Vietname pondera tornar obrigatório o seguro social para motoristas de aplicações, mas continua por definir quem paga

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Vietnam Weighs Mandatory Social Insurance for App Drivers, With Who Pays Still Unsettled

Uma proposta relativa às pensões abrange trabalhadores fora das relações laborais convencionais

O Vietname está a ponderar tornar obrigatório o seguro social para trabalhadores fora das relações laborais convencionais, incluindo motoristas que trabalham através de plataformas digitais, enquanto as autoridades enfrentam uma acentuada lacuna na proteção na reforma. Segundo dados do seguro social citados pelas autoridades da cidade de Ho Chi Minh, há cerca de 600 000 motoristas de aplicações em todo o país, mas apenas cerca de 700 aderiram ao seguro social voluntário.

Índice
  1. Uma proposta relativa às pensões abrange trabalhadores fora das relações laborais convencionais
  2. O que mudaria para os trabalhadores das plataformas?
  3. Porque receiam os motoristas o projeto de lei
  4. Jornadas longas e riscos rodoviários intensificam o debate
  5. Quantos trabalhadores poderão ser afetados?
  6. Porque quer a comissão parlamentar regras mais claras
  7. Calendário legislativo e pacote de reformas mais abrangente
  8. Plano mais abrangente também prevê repartir os custos
  9. O projeto de lei altera também os bancos onde podem ser depositados fundos de pensões
  10. Pontos principais

Estes números apontam para uma adesão de cerca de 0,12%, ou seja, aproximadamente um motorista em cada 860. Para quem passa grande parte do dia a transportar passageiros ou a entregar mercadorias, a proposta poderá abrir caminho à cobertura de uma pensão. A principal questão financeira é como serão divididas as contribuições entre os motoristas, as empresas que gerem as plataformas e o Estado.

O Governo apresentou à Assembleia Nacional, a 21 de outubro, a proposta de alteração à Lei do Seguro Social. Esta permitiria alargar a cobertura obrigatória a pessoas sem relações laborais convencionais que tenham trabalho e rendimentos estáveis e regulares. O projeto ainda não define os critérios de elegibilidade, os montantes das contribuições, a responsabilidade pelo pagamento nem a data de início.

Os deputados que analisam o projeto apoiam, em princípio, o alargamento da proteção, mas querem uma definição mais clara dos trabalhadores abrangidos e um calendário exequível. Os motoristas, por sua vez, enfrentam uma preocupação imediata: pode ser difícil manter o pagamento de uma contribuição para a pensão quando o combustível, as comissões das plataformas, os impostos e outras despesas já consomem uma parte substancial dos seus rendimentos.

O que mudaria para os trabalhadores das plataformas?

A maioria dos motoristas de aplicações assina atualmente acordos de cooperação com os operadores das plataformas e é considerada parceira, em vez de trabalhadora por conta de outrem. Ao abrigo desses acordos, fica geralmente fora do seguro social obrigatório e tem de aderir voluntariamente para reunir condições de acesso a uma pensão.

A alteração proposta ao n.º 6 do artigo 2.º da Lei do Seguro Social de 2024 daria à Comissão Permanente da Assembleia Nacional poderes para decidir sobre a adesão obrigatória de trabalhadores sem relações laborais convencionais, incluindo pessoas que trabalham através de plataformas digitais. O Governo apresentaria propostas, cuja aplicação seria ajustada às condições socioeconómicas.

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O seguro social funciona através da cobrança de contribuições durante a vida ativa, que financiam prestações de acordo com as regras do regime. A pensão proporciona rendimentos após a reforma. Tornar a adesão obrigatória incluiria os trabalhadores elegíveis num sistema de contribuições obrigatórias, em vez de deixar a inscrição inteiramente ao critério de cada um.

O critério proposto pelo Governo, baseado na existência de trabalho estável e regular, é importante porque o trabalho em plataformas abrange situações diferentes. Alguns motoristas dependem dele como atividade principal, enquanto outros o fazem para obter um rendimento adicional. A definição desse critério determinará quem tem de contribuir e quais os trabalhadores que continuarão a depender de regimes voluntários.

