Petróleo a 92 dólares pressiona compromisso da Indonésia sobre os combustíveis
A Indonésia mantém o compromisso de congelar os preços dos combustíveis subsidiados até ao final de 2026, apesar de o preço de referência do petróleo bruto ter chegado a cerca de 92 dólares por barril, aproximadamente 22 dólares acima do valor previsto no orçamento do Estado. O Governo está a calcular quanto dinheiro público adicional poderá ser necessário para cobrir a diferença.
Índice
- Petróleo a 92 dólares pressiona compromisso da Indonésia sobre os combustíveis
- Quanto continuarão a pagar os condutores
- Porque é necessário voltar a calcular o orçamento
- Como evoluiu o compromisso ao longo de 2026
- Porque variam os valores do petróleo ao longo do ano
- As importações tornam os custos em dólares uma questão interna
- A disponibilidade de combustível tem uma ressalva própria
- As receitas do carvão podem dar mais margem ao orçamento
- Como os responsáveis planeiam manter o congelamento
- Principais pontos
Bahlil Lahadalia, ministro coordenador da Transformação a Jusante e da Transição Energética e também ministro da Energia e dos Recursos Minerais, reafirmou o compromisso no complexo do Palácio Presidencial, em Jacarta, a 21 de outubro. Falou após uma reunião plenária do Conselho de Ministros que analisou os primeiros dois anos de governação do presidente Prabowo Subianto e do vice-presidente Gibran Rakabuming Raka.
Bahlil afirmou que o Governo esperava que os preços do petróleo bruto pudessem manter-se abaixo dos 100 dólares por barril, caso a tendência atual continuasse. A sua mensagem central foi que os custos mais elevados do petróleo seriam suportados pelo orçamento, mantendo-se inalterados os preços dos combustíveis subsidiados.
Bahlil explicou o cálculo que o Governo está a fazer:
O que estamos a calcular agora é o ICP mundial, que continua a subir. À medida que sobe, é provável que sejam necessários fundos adicionais para os subsídios. Mas o Governo está empenhado em não aumentar os preços dos combustíveis subsidiados.
Quanto continuarão a pagar os condutores
A gasolina Pertalite continua a custar 10 000 rupias por litro e o gasóleo Biosolar, 6800 rupias por litro, segundo a reafirmação da política por Yuliot Tanjung, vice-ministro da Energia e dos Recursos Minerais. O compromisso dá a quem compra esses combustíveis a garantia de que o preço na bomba se manterá até 31 de dezembro.
Assim, a compra de 10 litros de Pertalite custa 100 000 rupias, enquanto o mesmo volume de Biosolar custa 68 000 rupias. A manutenção destes preços protege os orçamentos para combustível dos automobilistas elegíveis e das empresas que utilizam produtos subsidiados.
A promessa diz respeito aos combustíveis subsidiados. Os responsáveis também falaram das reservas de outros produtos energéticos, incluindo gás de petróleo liquefeito, ou GPL, mas o compromisso de preços aqui descrito abrange a gasolina e o gasóleo subsidiados.
Porque é necessário voltar a calcular o orçamento
O Preço do Petróleo Bruto da Indonésia, geralmente abreviado para ICP, é o preço de referência do petróleo bruto no país. Ajuda o Governo a estimar os custos energéticos e a planear o orçamento do Estado. Quando os preços reais do petróleo ultrapassam o valor previsto, manter controlado o preço de venda dos combustíveis pode exigir mais financiamento público.
Bahlil indicou que o orçamento pressupunha um preço de cerca de 70 dólares por barril e que o ICP atual rondava os 92 dólares. Trata-se de um aumento de aproximadamente 31% face ao valor previsto. A diferença ajuda a explicar por que razão os ministros estão a reavaliar as necessidades de subsídios, mesmo mantendo inalterados os preços de venda.
Não é possível calcular a despesa adicional aumentando simplesmente o orçamento dos subsídios em 31%. O valor final também depende da quantidade de combustível subsidiado vendida, da evolução dos preços nos meses restantes e do custo, em rupias, da energia comprada em dólares.
Bahlil não anunciou o montante do financiamento adicional para os subsídios nem uma data para concluir o cálculo. Por agora, a decisão sobre os preços de venda é mais firme do que a estimativa do custo de os manter.
