Kim inaugura ligação da nova Ponte do Yalu com a China após 12 anos de atraso

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Kim Opens New Yalu Bridge Link With China After 12 Years of Delay

Uma passagem fronteiriça aproxima o comércio e a diplomacia

O líder norte-coreano Kim Jong Un atravessou a Nova Ponte do Rio Yalu até Dandong, na China, a 24 de outubro de 2026, dando o seu apoio pessoal a uma rota comercial que permanecia sem utilização há 12 anos, desde a conclusão da construção. A ponte liga a cidade chinesa, na província de Liaoning, a Sinuiju, na Coreia do Norte, e deverá permitir a circulação contínua de camiões pesados e contentores nos dois sentidos.

Índice
  1. Uma passagem fronteiriça aproxima o comércio e a diplomacia
  2. O que Kim e Wang prometeram em Dandong
  3. Porque é que uma ponte concluída esperou até 2026
  4. O que muda para os camiões e as empresas fronteiriças
  5. O papel económico da China e os laços militares com a Rússia
  6. A importância do aniversário da Guerra da Coreia
  7. A sequência de Pequim a Dandong
  8. Laços mais estreitos com Pequim, tensões mais acentuadas com Seul
  9. A cimeira de Shenzhen permitirá conversações com Trump?
  10. Pontos-chave

A visita de Kim ocorreu após a abertura da passagem, em meados de outubro. O Ministério da Unificação da Coreia do Sul confirmou a sua chegada, e Kim encontrou-se com Wang Huning, membro do órgão máximo da liderança do Partido Comunista Chinês e presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Um responsável sul-coreano, que falou sob anonimato, afirmou também que o primeiro-ministro Li Qiang se encontrou com Kim em Dandong.

A viagem combinou uma mensagem económica com uma lembrança da aliança entre os dois países durante a guerra. Ocorreu na véspera de 25 de outubro, data em que a China e a Coreia do Norte assinalam a intervenção chinesa na Guerra da Coreia, e semanas antes de uma cimeira internacional na China que suscitou especulações sobre uma retoma da diplomacia entre Kim e o Presidente dos EUA, Donald Trump.

Para as empresas da região fronteiriça, a novidade imediata é mais prática: uma nova ligação rodoviária concebida para transportar mercadorias de que a Coreia do Norte necessita para a construção, a indústria e o abastecimento energético. Para Kim, a travessia também demonstra o estreitamento dos laços com Pequim, enquanto o seu governo aprofunda a parceria com a Rússia e mantém uma postura de confronto perante a Coreia do Sul.

O que Kim e Wang prometeram em Dandong

Wang transmitiu a Kim as saudações e os melhores votos do Presidente chinês, Xi Jinping. Os dois visitaram uma fábrica de automóveis, debateram o reforço das relações e comprometeram-se a estreitar a comunicação sobre soberania, segurança e desenvolvimento. Defenderam também uma maior cooperação económica, o comércio e os intercâmbios entre os povos.

Kim, líder da Coreia do Norte desde finais de 2011, descreveu a visita como uma oportunidade para transformar a relação de longa data entre os dois países em benefícios concretos. Afirmou que a Coreia do Norte:

está pronta a trabalhar com a China para dar continuidade à sua amizade histórica e alargar a cooperação prática, proporcionando assim benefícios concretos aos povos dos dois países

Wang acompanhou Kim até à ponte para se despedir dele. Esta foi a sexta visita de Kim à China desde que chegou ao poder e a primeira desde setembro de 2025, quando assistiu em Pequim a um desfile militar ao lado de Xi e do Presidente russo, Vladimir Putin.

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Porque é que uma ponte concluída esperou até 2026

A China concluiu a ponte de quatro vias em 2014, mas as estradas de ligação e as instalações alfandegárias do lado norte-coreano não estavam prontas. O resultado foi uma estrutura concluída sobre o rio, mas sem as condições necessárias para funcionar como passagem internacional de mercadorias.

