Um novo operador para a linha ferroviária da EDSA
As Filipinas planeiam adjudicar, por cerca de 103,6 mil milhões de pesos, uma concessão para a Metro Rail Transit Line 3 por volta de meados de 2027, colocando nas mãos de privados a operação, manutenção e modernização de uma linha ferroviária que transporta mais de 388 000 passageiros por dia, enquanto as decisões sobre as tarifas continuam a caber ao Governo.
Índice
- Um novo operador para a linha ferroviária da EDSA
- O que faria a empresa privada
- Pagamentos dependentes dos padrões de serviço
- As datas por detrás da meta para 2027
- Porque será o MRT-3 concessionado em separado
- Como o plano mudou desde 2024
- Quem poderá concorrer e como funciona a aprovação
- Está também prevista uma segunda grande concessão ferroviária
- Pontos principais
O Departamento dos Transportes (DOTr) afirma que os pagamentos ao futuro operador dependerão do serviço que prestar. A disponibilidade dos comboios, a fiabilidade, a pontualidade, a limpeza e a manutenção ajudarão a determinar se a empresa cumpre as suas obrigações.
O secretário dos Transportes, Giovanni Lopez, esclareceu também uma questão fundamental sobre a estrutura do projeto: o MRT-3 será concessionado separadamente. Foi abandonada a proposta de juntar o seu contrato ao da Light Rail Transit Line 2.
A concessão proposta surge após o termo, em julho de 2025, do acordo de construção, arrendamento e transferência celebrado pelo Governo com a Metro Rail Transit Corp., o consórcio privado que construiu o MRT-3. Segundo o DOTr, com o fim desse acordo, a operação regressou à esfera do Governo.
Para os passageiros, os objetivos práticos são ter mais comboios disponíveis, reduzir os tempos de espera e tornar as viagens ao longo da EDSA mais fiáveis. O projeto inclui a substituição de comboios e a modernização do sistema de sinalização, que controla a circulação ferroviária e ajuda a manter distâncias de segurança entre comboios.
O calendário deve ainda ser interpretado com cuidado. O objetivo central do departamento é adjudicar a concessão por volta de meados de 2027, enquanto um calendário de contratação pública mais detalhado prevê a transferência da operação em outubro de 2027. Escolher a empresa vencedora e colocá-la à frente do serviço diário são etapas distintas.
O Presidente Ferdinand Marcos Jr. determinou que o departamento dê prioridade à modernização do MRT-3. A concessão visa atrair investimento privado e experiência na operação ferroviária para esse esforço, mantendo o Governo responsável por definir as regras do serviço e as tarifas.
O que faria a empresa privada
A concessionária vencedora ficaria responsável pela operação, manutenção e modernização do MRT-3 ao abrigo de um acordo com o Governo. Uma concessão dá a uma empresa o direito e a responsabilidade de prestar um serviço público durante um período acordado, sujeito às condições estabelecidas no contrato.
O âmbito proposto vai além da operação segundo o horário atual. Inclui o aumento da capacidade, a substituição de comboios e melhorias na sinalização. A capacidade corresponde ao número de passageiros que a linha pode transportar e depende de fatores como o número de comboios disponíveis e a frequência com que podem circular.
O contrato previsto abrange também a cobrança de tarifas e direitos comerciais nas estações, com mecanismos de partilha de receitas que envolvem o Governo. Os direitos comerciais dizem respeito à utilização de espaços nas estações para gerar receitas. A repartição final dessas receitas ainda não foi especificada.
A cobrança e a definição das tarifas são responsabilidades distintas. Uma empresa pode cobrar os pagamentos dos passageiros no âmbito da operação da linha, enquanto o DOTr mantém a autoridade para decidir as tarifas aplicáveis.
Lopez, secretário dos Transportes, descreveu o objetivo da parceria numa declaração em que anunciou o plano:
Através de uma parceria público-privada, mobilizamos a experiência e o investimento de que esta linha precisa.
O departamento afirma que cerca de 100 empresas nacionais e internacionais manifestaram interesse. O processo de contratação pública terá de transformar esse interesse em propostas formais, que possam ser avaliadas de acordo com os requisitos financeiros, técnicos e de serviço do projeto.
Pagamentos dependentes dos padrões de serviço
O DOTr tenciona associar os pagamentos ao desempenho, integrando a qualidade da operação diária no acordo financeiro. Os indicadores incluem a disponibilidade e fiabilidade dos comboios, a pontualidade, bem como a limpeza e manutenção dos comboios e das instalações.
