Provedor de Justiça da Indonésia pede auditorias às terras florestais à medida que se alargam as investigações sobre incêndios

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Indonesia's Ombudsman Urges Forest Land Audits as Fire Investigations Widen

Autorizações florestais sob escrutínio após incêndios recorrentes

O Provedor de Justiça da Indonésia está a exigir auditorias regulares às empresas que utilizam terrenos florestais, alertando que a supervisão governamental muitas vezes termina assim que é emitida uma autorização. A exigência surge numa altura em que a polícia identificou 20 empresas como suspeitas em casos de incêndios florestais e em terrenos, e o Ministério do Ambiente está a analisar o papel de 335 empresas.

Índice
  1. Autorizações florestais sob escrutínio após incêndios recorrentes
  2. Onde falha a supervisão
  3. O que devem analisar as auditorias
  4. Porque estão em foco as plantações de óleo de palma
  5. Investigações revelam a dimensão da fiscalização
  6. A vasta área ardida reforça a urgência
  7. Apelo à ação conjunta das autoridades centrais e regionais
  8. Pontos principais

Fikri Yasin, membro do Provedor de Justiça responsável pela governação florestal, apresentou as conclusões numa conferência de imprensa online em Jacarta, a 4 de novembro de 2026. A conferência, intitulada Incêndios Florestais e em Terrenos e o Seu Impacto nos Serviços Públicos: Resultados da Monitorização Inicial do Provedor de Justiça da Indonésia, centrou-se nas fragilidades da gestão dos terrenos utilizados pelas empresas.

Fikri afirmou que grande parte da área ardida se encontrava em terrenos florestais. A sua principal preocupação era o que acontece depois de as empresas receberem autorização para os utilizar: as autoridades devem continuar a fiscalizar as suas atividades, a área que ocupam e o período durante o qual aí permanecem.

Segundo o Provedor de Justiça, essas verificações são muitas vezes inexistentes ou insuficientes. Consequentemente, as empresas podem continuar a operar sem avaliações claras e regulares sobre se a utilização efetiva dos terrenos corresponde às condições das autorizações.

A resposta proposta vai além do combate aos incêndios. O Provedor de Justiça quer que as autoridades centrais e regionais reforcem o licenciamento, a aplicação da legislação ambiental e as inspeções, antes que outro incêndio exponha problemas que não foram devidamente fiscalizados.

Onde falha a supervisão

Uma autorização permite que uma empresa realize atividades específicas ao abrigo de determinadas condições. A monitorização consiste no trabalho contínuo de verificar se a empresa cumpre essas condições. A preocupação do Provedor de Justiça é que as autoridades tratem a autorização inicial como o fim das suas obrigações.

Durante a conferência de imprensa, Fikri descreveu esta lacuna na supervisão. Em indonésio, afirmou:

O que percebemos agora é que, quando uma empresa começa a utilizar terrenos florestais, deixa de haver qualquer supervisão. Deixam de existir limites para as auditorias e, depois, os terrenos são utilizados para sempre.

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O seu alerta dizia respeito aos efeitos práticos de uma supervisão deficiente: uma empresa pode continuar a utilizar terrenos sem que ninguém verifique regularmente os limites ou o prazo de validade da autorização. O Provedor de Justiça quer que as autoridades acompanhem essas condições durante todo o período de utilização.

Por conseguinte, as entidades governamentais teriam de ir além da simples existência de uma autorização. Teriam também de apurar se a atividade da empresa no terreno está de acordo com o que a autorização permite, dentro da área e do prazo especificados.

O que devem analisar as auditorias

Fikri identificou três aspetos interligados a fiscalizar regularmente: a utilização dos terrenos, a dimensão da área utilizada e a duração dessa utilização. Em conjunto, estas verificações permitiriam às autoridades comparar as autorizações das empresas com as operações efetivamente realizadas.

