Um hatchback maior a um preço inicial mais baixo
A BYD lançou a segunda geração do Seagull no Circuito Internacional de Zhengzhou, em Henan, na China, a 20 de outubro de 2026, com preços a partir de 65.900 yuans, cerca de 9.800 dólares. O hatchback passa a ter cinco lugares, cresce 425 milímetros e permite carregar de 10% a 70% em cinco minutos em três das suas cinco versões.
Índice
- Um hatchback maior a um preço inicial mais baixo
- O preço de cada versão
- O que significa carregar em cinco minutos
- O carregamento gratuito depende da versão
- Mais espaço para passageiros e bagagem
- Nova configuração do motor e da suspensão
- Um ecrã central assume a informação de condução
- Assistência com LiDAR requer supervisão do condutor
- Recuperar as vendas é o principal desafio
- Principais pontos
O preço inicial é 4.000 yuans inferior ao preço de lançamento de 69.900 yuans do modelo anterior. Os compradores elegíveis podem beneficiar de um desconto adicional de 3.000 yuans na troca, reduzindo o preço de entrada do novo modelo para 62.900 yuans. O carregamento Flash Charging começa nos 75.900 yuans, antes do desconto, e não pelo preço da versão mais barata.
A BYD está a introduzir estas mudanças enquanto um dos seus modelos elétricos mais vendidos perde terreno. Os dados da empresa indicam que as vendas mundiais do Seagull chegaram às 265.901 unidades nos primeiros nove meses de 2026, uma queda de 33,2% face às 398.200 unidades do ano anterior. Na China, as vendas caíram cerca de 66%, para aproximadamente 83.600 unidades, enquanto o concorrente Geely EX2, conhecido no mercado chinês como Xingyuan, chegou às cerca de 310.000.
A resposta vai além de um ecrã novo ou de um estilo renovado. A BYD colocou o motor na traseira, alterou as rodas motrizes, substituiu a suspensão traseira e aumentou o espaço para passageiros e bagagem. O LiDAR opcional acrescenta funcionalidades mais avançadas de assistência à condução.
Para os compradores, a escolha prática divide-se entre duas versões com bateria mais pequena e carregamento doméstico e três versões mais caras que combinam uma bateria maior com paragens de carregamento muito curtas em postos compatíveis. A tabela de preços torna esta distinção fundamental para compreender o novo automóvel.
O preço de cada versão
A BYD oferece cinco versões: as duas mais baratas usam uma bateria de 30,1 kWh e as três superiores uma bateria de 39,2 kWh. As versões são indicadas abaixo com os nomes ingleses Ease e Flight; noutras traduções, são chamadas Comfort e Flying.
- Vitality: 65.900 yuans, ou 62.900 yuans com a oferta de retoma; autonomia CLTC de 320 km, sem Flash Charging.
- Freedom: 72.900 yuans, ou 69.900 yuans com a oferta; autonomia CLTC de 320 km, sem Flash Charging.
- Ease: 75.900 yuans, ou 72.900 yuans com a oferta; autonomia CLTC de 420 km e Flash Charging.
- Flight: 82.900 yuans, ou 79.900 yuans com a oferta; autonomia CLTC de 420 km e Flash Charging.
- Smart: 99.900 yuans, ou 96.900 yuans com a oferta; autonomia CLTC de 420 km e Flash Charging.
A Ease custa mais 10.000 yuans do que a versão de entrada, mas apenas mais 3.000 yuans do que a Freedom. Por este acréscimo menor, ganha-se mais 100 km de autonomia anunciada e acesso à tecnologia de carregamento mais rápida.
O novo preço inicial é cerca de 5,7% inferior ao preço de lançamento de 69.900 yuans do modelo anterior e 7.900 yuans abaixo dos 73.800 yuans pedidos pelo Seagull original em abril de 2023. Os descontos também fizeram baixar os preços dos modelos anteriores: uma campanha de descontos em maio de 2025 reduziu o preço de entrada anunciado do Seagull anterior para 55.800 yuans. Assim, a redução mais recente compara preços de lançamento, enquanto as ofertas promocionais constituem uma parte distinta do histórico de preços.