As instalações alfandegárias são os locais onde os funcionários inspecionam a carga e processam as mercadorias que entram ou saem de um país. Uma ponte só pode ser utilizada por camiões quando há estradas a chegar a ambas as extremidades e as autoridades fronteiriças conseguem gerir o tráfego. A falta dessas ligações foi o obstáculo prático identificado durante o longo atraso.

A China investiu cerca de 2,2 mil milhões de yuans no projeto, segundo informações divulgadas antes da abertura da ponte em outubro. A estrutura tem 3 026 metros, normalmente descritos como cerca de 3 quilómetros. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, anunciou a 14 de outubro que os países tinham acordado abri-la no dia seguinte, 15 de outubro de 2026, e realizar conjuntamente uma cerimónia de inauguração nessa data.

Na conferência de imprensa regular, Mao descreveu a ponte como uma infraestrutura importante que liga os dois países e afirmou que a sua abertura promoveria ainda mais o comércio e os intercâmbios entre os povos, beneficiando ambos. Os dois lados realizaram a cerimónia conjunta de inauguração a 15 de outubro. Desde setembro que os veículos atravessavam a ponte a título experimental.

A abertura ocorreu, assim, nove dias antes da visita cerimonial de Kim. A travessia de 24 de outubro deu destaque político ao projeto após o início da sua operação, pondo fim a um período em que um grande investimento permaneceu desligado do comércio que se destinava a servir.

O que muda para os camiões e as empresas fronteiriças

Dandong e Sinuiju já estão ligadas pela Ponte da Amizade Sino-Coreana, utilizada por comboios e veículos rodoviários. A sua secção rodoviária só permite a circulação de veículos num sentido de cada vez, obrigando os camiões que seguem em sentidos opostos a alternar.

As quatro vias da nova ponte oferecem uma solução diferente: tráfego nos dois sentidos, com capacidade para contentores e camiões de carga pesada. O tabuleiro tem 28,5 metros de largura e a altura livre para navegação foi concebida para embarcações até 3 000 toneladas. Espera-se que ajude a transportar equipamento pesado, matérias-primas e produtos energéticos para a Coreia do Norte, apoiando também os esforços para reanimar o comércio após o agravamento das relações e as perturbações causadas pela pandemia de COVID-19.

Lu Chao, especialista nas relações entre a China e a Coreia do Norte na Academia de Ciências Sociais de Liaoning, em Shenyang, afirmou que a passagem resolve um obstáculo específico ao comércio:

A abertura da ponte resolveu um importante estrangulamento na logística do comércio entre a China e a Coreia do Norte

Lu previu que o comércio aumentaria à medida que as limitações ao transporte fossem sendo reduzidas. Para os operadores de transporte de mercadorias, a vantagem prática seria depender menos de uma passagem mais antiga, onde os fluxos de trânsito rodoviário em sentidos opostos têm de alternar. A dimensão de qualquer aumento nas expedições ficará mais clara à medida que a nova rota for sendo utilizada.

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O papel económico da China e os laços militares com a Rússia

A China continua a ser o maior parceiro comercial da Coreia do Norte e representa a maior parte do seu comércio oficial. A sua importância vai além dos transportes: durante uma visita a Pyongyang em junho, Xi manifestou disponibilidade para alargar a cooperação na agricultura, na construção, na tecnologia e no comércio. Kim descreveu as relações com a China como uma prioridade estratégica máxima.

A Rússia tornou-se um parceiro mais próximo desde a invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022. A Coreia do Norte enviou milhares de militares e armamento convencional para apoiar a guerra da Rússia, possivelmente em troca de assistência militar e económica. Esta relação dá a Pyongyang outra fonte de apoio, além de Pequim.

