Decisão de 27 de outubro pode determinar desfecho de onerosa disputa eleitoral
A Procuradoria especial da Coreia do Sul pediu ao Tribunal Superior de Seul que confirme a condenação do antigo Presidente Yoon Suk Yeol por declarações falsas durante a campanha presidencial, deixando o Partido do Poder Popular perante a possibilidade de ter de devolver 39,7 mil milhões de won em despesas eleitorais reembolsadas. A decisão sobre o recurso está prevista para 27 de outubro, após as alegações finais de 13 de outubro.
Índice
- Decisão de 27 de outubro pode determinar desfecho de onerosa disputa eleitoral
- Duas aparições de campanha no centro do caso
- Quem apresentou o advogado?
- A disputa sobre Geon Jin e Kim Keon-hee
- Porque é importante a diferença de 0,74 pontos percentuais
- Como a pena pode obrigar o partido a devolver o dinheiro
- Das declarações de campanha às alegações finais
- O que falta decidir ao tribunal de recurso
- Principais pontos
A equipa liderada pelo procurador especial Min Joong-ki pediu que o recurso de Yoon fosse rejeitado e que se mantivesse a pena aplicada em julho: um ano e seis meses de prisão, com pena suspensa por três anos. O tribunal de primeira instância considerou-o culpado por declarações sobre a apresentação de um advogado ao antigo diretor de uma repartição de finanças e sobre a sua relação com um xamã conhecido como Geon Jin.
O caso foi apreciado pela 2.ª Secção Criminal do Tribunal Superior de Seul, composta pelos juízes Baek Seung-yeop, Hwang Seung-tae e Kim Young-hyun. Baek presidiu ao coletivo. Os procuradores alegaram que as declarações diziam respeito a questões importantes para os eleitores e ajudaram Yoon a manter-se como um dos principais candidatos numa eleição renhida.
Yoon nega que as suas declarações constituíssem falsidades criminosas. A defesa sustenta que a acusação e o tribunal de primeira instância interpretaram mal as perguntas a que respondia e trataram negativas limitadas como afirmações mais abrangentes. O recurso diz, por isso, respeito tanto ao que aconteceu antes da campanha como ao significado efetivo das suas respostas públicas.
Duas aparições de campanha no centro do caso
A primeira acusação diz respeito a um debate realizado a 14 de dezembro de 2021, organizado pelo Clube Kwanhun. Yoon afirmou, em substância, que não tinha apresentado um advogado a Yoon Woo-jin, antigo diretor da Repartição de Finanças do distrito de Yongsan. Nas notícias sobre o recurso, o advogado foi identificado como Lee Nam-seok, antigo membro do Supremo Ministério Público.
Yoon Woo-jin é o irmão mais velho de Yoon Dae-jin, antigo procurador sénior descrito como próximo do antigo Presidente durante a sua carreira no Ministério Público. Segundo a Procuradoria especial, Yoon Suk Yeol fez a apresentação e negou-a depois durante a campanha, por recear que prejudicasse o seu apoio.
A segunda acusação diz respeito a declarações feitas a jornalistas durante o lançamento do Fórum de Líderes Budistas, a 17 de janeiro de 2022. Yoon descreveu ter sido apresentado a Jeon Seong-bae, conhecido como Geon Jin, por um responsável partidário, e negou ter-se encontrado com ele juntamente com a mulher, Kim Keon-hee.
Os procuradores alegam que este relato ocultou uma relação muito mais longa e que foi Kim, e não um responsável partidário, quem apresentou os dois homens. O tribunal de primeira instância considerou que ambas as declarações constituíam a divulgação de factos falsos ao abrigo da Lei das Eleições para Cargos Públicos.
Quem apresentou o advogado?
Quanto à alegação relativa ao advogado, a Procuradoria especial citou uma entrevista anterior aos meios de comunicação social, mensagens de texto enviadas pelo advogado e registos telefónicos do antigo diretor de finanças. Os procuradores argumentaram que estes elementos comprovavam o envolvimento de Yoon e que a sua negativa foi uma explicação elaborada depois de a apresentação se ter tornado uma questão durante a sua audição de confirmação para procurador-geral.
A defesa apresentou uma versão diferente: foi Yoon Dae-jin, e não Yoon Suk Yeol, quem pôs Lee Nam-seok em contacto com Yoon Woo-jin. Yoon Dae-jin testemunhou que tinha feito a apresentação, prestando ao coletivo de recurso um depoimento que contestou diretamente a versão da acusação.