Porque receiam os motoristas o projeto de lei

As contribuições para o seguro social voluntário correspondem atualmente a 22% do rendimento escolhido pelo participante como base de contribuição. Essa base é o montante utilizado para calcular o pagamento, não correspondendo necessariamente aos rendimentos mensais efetivos da pessoa.

Um inquérito realizado por organizações laborais e pela Oxfam concluiu que os motoristas de motas que trabalham através de aplicações ganhavam, em média, cerca de 7 milhões de dongs por mês, embora a maioria trabalhasse entre seis e 12 horas por dia. Os motoristas afirmaram também que as comissões das plataformas, os impostos e as taxas consumiam cerca de 25% a 35% das receitas, antes de contabilizados os custos do combustível.

Uma contribuição calculada sobre uma base de 7 milhões de dongs seria de 1,54 milhões de dongs por mês, à taxa de 22% do regime voluntário. Trata-se de um exemplo baseado na taxa e no valor de rendimento indicados; os motoristas escolhem a base de contribuição ao abrigo das regras aplicáveis. O projeto ainda não fixou uma taxa para a cobertura obrigatória proposta.

Os motoristas dizem querer proteção na reforma, mas receiam não conseguir pagá-la sem uma contribuição dos operadores das plataformas. A preocupação é especialmente premente quando os rendimentos variam de mês para mês, mas as despesas essenciais do agregado familiar se mantêm.

Tran Thi Dieu Thuy, vice-chefe da delegação de deputados da cidade de Ho Chi Minh à Assembleia Nacional, propôs um modelo de contribuições com três partes: motoristas, operadores das plataformas e Estado. Esse modelo repartiria os custos pelo trabalhador, pela empresa ligada à atividade e pelos fundos públicos.

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Jornadas longas e riscos rodoviários intensificam o debate

Um inquérito a 141 motoristas que trabalham para a Grab, a Green SM e a BEE concluiu que 93,6% consideravam a condução através de aplicações a sua atividade principal. Cerca de 46,1% trabalhavam entre oito e 10 horas por dia, enquanto 35,5% trabalhavam regularmente mais de 10 horas. Em conjunto, estes grupos representavam 81,6% dos inquiridos.

O mesmo inquérito concluiu que 73,8% tinham sofrido pelo menos uma colisão ou acidente de trânsito. Mais de 65% disseram ter sido vítimas de burlas, roubos ou assédio durante o trabalho. Estas experiências tornam a proteção social uma preocupação tanto durante a vida ativa como após a reforma.

Phung Thai Quang, vice-presidente da Federação do Trabalho da cidade de Ho Chi Minh, afirmou que 92,9% queriam uma definição mais clara da sua atividade e situação jurídica. Outros 87,9% pretendiam um mecanismo que lhes permitisse aceder ao seguro social e a apoio financeiro ou de outro tipo.

A cobertura por seguros também era limitada. Cerca de 73,4% dependiam apenas do seguro de saúde do agregado familiar ou do apoio sindical, enquanto muitos não tinham cobertura de seguro. O seguro de saúde ajuda a suportar despesas médicas; o seguro social proporciona prestações pecuniárias segundo os seus próprios critérios de elegibilidade. Assim, os motoristas podem ter apoio para os cuidados de saúde e, ainda assim, não ter um registo de contribuições para a pensão.

Nguyen Duc Loc, diretor do Instituto de Estudos sobre a Vida Social, citou um inquérito distinto a 400 motoristas, divididos em igual número entre motoristas de automóveis e de motas. O estudo concluiu que as horas de trabalho aumentavam sem um aumento correspondente dos rendimentos. Defendeu também maior transparência nos pagamentos e nas despesas acordados entre os motoristas e as plataformas.

Quantos trabalhadores poderão ser afetados?

Num seminário na cidade de Ho Chi Minh, foi avançada uma estimativa de cerca de 400 000 motoristas e estafetas a trabalhar através de plataformas tecnológicas na cidade. O número nacional citado pelas autoridades municipais era de cerca de 600 000 motoristas de aplicações. A estimativa da cidade inclui estafetas, pelo que abrange um conjunto de profissões mais amplo do que a contagem nacional de motoristas.

