Taiwan planeia penas criminais para o contrabando de chips avançados de IA para a China

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Taiwan Plans Criminal Penalties for Smuggling Advanced AI Chips to China

Taipei quer dar aos procuradores uma acusação direta

Taiwan planeia criminalizar, ao abrigo da sua Lei do Comércio Externo, o envio não autorizado de chips avançados de inteligência artificial e servidores para a China, dando aos procuradores uma forma direta de agir contra o desvio de equipamento. O ministro dos Assuntos Económicos, Kung Ming-hsin, afirmou que o Governo acrescentará servidores de IA e semicondutores avançados à lista de produtos sujeitos a controlo.

Índice
  1. Taipei quer dar aos procuradores uma acusação direta
  2. De empresas identificadas a um leque mais amplo de compradores
  3. Porque é que os casos existentes recorreram a outras acusações
  4. Como o equipamento chegou à China através de outros países
  5. Kung associa as alterações aos compromissos comerciais com os EUA
  6. As etapas que antecederam a proposta de repressão
  7. Taiwan também quer aumentar a produção de IA nos Estados Unidos
  8. Expansão da TSMC acompanha forte procura e negociações por concluir
  9. O que muda para os fabricantes de chips e os compradores chineses
  10. Pontos-chave

As alterações propostas irão além das restrições centradas em empresas chinesas específicas, incluindo a Huawei e a Semiconductor Manufacturing International Corp., conhecida como SMIC. Taiwan está a ponderar controlos que abranjam todos os clientes relevantes na China, tornando o destino e o tipo de equipamento determinantes para saber se um envio precisa de autorização.

Kung apresentou a política numa entrevista a 12 de outubro, associando-a aos compromissos de Taiwan no âmbito do Acordo de Comércio Recíproco com os Estados Unidos. A proposta combina duas alterações: identificar o equipamento sujeito a controlo e criar uma acusação criminal para o envio de equipamento restrito para a China sem autorização.

Para os fabricantes e exportadores taiwaneses, a consequência prática seria uma maior exposição jurídica quando chips avançados ou servidores chegassem a compradores não autorizados. Para os investigadores, a alteração resolveria uma lacuna que os tem levado a recorrer a acusações de fraude ou falsificação nos casos de suspeito desvio de chips.

De empresas identificadas a um leque mais amplo de compradores

As empresas taiwanesas têm precisado de licenças para vender produtos controlados a empresas como a Huawei e a SMIC. Outros compradores chineses não têm necessariamente enfrentado as mesmas restrições com base na sua identidade. O quadro previsto alargaria essa abordagem aos clientes relevantes em toda a China.

Uma lista de produtos sujeitos a controlo identifica os produtos que precisam de autorização governamental antes de serem exportados. A inclusão de chips avançados de IA e servidores tornaria o próprio equipamento um ponto de partida mais claro para a aplicação da lei, a par do destino e do comprador.

Um servidor de IA é um sistema informático que contém processadores, memória e outros componentes utilizados para desenvolver ou executar software de IA. O controlo de servidores completos é importante porque um processador avançado pode atravessar uma fronteira já instalado numa máquina de maiores dimensões.

Kung não indicou uma data para a entrada em vigor. As definições finais dos produtos, as condições de licenciamento, as sanções propostas e o calendário legislativo também não foram especificados, deixando as empresas à espera das regras que determinarão quais as transações que exigem aprovação.

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Porque é que os casos existentes recorreram a outras acusações

Taiwan já investigou este ano suspeitas de desvio de chips avançados. Houve detenções em maio e, até julho, os procuradores tinham apresentado acusações de falsificação contra executivos da Super Micro em Taiwan. Estes casos ilustram como as autoridades recorreram a crimes já previstos na lei enquanto procuram aprovar uma legislação dirigida diretamente à exportação não autorizada de equipamento de IA.

A fraude e a falsificação dizem respeito a condutas como o engano ou a utilização de documentos falsos. Uma disposição penal relativa à exportação permitiria aos procuradores centrar-se diretamente na questão de saber se equipamento sujeito a restrições foi enviado sem a autorização necessária. Os investigadores continuariam a ter de apurar os factos relativos a cada envio e a responsabilidade das pessoas envolvidas.

Investigadores norte-americanos alegaram que uma operação de contrabando envolvendo funcionários da Super Micro introduziu na China chips da Nvidia no valor de pelo menos 2,5 mil milhões de dólares. Yih-Shyan Liaw, cofundador da Super Micro, foi detido no âmbito da investigação dos EUA. Funcionários da Nvidia em Taiwan também foram implicados numa alegada rede de contrabando.

Os casos envolvem acusações contra indivíduos. A legislação proposta por Taiwan daria às futuras investigações uma base jurídica mais específica para analisar a própria conduta de exportação.

Como o equipamento chegou à China através de outros países

Alegadamente, os processadores da Nvidia continuam a chegar a compradores chineses através de redes que operam no Sudeste Asiático, apesar das restrições dos EUA. Os investigadores estão preocupados com o desvio de equipamento, quando este é enviado para um intermediário ou para um destino aparentemente autorizado, mas acaba por chegar a um cliente sujeito a restrições.

