Aeronaves do porta-aviões descolam 250 quilómetros a sul de Ishigaki
O Japão confirmou que caças chineses descolaram e aterraram no porta-aviões Liaoning, a cerca de 250 quilómetros a sul da ilha de Ishigaki, em 14 de outubro, depois de o porta-aviões e três navios de guerra que o acompanhavam terem navegado para sudeste, entre a ilha principal de Okinawa e a ilha de Miyako, em direção ao Pacífico.
Índice
- Aeronaves do porta-aviões descolam 250 quilómetros a sul de Ishigaki
- Como o grupo chegou ao Pacífico
- Japão envia navios, aviões de patrulha e caças
- O que a China diz sobre o objetivo dos exercícios
- A importância da localização na zona económica exclusiva do Japão
- O que revelam os números de voos
- Encontros anteriores explicam a atenção à segurança
- Outros exercícios tornam o calendário regional mais preenchido
- Principais pontos
O Ministério da Defesa japonês afirmou que o grupo tinha sido avistado por volta das 11 horas de 13 de outubro, a cerca de 390 quilómetros a sudoeste das ilhas Danjo, na província de Nagasaki. A passagem subsequente pela cadeia de ilhas do sudoeste do Japão levou-o a águas onde navios, aviões de patrulha e caças japoneses acompanharam os seus movimentos.
Segundo o relato do ministério, as operações aéreas decorreram na zona económica exclusiva do Japão. O país afirmou não ter detetado qualquer comportamento invulgar, como a aproximação de caças ou navios chineses a aeronaves japonesas. As autoridades ainda estavam a analisar o número de aeronaves envolvidas e o número de descolagens e aterragens.
A Marinha chinesa descreveu a operação como um exercício de rotina previsto no seu plano anual, destinado a testar a capacidade do grupo para operar em condições realistas. Afirmou que o exercício respeitava o direito e as práticas internacionais e que não era dirigido contra nenhum país ou alvo específico.
A operação surge depois do regresso do Liaoning a Qingdao, em 22 de junho, após um período prolongado de exercícios no mar do Sul da China e no Pacífico ocidental. As observações mais recentes do Japão colocam novamente o porta-aviões perto das ilhas do sudoeste do país, cerca de quatro meses após a operação anterior, renovando a necessidade prática de acompanhar um grupo naval em movimento enquanto as suas aeronaves operam nas proximidades.
Como o grupo chegou ao Pacífico
O Liaoning partiu do mar da China Oriental, atravessou as águas entre Okinawa e Miyako e seguiu depois para uma zona de operações a sul de Ishigaki, no mar das Filipinas. A passagem liga os mares a oeste das ilhas do sudoeste do Japão ao vasto Pacífico.
O Japão descreveu os navios que acompanhavam o porta-aviões como três contratorpedeiros equipados com mísseis. Identificações mais pormenorizadas apontaram o Anshan, com o número de amura 103, o Wuxi, com o número de amura 104, e o Huainen, com o número de amura 123. O Anshan e o Wuxi são também classificados como cruzadores em algumas descrições navais, o que explica as diferentes designações usadas para os mesmos quatro navios.
Os principais movimentos e anúncios foram:
- 19 de maio: A China anunciou a anterior operação de treino do Liaoning no Pacífico ocidental.
- De 26 a 28 de maio: O Japão registou cerca de 170 descolagens e aterragens de aeronaves durante essa operação.
- 22 de junho: O grupo do porta-aviões regressou a Qingdao.
- 13 de outubro, por volta das 11 horas: O Japão avistou o Liaoning e três navios de guerra que o acompanhavam a sudoeste das ilhas Danjo.
- 14 de outubro: O grupo passou para sudeste entre Okinawa e Miyako, e o Japão confirmou operações aéreas a sul de Ishigaki.
A China não anunciou a duração da operação mais recente nem a respetiva zona de operações em pormenor. As observações japonesas indicam onde o grupo foi avistado, enquanto o anúncio chinês descreve o objetivo declarado da missão.
Japão envia navios, aviões de patrulha e caças
A Força Marítima de Autodefesa enviou o contratorpedeiro Yugiri e aviões de patrulha P-1 e P-3C para vigiar a situação e recolher informações. A Força Aérea de Autodefesa também fez descolar caças em resposta às operações aéreas do Liaoning.
Uma descolagem de emergência é o envio urgente de aeronaves para identificar ou acompanhar uma atividade. Neste caso, os caças japoneses responderam às operações de aeronaves a partir do porta-aviões chinês. Os navios e os aviões de patrulha permitiram também acompanhar a posição e os movimentos do grupo naval.