Como evoluiu o compromisso ao longo de 2026
A declaração de outubro renovou uma política anunciada meses antes. A declaração ministerial sobre a política de abril, publicada a 17 de abril pelo Ministério da Energia e dos Recursos Minerais, registou a garantia de Bahlil de que os preços dos combustíveis subsidiados se manteriam inalterados até ao final de 2026, na sequência de instruções do presidente Prabowo.
O ministério afirmou que essas instruções se seguiram às visitas do presidente à Rússia e a França. Bahlil dera a garantia inicial depois de se reunir com Prabowo no Palácio do Estado, a 16 de abril.
- 16 de abril: Bahlil anunciou o compromisso de manter inalterados os preços dos combustíveis subsidiados até ao final de 2026.
- 17 de abril: O Ministério da Energia e dos Recursos Minerais publicou a garantia, juntamente com informações sobre os preços do petróleo, as reservas e as importações.
- 21 de outubro: Bahlil reiterou o compromisso após a análise do Conselho de Ministros e afirmou que a subida dos preços do petróleo bruto poderia exigir financiamento adicional para os subsídios.
- 31 de dezembro: O compromisso de preços anunciado pelo Governo vigora até ao final do ano.
As declarações de abril e outubro mostram a mesma política de preços de venda a funcionar em condições de custos variáveis. Em outubro, Bahlil centrou-se na eventual necessidade de acrescentar verbas ao orçamento dos subsídios.
Porque variam os valores do petróleo ao longo do ano
Nas declarações de abril, Bahlil indicou que a média do ICP desde janeiro até àquela altura não ultrapassava os 77 dólares por barril. Disse também que os subsídios aos combustíveis continuavam a ser comportáveis com o petróleo bruto a 100 dólares por barril.
Uma declaração posterior indicou que a média final de abril fora de 117,31 dólares por barril, enquanto a média desde janeiro até à data dessa declaração rondava os 80 a 81 dólares. O valor de cerca de 92 dólares referido em outubro dizia respeito ao preço então em discussão, e não à média anterior.
Uma média mensal e uma média que abrange vários meses respondem a perguntas diferentes. Um mês caro pode coexistir com uma média anual mais baixa, porque os meses mais baratos fazem baixar a média do período mais longo. A declaração de abril foi também emitida antes do fim desse mês.
O valor de 100 dólares correspondia à avaliação de Bahlil sobre o que o Governo conseguiria suportar. Na prática, a tarefa do Governo é financiar o custo real de manter estáveis os preços dos combustíveis subsidiados à medida que os preços do petróleo evoluem.
As importações tornam os custos em dólares uma questão interna
A Indonésia importa cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia, segundo a declaração de abril do ministério. Bahlil indicou que o consumo nacional de combustível era de 1,6 milhões de barris por dia e que a produção interna rondava os 600 000 a 610 000 barris diários.
Segundo estes valores, as importações correspondem a cerca de cinco oitavos, ou 62,5%, do consumo diário. A diferença entre a produção interna e a procura faz com que os preços internacionais da energia continuem a ser um fator importante na fatura dos combustíveis da Indonésia.
A rupia representa outra fonte de pressão. Quando Yuliot reafirmou o congelamento dos preços, a moeda foi cotada a 17 877 rupias por dólar norte-americano, após uma desvalorização. O Banco da Indonésia tinha aumentado a taxa de juro de referência em 50 pontos base, para 5,25%, em resposta à volatilidade cambial. Cinquenta pontos base correspondem a meio ponto percentual.
O petróleo comprado em dólares fica mais caro em rupias quando a moeda indonésia perde valor, mesmo que o preço em dólares se mantenha. Assim, a subida do preço do petróleo bruto e a desvalorização da moeda podem fazer aumentar os custos em simultâneo, enquanto o preço pago pelos automobilistas pelos combustíveis subsidiados permanece fixo.
A disponibilidade de combustível tem uma ressalva própria
A garantia dada por Bahlil em abril abrangia tanto os preços como as reservas físicas. O ministério afirmou que as reservas de gasóleo, gasolina e GPL estavam acima dos níveis mínimos exigidos.
Mais tarde, Yuliot descreveu o padrão mínimo operacional de reservas de combustível como equivalente a 23 dias e afirmou que as reservas de gasolina Pertalite e gasóleo CN48 estavam acima desse limiar. Disse também que havia combustíveis não subsidiados em quantidade suficiente para satisfazer a procura interna.
