Mais tempo para entregar a declaração, com 6,71 milhões já submetidas
O Conselho Federal de Receitas do Paquistão (FBR) prolongou até 31 de outubro o prazo para entregar a declaração de imposto sobre o rendimento relativa ao ano fiscal de 2026, dando mais tempo aos contribuintes cujo prazo original, de 30 de setembro, já tinha sido prorrogado para 15 de outubro. A decisão surge na sequência de queixas sobre a divulgação tardia dos formulários, a lentidão do processamento em linha e as dificuldades em submeter informações através do portal fiscal IRIS.
Índice
- Mais tempo para entregar a declaração, com 6,71 milhões já submetidas
- Como o prazo foi prorrogado duas vezes
- Quem beneficia do prazo adicional?
- Formulários tardios e problemas no IRIS estão na origem das queixas
- Por que motivo alguns consultores pediram prazos em novembro ou dezembro
- O aumento das declarações é impulsionado por pessoas sem salário
- Os pagamentos de impostos crescem mais lentamente do que as declarações
- Os dados dos pequenos lojistas mostram um retrato mais limitado
- A precisão continua a ser importante durante a prorrogação
- Pontos principais
A prorrogação, anunciada a 15 de outubro através da Circular n.º 04 de 2026-27, ocorre numa altura em que o número de declarações entregues aumentou acentuadamente. Os dados oficiais indicam que, até 14 de outubro, tinham sido submetidas 6,71 milhões de declarações, contra 4,99 milhões no mesmo período do ano fiscal anterior. O imposto pago com essas declarações ascendeu a 66,81 mil milhões de rupias paquistanesas, face a 58,29 mil milhões um ano antes.
A Direção de Impostos Internos do FBR anunciou a prorrogação ao abrigo da Secção 214A da Lei do Imposto sobre o Rendimento de 2001. A notificação abrange as pessoas obrigadas a entregar a declaração até 30 de setembro de 2026 e que já tinham recebido a prorrogação anterior até 15 de outubro.
Na notificação, o FBR explicou o motivo da decisão:
Esta prorrogação é concedida na sequência dos pedidos recebidos de várias associações comerciais e associações de profissionais da área fiscal.
Para os contribuintes abrangidos, 31 de outubro é agora a data-limite para entregar a declaração sem penalização pelo incumprimento do prazo entretanto substituído. Organizações empresariais e profissionais da área fiscal tinham pedido mais tempo para preparar declarações rigorosas, completar as divulgações financeiras e garantir que as submissões fossem aceites pelo sistema em linha.
A decisão estabelece o prazo de 31 de outubro solicitado por vários grupos empresariais, embora alguns consultores fiscais tivessem pedido mais tempo. Os pedidos variavam entre 15 de novembro e dezembro, refletindo preocupações quanto ao volume de trabalho ainda por concluir.
Como o prazo foi prorrogado duas vezes
Esta é a segunda prorrogação do prazo para entregar a declaração. A primeira ocorreu a 30 de setembro, quando o FBR adiou a data para 15 de outubro através da Circular n.º 3 de 2026-27.
As principais datas do período de entrega ajudam a perceber por que motivo a divulgação do formulário se tornou central na disputa:
- 7 de maio de 2026: o projeto de formulário foi divulgado ao abrigo da SRO 835(I)/2026, segundo o especialista fiscal Fazal Faraz.
- 2 de setembro de 2026: o formulário definitivo foi publicado ao abrigo da SRO 1495(I)/2026.
- 30 de setembro de 2026: o prazo original para a entrega foi prorrogado até 15 de outubro.
- 14 de outubro de 2026: o número de declarações entregues atingiu 6,71 milhões, segundo os dados oficiais.
- 15 de outubro de 2026: o FBR anunciou uma nova prorrogação, até 31 de outubro.
O formulário definitivo foi divulgado 28 dias antes do prazo original, de 30 de setembro. Assim, os contribuintes e os seus consultores tiveram menos de um mês entre a publicação dos requisitos definitivos e a data-limite inicial, apesar de o projeto ter sido divulgado anteriormente.
Quem beneficia do prazo adicional?
A circular define quem é abrangido com base no prazo original de entrega. Aplica-se a quem tinha de entregar a declaração até 30 de setembro e cujo prazo já tinha sido prorrogado até 15 de outubro. Os contribuintes sujeitos a outro calendário devem respeitar a data que lhes é aplicável.
Uma declaração de imposto sobre o rendimento informa a autoridade fiscal sobre os rendimentos de uma pessoa ou empresa, as deduções ou outros ajustamentos aplicáveis e o imposto devido ou já pago. A entrega da declaração e o pagamento do imposto são tarefas relacionadas, mas o documento exige também que os contribuintes organizem e divulguem informações financeiras.
