A taxa de suicídio entre adolescentes atinge um recorde na Coreia do Sul, enquanto a taxa nacional diminui

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South Korea's Teen Suicide Rate Reaches Record as National Rate Falls

Uma década de aumento das mortes entre adolescentes

A taxa de suicídio na Coreia do Sul entre pessoas dos 10 aos 19 anos atingiu 8,6 mortes por cada 100 000 habitantes em 2025, mais do dobro das 4,2 registadas em 2015, apesar da descida da taxa nacional. Os adolescentes foram o único grupo etário cuja taxa aumentou, subindo 7,5% dos 8,0 em 2024 para o valor mais elevado desde o início das estatísticas, em 1983.

Índice
  1. Uma década de aumento das mortes entre adolescentes
  2. Como evoluiu o aumento
  3. Aumento das mortes entre alunos
  4. Problemas familiares, doença e pressão escolar sobrepõem-se
  5. Os sinais de alerta surgiam muitas vezes antes das mortes
  6. Conversas com inteligência artificial criam uma nova necessidade de investigação
  7. Mais equipas e apoio psicológico nas escolas
  8. Um plano nacional mais amplo estabelece uma meta para 2030
  9. O que revelam os dados mais abrangentes
  10. A prevenção do suicídio entre os jovens vai além do ensino secundário
  11. Principais pontos

O relatório de 2025 sobre as causas de morte do Governo registou 14 144 mortes por suicídio em todas as idades, menos 728 do que as 14 872 de 2024. A taxa nacional desceu 4,7%, para 27,8 mortes por cada 100 000 habitantes, interrompendo dois anos consecutivos de aumentos.

Nas escolas, a evolução foi diferente. Dados do Ministério da Educação obtidos pelo deputado Kim Moon-soo, do Partido Democrático da Coreia, registaram 244 mortes entre alunos do ensino básico, do ensino secundário inferior e do ensino secundário superior em 2025, face a 221 em 2024 e 148 em 2020. Isto representa um aumento de 64,9% em cinco anos.

A resposta do Governo combina agora uma meta de prevenção do suicídio entre adolescentes até 2035 com um plano nacional mais amplo, válido até 2030. Estão previstos mais equipas de emergência, apoio psicológico e tratamento médico. No entanto, a investigação sobre os alunos que morreram aponta para um problema que também exige mais do que recursos: os sinais de sofrimento eram muitas vezes visíveis antes de lhes chegar ajuda.

Para as famílias e as escolas, a questão central é saber se um jovem que exprime desespero consegue chegar a um adulto de confiança e receber acompanhamento continuado. Os números relacionam essa necessidade quotidiana com a pressão crescente sobre a educação, os serviços de saúde e as políticas do Governo.

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Como evoluiu o aumento

A taxa entre adolescentes subiu de 4,2 mortes por cada 100 000 habitantes em 2015 para 6,5 em 2020, aumentando depois todos os anos até 2025. Uma taxa mede as mortes em relação à dimensão da população, permitindo comparações mesmo quando o número de adolescentes varia.

A evolução recente mostra como esse risco aumentou de forma constante:

  • 2020: A taxa de suicídio entre adolescentes chegou a 6,5 mortes por cada 100 000 habitantes.
  • 2021: Subiu para 7,1.
  • 2022: Aumentou para 7,2.
  • 2023: Chegou a 7,9.
  • 2024: Subiu para 8,0.
  • 2025: Chegou a 8,6, um recorde na série estatística iniciada em 1983.

O aumento entre 2015 e 2025 foi de cerca de 105%. Regressar aos 4,2 até 2035, a meta anunciada pelo Governo, significaria, por isso, voltar ao nível de duas décadas antes. Partindo do valor mais recente, de 8,6, seria necessária uma redução de cerca de 51% para alcançar essa meta.

As medidas do Governo também referem 396 mortes por suicídio entre adolescentes em 2025, face a 273 em 2016. Este total abrange os adolescentes enquanto grupo etário; as 244 mortes contabilizadas pelo Ministério da Educação dizem respeito a alunos inscritos no ensino básico, no ensino secundário inferior e no ensino secundário superior. As escolas são uma via importante para obter ajuda, mas os serviços exteriores ao sistema educativo também têm de chegar aos jovens.

Aumento das mortes entre alunos

Os alunos do ensino secundário superior representaram 146 das 244 mortes entre alunos em 2025, quase 60%. Os alunos do ensino secundário inferior representaram 92, enquanto seis crianças frequentavam o ensino básico. A distribuição coloca grande parte da necessidade imediata de apoio no ensino secundário, mas mostra também que as crianças mais novas precisam de cuidados.