A disponibilidade dos comboios diz respeito à existência de comboios suficientes prontos para transportar passageiros. A fiabilidade refere-se à capacidade desses comboios e da linha no seu conjunto de manterem um funcionamento regular. Um comboio em reparação não ajuda a escoar uma plataforma lotada, mesmo que continue a fazer parte da frota no papel.
A pontualidade acrescenta outro critério: saber se os serviços circulam à hora prevista. Os padrões de limpeza e manutenção alargam a responsabilização ao estado das condições da viagem, incluindo os comboios e as instalações utilizados pelos passageiros.
O departamento espera também que o operador reduza os tempos de espera. Este objetivo liga os indicadores técnicos a algo que os passageiros sentem diretamente. Mais comboios disponíveis e partidas fiáveis deverão facilitar o embarque e o planeamento das viagens.
A fórmula de pagamento do contrato final, os limiares de desempenho e as deduções por incumprimento dos padrões ainda não foram anunciados. Esses detalhes determinarão a pressão financeira sobre o operador quando o serviço ficar aquém do previsto.
As datas por detrás da meta para 2027
O calendário da contratação pública estende-se dos preparativos em 2026 até uma possível transferência da operação em outubro de 2027. O calendário mais detalhado estabelece os seguintes marcos:
- Julho de 2025: O acordo com a Metro Rail Transit Corp. terminou e o MRT-3 regressou ao controlo do Governo.
- Outubro de 2026: Prevê-se o início de um concurso lançado pelo Governo, que convidará empresas a concorrer à concessão proposta.
- Março de 2027: Data prevista para a entrega das propostas.
- Junho a julho de 2027: Prevê-se a adjudicação do contrato, em linha, de forma geral, com o objetivo do departamento para meados de 2027.
- Outubro de 2027: Prevê-se que o concorrente vencedor assuma a operação.
Lopez também indicou junho ou julho como possível período para o concurso, seguido de uma transferência em outubro, enquanto o anúncio principal do departamento aponta para uma adjudicação até ao segundo trimestre de 2027. As datas exatas do processo de contratação pública carecem, por isso, de confirmação.
Os passageiros devem prestar particular atenção à data prevista para a transferência em outubro. A adjudicação escolhe o operador; a transferência altera a entidade responsável pela operação do serviço. Os meses entre esses dois momentos permitem uma fase de transição antes de a empresa assumir a operação.
Porque será o MRT-3 concessionado em separado
O DOTr ponderou anteriormente juntar os contratos de operação e manutenção do MRT-3 e do LRT-2. Durante essa análise, o departamento assinalou que as duas linhas servem mercados diferentes e estudou se um contrato conjunto aumentaria a eficiência.
Lopez afirma agora que o MRT-3 será um projeto autónomo. As empresas que concorrerem ficarão, assim, a disputar as responsabilidades relativas a esta linha, e não um pacote que inclua também o LRT-2.
O MRT-3 estende-se por 16,9 quilómetros entre Quezon City e Pasay City, servindo 13 estações ao longo da EDSA. Com mais de 388 000 passageiros por dia, o estado e a frequência do serviço afetam um grande número de viagens.
A linha também faz ligação ao LRT-2 em Araneta Center-Cubao. No extremo sul, os passageiros podem chegar ao LRT-1 através da passagem coberta que liga as estações de Taft Avenue e EDSA.
Estas ligações fazem com que o desempenho do MRT-3 tenha impacto para além das viagens realizadas exclusivamente na sua própria linha. Um atraso pode afetar um passageiro que continue a viagem noutra linha ferroviária, enquanto uma chegada pontual pode facilitar a ligação. As concessões separadas não alterarão estas ligações físicas.
Como o plano mudou desde 2024
A proposta inicial centrava-se numa função operacional mais limitada. Um artigo de março de 2024 publicado no sítio do Centro de Parcerias Público-Privadas descrevia uma possível concessão com a duração de 10 a 15 anos, cabendo ao Governo pagar a reabilitação.
Nessa fase, o DOTr previa melhorias ferroviárias no valor de 29,6 mil milhões de pesos, financiadas pelo Japão. O montante incluía um empréstimo suplementar de cerca de 130 milhões de dólares, assinado em 2023. O Banco Asiático de Desenvolvimento era o consultor da operação e estava a preparar o projeto.
O subsecretário dos Transportes Timothy John Batan explicou que a duração proposta refletia um contrato sobretudo centrado na operação e manutenção, sujeito ao estudo do banco. Na altura, partia-se do princípio de que o concurso poderia terminar em 2025, permitindo que a concessão se prolongasse até 2040.