O Ministério da Defesa japonês afirmou que a vigilância e a recolha de informações iriam prosseguir. O relato inicial descreveu descolagens e aterragens repetidas de aeronaves, assinalando também que, durante as observações mais recentes, não houve aproximações invulgares a aeronaves ou navios japoneses.
Esta combinação é importante para compreender a situação imediata: decorriam exercícios ativos com o porta-aviões suficientemente perto das ilhas do sudoeste do Japão para motivar uma resposta de vigilância significativa, enquanto o relato inicial do ministério se centrava no acompanhamento da situação, e não num confronto.
O que a China diz sobre o objetivo dos exercícios
A Marinha do Exército de Libertação Popular afirmou que a missão no Pacífico ocidental foi organizada ao abrigo do seu programa anual de treino, para testar e melhorar a capacidade do grupo para cumprir missões em condições realistas.
No seu anúncio, a Marinha chinesa descreveu assim os destinatários visados pelo exercício:
não é dirigido contra nenhum país ou alvo específico.
A operação anterior da China dá uma ideia mais concreta das atividades que uma missão deste tipo pode incluir. Durante a operação iniciada em maio, a Marinha anunciou exercícios de voo tático em alto-mar, tiro real, operações de apoio e proteção e missões de salvamento.
Um grupo de porta-aviões tem de coordenar o navio que transporta as aeronaves, as próprias aeronaves e os navios de guerra que o acompanham. As descolagens e aterragens repetidas permitem treinar a coordenação entre estes elementos enquanto o grupo navega por diferentes zonas marítimas. Por isso, observar as operações aéreas é uma parte importante do acompanhamento da missão, juntamente com o registo da rota dos navios.
A importância da localização na zona económica exclusiva do Japão
As águas a cerca de 250 quilómetros a sul de Ishigaki situam-se na zona económica exclusiva do Japão, ou ZEE. Uma ZEE confere a um país costeiro direitos sobre recursos como peixe, petróleo e gás, estendendo-se, em geral, até 200 milhas náuticas da costa, sem prejuízo das fronteiras com países vizinhos.
As liberdades de navegação e de sobrevoo mantêm-se numa ZEE. As águas territoriais, nas quais um Estado costeiro exerce soberania nos termos do direito internacional, estendem-se, em geral, apenas até 12 milhas náuticas da costa. São zonas jurídicas diferentes, embora ambas surjam nos mapas que representam os interesses marítimos de um país.
O anúncio do Japão situou as operações aéreas na sua ZEE e descreveu a resposta militar adotada para as acompanhar. A China afirmou que os seus exercícios respeitavam o direito e as práticas internacionais.
A posição de Ishigaki também confere importância estratégica à localização. O porta-aviões operava a leste da extremidade sul de Taiwan e perto das rotas de acesso mais amplas ao estreito de Luzon, a passagem entre Taiwan e as Filipinas. As ilhas do sudoeste do Japão acompanham as rotas utilizadas pelas forças navais chinesas para se deslocarem entre os mares próximos e o Pacífico.
O que revelam os números de voos
A referência do Japão a cerca de 170 descolagens e aterragens ao longo de três dias diz respeito à operação anterior. Um anúncio de junho descreveu essa atividade, enquanto um relato mais pormenorizado situa as observações entre 26 e 28 de maio, em águas do Pacífico a leste de Luzon.
O total de descolagens e aterragens mede os movimentos de aeronaves observados. Não corresponde ao número de aeronaves individuais: o mesmo caça ou helicóptero pode contar várias vezes, ao realizar diversos voos. Assim, os leitores devem interpretar o número de 170 como uma medida da atividade durante esses dias.
Os registos oficiais japoneses de 2025 mostram como o total acumulado pode ser muito superior quando as observações abrangem vários períodos. O relatório de atividade de junho de 2025 do Estado-Maior Conjunto registou cerca de 150 descolagens e aterragens de aeronaves do Liaoning entre 17 e 19 de junho, elevando o total dos períodos de observação especificados em maio e junho para cerca de 700.
Os números diários do Liaoning nesse documento foram de cerca de 80 em 17 de junho, 30 em 18 de junho e 40 em 19 de junho. Durante esses três dias, o porta-aviões foi avistado a sudoeste de Okinotorishima, a sul de Okidaitojima e a sudeste de Miyako.
O mesmo documento registou cerca de 120 movimentos de aeronaves do porta-aviões chinês Shandong entre 17 e 19 de junho e cerca de 350 no conjunto dos períodos de observação indicados para esse mês. O total acumulado de 700 do Liaoning foi o dobro dos 350 do Shandong, embora os dois valores abrangessem conjuntos de datas diferentes. Em conjunto, mostram a dimensão da atividade aérea que as forças japonesas acompanharam naquele período anterior.
