As casas de dezembro põem à prova as promessas de habitação
O presidente Lee Jae-myung visitou apartamentos em fase de conclusão no distrito de Gyeyang, em Incheon, a 20 de outubro de 2026, apelando às autoridades para acelerarem o programa sul-coreano da Terceira Cidade Nova, enquanto os primeiros residentes se preparam para se mudar em dezembro. Pediu que as obras arrancassem até 2030 em cerca de 90% das habitações públicas previstas no programa.
Índice
- As casas de dezembro põem à prova as promessas de habitação
- Porque diz Lee que a falta de oferta se faz sentir agora
- Dos números anunciados às casas ocupadas
- As datas por detrás do impulso à habitação
- Terrenos, financiamento e recursos humanos sob análise
- A construção modular pode ajudar?
- Os residentes querem uma ligação fiável a Seul
- Habitação para arrendamento e trabalhadores da LH entram no debate
- Pontos principais
Do terraço de um prédio de apartamentos, Lee analisou os progressos em Gyeyang e na vizinha Bucheon, perguntando pelos números de habitações previstos e pelas ligações ferroviárias. A visita reuniu altos responsáveis da Presidência, o ministro da tutela do território, o presidente da Korea Land and Housing Corp. (LH), responsáveis locais e um deputado.
A principal exigência de Lee foi encurtar o percurso entre o planeamento de uma habitação e a sua ocupação. Instou as autoridades a reverem os procedimentos de aquisição de terrenos, preparação dos locais, financiamento e construção, enquanto os futuros residentes se concentraram numa preocupação prática: como se deslocariam para trabalhar em Seul.
A visita decorreu depois de, nesse mesmo dia, terem sido debatidas questões de habitação na 45.ª reunião do Conselho de Ministros, na Casa Azul. Lee associou a aceleração da construção à manutenção das políticas de gestão do mercado imobiliário e pediu mais habitação pública para arrendamento de qualidade destinada aos jovens e à classe média.
Para as famílias que vão chegar a Gyeyang, o prazo imediato é dezembro. Para o programa mais amplo, o desafio estende-se até 2030. Lee quer que as entidades acelerem os calendários de construção nas restantes cidades novas e garantam que os transportes, as escolas e o aquecimento estejam prontos quando as famílias chegarem. A visita colocou em conjunto estas duas tarefas: construir mais casas e prepará-las para a vida quotidiana.
Porque diz Lee que a falta de oferta se faz sentir agora
Lee afirmou que as aprovações de novas habitações e o início de obras diminuíram quase para metade entre 2022 e o ano anterior, 2025. Na reunião do Conselho de Ministros, destacou a forte descida das licenças, sobretudo em Seul, bem como os atrasos na disponibilização de novos terrenos para habitação.
Uma licença é uma autorização oficial para construir. O início de uma obra significa que os trabalhos começaram. Nenhum dos dois dá imediatamente a uma família um lugar para viver. Lee afirmou que o período entre a aprovação e a disponibilização das habitações é de cerca de três anos, explicando por que razão uma desaceleração ocorrida vários anos antes pode afetar o número de casas que ficam disponíveis agora.
Na sua análise, o Governo tem de colmatar essa lacuna antecipando a oferta futura. Pediu ao Ministério do Território, das Infraestruturas e dos Transportes e à LH que procurassem outras formas de acelerar os projetos, incluindo alterações às regras que impedem o cumprimento do calendário governamental.
Os números citados por Lee revelam uma forte contração dos projetos de habitação em curso. A meta para 2030 incide numa fase posterior desse processo: iniciar a construção da maioria das habitações públicas previstas no programa da Terceira Cidade Nova.
Dos números anunciados às casas ocupadas
Lee contestou a forma como se avalia a concretização dos projetos habitacionais. Na reunião do Conselho de Ministros, o presidente afirmou que o desempenho do Governo deve ser medido pela construção e pela ocupação das casas, e não pelos anúncios.
O que importa não é simplesmente declarar ou anunciar quantas casas vamos construir, mas começar efetivamente as obras e fazer com que as pessoas se mudem.
Em Gyeyang, foi mais longe e afirmou que a mudança para uma casa deve ser o critério que reflete a experiência das pessoas. Os governos acompanham habitualmente o início das obras porque este mostra que os projetos estão a avançar. Os residentes só sentem os benefícios mais tarde, quando recebem uma casa que podem habitar.