A Agência de Segurança Social da cidade de Ho Chi Minh pediu que fossem estudados o número de motoristas, as condições de trabalho, os rendimentos e a adesão aos seguros sociais, de saúde e de desemprego. Esses dados ajudariam as autoridades a identificar os trabalhadores elegíveis e a calcular um modelo de contribuições que estes pudessem suportar.

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Nguyen Quoc Thanh, vice-diretor da agência, descreveu o desafio da política como a preservação da flexibilidade do trabalho em plataformas, ao mesmo tempo que se alarga o acesso à proteção. A agência apelou também a uma coordenação mais estreita entre as autoridades públicas, as empresas de plataformas e as organizações que representam os trabalhadores.

Para um motorista, o resultado concreto dependerá das regras aprovadas: se o seu trabalho cumpre os critérios de elegibilidade, como é calculada a contribuição e que parte do pagamento lhe cabe. Essas decisões transformarão uma promessa geral de cobertura numa obrigação e num direito concretos, com valores mensais definidos.

Porque quer a comissão parlamentar regras mais claras

A Comissão da Assembleia Nacional para os Assuntos Culturais e Sociais apoia, em termos gerais, o alargamento da cobertura para proteger os direitos laborais e de segurança social. O seu presidente, Nguyen Dac Vinh, apresentou a avaliação da comissão a 21 de outubro e alertou que a categoria de trabalhadores proposta era demasiado abrangente para ser aplicada na prática sem uma análise mais aprofundada.

A comissão pediu ao Governo que desse seguimento à Conclusão n.º 276 da Comissão Permanente da Assembleia Nacional e especificasse tanto as pessoas abrangidas como a data de aplicação. Apelou também a uma análise cuidadosa dos efeitos sobre os trabalhadores que se prevê que venham a aderir.

Se não for possível definir os critérios de elegibilidade e o calendário, ou chegar a acordo com os grupos afetados, a comissão recomendou que a questão fosse tratada no âmbito de uma revisão abrangente da Lei do Seguro Social. Afirmou que as disposições em vigor já abrangiam situações referidas pelo Governo, pelo que o objetivo e o âmbito da alteração também carecem de esclarecimento.

O ministro do Interior, Nguyen Tien Hai, afirmou que o Comité do Partido do Governo estava a preparar uma nova resolução sobre salários e seguro social. As disposições pormenorizadas para alargar a cobertura seriam desenvolvidas depois de o Comité Central do Partido aprovar essa resolução. A proposta envolve, assim, tanto o escrutínio parlamentar como um processo político mais amplo.

Calendário legislativo e pacote de reformas mais abrangente

A proposta relativa aos motoristas integra um esforço mais vasto para alterar a Lei do Seguro Social de 2024. A Proposta n.º 865/TTr-CP do Governo, datada de 7 de outubro de 2026, apresenta 11 áreas principais de alterações propostas às políticas de seguro e de pensões, destinadas a melhorar a coerência e a aplicação.

O calendário legislativo prevê várias etapas:

  • 7 de outubro de 2026: foi datada a proposta do Governo que apresenta o pacote de alterações.
  • 21 de outubro: o projeto de alteração e a avaliação da comissão parlamentar foram apresentados à Assembleia Nacional.
  • 9 de novembro: estava previsto o debate do projeto de lei na Assembleia Nacional.
  • 21 de novembro: estava prevista a apreciação do projeto de lei para aprovação.
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As datas de novembro dizem respeito à apreciação parlamentar do projeto de lei. A data em que os motoristas começariam a participar dependeria das regras de aplicação que viessem a ser aprovadas, incluindo as decisões sobre os trabalhadores elegíveis e as contribuições.

Para os trabalhadores e as plataformas, a parte mais decisiva do processo é a passagem de uma formulação geral sobre a cobertura para regras de pagamento precisas. A obrigação de aderir afetaria os orçamentos dos agregados familiares e os custos operacionais das plataformas, pelo que a repartição das responsabilidades é central no pedido da comissão de uma proposta mais exequível.

Plano mais abrangente também prevê repartir os custos

Um plano de ação do Governo, assinado pela vice-primeira-ministra Pham Thi Thanh Tra, prevê também estudar a repartição das contribuições para o seguro social entre o Estado, os trabalhadores e as empresas de plataformas digitais, incluindo as que prestam serviços de transporte por marcação e de táxi através de aplicações.

