Vendas de outubro ultrapassam pela primeira vez os 1,3 biliões de dólares taiwaneses
A Hon Hai Precision Industry, mais conhecida internacionalmente como Foxconn, anunciou a 5 de novembro de 2026 que as receitas de outubro atingiram 1,3053 biliões de dólares taiwaneses (NT$), o valor mensal mais elevado de sempre. As vendas aumentaram 45,73% face ao ano anterior e 12,66% em relação a setembro, prolongando uma forte subida impulsionada pelas infraestruturas de inteligência artificial e pelo aumento dos envios de produtos eletrónicos de consumo.
Índice
- Vendas de outubro ultrapassam pela primeira vez os 1,3 biliões de dólares taiwaneses
- Como evoluíram as receitas
- Servidores de IA expandem atividade da Foxconn
- Porque recuaram as receitas da nuvem apesar da forte procura
- Eletrónica de consumo deu o maior impulso mensal
- Parcerias de hardware vão além das vendas mensais
- O que a Foxconn espera até dezembro e em 2027
- Investidores ponderam crescimento face a custos e riscos
- Pontos-chave
O fabricante taiwanês registou receitas de 8,9751 biliões de dólares taiwaneses nos primeiros 10 meses de 2026, mais 40,40% do que no mesmo período do ano anterior. Tanto o resultado de outubro como o total acumulado constituíram recordes, segundo a empresa.
Outubro foi o segundo mês consecutivo em que a Foxconn ultrapassou 1 bilião de dólares taiwaneses em vendas. As receitas de setembro foram de 1,1586 biliões de dólares taiwaneses, o que significa que a empresa acrescentou cerca de 146,7 mil milhões de dólares taiwaneses às receitas mensais ao entrar no último trimestre.
A procura de servidores baseados em tecnologia da Nvidia continuou a ser um dos principais motores do crescimento anual. No entanto, a eletrónica inteligente de consumo registou o maior crescimento entre setembro e outubro, impulsionada por envios antecipados e preços de venda mais elevados. As quatro principais categorias de produtos cresceram fortemente face a outubro de 2025.
No anúncio das receitas de outubro, a Foxconn descreveu o desempenho mensal da seguinte forma: «forte crescimento» nos produtos inteligentes de consumo, «crescimento significativo» nos produtos e componentes para terminais informáticos e noutros produtos, e «ligeira descida» nos produtos de redes na nuvem. A empresa afirmou que as quatro categorias registaram «forte crescimento» face ao ano anterior.
A divisão de nuvem e redes da Foxconn apresentou um quadro mais complexo: as vendas aumentaram fortemente face ao ano anterior, mas recuaram ligeiramente em relação a setembro. A empresa atribuiu a descida mensal a alterações nos acordos comerciais com clientes, à escassez de materiais e ao processo de entrada em produção em massa de novos modelos.
Os resultados põem em evidência, em simultâneo, dois motores de crescimento. O investimento em equipamento de IA está a expandir a atividade da Foxconn, enquanto a tradicional época alta da eletrónica de consumo continua a contribuir significativamente para os resultados mensais.
Como evoluíram as receitas
Os valores mensais de vendas da Foxconn mostram uma subida irregular, e não um crescimento ininterrupto. As receitas recuaram em agosto, antes de acelerarem em setembro e atingirem um novo recorde em outubro.
- Julho de 2026: as receitas atingiram 946,5 mil milhões de dólares taiwaneses.
- Agosto de 2026: as receitas recuaram para 921,8 mil milhões de dólares taiwaneses.
- Setembro de 2026: as receitas subiram para 1,1586 biliões de dólares taiwaneses, ultrapassando pela primeira vez a marca de 1 bilião.
- Final de outubro de 2026: o presidente Young Liu afirmou esperar que a Foxconn mantivesse um crescimento de pelo menos 10%, com o desenvolvimento de centros de dados de IA a apoiar os setores mais fortes da economia.
- 5 de novembro de 2026: a Foxconn anunciou receitas de outubro de 1,3053 biliões de dólares taiwaneses e manteve as perspetivas de novo crescimento da atividade de IA no quarto trimestre.