Esta distinção é importante para a meta de 2030. Iniciar a construção de cerca de 90% das habitações públicas do programa deixaria aproximadamente um décimo fora dessa meta, e as casas já em construção ainda teriam de ser concluídas antes de serem ocupadas. Lee pediu também às autoridades que preparassem os transportes, as escolas e as instalações de aquecimento para a chegada dos residentes.
As datas por detrás do impulso à habitação
A abertura de Gyeyang em dezembro é o primeiro teste, a curto prazo, do esforço mais amplo para aumentar a oferta. Lee referiu uma meta estabelecida em agosto ao instar as entidades a terem iniciadas, até 2030, as obras da maioria das habitações públicas do programa.
- 2022 a 2025: Lee afirmou que as aprovações de novas habitações e o início de obras diminuíram quase para metade.
- Agosto de 2026: O Governo anunciou a meta citada por Lee de iniciar, até 2030, a construção de cerca de 90% das habitações públicas da Terceira Cidade Nova.
- 20 de outubro de 2026: Lee debateu a habitação na reunião do Conselho de Ministros e visitou o empreendimento de Gyeyang, em Incheon.
- Dezembro de 2026: Está prevista a mudança dos primeiros residentes para Gyeyang, dando início à ocupação no âmbito do programa da Terceira Cidade Nova.
- Até 2030: Espera-se que as entidades cumpram a meta de início de construção das habitações públicas previstas no programa.
Estas datas mostram por que razão Lee está a pressionar para que as decisões sejam tomadas agora. Um processo que demora anos não consegue substituir rapidamente as casas que faltam na oferta atual. A antecipação das medidas relativas aos terrenos e às aprovações pode adiantar as obras futuras, enquanto os residentes que chegam em dezembro precisam de ver os serviços prontos dentro de poucos meses.
Terrenos, financiamento e recursos humanos sob análise
Durante a apresentação no terraço, Lee foi informado de que a preparação dos terrenos para construção demoraria algum tempo. Sugeriu que a aquisição de terrenos e as consultas decorressem em paralelo com a preparação dos locais, pedindo às autoridades que analisassem quais as tarefas que poderiam avançar simultaneamente.
Ordenou também uma análise da possibilidade de vender terrenos antes de concluídos os trabalhos habituais de preparação. Esta abordagem poderia permitir aos promotores assumir uma parte maior do processo de preparação e começar as obras mais cedo. A vantagem em termos de calendário dependeria da forma como fossem distribuídas as responsabilidades e organizadas as aprovações.
O financiamento foi outro dos temas das suas instruções. Lee pediu às autoridades que ponderassem uma expansão substancial dos incentivos financeiros destinados a acelerar a disponibilização de habitação. Durante a visita, não foi anunciado qualquer pacote de incentivos detalhado nem uma data para a sua aplicação.
As disputas relativas aos terrenos também mereceram atenção. Lee perguntou ao presidente da LH, Lee Seong-hun, se os processos judiciais cíveis associados à expropriação de terrenos estavam a prolongar os calendários dos projetos e se as lacunas legislativas contribuíam para os atrasos. Pediu que fossem analisadas possíveis soluções.
A expropriação permite obter terrenos para um projeto público através de um processo legal, mediante compensação. Os desacordos sobre esse processo podem chegar aos tribunais. O pedido de Lee inclui as regras que regem estas disputas na análise mais ampla da concretização dos projetos habitacionais.
Os recursos humanos constituíam uma preocupação administrativa mais imediata. Depois de receber uma apresentação sobre a oferta de habitação do ministro do Território, Hong Ji-seon, Lee perguntou por que motivo ainda não tinham sido concluídas as conversações com os ministérios competentes sobre o reforço do pessoal da LH. Calendários mais ambiciosos aumentariam as exigências sobre a entidade responsável pela sua execução.
A construção modular pode ajudar?
Numa reunião com futuros residentes e especialistas do setor imobiliário, Lee pediu uma análise abrangente da habitação modular. Este método consiste em fabricar partes substanciais de um edifício numa fábrica e transportá-las depois para o estaleiro, onde são montadas.
A produção em fábrica pode permitir que alguns trabalhos de construção avancem enquanto o terreno está a ser preparado. Por isso, a construção modular é pertinente para o interesse de Lee em realizar tarefas em paralelo e reduzir o tempo entre a decisão de avançar com um projeto e a conclusão de uma casa.
