Uma última volta coloca a Indonésia na frente
Veda Ega Pratama garantiu a primeira pole position da Indonésia no Campeonato do Mundo de Moto3 em Phillip Island, no sábado, 24 de outubro de 2026, batendo o recém-coroado campeão Maximo Quiles por apenas 0,021 segundos. O piloto de 17 anos da Honda Team Asia completou a sua volta mais rápida em 1 minuto e 35,299 segundos, conquistando o primeiro lugar da grelha para o Grande Prémio da Austrália de domingo.
Índice
- Uma última volta coloca a Indonésia na frente
- Como Pratama passou do quarto lugar na Q1 à pole
- A chuva e os ataques finais alteram a primeira fila
- Uma colisão aumenta a tensão na curva 4
- Os dez primeiros da grelha de partida
- O significado do resultado para a época
- De Gunungkidul a um marco no Grande Prémio
- Um desafio diferente ao longo de 21 voltas
- Pontos-chave
Pratama conseguiu o tempo decisivo na sua última tentativa, terminando uma sessão de qualificação marcada pelo regresso da chuva e por mudanças na liderança nos instantes finais. O australiano Joel Kelso, que liderou grande parte da sessão perante o público da casa, terminou em terceiro, a apenas 0,067 segundos.
A MotoGP, plataforma oficial do campeonato, celebrou o feito do piloto indonésio numa publicação no Instagram:
Acabou de fazer história pela Indonésia
Pratama chegou à pole pelo percurso de qualificação mais longo. Terminou em quarto na primeira sessão, Q1, garantindo o último lugar disponível na Q2, onde foram decididas as primeiras posições da grelha. Depois de passar por pouco à sessão final, fez a volta mais rápida da tarde.
O resultado acrescenta mais um marco à sua primeira época em Moto3, depois do terceiro lugar no Brasil, que fez dele o primeiro piloto indonésio a subir ao pódio de um Grande Prémio. A corrida de domingo dá-lhe a oportunidade de melhorar esse resultado.
O Grande Prémio da Austrália de Moto3 está marcado para 21 voltas no domingo, 25 de outubro, com início às 7h00, hora de Jacarta. Os espectadores na Indonésia poderão acompanhar a corrida na Vidio. Pratama chega à prova em oitavo no campeonato, com 111 pontos, menos nove do que Valentin Perrone, sétimo classificado.
Como Pratama passou do quarto lugar na Q1 à pole
Guido Pini fez o melhor tempo na Q1, completando uma volta em 1:36.261. Casey O'Gorman, Eddie O'Shea e Pratama também passaram à fase seguinte, com o piloto indonésio a terminar em quarto.
A qualificação de Moto3 tem duas sessões. Os pilotos que já garantiram entrada direta competem na Q2 juntamente com quatro pilotos apurados na Q1. A pole position é atribuída ao piloto que registar a volta mais rápida na Q2, garantindo-lhe o primeiro lugar na grelha de partida.
Assim, Pratama teve de superar uma sessão competitiva antes de disputar a pole noutra. O quarto lugar na Q1 foi suficiente para continuar na luta, e a sua última volta na Q2 colocou-o à frente de todos os pilotos apurados diretamente.
Em quinto e com tempo para uma última volta, Pratama encontrava-se no fim do maior grupo em pista. Essa posição ajudou-o a evitar problemas e a usar os pilotos à sua frente como referência nas condições variáveis. As voltas anteriores na Q1 também lhe deram tempo de pista valioso para avaliar o estado do asfalto.
O'Shea também transformou a sua participação na Q1 numa boa posição na grelha, terminando a Q2 em quinto. Pini qualificou-se em oitavo. Três dos quatro pilotos apurados na primeira sessão ficaram, assim, entre os oito primeiros.
A chuva e os ataques finais alteram a primeira fila
Na sexta-feira, Phillip Island tinha apresentado boas condições, e Alvaro Carpe estabelecera uma referência de 1:35.292. A chuva chegou na manhã de sábado, embora a pista já estivesse seca quando começou a qualificação de Moto3.
Kelso começou a Q2 em força, com uma volta de 1:35.671, e melhorou para 1:35.366 a meio da sessão. As gotas de chuva regressaram enquanto os pilotos continuavam as suas tentativas, acrescentando mais um desafio a uma disputa decidida ao milésimo de segundo.