O prazo anunciado para o grupo abrangido é 31 de outubro. O FBR não anunciou qualquer nova prorrogação para além dessa data, apesar de alguns profissionais terem pedido mais tempo.
Formulários tardios e problemas no IRIS estão na origem das queixas
A Associação de Profissionais Fiscais de Karachi enviou uma carta de cinco páginas ao membro do FBR responsável pelas operações da Direção de Impostos Internos. A carta apontava atrasos na emissão dos projetos de notificações e problemas técnicos persistentes no IRIS, o sistema digital oficial de gestão fiscal do Paquistão.
Sheikh Umer Rehan, presidente da Associação de Comércio e Indústria de Korangi, em Karachi, também pediu mais tempo devido a falhas recorrentes no portal e à lentidão do processamento. Os contribuintes tiveram dificuldades em obter a aceitação das declarações, num período marcado também por elevado tráfego em linha.
Em Hyderabad, o presidente da Câmara de Pequenos Comerciantes e Pequena Indústria, Nadeem Ahmed Siddiqui, o vice-presidente sénior Muhammad Fahad Mian e o vice-presidente Irfan Arbiani pediram conjuntamente ao ministro das Finanças e ao presidente do FBR que prorrogassem o prazo até 31 de outubro.
Os representantes de Hyderabad identificaram várias tarefas que atrasavam a conclusão das declarações: familiarizar-se com os novos formulários, fornecer divulgações adicionais, reconciliar as declarações de património e resolver problemas no IRIS. Uma declaração de património regista os ativos e passivos. Reconciliá-la significa explicar de que forma as variações do património se relacionam com os rendimentos, as despesas e outras movimentações financeiras.
As pequenas empresas e os seus consultores enfrentavam, por isso, tanto trabalho de preparação como dificuldades na submissão. Mesmo depois de concluídos os cálculos, era necessário introduzi-los corretamente, verificá-los face a outras divulgações e enviá-los com sucesso através do portal. A câmara de Hyderabad pediu ainda proteção contra penalizações e outras consequências decorrentes exclusivamente da entrega dentro do prazo prorrogado.
Por que motivo alguns consultores pediram prazos em novembro ou dezembro
Atif Ikram Sheikh, presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria do Paquistão, pediu formalmente que o prazo para os comerciantes, a indústria e os restantes contribuintes fosse fixado em 31 de outubro. Outros grupos profissionais defenderam que os contribuintes precisavam de mais tempo.
Javed Iqbal Qazi, advogado do Supremo Tribunal e presidente da Associação de Consultores Fiscais do Paquistão, pediu uma prorrogação até 15 de novembro. A associação estimou que os profissionais tinham concluído cerca de 60% a 65% do trabalho e afirmou que o objetivo de declarações do FBR não seria alcançado até 15 de outubro.
A associação apontou a lentidão do IRIS, os cortes de eletricidade, as limitações financeiras e a carga de trabalho dos advogados, contabilistas e outros profissionais. Referiu ainda que as novas secções dos formulários exigiam mais preparação e que uma declaração em papel destinada a contribuintes com baixos rendimentos ainda não tinha sido carregada no IRIS.
Fazal Faraz, especialista fiscal em Islamabad e Rawalpindi, apresentou um argumento jurídico a favor da prorrogação do prazo até dezembro de 2026. Invocou a Secção 237(3) da Lei do Imposto sobre o Rendimento de 2001 e defendeu que os contribuintes deveriam dispor de três meses para entregar a declaração após a publicação do formulário definitivo.
Faraz baseou o argumento na notificação definitiva de 2 de setembro, divulgada após o projeto de 7 de maio. Em vez disso, a decisão anunciada pelo FBR fixa o prazo em 31 de outubro, ao abrigo da Secção 214A. A data de dezembro é a prorrogação que Faraz defendeu que deveria ser concedida.
O aumento das declarações é impulsionado por pessoas sem salário
Até 14 de outubro, tinham sido submetidas mais cerca de 1,72 milhões de declarações do que no período correspondente do ano fiscal anterior. Os dados oficiais indicam um aumento de 34,38%, elevando o total de 4,99 milhões para 6,71 milhões.
As pessoas sem rendimentos do trabalho por conta de outrem representaram o maior aumento. As declarações deste grupo passaram de 3,04 milhões para 4,45 milhões, uma subida de 46,35%, segundo os dados divulgados. A categoria inclui comerciantes, lojistas, profissionais e trabalhadores por conta própria.
As pessoas com rendimentos do trabalho por conta de outrem entregaram 2,18 milhões de declarações, contra 1,88 milhões, um aumento de 16,16%, segundo os dados divulgados. Com base nos valores arredondados, as declarações das pessoas sem salário aumentaram cerca de 1,41 milhões, face a aproximadamente 300 mil declarações adicionais de pessoas com salário.