A Coreia do Norte e a Rússia inauguraram a sua primeira ponte rodoviária no início de setembro, pouco mais de um mês antes de a nova passagem chinesa entrar em funcionamento. Em conjunto, os projetos dão à Coreia do Norte novas ligações rodoviárias aos seus dois principais apoiantes, embora estas relações respondam a necessidades imediatas diferentes. O comércio com a China pode abastecer a indústria civil e o desenvolvimento, ao passo que os intercâmbios recentes com a Rússia se têm centrado fortemente no fornecimento militar.

A Coreia do Norte continua sujeita a sanções das Nações Unidas devido ao seu programa de armas nucleares. A capacidade de transporte transfronteiriço e a autorização para comerciar são requisitos distintos: os camiões precisam de uma passagem utilizável, mas a carga continua sujeita às restrições aplicáveis.

Christopher Green, especialista em questões coreanas na Universidade de Leiden, nos Países Baixos, descreveu o significado político da decisão de Kim de utilizar a ponte:

Durante mais de uma década, aquela ponte foi um símbolo do grau de disfuncionalidade a que as relações bilaterais podiam chegar.

A travessia de Kim coloca agora a mesma estrutura no centro de um esforço visível para reconstruir a cooperação económica.

A importância do aniversário da Guerra da Coreia

Pequim e Pyongyang assinalam 25 de outubro como o aniversário da entrada da China na Guerra da Coreia. A data marca também a primeira grande vitória chinesa no campo de batalha durante o conflito, poucos dias depois de as forças chinesas terem atravessado o rio Yalu, em outubro de 1950. Kim afirmou que a sua visita também se destinava a recordar os que morreram na guerra.

O conflito começou com o ataque da Coreia do Norte à Coreia do Sul, em junho de 1950. Uma coligação das Nações Unidas liderada pelos Estados Unidos interveio, enquanto tropas chinesas combateram ao lado da Coreia do Norte, com apoio da Força Aérea soviética. Os combates cessaram ao abrigo de um armistício em 1953. Um armistício é um acordo para pôr fim aos combates, não um tratado de paz, pelo que a península continua tecnicamente em guerra.

A localização de Dandong torna esta história especialmente relevante. O rio agora atravessado por camiões de mercadorias foi também a rota utilizada pelas forças chinesas para entrar na Coreia do Norte. A viagem de Kim colocou uma nova ligação comercial junto à memória da aliança militar que ajudou a sustentar o seu país.

Antes da visita, foram impostas restrições de trânsito nas imediações da ponte e perto de um museu dedicado ao papel da China na guerra, e limitaram-se as reservas nos hotéis próximos. Estas medidas reuniram a infraestrutura comercial da cidade fronteiriça e os seus locais comemorativos numa mesma visita cuidadosamente controlada.

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A sequência de Pequim a Dandong

A viagem de Kim sucede a uma série de encontros e inaugurações de ligações de transporte que aproximaram a Coreia do Norte da China e da Rússia. Dois encontros entre Kim e Xi nos últimos 13 meses precederam a visita a Dandong.

  • Setembro de 2025: Kim visitou Pequim, encontrou-se com Xi e assistiu a um desfile militar ao lado de Putin.
  • Junho de 2026: Xi visitou Pyongyang, na sua primeira deslocação à cidade em sete anos, e debateu a cooperação no comércio, na agricultura, na construção e na tecnologia.
  • Início de setembro de 2026: A Coreia do Norte e a Rússia inauguraram a sua primeira ponte rodoviária.
  • 15 de outubro de 2026: A Nova Ponte do Rio Yalu foi inaugurada, depois de a construção ter sido concluída em 2014.
  • 24 de outubro de 2026: Kim atravessou a fronteira até Dandong, encontrou-se com Wang e visitou uma fábrica de automóveis.
  • 25 de outubro de 2026: A China e a Coreia do Norte assinalam o aniversário associado à intervenção chinesa na Guerra da Coreia.