Seul registou 51 mortes entre alunos, contra 40 em 2024. O total em Busan subiu de sete para 22, mais do triplo. A província de Gyeongsang do Sul registou 25, face a 20 no ano anterior.

A província de Gyeonggi, que tem a maior população estudantil do país, registou 51 mortes, menos do que as 63 de 2024 e o valor mais baixo desde 2021. Seul e Gyeonggi somaram 102 mortes, cerca de 42% do total nacional entre alunos. Para comparar o risco entre regiões, é também necessário ter em conta o número de alunos que vivem em cada uma.

Kim Moon-soo, o deputado que obteve os dados do ministério, apelou a uma ação de todo o sistema educativo:

O Ministério da Educação, as direções metropolitanas e provinciais de educação, as direções distritais de educação e as escolas têm todos de trabalhar para impedir que as crianças ponham termo à própria vida.

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Problemas familiares, doença e pressão escolar sobrepõem-se

Os registos do Ministério da Educação identificaram problemas familiares como fatores contribuintes em 77 mortes de alunos, problemas de saúde mental em 58, preocupações académicas e profissionais em 54 e dificuldades nas relações em 38. Podia ser registado mais do que um fator por morte. Os principais fatores contribuintes eram desconhecidos em 79 casos.

Um adolescente pode estar a lidar com uma depressão e, ao mesmo tempo, viver conflitos em casa, bullying, dificuldades financeiras ou ansiedade perante os exames e o futuro profissional. O apoio pode, por isso, exigir várias respostas em simultâneo, como tratamento clínico, ajuda nas relações familiares e mudanças na escola.

Park Hyun-jung, responsável pela divisão de tendências demográficas do Governo, afirmou que as análises dos dados de 2024 identificaram a saúde mental e os problemas familiares como fatores importantes. As razões por detrás do aumento em 2025 ainda precisam de ser analisadas mais aprofundadamente, acrescentou. O organismo de estatística contabiliza as mortes e identifica as respetivas causas médicas; analisar as circunstâncias em torno do suicídio exige investigação adicional.

O Instituto Nacional de Políticas para a Juventude descreveu como as redes sociais podem aumentar a pressão numa idade em que a pertença e a aceitação são muito importantes. As medidas visíveis de popularidade, as comparações relacionadas com a aparência, as notas e a riqueza, bem como a exclusão ou o ridículo em conversas de grupo, podem prolongar as dificuldades sociais para além do dia escolar.

Kwon Se-won, responsável pela investigação de políticas na Fundação da Coreia para a Prevenção do Suicídio, defendeu que as escolas reservem tempo para que todos os alunos cuidem da sua saúde mental, a par do aproveitamento académico. A sua proposta integra o apoio emocional na vida escolar quotidiana, em vez de o limitar aos alunos que já recebem acompanhamento em situações de crise.

Os sinais de alerta surgiam muitas vezes antes das mortes

Hong Hyun-ju, professora de psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Hallym, liderou um estudo que analisou 36 alunos do ensino básico, do ensino secundário inferior e do ensino secundário superior que morreram por suicídio entre 2015 e 2021. Os investigadores concluíram que 29 alunos, ou 81%, tinham apresentado sinais de alerta verbais, comportamentais ou emocionais.

Foram identificados sinais verbais em 69,4% dos casos. Entre eles estavam expressões de vontade de morrer ou de se sentirem inúteis. Os investigadores identificaram também alterações comportamentais e mudanças de humor perceptíveis. Trinta e cinco dos 36 alunos tinham recebido um diagnóstico de uma perturbação de saúde mental, mas apenas três tomavam medicação regularmente.

O estudo identificou o estigma e as perceções negativas sobre a doença mental como obstáculos à procura ou à continuidade do tratamento. Hong descreveu como alguns alunos tinham pedido ajuda a adultos:

Alguns procuraram ajuda junto de professores ou dos pais, mas as suas preocupações foram desvalorizadas ou não receberam a ajuda de que precisavam. Depois de passarem por isso, acabaram por tentar resolver os problemas sozinhos.

Hong defendeu a realização de autópsias psicológicas, que reconstituem as circunstâncias anteriores a uma morte para compreender os fatores de risco e as oportunidades de intervenção. Também apelou a que se ensine os jovens a reconhecer e expressar emoções e a lidar com os problemas. As suas conclusões chamam a atenção para o que acontece depois de surgir um sinal de alerta: se um adulto responde, se há cuidados disponíveis e se o aluno mantém o contacto com o apoio.