Encontros anteriores explicam a atenção à segurança
As forças japonesas e chinesas já tiveram divergências acentuadas sobre a vigilância em torno do Liaoning. Após a operação que terminou em junho, a China acusou navios e aeronaves japoneses de vigiarem o grupo perigosamente a curta distância e de o assediarem. O Estado-Maior Conjunto do Japão rejeitou as acusações e afirmou que a sua vigilância dava prioridade à segurança.
Em dezembro de 2025, surgiu uma disputa mais grave devido a alegados incidentes com radares. O Japão afirmou que caças J-15 chineses a operar a partir do Liaoning apontaram duas vezes radares de controlo de tiro a F-15 japoneses, sobre águas internacionais a sudeste de Okinawa. Pequim rejeitou a versão japonesa e afirmou que aeronaves estrangeiras se tinham aproximado demasiado da zona de exercícios.
A disputa sobre os radares em dezembro levou o Japão a apresentar um protesto e a exigir medidas para evitar um novo incidente. Não foram comunicados danos nem feridos. Os radares de controlo de tiro são utilizados para localizar um alvo com precisão suficiente para ajudar a orientar armas, pelo que as alegações sobre a sua utilização são particularmente sensíveis em encontros entre aeronaves militares.
A declaração de vigilância de dezembro de 2025 do Estado-Maior Conjunto fornece também um registo preciso da atividade do porta-aviões durante aquela operação anterior. Contabilizou cerca de 50 descolagens e aterragens de aeronaves em 6 de dezembro e outras 50 em 7 de dezembro.
A declaração identificou o Liaoning e três contratorpedeiros, com os números de amura 101, 117 e 124, a navegar para nordeste entre Okinawa e Minamidaitojima, antes de rumarem para leste, a cerca de 190 quilómetros a leste de Kikaijima. O Japão destacou o contratorpedeiro Teruzuki para vigilância e fez descolar caças em resposta às operações aéreas do porta-aviões.
O registo de dezembro e as observações mais recentes, de outubro, dizem respeito a operações diferentes, com navios de escolta e rotas distintos. Mostram as exigências repetidas impostas às forças de vigilância japonesas à medida que os porta-aviões chineses navegam nas águas em torno da cadeia de ilhas.
Outros exercícios tornam o calendário regional mais preenchido
A operação do porta-aviões chinês coincidiu com atividades militares previstas em cinco zonas costeiras, entre 12 e 17 de outubro. As zonas abrangiam os mares de Bohai, Amarelo, da China Oriental e da China Meridional, nas proximidades de Dalian, Qinhuangdao, Yancheng, Wenzhou e Zhanjiang.
O calendário incluía exercícios de tiro real perto de Dalian em 12 de outubro, exercícios até 16 de outubro perto de Zhanjiang e tiro real perto de Yancheng em 16 e 17 de outubro. As autoridades chinesas não indicaram se essas atividades ou a operação do Liaoning estavam relacionadas com o discurso do Dia Nacional do presidente de Taiwan, Lai Ching-te.
Lai apelou ao reforço das capacidades de defesa e acusou a China de procurar alterar o statu quo no estreito de Taiwan através da pressão militar. Pequim respondeu descrevendo os exercícios militares em torno de Taiwan como uma forma de dissuadir os defensores da independência de Taiwan e a intervenção estrangeira.
Os Estados Unidos e o Japão preparavam-se também para o exercício Keen Sword 27, com início previsto para cinco dias após o anúncio da operação do porta-aviões. As atividades previstas incluíam treino conjunto contra navios em águas a sul de Shikoku e a leste de Kyushu, bem como noutra zona que se estendia do sudoeste de Kyushu em direção ao nordeste de Okinawa.
O panorama regional é, assim, marcado por várias forças que operam ou se preparam para treinar em zonas próximas. Para o Japão, a tarefa imediata continua a ser concreta: acompanhar os navios e as aeronaves do Liaoning, manter-se a par dos seus movimentos e gerir os encontros em segurança.
Principais pontos
- O Liaoning e três navios de guerra que o acompanhavam passaram entre Okinawa e Miyako em 14 de outubro.
- O Japão confirmou operações de aeronaves do porta-aviões a cerca de 250 quilómetros a sul de Ishigaki, na sua zona económica exclusiva.
- O Japão enviou um contratorpedeiro e aviões de patrulha para vigilância e fez descolar caças.
- O Ministério da Defesa não comunicou aproximações invulgares a aeronaves ou navios japoneses durante as observações mais recentes.
- A China classificou a operação como um exercício anual de rotina e afirmou que não era dirigida contra nenhum país ou alvo específico.
- Os números mais recentes relativos às aeronaves ainda estavam a ser analisados, e a China não tinha anunciado quando terminaria a operação.






