Uma reunião privada dá maior definição à parceria de hardware
Sam Altman, diretor executivo da OpenAI, reuniu-se com Young Liu, presidente da Foxconn, em Taiwan, ao meio-dia de 30 de outubro de 2026, enquanto as empresas trabalhavam para definir uma cooperação mais concreta no equipamento necessário para operar sistemas de inteligência artificial. Liu afirmou que os progressos recentes da OpenAI estavam a ajudá-la a prever com maior rigor as suas futuras necessidades de hardware, dando um rumo mais claro ao trabalho conjunto.
Índice
- Uma reunião privada dá maior definição à parceria de hardware
- O que abrange o acordo inicial
- Porque são importantes as previsões mais rigorosas
- A Foxconn prevê um crescimento desigual
- Porque considera Liu que as faltas de equipamento indicam procura
- O debate sobre a bolha assenta em dois mercados distintos
- Dois grupos de clientes impulsionam a procura; outros dois estão ainda a desenvolver-se
- Uma rede de fabrico mais ampla também está na agenda de Liu
- Pontos principais
A reunião interrompeu a agenda de Liu no sétimo Technology Day da Foxconn, que descreveu como o maior de sempre. Uma entrevista aos órgãos de comunicação social, inicialmente marcada para as 12h30, foi adiada para cerca das 15h00, tendo Liu comparecido por volta das 15h15. Pediu desculpa e explicou que a reunião com Altman tinha sido marcada à última hora.
O encontro aconteceu na sequência de uma parceria anunciada em novembro de 2025 para conceber a próxima geração de infraestruturas de IA e fabricá-la nos Estados Unidos. O seu âmbito vai além dos servidores e inclui bastidores, sistemas de alimentação elétrica e refrigeração, equipamento de rede e cabos: os componentes interligados que permitem o funcionamento de um centro de dados.
Liu afirmou que a cooperação se tornaria mais concreta à medida que as empresas confirmassem os seus planos. Não revelou o conteúdo da conversa privada, novos termos comerciais nem uma data para um novo anúncio.
O que abrange o acordo inicial
O acordo entre a Foxconn e a OpenAI, firmado em novembro de 2025, estabeleceu um processo de desenvolvimento: a OpenAI partilharia informações sobre as suas futuras necessidades de hardware, e a Foxconn usaria essas informações para apoiar a conceção e o desenvolvimento. A OpenAI teria depois a opção de avaliar e comprar os sistemas resultantes.
O acordo inicial não incluía qualquer compromisso de compra ou obrigação financeira. O seu objetivo imediato era aproximar as previsões da OpenAI sobre as futuras necessidades de computação do trabalho da Foxconn no desenvolvimento de equipamento físico. Quaisquer compras futuras dependeriam de novas decisões comerciais.
A infraestrutura de IA é o equipamento que está por trás de serviços como os chatbots. Os servidores executam os cálculos, os bastidores alojam os servidores, o equipamento de alimentação fornece eletricidade, os sistemas de refrigeração dissipam o calor e as redes transferem informação entre máquinas. É importante conceber estas componentes em conjunto, porque cada uma afeta o funcionamento das restantes.
A abrangência da parceria dá à Foxconn um papel ao longo de toda essa cadeia de equipamento. Para a OpenAI, partilhar os seus requisitos com antecedência dá ao fabricante mais informação sobre as necessidades dos futuros sistemas antes de os projetos estarem definidos.
Porque são importantes as previsões mais rigorosas
Liu associou os progressos mais recentes à crescente capacidade da OpenAI para antecipar a procura. Afirmou que, no período anterior, a empresa tinha feito avanços e ajustes, permitindo-lhe prever as necessidades futuras com maior precisão. Por sua vez, isso estava a tornar cada vez mais concreto o rumo da cooperação.
Uma previsão de hardware traduz as expectativas sobre a utilização da IA em requisitos práticos. O aumento do número de utilizadores, diferentes tipos de tarefas de IA ou alterações no funcionamento dos modelos podem afetar a quantidade de equipamento informático necessária, bem como as exigências de eletricidade, refrigeração e ligações entre servidores.