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Conversas com inteligência artificial criam uma nova necessidade de investigação

Um inquérito do Ministério da Saúde e da Segurança Social concluiu que 69,2% dos 201 adolescentes dos 15 aos 18 anos que tinham usado recentemente inteligência artificial generativa o fizeram com fins emocionais. Entre eles estavam a conversa quotidiana, a ligação emocional e o aconselhamento em saúde mental.

Entre os adolescentes inquiridos, 51,7% disseram sentir-se algo ou muito dependentes da inteligência artificial, em comparação com outras pessoas. Entre utilizadores de todas as idades, a proporção foi de 40,0%. Os resultados relativos aos adolescentes dizem respeito ao grupo inquirido de utilizadores recentes de inteligência artificial.

A Fundação da Coreia para a Prevenção do Suicídio informou o deputado Seo Young Seok, do Partido Democrático, de que não tinha realizado estudos sobre os riscos de suicídio e de automutilação associados ao uso de inteligência artificial generativa por adolescentes. Seo apelou a que se investigue por que razão os adolescentes partilham as suas preocupações com a inteligência artificial, que relações estabelecem com ela e como esta responde em situações de crise.

Um estudo de 2025 da Universidade de Boston avaliou 10 chatbots apresentados como fornecedores de apoio à saúde mental ou de ligação emocional a adolescentes. Perante 60 sugestões prejudiciais ou inadequadas em cenários fictícios com adolescentes, os chatbots responderam de forma solidária a 19, cerca de 32%. Os investigadores defenderam avaliações de segurança e medidas de proteção.

O Governo está também a desenvolver ferramentas de inteligência artificial para monitorizar informações nocivas na Internet, resumir registos de aconselhamento e identificar mais cedo pessoas em risco. A Fundação afirmou que as limitações na confirmação da idade dificultam a avaliação de resultados especificamente para adolescentes. A investigação sobre os jovens e informações fiáveis sobre a idade são, por isso, necessidades práticas para avaliar esses projetos.

Mais equipas e apoio psicológico nas escolas

A estratégia de prevenção do suicídio entre adolescentes anunciada em junho pretende reduzir a taxa para 4,2 mortes por cada 100 000 habitantes até 2035, partindo dos 8,0 registados em 2024. O Ministério da Educação prevê aumentar de 56, em 2025, para 100, em 2030, as equipas de emergência em saúde mental que se deslocam às escolas, um aumento de quase 79%.

O financiamento dos vales de apoio à saúde mental dos alunos aumentou de 8 mil milhões de wons para 10 mil milhões, uma subida de 25%. O programa passou a incluir aconselhamento, além de tratamento médico, alargando os tipos de apoio disponíveis para os alunos.

As equipas de emergência intervêm quando uma escola precisa de apoio profissional urgente. Os vales facilitam o acesso a cuidados individuais. O apelo de Kwon a programas de saúde mental para todos os alunos acrescenta uma terceira tarefa: chegar às crianças antes de o sofrimento se transformar numa emergência.

Os planos estabelecem também prazos diferentes. A expansão da rede de equipas de emergência nas escolas deverá estar concluída até 2030, enquanto a meta relativa à taxa de suicídio entre adolescentes se estende até 2035. Será importante manter o tratamento e o aconselhamento entre esses marcos, sobretudo para os alunos cujas dificuldades persistem para além de uma consulta ou de uma crise.

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Um plano nacional mais amplo estabelece uma meta para 2030

O sexto Plano Básico para a Prevenção do Suicídio da Coreia do Sul, finalizado a 12 de outubro, estabelece como meta nacional não ultrapassar 18,9 mortes por cada 100 000 habitantes até 2030, face às 29,1 registadas em 2024. A redução pretendida é de cerca de 35%.

Está prevista a criação de cinco unidades-piloto de proteção temporária em 2027. Estas prestariam até 24 horas de estabilização, aconselhamento e encaminhamento a pessoas que tentem suicidar-se, mas não sejam hospitalizadas. Está também previsto que um Serviço Nacional de Resposta ao Suicídio comece a funcionar em 2027, acompanhando a resposta desde a chamada de emergência até ao tratamento e aos cuidados continuados.

A proposta de orçamento aumentaria a média de trabalhadores nos centros de prevenção do suicídio de cinco, em 2026, para cerca de 7,1, em 2027. Prevê-se que o número de camas para tratamento intensivo de doença mental aguda aumente de 391, em 2025, para 2000 até 2030.

