Dois grupos técnicos avançam para o planeamento prático
Os Estados Unidos, a Arménia e o Azerbaijão criaram dois grupos técnicos de planeamento para avançar com uma proposta de corredor de transporte e energia pelo sul da Arménia, passando assim a uma fase de preparação mais detalhada de um projeto acordado na Casa Branca em agosto de 2025.
Índice
- Dois grupos técnicos avançam para o planeamento prático
- O que ligaria o TRIPP?
- O que farão os grupos de planeamento
- Como chegou o projeto a esta fase
- Visitas a Siunique colocam os traçados no centro da atenção
- O que prevê o acordo ratificado
- Trabalho nos transportes e tratado de paz avançam em paralelo
- Soberania e acesso recíproco moldam o debate
- Quais são os próximos passos para as obras?
- Pontos principais
Um comunicado conjunto divulgado a 6 de novembro anunciou que os primeiros grupos se vão centrar nos transportes e na transmissão de eletricidade. O seu trabalho apoiará o Corredor Trump para a Paz e a Prosperidade Internacional, conhecido pela sigla TRIPP, que se destina a ligar o Azerbaijão continental à República Autónoma de Naquichevão através da província arménia de Siunique.
Brendan Hanrahan, secretário de Estado adjunto dos EUA para os Assuntos Europeus e Euroasiáticos, Vahan Kostanyan, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Arménia, e Elnur Mammadov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, lançaram a iniciativa. O formato reúne representantes governamentais e especialistas técnicos dos três países para tratar dos requisitos práticos do projeto.
O anúncio surge na sequência de conversações sobre eletricidade na cidade arménia de Goris, de uma visita de responsáveis do Governo arménio à área proposta para o projeto e da aprovação parlamentar de um acordo entre a Arménia e os Estados Unidos relacionado com o TRIPP. Responsáveis arménios esperam que as obras comecem em 2027.
A tarefa imediata consiste em transformar compromissos políticos em planos para infraestruturas que possam ligar-se às redes regionais existentes. Isso implica decidir sobre traçados de transporte e linhas elétricas num processo comum que envolve os países cuja cooperação o projeto exige.
O que ligaria o TRIPP?
O TRIPP foi concebido para estabelecer uma ligação entre o Azerbaijão e Naquichevão, um território azeri separado do restante país. O traçado proposto atravessaria Siunique, a província mais meridional da Arménia, tornando o território arménio essencial para essa ligação.
O projeto mais amplo prevê ligações ferroviárias e rodoviárias, oleodutos e gasodutos, linhas de transmissão de eletricidade e infraestruturas de comunicações por internet. É descrito como um corredor multimodal, ou seja, uma ligação capaz de acomodar mais do que um meio de transporte, em vez de depender apenas de uma estrada ou ferrovia.
Os transportes e a eletricidade são os dois primeiros temas a dispor de grupos trilaterais de planeamento próprios. Estas prioridades correspondem também às áreas que os responsáveis arménios têm analisado no terreno: os possíveis traçados de infraestruturas ferroviárias, rodoviárias e energéticas.
Para o Azerbaijão, o benefício pretendido é uma ligação a Naquichevão através da Arménia. O Governo arménio também pretende obter acesso a países terceiros através do território e das infraestruturas do Azerbaijão. A utilidade dos novos percursos para as empresas dependerá da forma como essas ligações forem concebidas e exploradas.
O que farão os grupos de planeamento
O grupo dos transportes irá abordar as questões técnicas relacionadas com o desenvolvimento do corredor de trânsito. O grupo de transmissão de eletricidade analisará as infraestruturas energéticas necessárias para apoiar as ligações regionais. A transmissão de eletricidade consiste no transporte de energia por linhas entre os locais onde é produzida e aqueles onde é consumida.
Os governos afirmam que ambos os grupos ajudarão a resolver questões técnicas complexas e a preparar as fases seguintes da execução. O seu mandato inclui ligações a outras infraestruturas regionais, integrando as instalações propostas numa rede mais ampla em vez de as planear isoladamente.
