Sanções sobre licenças alargadas a sete províncias
O Ministério das Florestas da Indonésia sancionou 32 empresas por incêndios florestais e terrestres que afetaram 12.926,74 hectares, enquanto prossegue processos-crime contra 125 pessoas e empresas. As medidas, anunciadas a 19 de outubro de 2026, incluem a suspensão de licenças, a ordem de recuperação dos ecossistemas e a revogação de cinco licenças.
Índice
- Sanções sobre licenças alargadas a sete províncias
- O que as sanções exigem das empresas
- Investigadores seguem a cadeia de propriedade
- Estimativa nacional de área ardida aproxima-se dos dois milhões de hectares
- Incêndios de menor dimensão persistem enquanto ardem habitats importantes
- Operações com gelo seco visam o fumo retido junto ao solo
- Ar mais limpo e abastecimento de combustível tornam-se exigências urgentes
- Países vizinhos oferecem ajuda e procuram responsabilização
- Próximas datas das operações e da ação judicial
- Pontos principais
O comunicado de 19 de outubro do ministério eleva de 26 para 32 o número de empresas sujeitas a sanções administrativas. São mais seis empresas, um aumento de cerca de 23%. As empresas operam em sete províncias de Sumatra e Kalimantan, estando metade das sancionadas concentrada em Kalimantan Ocidental e Central.
Os investigadores estão também a averiguar quem beneficia, em última instância, das empresas que operam em concessões ardidas. Uma concessão é um terreno que uma empresa está autorizada a utilizar, ficando sujeita a responsabilidades que incluem proteger a floresta e prevenir incêndios.
A operação de fiscalização decorre no contexto de uma emergência muito mais vasta. Uma organização de monitorização por satélite estima que quase 1,92 milhões de hectares arderam em todo o país entre janeiro e setembro. As comunidades enfrentam ar poluído, transportes perturbados e, em algumas zonas, falta de combustível, o que dificulta a obtenção de rendimentos.
O Governo do Presidente Prabowo Subianto está a combinar operações terrestres, aeronaves e modificação do tempo com medidas judiciais. O Institute for Essential Services Reform (IESR), um grupo de reflexão sobre energia, defende medidas de emergência que também garantam ar mais limpo, cuidados de saúde e abastecimento fiável de combustível.
O desafio imediato é proteger as pessoas enquanto os incêndios continuam. A tarefa a longo prazo é garantir que as empresas cumprem as ordens de recuperação e determinar quem pode ser responsabilizado legalmente pelos danos.
O que as sanções exigem das empresas
As licenças de 19 empresas foram suspensas e estas têm de recuperar os ecossistemas florestais em 9.546,42 hectares de terrenos ardidos. A outras oito entidades foi ordenada a recuperação de mais 2.211,19 hectares. Cinco perderam as respetivas licenças.
No conjunto, os dois grupos sujeitos a ordens de recuperação abrangem 11.757,61 hectares, cerca de 91% da área ardida identificada no anúncio das sanções. Recuperar significa reparar o ecossistema danificado, e não apenas apagar o incêndio. O ministério afirma estar a monitorizar o cumprimento dessas obrigações pelos titulares das licenças.
As sanções administrativas dizem respeito às autorizações e obrigações associadas à atividade das empresas. Os processos-crime seguem um procedimento distinto, destinado a determinar a responsabilidade por alegadas infrações. O ministério está também a ponderar pedidos de indemnização pelos danos florestais nos casos em que as investigações estabeleçam fundamento jurídico.
Kalimantan Ocidental tem nove empresas sancionadas e Kalimantan Central tem sete. No total, as 16 empresas representam metade do número global. O ministério identifica as empresas pelas seguintes designações abreviadas:
- Kalimantan Ocidental, nove: PT MRU, PT WE, PT HKI, PT MPM, PT MPK, PT DAS, PT WSP, PT FI e PT WLJ.
- Kalimantan Central, sete: PT PW, PT GPP, PT BHP, PT BWL, PT NES, PT DI e PT TI.
- Sumatra do Sul, cinco: PT BMH, PT BPP, PT SAN, PT RHM e PT BA.
- Kalimantan do Sul, cinco: PT IIP, PT HRB, PT DI, PT PM e PT KT.
- Kalimantan Oriental, três: PT IITG, PT PSR e PT DPP.
- Jambi, duas: PT REI e PT ALN.
- Kalimantan do Norte, uma: PT RKR.
O comunicado do ministério enumera as empresas por província e apresenta os totais para cada tipo de sanção, sem atribuir uma sanção específica a cada empresa identificada.
Investigadores seguem a cadeia de propriedade
O Ministério das Florestas colocou 44 das 125 pessoas e empresas sob averiguação preliminar e 79 sob investigação formal. No âmbito das investigações formais, 12 pessoas e uma empresa foram constituídas arguidas. Dois sujeitos coletivos chegaram à fase a que o ministério chama P-22, ou seja, à entrega dos arguidos e das provas aos procuradores.