O plano associa a prevenção do suicídio à assistência financeira e social. A linha de aconselhamento sobre dívidas 1375 deveria começar a funcionar em outubro, cabendo aos profissionais da linha de prevenção do suicídio 109 encaminhar para o Serviço de Aconselhamento e Recuperação de Crédito as pessoas que liguem com problemas de dívidas. As autoridades tencionam também alargar as categorias usadas para registar motivos contribuintes, passando de sete grupos gerais para 27 categorias mais detalhadas.

O Presidente Lee Jae-myung voltou a abordar a questão dos jovens numa reunião do Conselho de Ministros a 13 de outubro de 2026. Disse que os suicídios a nível nacional tinham diminuído mais de 10% no primeiro semestre de 2026, enquanto os suicídios entre os jovens tinham aumentado ligeiramente. Apelou a uma comunicação mais forte e a uma maior ligação emocional nas escolas, afirmando:

Temos de encontrar medidas novas e eficazes para responder ao stress académico, à competição excessiva e ao bullying.

O que revelam os dados mais abrangentes

A série de dados sobre a taxa de suicídio da KOSIS situa o pico nacional nas 31,7 mortes por cada 100 000 habitantes, em 2011. A taxa diminuiu nos anos seguintes e depois oscilou, antes de subir em 2023 e 2024 e descer em 2025.

Os dados nacionais mostram também uma diferença entre adolescentes e adultos por sexo. Em todas as idades, a taxa masculina foi de 39,7 por cada 100 000 habitantes em 2025, contra 16,0 entre as mulheres. Entre as pessoas dos 10 aos 19 anos, a taxa feminina foi mais elevada; a partir dos 20 anos, a masculina foi superior.

Os adultos mais velhos continuaram a apresentar as taxas de suicídio mais elevadas. Entre as pessoas com 80 ou mais anos, a taxa foi de 52,6, abaixo dos 53,3 registados em 2024. Entre as pessoas na casa dos 60 anos, desceu de 31,9 para 29,0; entre as que tinham 70 anos, baixou de 35,6 para 32,9.

Para as comparações internacionais, o Governo calculou uma taxa padronizada por idade de 24,9, face à média de 10,9 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, cerca de 2,3 vezes superior. A padronização por idade ajusta as diferenças na estrutura etária das populações nacionais. A taxa da Coreia do Sul foi a mais elevada entre os membros da OCDE.

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A prevenção do suicídio entre os jovens vai além do ensino secundário

As estatísticas de mortalidade juvenil do Centro de Evidência para as Políticas de Juventude abrangem pessoas dos 9 aos 24 anos, uma população mais ampla do que a considerada nos dados sobre adolescentes. Em 2023, foram registadas 931 mortes por suicídio, uma taxa de 11,7 por cada 100 000 habitantes que igualou o máximo anterior, registado em 2021.

O suicídio foi a principal causa de morte nessa população mais ampla de jovens todos os anos entre 2011 e 2023. Em 2023, representou 931 das 1867 mortes, quase metade. Os acidentes causaram 257 mortes e o cancro, 193.

O relatório nacional de 2025 também identificou o suicídio como a principal causa de morte entre os adolescentes e as pessoas na casa dos 20, 30 e 40 anos. Entre as pessoas na casa dos 40, ultrapassou o cancro em 2024 e manteve-se em primeiro lugar em 2025. A prevenção abrange, por isso, as transições para lá da escola, incluindo o ensino superior, o emprego e os serviços de saúde para adultos.

As pessoas na Coreia do Sul que tenham pensamentos suicidas ou estejam preocupadas com outra pessoa podem ligar para a linha de prevenção do suicídio 109, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Quem precisar de assistência em inglês pode pedir um intérprete.

Principais pontos

  • A taxa de suicídio entre as pessoas dos 10 aos 19 anos atingiu um recorde de 8,6 por cada 100 000 habitantes em 2025, mais do dobro do valor de 2015.
  • O número nacional de mortes por suicídio desceu para 14 144, enquanto as mortes entre alunos aumentaram para 244.
  • Os registos relativos aos alunos apontaram para dificuldades familiares, problemas de saúde mental, preocupações académicas e problemas nas relações, por vezes em simultâneo.
  • Um estudo de 36 alunos que morreram identificou sinais de alerta em 29 casos.
  • O Governo prevê 100 equipas de emergência em saúde mental nas escolas até 2030 e uma taxa de suicídio entre adolescentes de 4,2 até 2035.
  • O plano nacional mais amplo estabelece uma meta de não ultrapassar 18,9 até 2030 e prevê novos serviços de proteção para 2027.
  • A linha de prevenção do suicídio da Coreia do Sul, 109, funciona 24 horas por dia.
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