As receitas de outubro foram cerca de 38% superiores às de julho, que se fixaram em 946,5 mil milhões de dólares taiwaneses. Esta comparação mostra quanto o nível mensal de vendas aumentou em apenas três meses, apesar da descida temporária de agosto.
O terceiro trimestre, de julho a setembro, gerou receitas de 3,03 biliões de dólares taiwaneses, mais 47,12% do que no ano anterior e 20,44% do que no trimestre precedente. As vendas nos primeiros nove meses atingiram cerca de 7,67 biliões de dólares taiwaneses, um aumento de 39,53%.
O crescimento anual de 45,73% registado em outubro superou o aumento médio de cerca de 30% que os analistas esperavam para o trimestre terminado em dezembro. As vendas de novembro e dezembro determinarão a taxa de crescimento final do trimestre.
Servidores de IA expandem atividade da Foxconn
A construção de centros de dados em todo o mundo nos últimos dois anos aumentou a procura pelo equipamento fabricado pela Foxconn. Estas instalações contêm os sistemas informáticos que treinam modelos de IA e executam serviços como chatbots, geradores de imagens e ferramentas de análise automatizada.
A Nvidia fornece os processadores e as plataformas informáticas utilizados em muitos desses sistemas. A Foxconn fabrica e integra servidores e bastidores, combinando equipamento informático com as ligações, fontes de alimentação e sistemas de arrefecimento necessários ao seu funcionamento.
Um bastidor é mais do que uma estrutura metálica que suporta computadores. Numa instalação de IA, reúne máquinas que têm de trocar grandes volumes de informação, receber eletricidade suficiente e dissipar o calor que produzem. Os clientes precisam que esses componentes funcionem como um sistema integrado.
O presidente executivo rotativo Michael Chiang afirmou numa conferência com investidores, em meados de agosto, que a Foxconn esperava mais do que duplicar os envios de bastidores de IA em 2026 face a 2025. Essa meta traduz uma expansão do número de sistemas enviados, a par do crescimento das receitas que já se observa nos valores mensais da empresa.
As estimativas do mercado apontam para uma quota da Foxconn superior a 40% no mercado mundial de servidores de IA. A sua dimensão ajuda a explicar por que motivo os investidores acompanham as vendas da empresa como indicador do investimento em equipamento de IA, embora as receitas da Foxconn incluam também atividades substanciais na eletrónica de consumo e na informática.
Uma análise distinta das ambições da Foxconn no mercado estima a sua quota atual em cerca de 40%. Young Liu afirmou que a empresa poderia atingir aproximadamente 45% no próximo ano e até 50% nos próximos anos. Não foi indicada qualquer fonte subjacente nem a metodologia de cálculo da estimativa atual da quota de mercado, pelo que estes valores não esclarecem em que se baseia a afirmação de que a quota ultrapassa 40%.
As expectativas de aumento dos envios de servidores que utilizam a plataforma Vera Rubin da Nvidia fazem parte das perspetivas de crescimento para o quarto trimestre. As próprias previsões da Foxconn são mais abrangentes: a empresa espera que a atividade de IA continue a crescer, apoiada pela tradicional época alta da indústria eletrónica.
Porque recuaram as receitas da nuvem apesar da forte procura
A Foxconn afirmou que as receitas de nuvem e redes recuaram ligeiramente em relação a setembro, apesar de a procura por produtos de IA continuar forte. Três fatores práticos influenciaram o resultado mensal: alguns clientes passaram a acordos de consignação, os materiais escassearam e novos produtos estavam a entrar em produção em massa.
Em alguns acordos de consignação ou de processamento por contrato, os clientes fornecem componentes dispendiosos ou mantêm a sua propriedade, enquanto o fabricante recebe receitas pela montagem e por trabalhos relacionados. Consoante o contrato, uma parcela menor do valor dos componentes pode ser contabilizada nas vendas comunicadas pelo fabricante.
Uma alteração nesse tipo de acordo pode modificar as receitas registadas por um sistema, mesmo que a fábrica continue a montar equipamento. A Foxconn associou a variação de outubro, em parte, aos modelos comerciais dos clientes, além das limitações físicas de abastecimento e produção.