A 21 de outubro, Bahlil afirmou que a disponibilidade média de energia cumpria os padrões nacionais, com exceção da Pertalite, embora tenha garantido que o abastecimento era seguro. Não indicou o volume das reservas nem explicou a exceção relativa à Pertalite. Esta ressalva de outubro deve, por isso, ser considerada juntamente com as garantias anteriores sobre as reservas.
Para os automobilistas, a disponibilidade e a acessibilidade económica são duas necessidades práticas: o combustível tem de estar disponível na estação de serviço e o preço tem de caber no orçamento familiar. O Governo promete manter estáveis os preços dos combustíveis subsidiados enquanto continua a gerir o abastecimento.
As receitas do carvão podem dar mais margem ao orçamento
Na análise de outubro do Conselho de Ministros, Bahlil apresentou também projeções de receitas do carvão mais elevadas. Disse que as receitas não fiscais do Estado provenientes do carvão deveriam ultrapassar os 160 biliões de rupias, face a uma meta de 133 biliões.
Isso colocaria as receitas mais de 27 biliões de rupias acima da meta, um aumento superior a 20%. As receitas não fiscais do Estado são os montantes cobrados pelo Governo fora da receita fiscal. Este é o valor do carvão mais diretamente relevante para as receitas disponíveis do Governo.
As receitas das exportações de carvão foram projetadas separadamente em mais de 30 mil milhões de dólares, face a uma meta de 27 mil milhões. Isso representaria mais de 3 mil milhões de dólares, ou mais de 11%, acima da meta. As receitas de exportação correspondem ao dinheiro gerado pelas vendas ao estrangeiro; o Estado recebe a sua parte através dos mecanismos de receita aplicáveis.
As projeções ajudam a explicar por que razão o aumento dos custos energéticos não afeta da mesma forma todos os setores da economia indonésia. O petróleo importado fica mais caro, enquanto o carvão pode gerar receitas mais elevadas. Bahlil apresentou ambas as tendências, mas não anunciou qualquer afetação do excedente projetado das receitas do carvão aos subsídios aos combustíveis.
Como os responsáveis planeiam manter o congelamento
Septian Hario Seto, membro e secretário executivo do Conselho Nacional de Economia, conhecido pelas iniciais indonésias DEN, afirmou que a manutenção dos preços dos combustíveis subsidiados ajudava a proteger o poder de compra. Disse também que a política deveria ser acompanhada por uma gestão orçamental ponderada.
Septian afirmou que o Conselho discutira estratégias de financiamento com o Ministério das Finanças e a BPI Danantara, entidade indonésia de gestão de investimentos. O objetivo era manter estáveis os preços dos combustíveis até ao final do ano, garantindo simultaneamente a sustentabilidade do financiamento.
O Governo procura também reduzir a pressão das importações. Yuliot afirmou que os responsáveis estavam a promover o aumento da produção interna de petróleo e a preparar refinarias no país. Em abril, Bahlil disse que as conversações com a Rússia incluíam potenciais investimentos em refinarias e armazenamento de energia, além do fornecimento de petróleo bruto.
Na altura, Bahlil afirmou que as propostas relativas às refinarias e ao armazenamento ainda exigiam mais uma ou duas rondas de conversações. O aumento da produção, da refinação e da capacidade de armazenamento responderia a diferentes etapas do sistema de abastecimento: produzir petróleo bruto, transformá-lo em combustível utilizável e manter reservas. Até dezembro, a tarefa imediata continua a ser financiar a manutenção de preços estáveis para os combustíveis subsidiados e garantir a sua disponibilidade.
Principais pontos
- A Indonésia reafirmou que os preços dos combustíveis subsidiados se manterão inalterados até ao final de 2026.
- Segundo a política anunciada, a Pertalite continua a custar 10 000 rupias por litro e o Biosolar, 6800 rupias.
- Bahlil indicou que o ICP atual ronda os 92 dólares por barril, face a uma previsão orçamental de cerca de 70 dólares.
- O Governo está a calcular as necessidades adicionais de subsídios, mas não anunciou qualquer montante de financiamento.
- A Indonésia importa cerca de 1 milhão de barris por dia, face a um consumo de 1,6 milhões de barris diários.
- As receitas não fiscais do Estado provenientes do carvão deverão ultrapassar os 160 biliões de rupias, face a uma meta de 133 biliões.
- As garantias de abastecimento dadas em outubro incluíram uma ressalva não explicada sobre o cumprimento dos padrões nacionais pela Pertalite.