O plano visa criar, até 2030, um sistema de proteção social em grande medida abrangente, que combine vários níveis de apoio e recorra à administração digital. Até 2045, pretende aproximar-se dos padrões dos países desenvolvidos de rendimento elevado, com financiamento sustentável, gestão transparente e capacidade de responder rapidamente a novos riscos.

Para as pessoas com baixos rendimentos, o plano prevê regimes de seguro mais flexíveis, níveis de contribuição, períodos de pagamento e modalidades de adesão, a par de apoio financeiro adequado. Prevê também alargar o seguro de acidentes de trabalho e as prestações de maternidade aos trabalhadores da economia informal, onde muitas pessoas trabalham fora das relações laborais convencionais.

O plano articula a proteção durante a vida ativa com os cuidados na velhice. Prevê projetos-piloto de seguro de cuidados continuados em localidades selecionadas, precedidos de avaliações financeiras antes de uma expansão mais ampla. Os cuidados de saúde destinados aos idosos começariam por abranger as pessoas com 75 ou mais anos e seriam gradualmente alargados às pessoas com 65 ou mais anos.

Estas medidas enquadram o debate sobre as contribuições dos motoristas num esforço mais amplo para proteger as pessoas quando deixam de ter rendimentos ou passam a necessitar de mais cuidados. Entre as prioridades práticas estão os cuidados de saúde essenciais, a segurança de rendimento básico, o apoio em caso de desemprego ou incapacidade e a assistência aos idosos.

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O projeto de lei altera também os bancos onde podem ser depositados fundos de pensões

O projeto de alteração alargaria o leque de bancos autorizados a receber depósitos do fundo do seguro social. Passaria a incluir bancos comerciais por ações em que o Estado, as empresas estatais ou ambos detenham mais de 50% do capital social. Os bancos sob controlo especial ficariam excluídos.

As alterações ao artigo 122.º manteriam a cargo do Governo a definição dos critérios e procedimentos pormenorizados para avaliar, selecionar e acompanhar os bancos elegíveis, bem como controlar os riscos. Estas disposições dizem respeito à gestão do dinheiro acumulado no seguro social enquanto este é mantido para satisfazer as obrigações relativas às prestações.

A comissão parlamentar pediu que fossem clarificadas as responsabilidades do Conselho de Gestão do Seguro Social e da agência de seguro social. Pretende que sejam especificados os respetivos papéis na definição da carteira de investimentos do fundo, na distribuição do dinheiro pelos investimentos e nos métodos utilizados, mantendo a prestação de contas ao Governo.

Os princípios da Comissão Permanente dão prioridade à segurança, exigem a preservação do fundo e impõem eficiência, transparência e responsabilização. Para os contribuintes, uma gestão prudente do fundo é tão importante como pagamentos comportáveis: o dinheiro cobrado durante a vida ativa tem de continuar disponível para financiar as prestações quando estas forem devidas.

Pontos principais

  • O Vietname está a ponderar tornar obrigatório o seguro social para trabalhadores de plataformas e outras pessoas fora das relações laborais convencionais que tenham trabalho e rendimentos estáveis e regulares.
  • Segundo dados citados pelas autoridades da cidade de Ho Chi Minh, cerca de 700 dos cerca de 600 000 motoristas de aplicações aderem ao seguro social voluntário.
  • O projeto ainda não define os critérios de elegibilidade dos trabalhadores, as taxas de contribuição, a responsabilidade pelo pagamento nem a data de aplicação.
  • Uma proposta de Tran Thi Dieu Thuy e um plano de ação mais amplo do Governo preveem ambos a repartição dos custos entre os motoristas, as plataformas e o Estado.
  • A comissão parlamentar quer regras mais claras sobre a cobertura e o calendário, ou que a questão seja analisada no âmbito de uma revisão abrangente da lei.
  • Estava previsto que o projeto fosse debatido a 9 de novembro e apreciado para aprovação a 21 de novembro.
  • Alterações relacionadas alargariam o leque de bancos autorizados a receber depósitos do seguro social, exigindo simultaneamente salvaguardas e maior clareza na responsabilização pela gestão do fundo.
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