A proposta atual inclui a operação, manutenção e modernização da linha, tendo entre as componentes anunciadas a substituição de comboios e melhorias na sinalização. O prazo de 10 a 15 anos continua a ser uma proposta histórica; o anúncio mais recente não especifica a duração final da concessão de 103,6 mil milhões de pesos.
A estimativa de 29,6 mil milhões de pesos para a reabilitação e o valor de 103,6 mil milhões de pesos da concessão dizem respeito a âmbitos de trabalho e modelos de financiamento distintos. Ambas as quantias são necessárias para compreender a evolução do projeto: o plano inicial atribuía ao Governo as despesas de reabilitação, enquanto o pacote atual prevê responsabilidades mais amplas para um operador privado.
Quem poderá concorrer e como funciona a aprovação
Os grupos empresariais já ponderavam o MRT-3 muito antes do calendário atual. Em 2024, Manuel V. Pangilinan e Ramon Ang estudavam uma possível candidatura conjunta, depois de o DOTr ter rejeitado as suas propostas não solicitadas e optado por um concurso iniciado pelo Governo.
A Metro Pacific Investments Corp., presidida por Pangilinan, também ponderava comprar a participação de 35% do grupo Ayala na empresa que opera o LRT-1, para reforçar a sua posição numa candidatura ao MRT-3. Estas conversações mostram o interesse comercial que a linha suscitava na altura; será o atual processo de concurso a determinar que empresas irão efetivamente concorrer.
Num concurso lançado pelo Governo, este começa por definir o projeto que pretende e convida as empresas a apresentar propostas. Numa proposta não solicitada, é uma empresa privada que apresenta ao Governo uma proposta de projeto própria. A via escolhida pelo DOTr permite-lhe procurar propostas concorrentes com base num conjunto comum de requisitos.
O artigo de 2024 descrevia também alterações aos procedimentos de aprovação ao abrigo do Código das PPP. Jeffrey Manalo, diretor executivo adjunto do Centro PPP, referiu a exigência de concluir a aprovação em 120 dias, face a uma média anterior de 150 dias. Trata-se de uma redução de 30 dias, ou de um quinto da média anterior.
De acordo com o enquadramento descrito na altura, os projetos abaixo dos 15 mil milhões de pesos poderiam avançar para concurso com a aprovação do secretário dos Transportes, enquanto os projetos de maior dimensão exigiam a aprovação do Conselho da Autoridade Nacional de Economia e Desenvolvimento, com parecer favorável do Comité de Coordenação do Investimento. A proposta atual, de 103,6 mil milhões de pesos, ultrapassa esse limiar. O calendário de aprovação é uma das etapas da contratação pública, a par da preparação e avaliação das propostas, da adjudicação e da transferência da operação.
Está também prevista uma segunda grande concessão ferroviária
O DOTr está a avançar com outra grande concessão ferroviária num calendário semelhante. O objetivo é concluir até meados de 2027 o concurso para a concessão do North-South Commuter Railway, no valor de 229 mil milhões de pesos.
O projeto NSCR está estimado em 873,6 mil milhões de pesos e é cofinanciado pelo Japão. Terá 147 quilómetros e ligará o Aeroporto Internacional de Clark, em Pampanga, a Calamba, na Laguna.
A concessão de 229 mil milhões de pesos corresponde a cerca de 2,2 vezes o valor proposto para o MRT-3, de 103,6 mil milhões de pesos. A estimativa de 873,6 mil milhões de pesos para o projeto NSCR é um valor distinto, que abrange o projeto ferroviário e não apenas a concessão.
A tarefa imediata do MRT-3 é diferente: transferir a responsabilidade por uma linha em funcionamento que já transporta centenas de milhares de passageiros todos os dias. O teste prático será saber se o novo modelo concretiza as melhorias prometidas e mantém a fiabilidade das viagens durante a transição.
Pontos principais
- O DOTr prevê adjudicar a concessão do MRT-3 por volta de meados de 2027, num projeto de 103,6 mil milhões de pesos.
- Um calendário detalhado prevê a transferência da operação em outubro de 2027, embora as datas do processo de contratação pública ainda careçam de confirmação.
- O operador privado ficará responsável pela operação, manutenção e modernização da linha, enquanto o DOTr mantém a autoridade para definir as tarifas.
- Os pagamentos dependerão de padrões relativos à disponibilidade, fiabilidade e pontualidade dos comboios, bem como à limpeza e manutenção.
- O MRT-3 será concessionado separadamente do LRT-2 e transporta mais de 388 000 passageiros por dia em 13 estações.
- O Governo prevê também concluir até meados de 2027 o concurso para a concessão de 229 mil milhões de pesos do NSCR.