Os responsáveis políticos e os especialistas técnicos têm tarefas diferentes neste processo. Os representantes governamentais podem tratar das decisões que exigem acordo entre países, enquanto os especialistas analisam como poderão ser traçadas e ligadas as infraestruturas. A sua participação no mesmo formato cria um espaço regular para esse trabalho.
O comunicado conjunto divulgado em nome de Hanrahan, Kostanyan e Mammadov descreveu assim o objetivo dos grupos:
um passo crucial para resolver questões técnicas complexas e avançar para as fases seguintes da execução, incluindo a ligação a outras infraestruturas regionais.
O comunicado de 6 de novembro de 2026 na íntegra:
Hoje, Brendan Hanrahan, secretário de Estado adjunto dos EUA para os Assuntos Europeus e Euroasiáticos, Vahan Kostanyan, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Internacional da Arménia, e Elnur Mammadov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, lançaram grupos trilaterais de planeamento técnico para promover o Corredor Trump para a Paz e a Prosperidade Internacional (TRIPP), um corredor de trânsito multimodal. Este fórum reúne responsáveis políticos e especialistas técnicos dos nossos três países para trabalharem em conjunto e contribuírem para a estabilidade a longo prazo, o dinamismo económico, a conectividade regional e a prosperidade comercial em toda a região, reafirmando a histórica Declaração da Cimeira de Paz de 8 de agosto de 2025, mediada pelo Presidente Trump.
Demonstrando o compromisso comum de transformar uma visão em avanços concretos, as partes acordaram criar os dois primeiros grupos trilaterais de planeamento, centrados nos transportes e na transmissão de eletricidade. Estes grupos de planeamento técnico representam um passo crucial para resolver questões técnicas complexas e avançar para as fases seguintes da execução, incluindo a ligação a outras infraestruturas regionais.
As partes reafirmaram os respetivos compromissos de pôr rapidamente em funcionamento todas as modalidades do TRIPP.
Os três governos reafirmaram também o compromisso de pôr em funcionamento todos os componentes do TRIPP o mais rapidamente possível. Entre os objetivos declarados estão a estabilidade regional, a atividade económica e as oportunidades comerciais, além das próprias ligações físicas.
Como chegou o projeto a esta fase
O TRIPP teve origem na cimeira de 8 de agosto de 2025, na Casa Branca, onde o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, se reuniram com o Presidente dos EUA, Donald Trump. A declaração da cimeira estabeleceu compromissos para normalizar as relações e desenvolver a conectividade regional.
O anúncio de novembro assenta nesse quadro político. Em outubro de 2026, várias etapas preparatórias já tinham chamado a atenção para as infraestruturas e os acordos necessários à execução.
- 8 de agosto de 2025: Aliyev e Pashinyan assinaram a declaração da cimeira de Washington, mediada por Trump.
- Outubro de 2026: especialistas arménios e azeris reuniram-se em Goris para analisar possíveis traçados para as linhas de transmissão de eletricidade.
- 22 de outubro de 2026: a Arménia anunciou o início da fase prática do projeto e enviou para Siunique um grupo de trabalho liderado pelo vice-primeiro-ministro Mher Grigoryan.
- 28 de outubro de 2026: a Assembleia Nacional da Arménia ratificou um acordo entre a Arménia e os Estados Unidos relacionado com o TRIPP.
- 6 de novembro de 2026: os três governos anunciaram a criação dos grupos trilaterais de planeamento técnico.
- 2027: responsáveis arménios esperam que as obras comecem.
Esta evolução articula três tipos de preparação: acordo político entre os líderes, aprovação pelo parlamento arménio e análise técnica dos possíveis traçados das infraestruturas. Os novos grupos acrescentam um mecanismo de planeamento comum que envolve os três governos.
Visitas a Siunique colocam os traçados no centro da atenção
Em outubro, o vice-primeiro-ministro arménio Mher Grigoryan liderou uma delegação à área proposta para o projeto para analisar possíveis localizações das infraestruturas. A visita destinava-se a apoiar o início dos trabalhos de conceção, dando uma orientação geográfica ao processo de planeamento.
