Danantara pondera comprar ações de empresas estatais após o índice bolsista da Indonésia cair abaixo dos 5.000 pontos

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Danantara Weighs State Company Share Purchases as Indonesia's Stock Index Falls Below 5,000

A queda do mercado indonésio coloca um investidor estatal em destaque

A Danantara, da Indonésia, está a ponderar aumentar as suas participações em empresas estatais cotadas depois de o Jakarta Composite Index ter fechado abaixo dos 5.000 pontos em 19 de outubro de 2026, quando os investidores reagiram à proposta da MSCI para alterar a classificação do mercado do país. O índice de referência caiu 188,49 pontos, ou 3,64%, para 4.996,60, com as ações em queda a superarem as que subiram em mais de seis para uma.

Índice
  1. A queda do mercado indonésio coloca um investidor estatal em destaque
  2. O que a Danantara pretende comprar
  3. Um dia de negociação dominado pelas vendas
  4. Porque é importante a proposta da MSCI
  5. Como se desenrolaram os anúncios
  6. Rosan vê valor na banca e nas infraestruturas
  7. O compromisso mais amplo de cinco mil milhões de dólares de Pandu
  8. Coordenação económica chega ao palácio
  9. Prossegue a reforma da propriedade da bolsa
  10. O mandato da Danantara vai além das ações cotadas
  11. Pontos-chave

Dony Oskaria, diretor de operações da Danantara e responsável pela agência indonésia de gestão das empresas estatais, BP BUMN, afirmou que o fundo analisaria a solidez financeira das empresas antes de comprar. Falando no complexo do Palácio Presidencial, em Jacarta, descreveu a evolução do mercado como uma volatilidade normal dos mercados financeiros e afirmou que os fundamentos económicos da Indonésia continuavam sólidos.

As declarações colocam as decisões de investimento da Danantara no âmbito de um esforço mais vasto para restaurar a confiança nas ações indonésias. Nesse dia, o presidente Prabowo Subianto convocou altos responsáveis financeiros para o palácio, enquanto a consulta da MSCI sobre a passagem da Indonésia da categoria de Mercado Emergente para a de Mercado Autónomo continuava a pesar sobre as negociações.

Dois valores de investimento enquadram o debate: mais mil milhões de dólares, cerca de 18 biliões de rupias, que estão a ser preparados para os mercados de capitais indonésios até ao final de 2026, e um plano mais amplo de cinco mil milhões de dólares para empresas indonésias ao longo de seis a nove meses. O compromisso de maior dimensão foi anunciado antes da proposta da MSCI, de 15 de outubro.

Para os acionistas, a questão imediata é saber quanto irá a Danantara comprar e que empresas escolherá. Para a Indonésia, o desafio passa também por reformas do mercado que poderão influenciar a continuidade dos investimentos de fundos internacionais nas suas ações.

O que a Danantara pretende comprar

Dony afirmou que a Danantara daria prioridade a empresas estatais cotadas, conhecidas na Indonésia como BUMN, com bom desempenho e fundamentos sólidos. Em termos simples, isso significa avaliar a atividade por detrás de uma ação: os lucros, as finanças e a capacidade de continuar a operar com sucesso, em vez de escolher um título apenas porque o seu preço caiu.

A Danantara avaliaria as ações que considerasse adequadas e aumentaria a sua participação quando identificasse valor, afirmou. A compra de mais ações daria ao fundo uma participação maior nas empresas selecionadas. As suas declarações apresentaram a queda do mercado como uma oportunidade para investir em empresas que considera financeiramente sólidas.

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Dony não identificou empresas-alvo, datas de compra nem o montante que seria efetivamente investido. Também não especificou a relação entre a dotação adicional de mil milhões de dólares para os mercados de capitais e o plano mais amplo de cinco mil milhões de dólares para investimento interno. Os investidores ficam, assim, com uma indicação das intenções da Danantara, mas a dimensão e o calendário das transações individuais continuam em aberto.

Um dia de negociação dominado pelas vendas

O Jakarta Composite Index, habitualmente designado IHSG, abriu nos 4.961,88 pontos em 19 de outubro. Os dados de negociação da Bolsa de Valores da Indonésia situaram a variação diária entre 4.907,37 e 5.012,87 pontos. Uma cotação inicial de 4.916,60 representava uma queda de cerca de 5,18%, antes de o índice recuperar algum terreno e fechar nos 4.996,60 pontos.