Os advogados de Yoon argumentaram também que, mesmo que tivesse posto os dois homens em contacto, a sua resposta durante a campanha negava ter organizado formalmente representação jurídica, e não qualquer contacto entre eles. Esta distinção é central para o argumento de que as declarações não devem ser tratadas como uma falsa declaração criminosa.
Na sua declaração final, o antigo Presidente Yoon negou ter organizado a assistência do advogado:
Nunca apresentei formalmente Lee Nam-seok a Yoon Woo-jin nem lhe pedi que se encontrasse com ele e o ajudasse.
O tribunal terá de avaliar as versões contraditórias juntamente com a entrevista, as mensagens e os registos de chamadas citados pelos procuradores. A existência de uma apresentação, quem a fez e o alcance da posterior negativa de Yoon continuam em disputa no recurso.
A disputa sobre Geon Jin e Kim Keon-hee
A Procuradoria especial alegou que Yoon manteve uma relação com Jeon durante cerca de 10 anos e que foi Kim quem os apresentou. Os procuradores afirmaram que as provas demonstravam uma ligação próxima, em contradição com a explicação dada durante a campanha, segundo a qual a apresentação fora feita por um responsável partidário.
Argumentaram também que a relação era relevante para os eleitores, uma vez que a polémica em torno de Kim e do xamanismo continuava durante a campanha. A acusação sustenta que Yoon ocultou uma ligação pessoal relevante e alterou depois a sua versão durante o julgamento.
A defesa contesta o alcance desta interpretação. Os advogados afirmaram que as declarações de janeiro de 2022 pretendiam rejeitar as suspeitas de que Yoon recorria a um xamã ou usava Jeon como conselheiro informal, e não negar todos os encontros anteriores.
Na sua declaração final ao tribunal, Yoon argumentou que a conversa dizia respeito a uma situação específica, e não à totalidade da sua relação com Jeon:
Interpretar a conversa, que se referia a um momento e local específicos, como se significasse que eu e a minha mulher nunca nos encontrámos com Jeon distorce a língua coreana.
Esta parte do recurso depende tanto do alcance da resposta como da história da relação. Os procuradores consideram-na um relato falso sobre a forma como Yoon conheceu Jeon e sobre se o casal se encontrou com ele. A defesa afirma que essa leitura ignora o contexto das perguntas dos jornalistas.
Porque é importante a diferença de 0,74 pontos percentuais
Os procuradores enquadraram as declarações contestadas no resultado apertado das eleições presidenciais de 2022. Yoon venceu Lee Jae Myung, então candidato do Partido Democrático, por 0,74 pontos percentuais, uma margem que a Procuradoria especial descreveu como a mais reduzida da história das eleições presidenciais da Coreia do Sul.
A equipa afirmou que, em várias ocasiões durante a campanha, os candidatos estavam empatados nas intenções de voto. Argumentou que as suspeitas diminuíram após as declarações de Yoon e que este manteve a sua posição de candidato destacado.
Na sua alegação final, a equipa da Procuradoria especial de Min relacionou estas circunstâncias com a afirmação de que as declarações influenciaram a votação:
Tendo em conta a evolução dos índices de aprovação e a reduzida diferença de votos, deve considerar-se que as declarações falsas de Yoon influenciaram as eleições.
Esta continua a ser uma alegação da acusação, não uma conclusão do tribunal de recurso. A diferença de 0,74 pontos percentuais demonstra quão renhida foi a disputa, mas não permite, por si só, medir quantos eleitores reagiram a cada uma das declarações. Os relatos da audiência não apresentam dados de sondagens que permitam isolar o seu efeito.
A defesa centra a sua resposta noutra questão: se as respostas de Yoon eram falsas quando lidas no contexto. O coletivo de recurso terá de decidir se a condenação deve manter-se, em vez de simplesmente aceitar a interpretação da acusação sobre o resultado apertado das eleições.
Como a pena pode obrigar o partido a devolver o dinheiro
A consequência financeira decorre da Lei das Eleições para Cargos Públicos. Segundo as disposições descritas nos relatos da audiência, uma condenação definitiva por um crime eleitoral punível com uma multa de, pelo menos, um milhão de won invalida a eleição do candidato. Uma pena de prisão ultrapassa esse limiar, mesmo quando a sua execução fica suspensa.