O próximo encontro político agendado em Pequim é a quinta sessão plenária do Comité Central do Partido Comunista, na segunda-feira, 26 de outubro. Xi receberá depois a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, em Shenzhen, a 18 e 19 de novembro.

Laços mais estreitos com Pequim, tensões mais acentuadas com Seul

A mensagem de Pyongyang para a Coreia do Sul é diferente. Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, divulgou cerca de 10 declarações a criticar Seul desde finais de setembro, uma frequência que o Ministério da Unificação sul-coreano descreveu como invulgar. Anunciou também planos para retomar, dentro de poucos dias, as emissões por altifalantes ao longo da fronteira.

O confronto surge na sequência da remoção dos compromissos de reunificação da Constituição norte-coreana, no início de 2026. A revisão eliminou a linguagem favorável à futura unificação com o Sul e definiu a Coreia do Norte como um Estado separado, com fronteira com a República da Coreia.

O governo de Seul favorece o diálogo e espera que a retoma das conversações entre Washington e Pyongyang possa melhorar as relações entre as duas Coreias. Também instou a China a desempenhar um papel construtivo na atenuação do impasse.

Leif-Eric Easley, professor na Universidade Ewha, em Seul, explicou por que motivo um maior enfoque no desenvolvimento económico da Coreia do Norte seria importante para o Sul:

Do ponto de vista de Seul, se a Coreia do Norte se centrar mais no desenvolvimento económico do que no reforço militar e nas ameaças, isso será positivo para a diplomacia e a segurança

A análise de Easley também evidencia a dificuldade de Seul: um maior apoio da China e da Rússia pode reduzir o atrativo dos benefícios que a Coreia do Sul poderia oferecer em troca do diálogo. A nova ponte alarga as opções económicas de Kim, enquanto a retórica do seu governo em relação a Seul continua hostil.

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A cimeira de Shenzhen permitirá conversações com Trump?

Espera-se que Trump participe na cimeira da APEC, em Shenzhen, a 18 e 19 de novembro, criando uma possível ocasião para um contacto com Kim. Em setembro, o serviço de informações sul-coreano disse aos deputados que avaliava em 50% a possibilidade de um encontro à margem da cimeira. Mais recentemente, responsáveis norte-americanos e sul-coreanos consideraram que as hipóteses de um encontro ainda este ano estavam a diminuir.

Não foi anunciado qualquer encontro entre Kim e Trump. A diplomacia entre ambos fracassou em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, e Kim rejeitou até agora a sua proposta de a retomar. Pyongyang quer que Washington abandone o que classifica como uma política hostil e deixe de exigir a desnuclearização da Coreia do Norte como condição prévia para novas conversações. Desnuclearização significa renunciar às armas nucleares e aos programas que as sustentam.

A visita a Dandong dá a Pequim um papel visível nas relações económicas da Coreia do Norte antes da cimeira. Kim apoiou uma nova rota comercial e reiterou as promessas de cooperação com a China, mantendo ao mesmo tempo laços estreitos com a Rússia. A retoma da diplomacia com Washington dependerá de decisões que vão além da própria abertura da ponte.

Pontos-chave

  • Kim Jong Un atravessou a fronteira até Dandong a 24 de outubro de 2026, utilizando a recém-inaugurada Nova Ponte do Rio Yalu.
  • A passagem de quatro vias foi concluída em 2014, mas esperou 12 anos pelas ligações necessárias e pelas instalações fronteiriças.
  • Kim e Wang Huning comprometeram-se a reforçar a cooperação económica, o comércio e os intercâmbios entre os povos.
  • Espera-se que a ponte permita a circulação contínua de contentores e camiões pesados nos dois sentidos.
  • A visita coincidiu com as comemorações da intervenção chinesa na Guerra da Coreia e ocorreu depois da abertura de novas ligações rodoviárias com a Rússia.
  • Não foi anunciado qualquer encontro entre Kim e Trump na cimeira da APEC de novembro.
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