Grigoryan explicou o objetivo numa reunião posterior do Conselho de Ministros:
Visitámos o local para conhecer a disposição potencial das infraestruturas, de modo a preparar o início dos trabalhos de conceção. Nesta fase, estamos a falar dos traçados da ferrovia, da estrada e das infraestruturas energéticas.
A visita ocorreu na sequência de conversações entre especialistas arménios e azeris em Goris sobre linhas de transmissão de eletricidade. Assim, a eletricidade já está a ser objeto de preparação técnica própria, a par da ligação de transportes, mais amplamente debatida.
A 28 de outubro, a Assembleia Nacional da Arménia ratificou o acordo com os Estados Unidos, apesar das preocupações manifestadas pela oposição quanto ao projeto. A Arménia e os Estados Unidos tencionam também criar uma empresa comum no âmbito do TRIPP, acrescentando uma estrutura organizacional proposta ao planeamento das infraestruturas.
O que prevê o acordo ratificado
O Acordo-Quadro entre a Arménia e os Estados Unidos sobre Cooperação Estratégica relativa ao Corredor Trump para a Paz e a Prosperidade Internacional (TRIPP) foi assinado em junho de 2026 e ratificado pelo parlamento arménio a 28 de outubro de 2026, com 63 votos a favor e 32 contra. O Contrato Civil apoiou a ratificação, enquanto a Arménia Forte e a Arménia (Hayastan) se opuseram.
O acordo prevê a criação de uma Empresa de Desenvolvimento do TRIPP, com uma participação arménia de 26% e uma participação norte-americana de 74%, por um período inicial de 49 anos. Se as partes acordarem mutuamente prolongar a cooperação por mais 50 anos, a participação arménia aumentará para 49% e a norte-americana passará para 51%.
Ao apresentar o acordo durante o debate parlamentar de 27 de outubro, o ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Internacional da Arménia, Ararat Mirzoyan, afirmou que ainda era necessário negociar e aprovar os estatutos da empresa e o acordo de acionistas. Disse que a empresa cofundadora norte-americana permaneceria sempre sob propriedade e gestão do Governo dos EUA.
Mirzoyan salientou também que todas as infraestruturas previstas em território arménio funcionariam sob soberania e jurisdição da Arménia. Segundo o ministro, o projeto prevê o desbloqueio das comunicações regionais, dando à Arménia acesso a países terceiros através do Azerbaijão e garantindo a ligação ferroviária interna, ao mesmo tempo que proporciona ao Azerbaijão uma ligação a Naquichevão através do território arménio.
Trabalho nos transportes e tratado de paz avançam em paralelo
O Governo arménio defende que a cooperação prática pode começar enquanto se aguarda a conclusão do tratado de paz formal com o Azerbaijão. O ministro dos Negócios Estrangeiros Ararat Mirzoyan disse ao parlamento que o TRIPP poderia avançar antes da assinatura do tratado, na sequência do início dos preparativos práticos em Siunique.
Mirzoyan afirmou que o texto do tratado já tinha sido rubricado e que ambos os governos o apoiavam publicamente. A rubrica regista o acordo quanto à redação. A assinatura formal e a ratificação, ou aprovação pelos procedimentos nacionais, são etapas posteriores.
A estratégia do Governo consiste em desenvolver a cooperação no setor dos transportes enquanto trabalha para concluir essas etapas diplomáticas. O político da oposição Narek Karapetyan contestou essa abordagem, argumentando que o Azerbaijão poderia obter o corredor que pretende enquanto adia o tratado e não concede o acesso que a Arménia procura.
Pashinyan fixou separadamente como objetivo para o tratado de paz a assinatura e ratificação do acordo antes de 2031. O Azerbaijão quer que a Constituição da Arménia seja alterada antes da assinatura, enquanto a Arménia sustenta que o texto acordado do tratado já responde às preocupações sobre reivindicações territoriais.