O que significa carregar em cinco minutos
A BYD afirma que as três versões com a bateria de 39,2 kWh podem carregar de 10% a 70% em cinco minutos em postos dedicados Flash Charging. A marca anuncia ainda um carregamento de 10% a 97% em nove minutos. A menos 30 graus Celsius, a empresa indica um tempo de 12 minutos para um intervalo diferente, dos 20% aos 97%.
Uma paragem de cinco minutos acrescenta 60 pontos percentuais de carga. Aplicando essa proporção à autonomia anunciada de 420 km, obtêm-se cerca de 252 km nas condições de ensaio CLTC da China. A distância efetivamente percorrida depende da velocidade, do tempo, do aquecimento ou ar condicionado e de outras condições.
A capacidade da bateria também ajuda a perceber a potência envolvida. Acrescentar 60% a uma bateria de 39,2 kWh significa armazenar aproximadamente 23,5 kWh em cinco minutos, o equivalente a uma potência média de cerca de 282 kW, sem contabilizar as perdas de carregamento. A alegação dos nove minutos implica cerca de 227 kW, com o mesmo cálculo simplificado.
Os quilowatts-hora, ou kWh, medem a quantidade de energia armazenada na bateria. Os quilowatts, ou kW, medem a rapidez com que a energia é transferida para a bateria. Uma bateria mais pequena precisa de menos energia do que uma maior para ganhar a mesma percentagem de carga.
Os equipamentos de carregamento compatíveis da BYD podem fornecer até 1.500 kW, mas a potência aceite por um automóvel ligado depende da bateria e do sistema elétrico. A potência máxima de carregamento e a tensão da bateria do Seagull ainda não foram confirmadas. O desempenho em equipamentos de carregamento operados por outras empresas também aguarda confirmação.
O carregamento gratuito depende da versão
A BYD associa as versões de carregamento mais rápido a uma oferta de lançamento: os compradores elegíveis que utilizem os veículos para fins não comerciais recebem 12 meses de carregamento gratuito nos postos Flash Charging da marca, a contar da entrega.
Zhang Zhuo, diretor-geral da divisão de vendas Ocean Network da BYD, apresentou a oferta no lançamento:
«A partir de hoje, todas as compras incluem 12 meses de carregamento rápido gratuito, sem limite de eletricidade»,
Os compradores das versões Vitality e Freedom recebem, em alternativa, um carregador doméstico de 7 kW, com instalação gratuita disponível nos dois anos após a entrega. As baterias mais pequenas permitem um preço de compra inferior, enquanto o carregador doméstico facilita o carregamento regular no local onde o veículo está estacionado.
Zhang afirmou que, até 20 de outubro, a BYD tinha instalado 12.165 postos Flash Charging e que pretendia chegar aos 20.000 até ao final de 2026. Para alcançar esse objetivo, terá de instalar mais 7.835 postos, um aumento de cerca de 64% face à rede indicada.
Para um condutor que planeie uma viagem, a localização da rede é tão importante como a sua dimensão total. A paragem de cinco minutos anunciada depende do acesso a equipamento compatível e de condições de carregamento adequadas. O carregamento doméstico permite uma rotina diferente, com a bateria a carregar ao longo de várias horas, em vez de numa breve paragem à beira da estrada.
Mais espaço para passageiros e bagagem
O novo Seagull mede 4.205 mm de comprimento, 1.810 mm de largura e 1.570 mm de altura. A distância entre eixos, ou seja, entre os eixos dianteiro e traseiro, é de 2.650 mm. Em comparação com o modelo chinês anterior, é 425 mm mais comprido, 95 mm mais largo e 30 mm mais alto, com mais 150 mm entre os eixos.
A carroçaria é cerca de 11% mais comprida do que antes. O número de lugares aumenta de quatro para cinco e a BYD indica uma largura de 1.242 mm ao nível das ancas nos lugares traseiros. O lugar adicional alarga a utilização do automóvel por famílias que, por vezes, precisam de transportar três pessoas atrás.