Dwi Januanto Nugroho, diretor-geral da fiscalização da legislação florestal, afirmou que os investigadores procuravam apurar responsabilidades paralelamente ao combate aos incêndios e que tinham detetado suspeitas de violações das licenças.
"O combate aos incêndios florestais tem de chegar aos verdadeiros responsáveis. Paralelamente às operações de combate em curso, já foram encontradas provas de possíveis violações das licenças", afirmou.
Os investigadores estão a reunir provas para identificar os beneficiários efetivos. São as pessoas que, em última instância, detêm, controlam ou beneficiam de uma empresa, mesmo quando os seus nomes estão ocultos por várias empresas numa cadeia de propriedade. Seguir essa cadeia pode alargar a investigação para além da empresa que gere uma determinada concessão.
A polícia está a conduzir as suas próprias averiguações. O chefe da Polícia Nacional, Suyudi Ario Seto, afirmou que os agentes estavam a analisar 98 casos que envolviam alegadas ligações a empresas, incluindo relações de investimento com países vizinhos. Falou após uma reunião sobre a resposta aos incêndios florestais com Prabowo e altos responsáveis governamentais e militares.
Suyudi não identificou as empresas nem os países, nem indicou quantos casos envolviam investimento estrangeiro. Os investigadores ainda estavam a recolher provas para determinar que pessoas ou empresas poderiam ser acusadas criminalmente.
Uma atualização policial de 14 de outubro identificou 223 suspeitos individuais relacionados com 273 participações que abrangiam mais de 5.150 hectares. A polícia identificou também nove empresas como suspeitas em processos envolvendo mais de 25.600 hectares. As autoridades afirmaram ter selado 57 entidades empresariais por infrações relacionadas com incêndios. Estes números da polícia dizem respeito a um conjunto de casos distinto dos 125 sujeitos jurídicos do Ministério das Florestas; as entidades não divulgaram um total combinado que contabilize eventuais sobreposições.
Estimativa nacional de área ardida aproxima-se dos dois milhões de hectares
A Nusantara Atlas, que analisa observações por satélite, estima que arderam 1.916.588 hectares entre janeiro e o final de setembro de 2026. A estimativa é 38% superior à área registada pela organização no mesmo período de 2019, outro ano de incêndios graves.
Os 12.926,74 hectares referidos no anúncio de sanções do ministério correspondem às áreas afetadas das empresas abrangidas por essa ação de fiscalização. O valor da Nusantara Atlas mede a área ardida em todo o país ao longo de nove meses, dando aos leitores uma perspetiva mais ampla da emergência.
David Gaveau, fundador da Nusantara Atlas, afirmou que a área efetivamente ardida poderá ser maior, uma vez que a neblina espessa por vezes ocultou as imagens de satélite. O fumo pode, por isso, dificultar tanto o combate aos incêndios como a medição da área afetada.
Ristianto Pribadi, porta-voz do Ministério das Florestas, afirmou que o Governo ainda estava a calcular o total nacional e que a estimativa da organização de monitorização "não pode ser facilmente confirmada". O valor anteriormente anunciado pelo Governo, de 202.000 hectares, abrangia o período até julho, menos dois meses do que a estimativa por satélite.
A seca associada a um El Niño forte agravou as condições desde junho. El Niño é um aquecimento recorrente das águas do Pacífico tropical que pode alterar os padrões de precipitação e trazer tempo mais seco à Indonésia. A vegetação seca arde com maior facilidade, enquanto a queima prolongada produz fumo que os ventos podem transportar para além das fronteiras.
Prabowo ordenou o que o Governo descreveu como uma "mobilização massiva" de recursos a 19 de outubro. Dudung Abdurachman, ministro coordenador dos Assuntos Políticos e de Segurança, afirmou que a Indonésia tinha mobilizado 47 aeronaves e 60.000 operacionais.
Incêndios de menor dimensão persistem enquanto ardem habitats importantes
A Agência Nacional de Gestão de Catástrofes da Indonésia (BNPB) informou que ocorreram novos incêndios em Sulawesi e nas ilhas Bangka Belitung nos dias anteriores a 19 de outubro. Em Sulawesi Central, arderam cerca de dois hectares de plantações de cacau e cravinho em Parigi Moutong a 18 de outubro, e outros dois hectares de vegetação e mato em Tojo Una-Una. Não houve registo de vítimas em nenhum dos incidentes.
No distrito de Sidenreng Rappang, em Sulawesi do Sul, ardeu cerca de um hectare. O estado de emergência prolongado do distrito devido à seca e aos incêndios florestais e terrestres mantém-se até 1 de novembro. Em Belitung Oriental, os incêndios afetaram cerca de 2,22 hectares nas aldeias de Padang e Selingsing. As autoridades afirmaram que os incêndios tinham sido extintos e não havia registo de vítimas.