Numa outra declaração, apresentou o âmbito proposto, traduzido do indonésio:

É necessário realizar auditorias regulares, primeiro sobre a utilização dos terrenos. Depois, importa analisar os limites dessa utilização, tanto em termos de área como de número de anos.

Neste contexto, uma auditoria consiste numa análise estruturada para verificar se uma empresa cumpre as condições que regem as suas atividades. A verificação da área é importante porque uma empresa pode ocupar mais terrenos do que aqueles que está autorizada a utilizar. A verificação da duração também é importante, porque a autorização para utilizar terrenos estabelece condições sobre o momento em que essa utilização deve terminar.

A exigência do Provedor de Justiça abrange também a devolução dos terrenos ao Estado quando termina o período autorizado. Para que isso aconteça na prática, as autoridades têm de saber quando termina esse período e se a empresa cumpriu as condições.

Nas declarações, não foi anunciado qualquer calendário de auditorias, frequência de inspeções ou prazo para a intervenção governamental. Esses pormenores determinariam de que forma o apelo a verificações regulares se traduziria num sistema operacional.

Porque estão em foco as plantações de óleo de palma

Fikri referiu especificamente as plantações de palma-dendém que utilizam terrenos florestais. Defendeu que essa utilização deve estar sujeita a supervisão contínua, auditorias regulares e limites quanto ao período de atividade.

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A sua preocupação relaciona duas obrigações das empresas que, de outro modo, poderiam ser consideradas separadamente. Uma empresa tem de operar dentro da área que está autorizada a utilizar, e a sua autorização também tem de ser acompanhada ao longo do tempo. Fiscalizar apenas um destes aspetos deixa o outro sem controlo.

O Provedor de Justiça afirmou que as grandes plantações e outras empresas que utilizam áreas florestais precisam de ser avaliadas de forma consistente. Sem isso, as autoridades têm dificuldade em determinar se os terrenos ocupados e as atividades realizadas continuam a respeitar as condições originalmente aprovadas.

Para o Estado, a questão é manter o controlo sobre os terrenos disponibilizados para fins empresariais. Para as comunidades vizinhas, a preocupação torna-se particularmente imediata quando uma gestão dos terrenos sujeita a supervisão deficiente aumenta a exposição a incêndios recorrentes. O Provedor de Justiça afirmou que tanto a população como o Estado sofrem as consequências quando a supervisão falha.

Investigações revelam a dimensão da fiscalização

A polícia identificou 20 empresas como suspeitas em casos de incêndios florestais e em terrenos. Quatro dessas empresas têm investimento estrangeiro proveniente de Singapura, da Malásia e da Coreia do Sul. Isso representa um quinto das empresas identificadas como suspeitas.

O Ministério do Ambiente está também a analisar o papel de 335 empresas nos incêndios. O número divulgado pela polícia diz respeito a empresas já consideradas suspeitas, enquanto o número do ministério se refere ao grupo mais vasto cuja participação está a ser analisada. Os dois números correspondem a diferentes fases e tipos de intervenção oficial.

As críticas do Provedor de Justiça centram-se no momento em que o Governo intervém. A sua avaliação concluiu que a resposta continuava a ser reativa, com as infrações dos titulares de autorizações a chegarem ao conhecimento das autoridades depois de ocorrerem incêndios. Esta avaliação baseou-se na conclusão de que as autoridades, em geral, só identificavam suspeitas de infrações ao ordenamento do território e às concessões depois de os efeitos dos incêndios se terem alastrado às comunidades.

As auditorias regulares permitiriam escrutinar as atividades antes de ocorrer um incêndio. As autoridades poderiam verificar se a utilização dos terrenos corresponde à autorização e identificar problemas através de inspeções, em vez de dependerem de uma catástrofe para analisarem mais de perto as operações de uma empresa.

Assim, a exigência acrescenta uma questão de prevenção aos esforços de fiscalização: com que regularidade são as empresas fiscalizadas enquanto operam, antes de intervirem a polícia ou os investigadores ambientais?