O valor de fecho ficou cerca de 89 pontos acima do mínimo do dia, mas as vendas continuaram generalizadas. Um total de 656 ações caiu, 100 subiram e 43 ficaram inalteradas. Entre esses 799 títulos, cerca de 82% terminaram em baixa, revelando a amplitude da queda no mercado.

O valor negociado atingiu cerca de 24,97 biliões de rupias, com 33,81 mil milhões de ações a mudarem de mãos em aproximadamente 1,61 milhões de transações. Todos os índices setoriais caíram. Os materiais básicos registaram a maior perda setorial, de 4,57%, seguidos pelas infraestruturas, com 4,45%, e pelo consumo cíclico, com 4,09%. O consumo cíclico inclui empresas cujas vendas tendem a acompanhar a maior ou menor disponibilidade das famílias para gastar.

Outros índices de referência importantes também caíram. O LQ45 perdeu 3,95%, para 488,46 pontos, o KOMPAS100 recuou 4,10%, para 630,96, e o Jakarta Islamic Index caiu 4,51%, para 287,84. Todos registaram uma queda percentual superior à do principal índice composto.

Porque é importante a proposta da MSCI

A MSCI propôs, em 15 de outubro, retirar a Indonésia da categoria de Mercado Emergente e classificá-la como Mercado Autónomo. A consulta permite ao fornecedor do índice recolher opiniões antes de decidir como classificar um mercado. A Indonésia tem até abril de 2027 para realizar reformas.

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As classificações dos mercados são importantes porque muitos fundos de investimento usam os índices da MSCI para decidir em que países e empresas investir. Os fundos de mercados emergentes procuram exposição a economias incluídas nessa categoria. A retirada das ações indonésias dos índices relevantes alteraria o lugar que ocupam nas carteiras dos investidores e poderia levar os fundos a reduzir as suas posições.

A classificação de Mercado Autónomo coloca um mercado fora das categorias de mercados emergentes e de fronteira da MSCI. A preocupação prática está na ligação entre a classificação e a procura de ações: as empresas podem continuar a operar enquanto os fundos de investimento alteram as suas alocações devido a mudanças nas regras que regem as respetivas carteiras.

Após as notícias sobre a MSCI, o índice composto caiu 11,6% e, segundo o balanço mais amplo do mercado que acompanhou os planos de investimento da Danantara, acumulava uma descida superior a 40% no ano. A Indonésia manteve a classificação de Mercado Emergente Secundário na revisão anual da FTSE Russell, mostrando que os fornecedores de índices fazem avaliações próprias, em vez de adotarem uma classificação comum.

Como se desenrolaram os anúncios

Os planos públicos de investimento da Danantara foram sendo apresentados ao longo de várias datas. A sequência é importante porque o seu compromisso interno mais amplo antecedeu o anúncio da MSCI, ao passo que os seus responsáveis reiteraram a disponibilidade para comprar ações depois de as vendas no mercado se intensificarem.

  • 6 de outubro de 2026: a Danantara anunciou um investimento de 250 milhões de dólares na HighPeak Energy, uma produtora de petróleo e gás com sede no Texas.
  • 12 de outubro: o diretor de investimentos, Pandu Sjahrir, apresentou um plano para investir cinco mil milhões de dólares em empresas indonésias nos seis a nove meses seguintes, durante a conferência DBS Asia Future Forward, em Singapura.
  • 15 de outubro: a MSCI propôs alterar a classificação da Indonésia de Mercado Emergente para Mercado Autónomo.
  • 16 de outubro: o diretor executivo da Danantara, Rosan Perkasa Roeslani, afirmou que a queda dos preços das ações oferecia oportunidades de investimento a longo prazo.
  • 19 de outubro: Dony referiu a possibilidade de aumentar as participações em empresas estatais cotadas, altos responsáveis reuniram-se no palácio presidencial e o IHSG fechou nos 4.996,60 pontos.
  • Abril de 2027: termina o prazo para as reformas associado à proposta da MSCI para alterar a classificação.