O Parque Nacional de Tanjung Puting, em Kalimantan Central, enfrenta uma ameaça maior. As autoridades afirmaram que mais de 500 hectares tinham sido afetados, colocando em risco o habitat da vida selvagem numa importante área de conservação e reabilitação de orangotangos. A resposta incluiu 117 funcionários do parque e 10 trabalhadores dos parques nacionais de Karimunjawa e do Monte Halimun Salak.
Raja Juli Antoni, ministro das Florestas, descreveu uma estratégia destinada a travar o avanço da frente de incêndio, recorrendo a maquinaria pesada e a cerca de 30 furos de captação de água subterrânea previstos, espaçados aproximadamente 50 metros entre si. Estes furos permitem aceder à água subterrânea e fornecem às equipas um abastecimento mais próximo das chamas.
Os bombeiros enfrentam também condições mortíferas. Um voluntário que ficou ferido quando uma equipa foi cercada pelas chamas no Parque Nacional Bromo Tengger Semeru, em Java Oriental, morreu no hospital, segundo responsáveis do parque. Foi o quinto membro desse grupo a morrer.
Operações com gelo seco visam o fumo retido junto ao solo
Sumatra do Sul está a testar a modificação do tempo para ajudar a dispersar a neblina, enquanto as equipas combatem os próprios incêndios. Thomas Nifinluri, diretor do controlo de incêndios florestais do Ministério das Florestas, descreveu operações com gelo seco para influenciar as condições que retêm o fumo junto à superfície.
Uma inversão térmica ocorre quando uma camada de ar mais quente fica sobre outra de ar mais frio junto ao solo. Esta configuração limita a circulação ascendente do ar, permitindo a acumulação de fumo por baixo. O gelo seco é dióxido de carbono sólido, e a operação visa enfraquecer essa camada que retém o fumo e melhorar a circulação do ar.
O Ministério das Florestas descreveu uma operação prevista para decorrer de 16 a 25 de outubro, começando com um voo que dispersaria 800 quilogramas de gelo seco perto de Palembang. O relato da BNPB sobre o teste inicial com gelo seco datou o início a 15 de outubro e registou dois voos nesse dia, cada um transportando 800 quilogramas.
A BNPB informou também que a visibilidade no aeroporto melhorou de cerca de 650 metros para 2.800 metros durante o teste inicial. O Ministério das Florestas referiu que a visibilidade melhorou no segundo dia da operação que descreveu, e que a monitorização continuava.
Thomas afirmou que as equipas ajustam os voos às condições atmosféricas. Quando as condições favorecem a formação de nuvens, as operações podem incluir cloreto de sódio, ou sal comum, para estimular a precipitação. As equipas terrestres, as aeronaves, o serviço meteorológico BMKG, as forças armadas e os governos locais estão também a trabalhar para controlar as origens dos incêndios.
Ar mais limpo e abastecimento de combustível tornam-se exigências urgentes
O IESR afirma que as comunidades enfrentam uma dupla pressão: o fumo ameaça a saúde, enquanto a falta de combustível perturba o trabalho de motoristas, pescadores, agricultores e pequenas empresas. As crianças, as grávidas, os idosos e as pessoas com problemas respiratórios são particularmente vulneráveis à poluição do ar.
O Ministério da Saúde registou mais de 280.000 pessoas com problemas respiratórios entre 18 de agosto e 13 de outubro, segundo a atualização de 14 de outubro referida na cobertura sobre famílias à procura de ar seguro. Para as famílias que vivem perto dos incêndios, ter acesso a um local com ar mais limpo pode ser tão urgente como dispor de alimentos ou transporte.
O IESR instou o Governo a declarar o estado de resposta de emergência nas zonas afetadas, mobilizar meios terrestres e aéreos de combate aos incêndios, distribuir máscaras N95, disponibilizar espaços com ar limpo e serviços de saúde gratuitos e divulgar regularmente as medições da qualidade do ar.
A organização apelou também ao Governo e à empresa estatal de energia Pertamina para aumentarem as quotas de combustíveis subsidiados e de combustíveis vendidos a preços fixados. Pretende que sejam divulgados os níveis das reservas e as causas da escassez, que a distribuição seja prioritária nas zonas mais afetadas e que se atue contra a acumulação e o desvio de combustível.
Fabby Tumiwa, diretor executivo do IESR, defendeu planos de resposta claros, prazos e a identificação dos responsáveis pela sua execução. A organização pediu também apoio de emergência para trabalhadores vulneráveis e pequenas empresas, além de medidas a longo prazo, incluindo a eletrificação dos transportes, as energias renováveis e a prevenção de incêndios na sua origem.