Lee pediu que o método fosse avaliado. As autoridades terão ainda de determinar em que projetos do programa habitacional se poderá enquadrar e como serão organizadas a produção, o transporte e a montagem. A visita não resultou num compromisso relativo a qualquer projeto modular específico.
Os pedidos abrangeram várias fases da concretização dos projetos: preparar terrenos, resolver disputas, financiar o desenvolvimento, dotar a entidade responsável dos recursos humanos necessários e escolher métodos de construção. Em conjunto, mostram que o esforço governamental de aceleração vai além do ritmo das obras nos próprios edifícios de apartamentos.
Os residentes querem uma ligação fiável a Seul
Os futuros residentes de Gyeyang pediram melhores transportes regionais, incluindo autocarros expresso para quem se desloca diariamente para Seul. Os seus pedidos ligaram a meta nacional de habitação às viagens quotidianas que as famílias farão depois de se mudarem.
Durante a visita, Lee perguntou pelas ligações ferroviárias. O presidente da Câmara de Incheon, Park Chan-dae, afirmou que a cidade trabalharia para disponibilizar soluções de transporte em resposta às preocupações dos residentes.
A disponibilidade de transportes tem um efeito imediato na adequação de uma nova casa às necessidades de uma família ativa. Mesmo um apartamento concluído pode deixar os residentes perante deslocações difíceis se as ligações de que precisam não estiverem a funcionar quando chegarem.
A instrução de Lee para preparar as escolas, o aquecimento e os transportes em simultâneo com a habitação responde a esse problema. A chegada de dezembro dá às entidades responsáveis um prazo comum para disponibilizarem os serviços de que as famílias precisarão desde os primeiros dias no distrito.
Gyeyang tem também um significado pessoal para Lee, por ter sido o seu círculo eleitoral nas eleições parlamentares. Durante a visita, recordou que também se deslocava diariamente a partir da zona. Os pedidos dos residentes colocaram as condições das deslocações diárias a par dos progressos da construção como critérios para avaliar o empreendimento.
Habitação para arrendamento e trabalhadores da LH entram no debate
Na reunião do Conselho de Ministros, Lee pediu que fosse acelerada a disponibilização de habitação pública de qualidade para arrendamento destinada aos jovens e à classe média, com um uso ativo dos recursos financeiros do Governo. A habitação pública para arrendamento permite que as famílias elegíveis acedam a casas disponibilizadas por entidades públicas, em vez de terem de comprar um imóvel.
O presidente enquadrou este trabalho na resposta mais ampla para aumentar a oferta. Pediu que fossem disponibilizadas rapidamente habitações em grande escala, em paralelo com políticas consistentes para o mercado imobiliário, tendo em conta o tempo necessário para a construção produzir casas.
Lee pediu também às autoridades que reconsiderassem termos como habitação pública para arrendamento e habitação para arrendamento permanente. O seu pedido deu início a um debate sobre a linguagem usada para designar estes programas, sem propor nomes alternativos nem alterações aos critérios de elegibilidade.
Na LH, Lee abordou as alterações organizacionais propostas para separar o desenvolvimento da gestão de ativos. O desenvolvimento abrange a criação de novas habitações e terrenos; a gestão de ativos diz respeito à administração dos imóveis que a organização já detém. Disse ao presidente da LH que os trabalhadores não deveriam ser prejudicados pelas alterações.
A visita terminou no mercado tradicional de Gyeyangsan, onde Lee se encontrou com comerciantes e debateu as dificuldades enfrentadas pelas pequenas empresas. A paragem alargou o foco do dia, dos futuros residentes e da disponibilização de habitação pública para a economia local já existente.
Pontos principais
- Lee visitou Gyeyang, em Incheon, a 20 de outubro; os primeiros residentes do programa têm mudança prevista para dezembro de 2026.
- Instou a que as obras começassem, até 2030, em cerca de 90% das habitações públicas da Terceira Cidade Nova.
- Lee afirmou que as aprovações de habitação e o início de obras diminuíram quase para metade entre 2022 e 2025.
- As autoridades foram chamadas a rever os procedimentos relativos aos terrenos, os incentivos financeiros, os recursos humanos da LH e a construção modular.
- Os futuros residentes pediram melhores transportes para Seul, incluindo autocarros expresso.
- Lee afirmou que a concretização dos projetos habitacionais deve ser avaliada pela mudança dos residentes, com os serviços essenciais prontos à sua chegada.