O calendário coloca lado a lado duas tarefas distintas: a seleção de investimentos pela Danantara e o trabalho das autoridades na reforma do mercado. As compras afetariam a titularidade e a procura de ações específicas, enquanto as reformas incidiriam sobre o enquadramento do mercado em que negoceiam os investidores nacionais e estrangeiros.

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Rosan vê valor na banca e nas infraestruturas

Rosan, diretor executivo da Danantara, afirmou em 16 de outubro que as avaliações mais baixas tinham criado oportunidades em empresas indonésias, em particular nas estatais. Descreveu a abordagem do fundo como um investimento a longo prazo, em vez de entrar e sair de posições para lucrar com breves oscilações dos preços.

A banca, as infraestruturas e as telecomunicações foram alguns dos setores que identificou. Rosan afirmou que algumas ações bancárias estavam a ser negociadas abaixo do valor contabilístico, uma medida baseada nos ativos registados de uma empresa depois de deduzidos os seus passivos. Um preço abaixo do valor contabilístico significa que os investidores estão a avaliar as ações por um montante inferior a essa medida contabilística.

O argumento de Rosan era que empresas financeiramente sólidas poderiam ser compradas a preços mais atrativos durante a vaga de vendas. Atribuiu também a pressão sobre as ações, em parte, a fatores de negociação e a rumores de mercado, além das preocupações dos investidores com o contexto mais amplo do mercado.

A sessão de 19 de outubro mostrou como as ações individuais podiam evoluir de forma muito diferente, mesmo perante vendas generalizadas. Entre os títulos do LQ45, a Vale Indonesia subiu 4,93%, a Adaro Andalan Indonesia valorizou 2,78% e a Perusahaan Gas Negara avançou 2,52%. A Merdeka Copper Gold caiu 7%, enquanto a Amman Mineral Internasional e a Merdeka Battery Minerals perderam ambas 6,95%.

O compromisso mais amplo de cinco mil milhões de dólares de Pandu

Pandu Sjahrir, diretor de investimentos da Danantara, apresentou a abordagem do fundo ao investimento interno na conferência de Singapura, em 12 de outubro. As suas declarações centraram-se na saúde das empresas indonésias e na disponibilidade da Danantara para comprar empresas que considere atrativas.

«Estamos a incentivar a nossa equipa a concentrar-se nos fundamentos das empresas indonésias, porque estão a crescer de forma saudável», afirmou Pandu.

O plano de cinco mil milhões de dólares abrange empresas indonésias ao longo de seis a nove meses. O seu âmbito é mais amplo do que a dotação adicional de mil milhões de dólares que está a ser preparada para investimento nos mercados de capitais até dezembro de 2026. Os valores correspondem a compromissos com âmbitos e períodos distintos.

Pandu reconheceu também que o sentimento dos investidores poderia afetar os preços das ações. As ações de empresas indonésias de bens de consumo tinham caído mais de 20%, afirmou, enquanto os títulos ligados à mineração e à energia tinham tido um desempenho ainda pior. A sua avaliação ajuda a explicar a abordagem da Danantara: o fundo está a analisar a atividade das empresas enquanto o mercado reavalia rapidamente o valor das suas ações.

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Coordenação económica chega ao palácio

Rosan e Dony estiveram no complexo do Palácio Presidencial em 19 de outubro para uma reunião presidida por Prabowo. Dony descreveu o tema como coordenação no setor económico. Rosan adiou as perguntas sobre a queda do índice bolsista para depois da reunião.

Friderica Widyasari Dewi, presidente do conselho de comissários da Autoridade dos Serviços Financeiros, chegou por volta das 15h55, hora da Indonésia Ocidental. Disse ter preparado relatórios e indicou, antes da reunião, que não sabia se o debate abordaria os efeitos do anúncio da MSCI.

O encontro reuniu os responsáveis pelo investimento da Danantara e o regulador financeiro no mesmo local durante uma forte queda do mercado. Antes da reunião, as declarações centraram-se na coordenação, nas oportunidades de investimento e na preparação, e não num pacote detalhado de medidas para o mercado.