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A vasta área ardida reforça a urgência

Uma estimativa atribuída ao Sistema Global de Informação sobre Incêndios Florestais, conhecido pela sigla GWIS, indica que a área florestal e de terrenos ardida na Indonésia em 2026 foi de 8,6 milhões de hectares. Isso corresponde a 86 000 quilómetros quadrados, segundo a conversão padrão de 100 hectares por quilómetro quadrado.

O valor é uma estimativa da área ardida. As conclusões do Provedor de Justiça centram-se na governação dos terrenos florestais, incluindo a supervisão das empresas autorizadas a utilizá-los. A dimensão da área ardida e as falhas identificadas na monitorização explicam, em conjunto, a urgência do apelo a inspeções.

Fikri afirmou que a maioria das áreas afetadas pelos incêndios era constituída por terrenos florestais. As suas declarações atribuem às entidades responsáveis pela sua utilização a obrigação de continuarem a fiscalizar os titulares de autorizações, em vez de deixarem a supervisão esmorecer após a aprovação.

A ligação prática é simples. Se as autoridades não inspecionarem regularmente as atividades e os limites das áreas ocupadas por uma empresa, terão menos oportunidades para identificar infrações e exigir medidas corretivas antes de ocorrer um incêndio. O Provedor de Justiça quer que a prevenção passe a ser uma responsabilidade contínua.

Apelo à ação conjunta das autoridades centrais e regionais

O Provedor de Justiça apelou aos governos central e regionais para que assegurem uma supervisão ativa e coordenada. As reformas propostas abrangem o sistema de licenciamento, a gestão dos recursos florestais e a aplicação das regras ambientais e florestais.

Estas responsabilidades estão interligadas. O licenciamento estabelece as condições que uma empresa tem de cumprir. A inspeção verifica o cumprimento. A aplicação da lei permite às autoridades responder quando essas condições são violadas. As conclusões do Provedor de Justiça apontam para uma falha nas verificações contínuas entre a concessão da autorização e a intervenção oficial.

As auditorias centradas na utilização, na área e na duração permitiriam às autoridades obter respostas concretas para cada empresa: o que está a acontecer nos terrenos, que extensão está a ser utilizada e se o período autorizado ainda está em vigor.

O alerta de Fikri sobre a utilização dos terrenos por tempo indeterminado torna a última questão particularmente importante. Um prazo tem efeitos práticos quando as autoridades o acompanham e atuam assim que termina. O mesmo se aplica aos limites: os limites aprovados têm de ser comparados com a ocupação efetiva.

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O Provedor de Justiça exige que esse trabalho seja feito regularmente. As investigações policiais e a análise do ministério à participação das empresas dizem respeito aos incêndios que já estão sob escrutínio. As inspeções contínuas permitiriam enfrentar as falhas de gestão que, segundo a instituição, deixam as áreas florestais vulneráveis a incêndios repetidos.

Pontos principais

  • O Provedor de Justiça da Indonésia pediu auditorias regulares às empresas que utilizam terrenos florestais, numa conferência de imprensa a 4 de novembro de 2026.
  • Fikri Yasin afirmou que a supervisão muitas vezes termina após a emissão das autorizações, deixando as operações das empresas sem uma avaliação consistente.
  • As auditorias propostas analisariam a utilização dos terrenos, a área ocupada e a duração da autorização, incluindo a devolução dos terrenos ao Estado.
  • A polícia identificou 20 empresas como suspeitas em casos de incêndios. Quatro têm investimento estrangeiro proveniente de Singapura, da Malásia e da Coreia do Sul.
  • O Ministério do Ambiente está a analisar o papel de 335 empresas.
  • Uma estimativa do GWIS indica que a área ardida na Indonésia em 2026 foi de 8,6 milhões de hectares.
  • O Provedor de Justiça quer que as autoridades centrais e regionais integrem a prevenção e a supervisão contínua na gestão florestal corrente.
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