravam merecedoras de apoio, enquanto alguns residentes ocultavam bens para aumentarem as hipóteses de serem considerados elegíveis.
Um modelo estatístico pode classificar um agregado familiar com base em características observáveis, como os seus bens. Os vizinhos podem atribuir mais peso à falta de alimentos ou à mudança das circunstâncias de uma família. A escolha da informação que determina a elegibilidade afeta quem recebe dinheiro e quem tem de pedir a correção dos dados.
O sistema digital inclui um mecanismo que permite aos residentes contestar erros no DTSEN, segundo a ministra das Comunicações e dos Assuntos Digitais, Meutya Hafid. Para os agregados familiares que não constam da lista, esse processo oferece uma forma de pedir que a sua situação seja reavaliada.
As transferências para contas têm uma longa história
A Indonésia já passou vários anos a mudar a forma como a assistência chega aos agregados familiares. A análise de Palaon, de 2024, explica que o Programa de Esperança Familiar, ou PKH, começou em 2017 a substituir os pagamentos em dinheiro nas estações de correios por transferências diretas para contas de poupança.
O PKH atribui assistência sujeita a requisitos como a frequência escolar e a realização de exames médicos. Abrange cerca de 10 milhões de famílias beneficiárias, que se estima incluírem 40 milhões de pessoas. Os beneficiários podem levantar os fundos em balcões bancários, caixas automáticas ou agentes bancários, mantendo a possibilidade de poupar o dinheiro.
O Regulamento Presidencial de 2017 sobre a distribuição de assistência social não monetária determinou que a assistência fosse distribuída através de contas bancárias. Neste contexto, «não monetária» descreve o método de entrega: o dinheiro é depositado eletronicamente numa conta, em vez de ser entregue em notas.
A assistência alimentar seguiu outra via. Em 2017, a Indonésia substituiu a distribuição física de arroz por vales eletrónicos ao abrigo do Programa de Assistência Alimentar Não Monetária. A análise de Palaon indica que, em média, os beneficiários receberam mais 45% de assistência do que no programa de distribuição de arroz anterior, além de uma melhor seleção dos beneficiários e custos de distribuição mais baixos.
Os vales eletrónicos limitam as compras a produtos ou estabelecimentos aprovados. As transferências monetárias disponibilizam o dinheiro aos beneficiários através de uma conta. O roteiro Government to Person Payment 4.0 da Indonésia pretende permitir que os beneficiários escolham como meio de pagamento uma conta bancária ou uma conta de dinheiro eletrónico.
A preparação exige mais do que um portal funcional
Um estudo de 2024 publicado na Indonesian Treasury Review analisou os obstáculos à assistência digital com base nos dados do inquérito às famílias SUSENAS, de março de 2021, nos dados de pagamentos públicos do OMSPAN e nas respostas de 340 pessoas em cinco cidades.
O estudo da Treasury Review, publicado no volume 9, número 1, páginas 71 a 86, identificou desafios relacionados com as instituições, os dados, a fragmentação dos programas, a distribuição e a utilização da assistência. Concluiu que a digitalização poderia ajudar a resolver esses problemas, mas que a preparação continuava limitada pela falta de condições necessárias para uma transição bem-sucedida.
As conclusões estão diretamente relacionadas com o plano atual. O cruzamento dos registos entre entidades responde à fragmentação da informação. Os agentes de registo ajudam os residentes a entrar no sistema. Um mecanismo de reclamações permite às famílias pedir correções. Cada função trata de uma etapa diferente, desde o pedido de assistência até à sua receção.
Meutya afirmou que o sistema estava a ser concebido para 50 milhões de utilizadores, com o objetivo de permitir o acesso simultâneo. O seu ministério tem trabalhado com a Agência Nacional de Cibersegurança e Criptografia, conhecida pela sigla BSSN, na resiliência e nos testes de carga, que avaliam o comportamento da plataforma sob pressão e com tráfego intenso.
A análise de Palaon também identifica como prioridades a cibersegurança, a proteção dos dados pessoais e a reavaliação regular da elegibilidade. Uma base de dados nacional tem de proteger as informações dos agregados familiares e, ao mesmo tempo, acompanhar as pessoas que saem ou entram em situação de dificuldade financeira.
As próximas datas importantes
O Governo delineou uma sequência que distingue o lançamento público da conclusão da base de dados e dos testes de pagamento:
- Setembro de 2025: As verificações e exclusões de beneficiários colocaram as reclamações sobre as decisões de elegibilidade no centro da atenção pública.
- 20 de outubro de 2026: O DEN anunciou o registo de 11,5 milhões de famílias e testes nos 514 municípios e cidades, após uma reunião com Prabowo.
- 10 de novembro de 2026: Está previsto que Prabowo lance o programa digital de proteção social.
- Final de 2026: As autoridades pretendem concluir a integração e atualização dos dados dos beneficiários.
- Primeiro trimestre de 2027: Estão previstos testes da distribuição de assistência através dos novos mecanismos de transferência monetária.
Para os agregados familiares que procuram apoio, o trabalho imediato centra-se no registo, na exatidão dos dados e no acesso a mecanismos de correção. A etapa seguinte irá testar se essa informação permite realizar pagamentos fiáveis aos beneficiários previstos.
As transferências para contas e os vales alimentares já utilizados na Indonésia proporcionam experiência na distribuição eletrónica de assistência. O plano atual acrescenta um desafio mais abrangente: articular a identificação dos agregados familiares, as decisões de elegibilidade, as reclamações e os pagamentos num sistema nacional.
Em resumo
- A Indonésia planeia substituir a assistência através de produtos e bens subsidiados por transferências diretas em dinheiro.
- O sistema digital tinha registado 11,5 milhões de famílias até 20 de outubro de 2026.
- O DEN anunciou testes nos 514 municípios e cidades, com o apoio de 775 000 agentes de registo.
- Firman Hidayat afirmou que o estudo-piloto de Bali reduziu os erros de exclusão em 24,1% e os erros de inclusão em 4,1%.
- O sistema está a ser preparado para cerca de 50 milhões de beneficiários e inclui um mecanismo para contestar erros nos dados.
- O lançamento está previsto para 10 de novembro, seguido da conclusão dos dados no final de 2026 e de testes de pagamento no início de 2027.