Prossegue a reforma da propriedade da bolsa

Dony afirmou também que o plano de desmutualização da Bolsa de Valores da Indonésia estava a avançar bem, no âmbito da transformação dos mercados de capitais do país. Rosan tinha manifestado apoio às iniciativas de reforma da Autoridade dos Serviços Financeiros, conhecida como OJK, e da bolsa.

A desmutualização consiste em alterar a estrutura de propriedade da bolsa. Atualmente, a bolsa indonésia pertence a sociedades de valores mobiliários; a mudança planeada permitiria alargar a base de proprietários. A questão diz respeito a quem detém a organização que gere o mercado, enquanto os investimentos propostos pela Danantara dizem respeito às ações negociadas nesse mercado.

Ambas as questões são importantes para os investidores que acompanham a resposta da Indonésia à consulta da MSCI. Uma diz respeito às regras e à estrutura do mercado. A outra prende-se com a disponibilidade de um grande investidor nacional para aplicar capital durante a queda dos preços.

O mandato da Danantara vai além das ações cotadas

Lançada por Prabowo em 2025, a Danantara tem responsabilidades que vão além da compra de ações. A sua unidade de gestão de ativos supervisiona e transforma em sociedades mais de 1.000 empresas estatais, enquanto a unidade de gestão de investimentos procura rendimentos através de obrigações, mercados públicos e ações nacionais e estrangeiras.

O seu fundo de desenvolvimento canaliza capital para projetos nacionais com benefícios sociais substanciais e rendimentos comerciais imediatos mais baixos, incluindo o projeto da Grande Muralha Marítima ao longo da costa norte de Java e um programa de gaseificação do carvão. Pandu descreveu os critérios de investimento em termos de benefícios económicos, além dos rendimentos financeiros diretos.

«A ideia é criar valor económico, e não necessariamente valor comercial em primeiro lugar; essa é uma distinção importante», afirmou Pandu.

Uma quarta unidade, a Danantara Resources Indonesia, deverá entrar plenamente em funcionamento em janeiro de 2027, como plataforma digital para centralizar as exportações de recursos naturais, começando pelo carvão, o óleo de palma e as ferroligas. A função de exportação proposta também suscitou preocupações quanto ao alargamento do controlo estatal. Em maio, Dedi Dinarto, diretor associado da consultora FGS Global, alertou que a introdução de mais uma camada de controlo estatal, numa altura em que a rupia e as ações estavam em baixa, poderia abalar a confiança.

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O investimento de 250 milhões de dólares da Danantara na HighPeak Energy mostra outra vertente do seu mandato. Pandu descreveu a operação como uma forma de aprender sobre a tecnologia de extração de gás de xisto e trazer esse conhecimento para a Indonésia. O fundo também recrutou os antigos executivos da GIC Daniel Lim e Weihan Wong para a área global de mercados privados e conta com cerca de 500 trabalhadores.

Estas responsabilidades inserem as compras propostas de ações indonésias numa instituição muito mais ampla. A Danantara gere ativos estatais, procura rendimentos de investimento, financia projetos de desenvolvimento e promove a transferência de conhecimentos em simultâneo. As próximas compras mostrarão como a preferência declarada por empresas financeiramente sólidas se traduz em decisões de investimento concretas durante a queda do mercado.

Pontos-chave

  • O IHSG fechou nos 4.996,60 pontos em 19 de outubro, com uma queda de 188,49 pontos, ou 3,64%; 656 ações caíram e 100 subiram.
  • A Danantara está a ponderar aumentar as participações em empresas estatais cotadas, selecionadas pela sua solidez financeira e desempenho.
  • Está a ser preparada uma dotação adicional de mil milhões de dólares para os mercados de capitais indonésios até ao final de 2026, em paralelo com um plano mais amplo de cinco mil milhões de dólares para investir em empresas nacionais.
  • Em 15 de outubro, a MSCI propôs retirar a Indonésia da categoria de Mercado Emergente e classificá-la como Mercado Autónomo; as reformas deverão estar concluídas até abril de 2027.
  • Os responsáveis da Danantara identificaram a banca, as infraestruturas e as telecomunicações como áreas de interesse e manifestaram apoio à reforma do mercado de capitais.
  • As empresas-alvo, os montantes das compras e as datas das transações ainda não foram anunciados.
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