Os novos modelos também precisam de tempo para atingir um ritmo de produção estável. As fábricas têm de coordenar componentes, montagem e testes à medida que a produção aumenta. A escassez de materiais pode dificultar esse processo, deixando um sistema à espera de um componente necessário.
A Foxconn não divulgou o contributo monetário de cada fator nem uma repartição das receitas pelas quatro divisões no anúncio de outubro aqui descrito. A empresa afirmou, contudo, que a nuvem e as redes lideraram o crescimento anual entre as principais categorias de produtos, mantendo o equipamento de IA no centro da expansão.
Eletrónica de consumo deu o maior impulso mensal
A eletrónica inteligente de consumo registou o maior crescimento da Foxconn entre setembro e outubro. A empresa atribuiu esse desempenho a envios antecipados, a uma procura mais forte por parte dos clientes e a preços de venda mais elevados.
Os produtos informáticos também aumentaram em relação a setembro, com os clientes a receberem novos produtos. Os componentes e outros produtos cresceram, graças ao aumento das receitas de componentes essenciais e atividades relacionadas. Estes ganhos ajudaram a elevar as receitas totais da empresa, enquanto as vendas de nuvem e redes recuaram.
Os preços de venda mais elevados são importantes porque as receitas refletem tanto a quantidade de equipamento vendido como o preço associado a cada unidade. A Foxconn identificou os preços como um dos fatores que contribuíram para o crescimento da eletrónica de consumo, juntamente com o volume de envios.
A Apple continua a ser um cliente importante. A Foxconn é o principal fabricante de iPhones e tem unidades de montagem na China e na Índia. O lançamento da série iPhone 18 da Apple, em setembro, apoiou os envios de eletrónica de consumo quando a indústria entrou na sua época mais movimentada.
A Apple está também a distribuir a produção por outros fornecedores, incluindo a Luxshare Precision Industry. A Foxconn enfrenta, por isso, uma combinação de oportunidades sazonais e concorrência num negócio que continua a contribuir fortemente para as receitas, mas apresenta margens de lucro mais baixas.
A composição das vendas de outubro explica o recorde de forma mais completa do que apenas a procura de IA. A nuvem e as redes lideraram o crescimento face ao ano anterior, enquanto a eletrónica de consumo registou o maior aumento em relação ao mês anterior.
Parcerias de hardware vão além das vendas mensais
Os planos da Foxconn para a IA incluem parcerias que vão além da montagem de servidores da Nvidia. O presidente Young Liu reuniu-se com Sam Altman, diretor executivo da OpenAI, em Taiwan, a 30 de outubro, enquanto as empresas trabalhavam para definir uma cooperação mais concreta em hardware de IA.
A reunião surgiu na sequência do acordo celebrado em novembro de 2025 para conceber uma nova geração de infraestruturas de IA e fabricá-la nos Estados Unidos. Este trabalho abrange servidores, bastidores, sistemas de alimentação elétrica e arrefecimento, equipamento de rede e cabos.
O papel da OpenAI nesse processo de desenvolvimento consiste em partilhar as necessidades de hardware previstas, fornecendo à Foxconn informações que esta pode utilizar na preparação da conceção e do fabrico. O acordo inicial concedeu à OpenAI opções para avaliar e comprar os sistemas resultantes, ficando as compras sujeitas a futuras decisões comerciais.
A Foxconn também tem desenvolvido a sua própria atividade de serviços informáticos. O centro de supercomputação em Taiwan que planeia construir com a Nvidia foi anunciado como um projeto de 1,4 mil milhões de dólares, com uma potência de 27 megawatts e entrada em funcionamento prevista para o primeiro semestre de 2026.
O projeto, desenvolvido através da unidade Visonbay.ai da Foxconn, destinava-se a disponibilizar acesso à capacidade informática Nvidia Blackwell GB300. Além do fabrico de equipamento, esse plano coloca a Foxconn no setor da prestação de recursos informáticos a clientes que necessitam de capacidade de processamento para IA.