A Foxconn precisa desses requisitos para orientar o desenvolvimento. Um bastidor é mais do que uma estrutura cheia de computadores: a alimentação elétrica, a refrigeração e as redes têm de funcionar em conjunto. Uma melhor compreensão das cargas de trabalho previstas ajuda as empresas a decidir o que construir.
A cronologia pública estende-se agora por quase um ano:
- Novembro de 2025: Foxconn e OpenAI anunciaram uma cooperação para conceber infraestruturas de IA e fabricá-las nos Estados Unidos.
- 30 de outubro de 2026: Altman reuniu-se com Liu ao meio-dia, durante uma visita a Taiwan.
- Mais tarde, a 30 de outubro: Liu disse aos jornalistas que a cooperação estava a tornar-se mais concreta e que seriam anunciados posteriormente os desenvolvimentos confirmados.
- 30 e 31 de outubro de 2026: a Foxconn agendou o seu evento anual Technology Day.
A Foxconn prevê um crescimento desigual
As perspetivas de Liu para 2027 eram otimistas quanto ao equipamento de IA, embora reconhecesse que as condições seriam diferentes noutros setores. Descreveu o padrão esperado como um crescimento em K e afirmou que as operações do Foxconn Group poderiam continuar a crescer a uma taxa de dois dígitos.
Um padrão em K significa que diferentes partes da economia evoluem em sentidos distintos, como os dois braços da letra K. Na perspetiva de Liu, a IA e os centros de dados que a suportam estão no braço ascendente, enquanto outros setores seguem caminhos diferentes.
A previsão coloca as infraestruturas de IA no centro das expectativas de crescimento da Foxconn. Também explica por que motivo a relação com a OpenAI é importante para além de uma reunião entre dois dirigentes: o trabalho previsto enquadra-se na área de negócio que Liu espera que continue a expandir-se.
Crescimento de dois dígitos significa um aumento de pelo menos 10%. Liu apresentou-o como uma previsão para as operações do grupo no próximo ano, e não como um objetivo específico de receitas ou uma contribuição quantificada da parceria com a OpenAI.
Porque considera Liu que as faltas de equipamento indicam procura
O presidente da Foxconn afirmou que a escassez de servidores de IA refletia pedidos dos clientes superiores à capacidade de resposta de uma oferta já substancial. Descreveu uma procura que continua a crescer e a ultrapassar a capacidade existente.
Esta explicação atribui a pressão à diferença entre a produção e as necessidades dos clientes. Segundo Liu, os fabricantes já produzem grandes quantidades, mas os clientes continuam a aumentar os seus pedidos. Considerou que isso é um sinal positivo para o setor.
Para um cliente que esteja a construir um centro de dados, porém, o desafio prático é obter o equipamento necessário para ter um sistema operacional. Os servidores dependem de alimentação elétrica, refrigeração e redes, o que ajuda a explicar por que motivo o âmbito do desenvolvimento entre a Foxconn e a OpenAI abrange várias categorias de hardware, e não apenas servidores.
Liu não indicou quantidades nem prazos de entrega para a escassez que descreveu. As suas declarações mostram, ainda assim, por que motivo as previsões se tornaram centrais para a parceria: a Foxconn procura planear os sistemas futuros enquanto as necessidades dos clientes continuam a crescer.
O debate sobre a bolha assenta em dois mercados distintos
Liu rejeitou a ideia de que a procura no setor da IA fosse uma bolha, mas deixou aos especialistas dos mercados financeiros os juízos sobre as avaliações bolsistas. Defendeu que a procura de tecnologia e os preços que os investidores pagam pelas ações devem ser considerados separadamente.
Uma bolha bolsista forma-se quando os preços sobem para níveis que dependem de expectativas que os investidores poderão ter dificuldade em justificar. A procura de equipamento diz respeito a outra questão: se os clientes querem as máquinas e os sistemas que estão a ser produzidos. A avaliação de Liu centrou-se nesta segunda questão.
Comparou a IA com a Internet. As ações de empresas ligadas à Internet atravessaram uma bolha, afirmou, mas os serviços de Internet continuaram a desenvolver-se e surgiram grandes empresas tecnológicas. Liu espera que a IA também se torne uma tecnologia que indivíduos e empresas não possam ignorar.