Os calendários do tratado e das infraestruturas têm, portanto, objetivos diferentes. Os responsáveis arménios esperam que as obras comecem em 2027, enquanto o objetivo declarado por Pashinyan para a conclusão do tratado aponta para antes de 2031. Durante esse período, o Governo procura avançar com a cooperação prática.
Soberania e acesso recíproco moldam o debate
Na declaração de Washington, a Arménia comprometeu-se a proporcionar ao Azerbaijão «conectividade sem entraves» com Naquichevão através do seu território. Esse compromisso torna centrais as condições de circulação por Siunique.
Pashinyan e os seus aliados políticos têm afirmado que o TRIPP funcionará respeitando a soberania, a integridade territorial e a jurisdição dos Estados envolvidos. Jurisdição significa a autoridade para aplicar e fazer cumprir as leis de um país, uma questão concreta quando um corredor internacional atravessa território nacional.
Os responsáveis arménios apresentam também o TRIPP como uma forma de a Arménia chegar aos mercados através do Azerbaijão, e não apenas como uma passagem entre duas partes do Azerbaijão. O debate na oposição centra-se, em parte, na reciprocidade desses benefícios e na possibilidade de o projeto contribuir para garantir a conclusão de um acordo de paz.
Os grupos trilaterais constituem agora um fórum de coordenação prática neste contexto político. As primeiras tarefas dizem respeito aos transportes e à eletricidade, embora o projeto mais amplo inclua comunicações e possíveis infraestruturas de transporte de gás e petróleo.
Quais são os próximos passos para as obras?
Os responsáveis arménios apontaram 2027 como o ano previsto para o início das obras. O anúncio conjunto não indicou uma data exata para o arranque, o orçamento da construção, o traçado final ou o calendário de abertura, nem explicou a distribuição da propriedade e das responsabilidades de exploração.
A etapa seguinte é a preparação da execução: resolver questões técnicas, desenvolver projetos e analisar ligações às redes existentes. A recente visita a Siunique e as conversações sobre eletricidade em Goris mostram os tipos de decisões que alimentam esse trabalho.
Para as empresas, o valor prático surgirá quando as ligações propostas puderem transportar mercadorias, eletricidade ou comunicações pela região. Uma ferrovia, estrada ou linha elétrica ganha utilidade quando se liga a instalações para além do seu traçado imediato, o que explica o foco explícito dos grupos na integração regional.
O compromisso comum dos governos é avançar rapidamente. A nova estrutura de planeamento dá a esse compromisso um formato de trabalho, enquanto as obras previstas para 2027 constituem o próximo marco anunciado para um projeto que agora combina negociações diplomáticas, aprovação interna e conceção de infraestruturas.
Pontos principais
- Os Estados Unidos, a Arménia e o Azerbaijão anunciaram dois grupos técnicos de planeamento do TRIPP a 6 de novembro de 2026.
- Os primeiros grupos vão centrar-se nos transportes e na transmissão de eletricidade, incluindo ligações a infraestruturas regionais.
- O TRIPP pretende ligar o Azerbaijão continental a Naquichevão através da província arménia de Siunique.
- Especialistas discutiram traçados para linhas de eletricidade em Goris, e responsáveis arménios analisaram possíveis localizações para infraestruturas em Siunique.
- A 28 de outubro de 2026, o parlamento arménio ratificou por 63 votos contra 32 um acordo com os Estados Unidos relacionado com o TRIPP.
- O acordo prevê uma Empresa de Desenvolvimento do TRIPP com participações de 26% para a Arménia e 74% para os EUA durante os primeiros 49 anos; uma prorrogação de 50 anos, se acordada por ambas as partes, alteraria as participações para 49% e 51%, respetivamente.
- Os estatutos da empresa e o acordo de acionistas ainda estavam por negociar; Mirzoyan afirmou que a cofundadora norte-americana permaneceria sob propriedade e gestão do Governo dos EUA e que as infraestruturas na Arménia funcionariam sob soberania e jurisdição arménias.
- Os responsáveis arménios esperam que as obras comecem em 2027, enquanto prosseguem separadamente os trabalhos para concluir um tratado de paz.