Com cerca de um minuto para o fim, Joel Esteban aproximou-se de Kelso, ficando a apenas 0,010 segundos do tempo do australiano. Quiles passou depois para a frente com 1:35.320, mas Pratama conquistou a pole na sua última volta.
Pratama ficou 21 milésimos de segundo à frente de Quiles. Os cinco primeiros, de Pratama a O'Shea, ficaram separados por apenas 0,148 segundos. Até Matteo Bertelle, em décimo, ficou a apenas 0,613 segundos da pole, mostrando o equilíbrio entre os pilotos mais rápidos.
Uma colisão aumenta a tensão na curva 4
Rico Salmela caiu depois de embater na traseira da Honda de Kelso na curva 4, já perto do fim da sessão. Kelso manteve-se de pé, continuou em pista e levou a moto até à zona reservada aos pilotos mais bem classificados após a qualificação. O contacto estragou a sua última tentativa de recuperar a pole.
A curva 4 já tinha causado problemas a outros pilotos. David Almansa foi para a gravilha, mas conseguiu levantar a sua KTM, enquanto vários concorrentes travaram demasiado tarde e saíram largo. Almansa tinha subido a quarto antes de cair, com a chuva a intensificar-se, acabando por descer para 11.º.
Esteban também escapou a um contacto durante uma volta rápida, quando encontrou Ryusei Yamanaka, mais lento. A perna estendida de Yamanaka atingiu-o enquanto este se preparava para virar. Ainda assim, Esteban melhorou o seu tempo nessa volta e terminou em quarto.
Kelso garantiu o terceiro lugar na grelha, mantendo um lugar na primeira fila para o Grande Prémio em casa. A sua volta foi apenas 0,046 segundos mais lenta do que a de Quiles, segundo classificado, deixando-o perto do campeão apesar de ter perdido a pole provisória que ocupara anteriormente.
Carpe, o piloto mais rápido de sexta-feira e segundo no campeonato, qualificou-se em 12.º. Almansa terminou em 11.º e David Munoz em 16.º. Vários candidatos habituais terão, por isso, de ultrapassar mais pilotos quando a corrida de domingo começar.
Os dez primeiros da grelha de partida
Pratama, da Honda Team Asia, partilhará a primeira fila com Quiles, da CFMOTO Gaviota Aspar Team, e Kelso, da GRYD Racing. Esteban, O'Shea e Adrian Fernandez ocupam a segunda fila.
- 1. Veda Ega Pratama, Honda Team Asia: 1:35.299.
- 2. Maximo Quiles, CFMOTO Gaviota Aspar Team: 1:35.320, a 0,021 segundos.
- 3. Joel Kelso, GRYD Racing: 1:35.366, a 0,067 segundos.
- 4. Joel Esteban, LEVEL UP-MTA: 1:35.376, a 0,077 segundos.
- 5. Eddie O'Shea, GRYD Racing: 1:35.447, a 0,148 segundos.
- 6. Adrian Fernandez, Leopard Racing: 1:35.618, a 0,319 segundos.
- 7. Scott Ogden, CIP Green Power: 1:35.679, a 0,380 segundos.
- 8. Guido Pini, Leopard Racing: 1:35.809, a 0,510 segundos.
- 9. Kiattisak Singhapong, Rivacold Snipers Team: 1:35.841, a 0,542 segundos.
- 10. Matteo Bertelle, LEVEL UP-MTA: 1:35.912, a 0,613 segundos.
A posição de Pratama deixa-o sem ninguém à sua frente na grelha. Para manter essa vantagem, precisará de arrancar bem e manter um ritmo competitivo ao longo das 21 voltas; os dois pilotos ao seu lado ficaram a menos de sete centésimos de segundo do seu tempo.
O significado do resultado para a época
Pratama soma 111 pontos no campeonato, na sua época de estreia em Moto3. Perrone, imediatamente à sua frente em sétimo, tem 120, pelo que a diferença entre ambos é de nove pontos à entrada da corrida australiana.
Quiles já garantiu o título, com 351 pontos. Carpe segue-o com 217, enquanto Brian Uriarte é terceiro, com 198. Quiles tem 134 pontos de vantagem sobre Carpe e, ao partir ao lado de Pratama, coloca o estreante indonésio diretamente junto do campeão da época.