O retrato de 30 de setembro apontava para 5,76 milhões de declarações, contra 3,98 milhões no mesmo período do ano anterior, uma subida de cerca de 45%. Entre 30 de setembro e 14 de outubro, o total atual aumentou aproximadamente 950 mil.
Até 15 de outubro, o total ultrapassara 6,815 milhões, incluindo mais de 4,5 milhões de declarações de pessoas sem salário e mais de 2,2 milhões de pessoas com salário. O número crescente mostra que as submissões prosseguiram durante a primeira prorrogação, mesmo enquanto os grupos empresariais pediam mais tempo.
Os pagamentos de impostos crescem mais lentamente do que as declarações
Até 14 de outubro, o imposto pago com as declarações ascendia a 66,81 mil milhões de rupias paquistanesas, cerca de 14,61% acima dos 58,29 mil milhões registados um ano antes. Trata-se de um aumento de aproximadamente 8,52 mil milhões de rupias paquistanesas.
A percentagem de aumento dos pagamentos foi inferior a metade da subida de 34,38% registada no número de declarações. O maior número de submissões gerou, portanto, receitas adicionais, mas os pagamentos associados cresceram a um ritmo mais lento.
O valor dos pagamentos abrange o imposto pago com as declarações. Os contribuintes podem também ter pago impostos anteriormente através de retenções nos salários ou de outras transações. O montante pago com a declaração depende do valor que permanece por pagar quando o contribuinte conclui os cálculos.
Para o FBR, os dois números descrevem aspetos diferentes do período de entrega: quantas declarações deram entrada no sistema e quanto dinheiro as acompanhou. Ambos aumentaram, e a prorrogação dá mais tempo aos contribuintes que ainda não concluíram as submissões.
Os dados dos pequenos lojistas mostram um retrato mais limitado
O regime para pequenos lojistas registou 2.875 inscrições e 1.473 declarações entregues. Destas, 137 foram submetidas por novos comerciantes e 1.336 por comerciantes já registados.
Os 137 novos comerciantes representaram cerca de 9,3% das declarações do regime, enquanto os comerciantes já registados corresponderam a cerca de 90,7%. O número de declarações entregues equivaleu a aproximadamente 51% do total de inscrições.
A inscrição coloca o lojista no regime; a entrega exige a submissão da própria declaração. Estes passos distintos ajudam a explicar por que motivo é útil acompanhar os números das inscrições e das declarações em conjunto.
As 1.473 declarações do regime constituem também um grupo muito menor do que os milhões de declarações de pessoas sem salário registados a nível nacional. Esta categoria mais ampla inclui profissionais e outras pessoas que trabalham por conta própria, além de comerciantes e lojistas.
A precisão continua a ser importante durante a prorrogação
O FBR instou os contribuintes a fornecerem informações completas sobre rendimentos, ativos e transações financeiras. O seu porta-voz alertou que a ocultação de ativos ou a prestação de informações incorretas poderia levar à adoção de medidas e que as dívidas fiscais pendentes poderiam ser cobradas através de contas bancárias ou de outros meios disponíveis.
A agência afirmou também que os seus sistemas de dados recebem continuamente informações sobre as finanças dos contribuintes. Para quem entrega a declaração, o tempo adicional permite resolver omissões e incoerências que, segundo os grupos empresariais, estavam a dificultar submissões rigorosas.
Antes da prorrogação mais recente, as propostas de penalizações por entrega tardia tinham sido descritas como sendo de 25.000 rupias paquistanesas para pessoas singulares, 50.000 para uma associação de pessoas e até 100.000 para empresas. Esses valores foram apresentados como aumentos propostos. O anúncio do prazo fixa a nova data de entrega para os contribuintes abrangidos.
O FBR encaminhou os contribuintes para o seu sítio Web ou para a aplicação Tax Asaan para entregarem a declaração. Indicou também a linha de apoio e os serviços fiscais locais como recursos para obter assistência. Os contribuintes abrangidos devem agora orientar-se pela data de 31 de outubro.
Pontos principais
- O FBR prorrogou até 31 de outubro o prazo para a declaração relativa ao ano fiscal de 2026 dos contribuintes cujo prazo original era 30 de setembro.
- A Circular n.º 04 de 2026-27 concede a prorrogação ao abrigo da Secção 214A da Lei do Imposto sobre o Rendimento de 2001.
- Grupos empresariais e profissionais apontaram a divulgação tardia dos formulários, as divulgações adicionais e os problemas técnicos no IRIS.
- Até 14 de outubro, tinham sido entregues 6,71 milhões de declarações, mais 34,38% do que no período correspondente do ano fiscal anterior.
- O imposto pago com as declarações subiu para 66,81 mil milhões de rupias paquistanesas, um aumento de cerca de 14,61%.
- Alguns consultores pediram prazos em novembro ou dezembro, mas a data anunciada é 31 de outubro.