A bagageira traseira tem 380 litros com os bancos levantados e aumenta para 1.380 litros com os bancos traseiros rebatidos. Um novo compartimento de 94 litros sob o capô acrescenta espaço de arrumação à frente. A BYD refere ainda espaços sob os bancos traseiros, incluindo dois compartimentos ocultos com uma capacidade conjunta de 24 litros.
A carroçaria maior aproxima o Seagull dos outros hatchbacks da BYD em termos de dimensões. Com 4,205 metros, é cerca de 215 mm mais comprido do que o atual Dolphin Surf europeu e apenas cerca de 85 mm mais curto do que o Dolphin europeu. Estas dimensões fazem da nova geração uma proposta mais abrangente do que o anterior automóvel urbano chinês.
Nova configuração do motor e da suspensão
A BYD passou de um motor dianteiro que aciona as rodas da frente para um motor traseiro que aciona as rodas de trás. As duas versões com a bateria mais pequena desenvolvem 85 kW, enquanto as três versões com a bateria maior desenvolvem 95 kW. Ambas as potências superam os 55 kW do modelo anterior.
O motor de 95 kW é cerca de 73% mais potente do que o anterior. A BYD indica um binário de 130 newton-metros e uma velocidade máxima de 150 km/h, face aos 130 km/h do modelo anterior.
A suspensão traseira passa de um eixo de torção para um sistema independente com múltiplos braços. Esta configuração permite que cada roda traseira reaja com maior liberdade às irregularidades da estrada, com o objetivo de melhorar o conforto e o controlo. Apesar da carroçaria mais comprida, o raio de viragem indicado mantém-se nos 4,95 metros.
As opções de bateria oferecem 320 km ou 420 km de autonomia segundo o ciclo CLTC, o ciclo de ensaio de veículos da China. Ainda não foram anunciados valores de homologação europeia WLTP. As conversões publicadas apresentam estimativas diferentes, pelo que os valores chineses continuam a ser os dados relevantes anunciados para este lançamento.
A BYD indica também um consumo mínimo de energia de 9,0 kWh por 100 km e um coeficiente aerodinâmico de 0,28, uma medida da facilidade com que a carroçaria atravessa o ar. A velocidade e as condições de condução influenciam a energia efetivamente consumida.
Um ecrã central assume a informação de condução
O habitáculo substitui o painel de instrumentos separado por um ecrã central de 15,6 polegadas com o sistema DiLink 150 da BYD. O ecrã combina entretenimento e navegação com informação essencial, como a velocidade, a carga da bateria, a mudança selecionada e os indicadores de mudança de direção.
Quando o condutor seleciona a marcha à frente, a informação de condução essencial surge no lado esquerdo de um ecrã dividido. A BYD descreve várias disposições do ecrã e um modo simplificado que é ativado caso o sistema do ecrã tátil sofra um atraso de comunicação, mantendo visível a informação fundamental para a condução.
O posto de condução integra inteligência artificial DeepSeek. Entre o equipamento de conforto disponível contam-se ajustes elétricos em seis posições para o condutor e em quatro para o passageiro da frente, três níveis de aquecimento e ventilação para ambos os bancos dianteiros e vários modos de massagem para o condutor.
O ar condicionado automático é de série em toda a gama. O restante equipamento anunciado inclui carregamento sem fios para telemóveis a 50 W, iluminação ambiente com 127 cores e um sistema de áudio com oito altifalantes. O equipamento varia consoante a versão.
Estão disponíveis seis cores exteriores: Lime Green, Berry Pink, Cream White, Mango Orange, Ice Coconut Blue e Sesame Grey. As opções para o interior são Shell White, Clear Sky Pink e Polar Star Grey. O exterior mantém a linguagem de design Marine Aesthetics da BYD, com novos faróis em forma de tridente.
Assistência com LiDAR requer supervisão do condutor
A assistência à condução God's Eye C é de série em toda a gama. As versões superiores oferecem o God's Eye B, também denominado DiPilot 300, com um sensor LiDAR montado no tejadilho. O LiDAR utiliza impulsos laser para medir a distância aos objetos em redor.