Foi no Autodromo Internacional Ayrton Senna, no Brasil, que Pratama conquistou o seu primeiro pódio, com o terceiro lugar em março. O relato oficial da MotoGP confirma que terminou em quarto em Le Mans, a 10 de maio de 2026. Por isso, não é claro quantos pódios tem ao certo.
A chuva intensa reduziu a corrida de Le Mans a 13 voltas, dando ao pelotão de Moto3 a primeira sessão à chuva do fim de semana. Pratama desceu de 11.º para 14.º no início, antes de recuperar até quarto ao ultrapassar Guido Pini. Quiles venceu, à frente de Adrian Fernandez e Matteo Bertelle, enquanto Pratama regressou aos cinco primeiros do campeonato, com 50 pontos.
Uma vitória ou um segundo lugar na Austrália melhorariam o seu melhor resultado em corrida, habitualmente apontado como o terceiro lugar no Brasil. A pole dá-lhe a melhor posição de partida possível na procura desse resultado.
De Gunungkidul a um marco no Grande Prémio
Pratama nasceu a 23 de novembro de 2008, em Wonosari, Gunungkidul, na região indonésia de Yogyakarta. Corre com o número 54 e é filho de Sudarmono, antigo piloto indonésio.
O motocrosse foi o seu primeiro contacto com a competição. Mais tarde, passou por campeonatos de formação que lhe deram experiência a competir com jovens pilotos de outros países, antes de ingressar na Moto3 com a Honda Team Asia, através do programa de desenvolvimento Astra Honda Racing Team.
A sua evolução inclui várias etapas anteriores à pole na Austrália:
- 2022: Deu os primeiros passos na cena internacional na Asia Talent Cup.
- 2023: Conquistou o título da Asia Talent Cup.
- 2025: Venceu duas corridas na ronda italiana da Red Bull Rookies Cup.
- Março de 2026: Terminou em terceiro no Grande Prémio do Brasil de Moto3.
- 24 de outubro de 2026: Conquistou a sua primeira pole position em Moto3 em Phillip Island.
- 25 de outubro de 2026: Tem partida prevista da primeira posição para o Grande Prémio da Austrália.
A Red Bull Rookies Cup ajudou-o a desenvolver as capacidades de ultrapassagem e de aproveitamento da aspiração. Aproveitar a aspiração consiste em seguir na bolsa de ar atrás de outra moto, onde a menor resistência do ar pode ajudar o piloto a ganhar velocidade antes de tentar ultrapassar.
Um desafio diferente ao longo de 21 voltas
O perfil competitivo de Pratama descreve-o como um piloto à vontade a travar tarde à entrada das curvas e a disputar posições de perto com os adversários. Em Phillip Island, o desafio imediato é transformar a velocidade de uma volta de qualificação num desempenho competitivo do início ao fim da corrida.
Quiles parte em segundo, com o campeonato já decidido. Kelso arranca em terceiro em casa, depois de ter liderado grande parte da qualificação. Esteban e O'Shea estão logo atrás, tendo terminado a menos de 0,148 segundos de Pratama, enquanto Carpe terá de iniciar a sua recuperação a partir do 12.º lugar.
Na corrida de domingo, os pilotos vão competir juntos ao longo de 21 voltas, em vez de fazerem tentativas cronometradas separadas. Para Pratama, a mudança concreta está na posição de partida: pela primeira vez, o estreante indonésio liderará a grelha na fase inicial de um Grande Prémio.
Pontos-chave
- Veda Ega Pratama tornou-se o primeiro piloto indonésio a conquistar a pole position no Campeonato do Mundo de Moto3.
- A sua volta mais rápida em Phillip Island foi de 1:35.299, batendo Maximo Quiles por 0,021 segundos.
- Pratama passou da quarta posição na Q1 à pole na sua última tentativa na Q2.
- Quiles e o australiano Joel Kelso completam a primeira fila.
- Pratama chega à corrida em oitavo no campeonato, com 111 pontos, menos nove do que Valentin Perrone.
- O Grande Prémio da Austrália de Moto3 está marcado para 21 voltas no domingo, 25 de outubro, às 7h00, hora de Jacarta, com transmissão na Vidio.