Uma pena suspensa significa que a prisão não tem de ser cumprida de imediato, dependendo das condições associadas à suspensão. Não apaga a condenação nem elimina as consequências eleitorais que se aplicariam caso a decisão transitasse em julgado.
A lei atribui também ao partido que apresentou o candidato a responsabilidade pela devolução do dinheiro quando a eleição de um candidato presidencial é invalidada. O Partido do Poder Popular teria, por isso, de devolver cerca de 39,7 mil milhões de won à Comissão Nacional Eleitoral se a condenação e a pena correspondente se tornassem definitivas.
As regras de reembolso descritas nas notícias preveem o reembolso integral das despesas de campanha elegíveis a um candidato presidencial que vença ou obtenha pelo menos 15% dos votos. O montante em causa corresponde ao reembolso de despesas de campanha, não a uma multa criminal de 39,7 mil milhões de won aplicada a Yoon.
As notícias convertem esse montante em cerca de 27 ou 28 milhões de dólares. O valor em won é consistente; as estimativas em dólares diferem. Uma decisão desfavorável no recurso não demonstraria, por si só, que todas as restantes vias de recurso tinham sido esgotadas, pelo que a devolução deve continuar a ser apresentada como uma possibilidade condicionada.
Das declarações de campanha às alegações finais
O processo abrange aparições de campanha em 2021 e 2022, uma condenação em julho e as alegações de recurso em outubro. As principais datas são:
- 14 de dezembro de 2021: declarações de Yoon no Clube Kwanhun sobre a apresentação de um advogado a Yoon Woo-jin.
- 17 de janeiro de 2022: declarações sobre Jeon Seong-bae no lançamento do Fórum de Líderes Budistas.
- Julho: o tribunal de primeira instância condenou Yoon a 18 meses de prisão, com pena suspensa por três anos.
- 13 de outubro de 2026: o recurso chegou à fase das alegações finais no Tribunal Superior de Seul.
- 27 de outubro: está prevista a decisão sobre o recurso.
As notícias divergem quanto ao calendário inicial das alegações finais. Uma indica que a data inicialmente prevista era 22 de setembro e afirma que a conclusão foi adiada após um pedido da defesa para alterar a data, seguido de um requerimento da acusação para apresentar provas adicionais. Outra refere 29 de setembro e diz que o depoimento de Yoon Dae-jin se prolongou, levando o tribunal a conceder mais tempo para análise e preparação.
Estes relatos não estabelecem uma sequência completa e única dos adiamentos. Concordam, contudo, que as alegações finais tiveram lugar a 13 de outubro e que a disputa sobre a apresentação do advogado fez parte das provas consideradas antes do encerramento do processo.
O que falta decidir ao tribunal de recurso
A Procuradoria especial pediu uma pena de dois anos de prisão no primeiro julgamento. Na audiência de recurso, pediu, em vez disso, aos juízes que mantivessem a pena aplicada pelo tribunal de primeira instância, argumentando que esta se enquadrava no exercício razoável do poder de fixação da pena. A defesa pediu a absolvição.
É esperado que a decisão de 27 de outubro determine se as conclusões e a pena do tribunal de primeira instância resistem a esta fase do processo. O coletivo ainda não anunciou a sua decisão sobre os depoimentos contraditórios, o significado das respostas dadas durante a campanha ou os argumentos contextuais da defesa.
A distinção imediata é entre o pedido de um procurador e uma decisão judicial. A equipa de Min pediu um desfecho que poderia invalidar a vitória eleitoral de Yoon e obrigar o seu partido a devolver o dinheiro. Nenhuma destas consequências deve ser apresentada como certa enquanto estiverem pendentes a decisão sobre o recurso e quaisquer processos posteriores.
Principais pontos
- A Procuradoria especial pediu ao Tribunal Superior de Seul que rejeite o recurso de Yoon Suk Yeol e confirme a sua condenação por infração à lei eleitoral.
- O tribunal de primeira instância aplicou-lhe um ano e seis meses de prisão, com pena suspensa por três anos.
- O caso diz respeito a declarações de campanha sobre a apresentação de um advogado e a relação de Yoon com Jeon Seong-bae.
- A defesa contesta tanto a versão dos factos como a interpretação das respostas de Yoon feita pela acusação.
- Uma condenação definitiva que reúna os requisitos legais invalidaria a sua eleição e obrigaria o Partido do Poder Popular a devolver cerca de 39,7 mil milhões de won.
- A decisão sobre o recurso está prevista para 27 de outubro.