O sistema mais avançado permite assistência à navegação em cidades e autoestradas, reconhecimento de semáforos com contagem decrescente, desvio de obstáculos, circulação em rotundas e estacionamento automatizado. A BYD refere também a possibilidade de estacionar o veículo depois de os ocupantes saírem.
Os condutores têm de supervisionar as funcionalidades de assistência à condução. A BYD oferece compromissos de indemnização por acidentes relacionados com o estacionamento inteligente e, durante um ano, com a assistência à navegação em cidade, sujeitos às condições aplicáveis.
O equipamento de segurança inclui travagem automática de emergência, vigilância durante o estacionamento, até seis airbags e uma estrutura reforçada da carroçaria. A BYD afirma que o seu sistema de estabilização em caso de rebentamento de um pneu é de série, com uma gama de funcionamento indicada entre 60 e 140 km/h. O sistema destina-se a ajudar a manter a estabilidade caso um pneu perca pressão subitamente.
Recuperar as vendas é o principal desafio
Setembro trouxe uma melhoria para o Seagull: as vendas chegaram às 38.650 unidades, mais 11,75% do que um ano antes e 7,05% acima de agosto. Foi o segundo mês consecutivo de crescimento homólogo, embora o total de janeiro a setembro tenha permanecido muito abaixo do registado no ano anterior.
A queda alterou o peso do Seagull na BYD. O modelo representou 16,3% das vendas de automóveis de passageiros elétricos a bateria da empresa nos primeiros nove meses de 2026, abaixo dos 24,8% registados um ano antes. As vendas de automóveis de passageiros elétricos a bateria da BYD aumentaram 1,5%, para 1.629.957 unidades nesse período; excluindo o Seagull, cresceram 12,9%, para 1.364.056.
A concorrência na China é particularmente forte. As cerca de 310.000 vendas do Geely EX2 entre janeiro e setembro foram aproximadamente 3,7 vezes superiores às cerca de 83.600 vendas domésticas do Seagull. O Tesla Model Y surgiu atrás do Geely na classificação geral, com cerca de 277.000 unidades.
A própria BYD enfrentou uma queda de 28,9% nas vendas a retalho no mercado doméstico, para 246.816 unidades em setembro, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros, mantendo, ainda assim, uma quota de 22,8% do mercado de retalho de veículos de novas energias. No início do ano, a queda das vendas e das quotas já tinha exposto a pressão dos descontos, da procura mais fraca e do aumento dos custos.
Desde a estreia, em abril de 2023, o Seagull acumulou cerca de 1,55 milhões de vendas. A evolução mais recente seguiu esta sequência:
- 30 de setembro de 2026: foram divulgados detalhes do habitáculo e do equipamento antes do lançamento comercial.
- 9 de outubro: a BYD abriu as pré-encomendas sem anunciar preços.
- 20 de outubro: as cinco versões foram lançadas no evento de Zhengzhou.
- Final de 2026: a BYD pretende chegar aos 20.000 postos Flash Charging.
O lançamento abrange a China. A BYD ainda não anunciou um calendário confirmado para a comercialização no estrangeiro, as especificações de exportação ou os preços internacionais desta geração. As versões relacionadas do modelo anterior têm nomes como Dolphin Surf, Dolphin Mini e Atto 1 em diferentes mercados.
Principais pontos
- O novo Seagull começa nos 65.900 yuans, ou nos 62.900 yuans para compradores elegíveis que recorram à oferta de retoma.
- O Flash Charging está disponível a partir da versão Ease, por 75.900 yuans, e em três versões.
- A BYD anuncia carregamento de 10% a 70% em cinco minutos e de 10% a 97% em nove minutos em postos compatíveis.
- A carroçaria cresce 425 mm, passa a ter cinco lugares e ganha um compartimento de arrumação dianteiro de 94 litros.
- A nova configuração combina um motor traseiro, tração traseira e suspensão traseira independente.
- As vendas mundiais do Seagull caíram 33,2% nos primeiros nove meses de 2026, apesar do crescimento em agosto e setembro.
- A BYD ainda não confirmou quando esta geração chegará aos mercados internacionais.