Países vizinhos oferecem ajuda e procuram responsabilização
A Malásia prestará apoio com três aeronaves e 52 operacionais, afirmou Dudung a 19 de outubro. Singapura também prestará assistência, embora não tenham sido divulgados pormenores operacionais. O anúncio surge na sequência da oferta de aeronaves da Malásia, a 18 de outubro, quando os responsáveis ainda avaliavam qual seria a mobilização mais segura e útil.
A proposta inicial da Malásia previa uma aeronave de combate a incêndios, três helicópteros e 52 agentes e operacionais. O anúncio posterior de Dudung especificou três aeronaves e 52 operacionais. A fraca visibilidade continua a ser um constrangimento operacional: o fumo já obrigou a imobilizar algumas aeronaves em Kalimantan e dificultou o acesso aos incêndios.
A Agência Nacional do Ambiente de Singapura emitiu avisos a três empresas a 19 de outubro, depois de ter enviado notificações a sete empresas indonésias na sexta-feira anterior. As notificações instruíam as empresas a mobilizar equipas de combate a incêndios, parar de queimar ou iniciar novos incêndios e apresentar planos de ação.
K. Shanmugam, ministro sénior de Singapura, avisou as empresas de que as autoridades iriam apurar responsabilidades pela neblina de fumo.
"Algumas empresas poderão negar a sua responsabilidade. Poderão pensar que conseguem escapar ao escrutínio. Mas não devem subestimar a determinação do Governo de Singapura em agir", disse Shanmugam aos jornalistas.
O Ministério das Florestas aponta para dois enquadramentos legais que sustentam a resposta regional. A Indonésia assinou o Acordo da ASEAN sobre Poluição por Neblina Transfronteiriça em 2002 e ratificou-o através da Lei n.º 26 de 2014. O acordo compromete os governos participantes a cooperar na prevenção e resposta à neblina de fumo.
A Lei de Singapura sobre Poluição por Neblina Transfronteiriça de 2014 permite agir contra pessoas ou empresas cujas atividades fora de Singapura causem poluição por neblina no país. Esta competência para agir sobre condutas além das fronteiras nacionais é designada por jurisdição extraterritorial.
Próximas datas das operações e da ação judicial
A resposta da Indonésia decorre agora em várias frentes simultâneas: recuperar terrenos de empresas, investigar crimes suspeitos, garantir o abastecimento das operações de combate aos incêndios e proteger as pessoas do fumo. As principais datas mostram como esses esforços evoluíram:
- 14 de outubro: A polícia anunciou 223 suspeitos individuais e nove suspeitos empresariais; o total de empresas sujeitas a sanções administrativas do Ministério das Florestas era de 26.
- 15 de outubro: A BNPB indica esta data como o início do teste com gelo seco em Palembang.
- 16 a 25 de outubro: Período previsto pelo Ministério das Florestas para as operações com gelo seco em Sumatra do Sul.
- 19 de outubro: O Ministério das Florestas anunciou sanções contra 32 empresas e processos-crime envolvendo 125 pessoas e empresas.
- 21 de outubro: Próxima audiência prevista num processo em Pontianak que contesta a resposta do Governo aos incêndios florestais.
- 1 de novembro: Fim do estado de emergência prolongado devido à seca e aos incêndios em Sidenreng Rappang.
O processo em Pontianak foi instaurado por representantes indígenas e grupos da sociedade civil, que exigem medidas de prevenção mais fortes, cuidados de saúde e a declaração de uma catástrofe nacional. O processo judicial sobre a resposta aos incêndios florestais acrescenta uma contestação da responsabilidade do Governo às investigações sobre empresas e pessoas.
O Ministério das Florestas afirma que continuará a combater os incêndios, a monitorizar as ordens de recuperação e a reunir provas para os processos-crime. Para as comunidades afetadas, as medidas mais imediatas são práticas: acesso a ar mais seguro, cuidados médicos, estradas e aeroportos operacionais e combustível suficiente para trabalhar enquanto prossegue a resposta.
Pontos principais
- O Ministério das Florestas sancionou 32 empresas devido a incêndios que afetaram 12.926,74 hectares em sete províncias.
- Dezanove empresas estão sujeitas à suspensão das licenças e a ordens de recuperação, oito têm ordens de recuperação e cinco perderam as licenças.
- O ministério está a agir contra 125 pessoas e empresas, incluindo através de investigações sobre os beneficiários efetivos.
- A Nusantara Atlas estima que arderam 1.916.588 hectares em todo o país até setembro; o Governo ainda está a calcular o total.
- A Indonésia afirma ter mobilizado 47 aeronaves e 60.000 operacionais, contando ainda com a assistência da Malásia e de Singapura.
- O IESR pede proteção sanitária de emergência, distribuição transparente de combustível e apoio aos trabalhadores vulneráveis.