A posição de Liu é também a de um fabricante que espera beneficiar da despesa em IA. O seu argumento assenta no aumento das necessidades dos clientes, nas atuais limitações da oferta e na potencial procura por parte de organizações que ainda estão a explorar formas de utilizar a tecnologia. Considerou muito reduzida a probabilidade de uma bolha no setor da IA.
Dois grupos de clientes impulsionam a procura; outros dois estão ainda a desenvolver-se
Liu dividiu a procura de IA em quatro grupos: criadores de modelos, prestadores de serviços na nuvem, governos e empresas em geral. Afirmou que os dois primeiros representam a maior parte do dinamismo atual.
Os criadores de modelos desenvolvem e operam sistemas de IA. Os prestadores de serviços na nuvem disponibilizam recursos informáticos através da Internet, permitindo aos clientes utilizar capacidade de processamento sem terem de possuir todo o equipamento subjacente. Ambos os grupos precisam de hardware para centros de dados que suporte os seus serviços.
Segundo Liu, os governos e as empresas encontram-se numa fase mais inicial. Muitos reconhecem a necessidade de adotar a IA, mas ainda estão a explorar as suas possíveis utilizações e formas de a integrar no trabalho quotidiano. Liu espera que a procura destes grupos aumente à medida que essas decisões se tornem mais concretas.
A sua previsão de crescimento assenta, por isso, em duas partes: a continuação da despesa por parte de organizações que já estão a desenvolver serviços de IA, seguida de uma adoção mais ampla por entidades públicas e empresas. A segunda parte depende de essas organizações passarem da exploração à utilização regular, um processo para o qual Liu não apresentou prazos nem previsões de despesa.
Uma rede de fabrico mais ampla também está na agenda de Liu
Liu falou também do plano do Parque Tecnológico TEEMA, uma proposta de parque científico no estrangeiro que envolve o setor elétrico e eletrónico de Taiwan. Descreveu a ambição de criar uma terceira geração de parques científicos, depois de Hsinchu, o primeiro, e Tainan, o segundo.
O parque proposto reuniria uma cadeia de abastecimento completa. Liu apontou os conectores de cabos e as placas de circuito impresso como algumas das componentes que poderiam servir de base, com a possibilidade de desenvolver módulos ou sistemas completos a partir delas. As placas de circuito impresso alojam e ligam componentes eletrónicos no interior do equipamento.
As suas declarações apontam para uma abordagem de fabrico assente em fornecedores que operam numa rede industrial partilhada. A presença de produtores de componentes e fabricantes de sistemas no mesmo ecossistema pode ajudar a organizar os muitos elementos necessários à produção de equipamento eletrónico complexo.
O acordo com a OpenAI, por sua vez, centra-se na conceção de infraestruturas de IA e no seu fabrico nos Estados Unidos. Em conjunto, as declarações de Liu mostram a abrangência das prioridades atuais da Foxconn: clarificar os requisitos dos clientes, desenvolver sistemas completos e organizar os fornecedores necessários para os produzir. O próximo desenvolvimento concreto na relação com a OpenAI será a cooperação confirmada que Liu disse que as empresas anunciariam.
Pontos principais
- Sam Altman reuniu-se com Young Liu, presidente da Foxconn, em Taiwan, a 30 de outubro de 2026, atrasando a entrevista de Liu aos órgãos de comunicação social durante o Technology Day.
- Liu afirmou que as previsões mais rigorosas da OpenAI estavam a tornar mais concreta a cooperação em matéria de hardware.
- O acordo de novembro de 2025 abrange a conceção de infraestruturas de IA e o seu fabrico nos Estados Unidos, incluindo bastidores, sistemas de alimentação elétrica e refrigeração, redes e cabos.
- O acordo inicial não incluía qualquer compromisso de compra ou obrigação financeira.
- Liu espera que a procura de IA sustente um novo crescimento de dois dígitos nas operações da Foxconn em 2027.
- Considera que os criadores de modelos e os prestadores de serviços na nuvem impulsionam a procura atual, enquanto a adoção pelos governos e pelas empresas ainda está em desenvolvimento.
- Os pormenores adicionais da parceria serão anunciados após confirmação; não foi indicada uma data para o anúncio.