O que a Foxconn espera até dezembro e em 2027
A Foxconn espera que a sua atividade de IA continue a crescer no quarto trimestre. Espera também que a tradicional época alta dos produtos de tecnologias da informação e comunicação apoie o desempenho da empresa, em linha com as expectativas do mercado.
No anúncio das receitas de outubro, a Foxconn afirmou: «A atividade de IA continuará a crescer no quarto trimestre, e os produtos TIC mantêm-se na tradicional época alta do segundo semestre, o que deverá fazer com que o desempenho operacional global fique em linha com as atuais expectativas do mercado. No entanto, continua a ser necessário acompanhar de perto o impacto da evolução das condições políticas e económicas globais.» A empresa anunciou também que a conferência de resultados do terceiro trimestre de 2026 teria lugar a 12 de novembro.
Estas previsões relacionam as mesmas duas forças visíveis em outubro: o investimento em equipamento para centros de dados e a procura sazonal por dispositivos de consumo. O último trimestre termina a 31 de dezembro, pelo que os envios de novembro e dezembro completarão o quadro anual.
Young Liu afirmou no final de outubro que a economia mundial deveria continuar a apresentar uma evolução em forma de K em 2027. O termo descreve uma economia em que algumas empresas ou setores crescem enquanto outros enfrentam dificuldades, à semelhança dos dois braços divergentes da letra K.
Liu identificou o desenvolvimento de centros de dados de IA como uma fonte de crescimento nos setores mais fortes e disse esperar que a Foxconn mantenha um crescimento de pelo menos 10%. Também afastou as preocupações com uma bolha da IA, afirmando que a procura continuava evidente.
A Foxconn alertou que as mudanças nas condições políticas e económicas globais exigiam acompanhamento atento. A disponibilidade de materiais, os prazos de entrega de componentes, as taxas de câmbio e as políticas pautais podem afetar o calendário e o valor dos envios enquanto os fabricantes processam as encomendas dos clientes.
Investidores ponderam crescimento face a custos e riscos
Desde o início de 2026, as ações da Foxconn tinham subido apenas cerca de 2%, depois de a recente volatilidade das ações tecnológicas ter anulado grande parte da valorização anterior. O modesto ganho em bolsa contrasta com o crescimento de 40,40% das receitas nos primeiros 10 meses.
Os investidores ponderam a forte procura face às preocupações com o excesso de capacidade informática de IA, o aumento da dívida e a regulação. Os projetos de centros de dados exigem grandes compromissos de investimento, enquanto os fornecedores têm de garantir componentes e criar capacidade de produção suficiente para responder às encomendas.
As receitas medem o valor das vendas. O lucro é o que resta depois de a empresa pagar os componentes, o fabrico, os salários e outras despesas. A questão financeira para a Foxconn é saber quanto das suas vendas crescentes consegue conservar como resultados.
Esse cálculo dependerá, em parte, da combinação de sistemas de IA, eletrónica de consumo e outros produtos, bem como das condições contratuais e dos custos de produção. Os resultados de outubro mostraram um crescimento generalizado das vendas nas quatro principais categorias de produtos. Os próximos resultados operacionais darão uma indicação mais clara dos lucros gerados por essa expansão.
Pontos-chave
- As receitas da Foxconn em outubro de 2026 atingiram o valor recorde de 1,3053 biliões de dólares taiwaneses, mais 45,73% face ao ano anterior e 12,66% em relação a setembro.
- As receitas dos primeiros 10 meses totalizaram 8,9751 biliões de dólares taiwaneses, um aumento de 40,40%.
- A nuvem e as redes lideraram o crescimento anual, enquanto a eletrónica inteligente de consumo registou o maior aumento mensal.
- As alterações aos acordos de consignação, a escassez de materiais e a produção de novos modelos influenciaram as vendas mensais de nuvem e redes.
- A Foxconn espera que a atividade de IA continue a crescer no quarto trimestre, apoiada pela tradicional época alta da eletrónica.
- O presidente Young Liu espera um crescimento de pelo menos 10%, com o investimento em centros de dados de IA a apoiar os setores mais fortes em 2027.