Os Estados Unidos impuseram pela primeira vez restrições à exportação de chips avançados de IA para a China em 2022. Desde então, Washington tem pressionado os seus parceiros para reforçarem os próprios controlos, enquanto os compradores chineses continuam a tentar obter processadores potentes da Nvidia e da Advanced Micro Devices, ou AMD.

Os aceleradores de IA são chips especializados que realizam muitos cálculos em simultâneo. Ajudam a treinar modelos de IA ao processarem grandes quantidades de dados e executam esses modelos quando as pessoas os utilizam. A sua capacidade de computação torna-os valiosos do ponto de vista comercial e alvo de controlos de segurança nacional.

Taiwan ocupa um lugar central neste esforço porque a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., ou TSMC, fabrica chips para a Nvidia e outros criadores. Os fabricantes de servidores e fornecedores de componentes de menor dimensão também fazem parte da indústria tecnológica de Taiwan. Os controlos no território abrangem várias etapas do percurso entre um chip fabricado e um sistema de IA funcional.

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Kung associa as alterações aos compromissos comerciais com os EUA

Kung, ministro dos Assuntos Económicos de Taiwan, associou explicitamente as medidas de exportação previstas aos compromissos assumidos nas negociações comerciais com Washington. Explicou que alguns dos controlos taiwaneses corresponderiam a medidas norte-americanas.

«Daqui em diante, algumas das nossas medidas relativas a produtos controlados corresponderão às dos Estados Unidos, porque assumimos bastantes compromissos no Acordo de Comércio Recíproco», afirmou Kung.

O pacote comercial reduziu de 20% para 15% as tarifas dos EUA sobre a maioria dos produtos taiwaneses, uma diminuição de cinco pontos percentuais. As empresas taiwanesas comprometeram-se a investir 250 mil milhões de dólares em projetos de semicondutores, energia e IA nos Estados Unidos, além de outros 250 mil milhões em garantias de crédito.

As garantias de crédito apoiam a concessão de empréstimos ao comprometerem-se a cobrir perdas especificadas caso um devedor não pague. Têm, por isso, uma finalidade diferente da dos compromissos de investimento das empresas, embora ambos os valores sejam de 250 mil milhões de dólares.

O pacote de tarifas e investimento é datado de janeiro, enquanto a assinatura do acordo de comércio recíproco também é descrita como tendo ocorrido em fevereiro. A explicação de Kung associa a proposta de exportação aos compromissos do acordo, sem apresentar uma lista detalhada dos controlos que Taiwan terá de adotar.

O presidente Lai Ching-te já afirmou que Taiwan responderia às preocupações dos EUA relativas aos controlos das exportações. A disposição penal prevista dá a essa promessa uma orientação concreta: reforçar a fiscalização taiwanesa do equipamento avançado que sai do território.

As etapas que antecederam a proposta de repressão

A proposta de Taiwan surge na sequência de várias etapas de restrições norte-americanas, investigações locais e compromissos de investimento. Os principais acontecimentos mostram como a política comercial e a fiscalização estão cada vez mais interligadas.

  • 2022: Os Estados Unidos impuseram pela primeira vez restrições à exportação de chips avançados de IA para a China.
  • Maio deste ano: As autoridades taiwanesas efetuaram detenções em casos de suspeito desvio de chips.
  • Até julho: Os procuradores tinham apresentado acusações de falsificação contra executivos da Super Micro em Taiwan.
  • Julho: A TSMC anunciou mais 100 mil milhões de dólares para o Arizona, elevando para 265 mil milhões de dólares o investimento previsto nos EUA.
  • Setembro: Kung referiu mais 20 mil milhões de dólares de investimento previsto nos EUA por empresas taiwanesas, à parte da expansão da TSMC.
  • 12 de outubro: Kung apresentou planos para acrescentar servidores de IA e semicondutores avançados à lista de produtos controlados de Taiwan e responsabilizar criminalmente os autores de envios não autorizados.

O quadro proposto permitiria a Taiwan passar de investigações de suspeito desvio baseadas noutros crimes para um mecanismo específico de controlo das exportações. O seu alcance dependerá das definições finais de chips, servidores e transações abrangidos pelas restrições.

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Taiwan também quer aumentar a produção de IA nos Estados Unidos

Kung apresentou planos para angariar milhares de milhões de dólares para parques industriais nos Estados Unidos, começando por um complexo no Texas que poderá custar até 4 mil milhões de dólares. As instalações ajudariam fornecedores de menor dimensão a estabelecer operações perto de fabricantes de chips e de servidores.

A iniciativa pretende apoiar uma cadeia de abastecimento nos EUA para a Nvidia e outras empresas de equipamento de IA. Entre as empresas que os parques procuram acolher estão fornecedores da TSMC e fabricantes de servidores como a Foxconn.

Várias empresas taiwanesas já têm projetos de grande dimensão em curso. A Quanta Computer recebeu aprovação para investir 973 milhões de dólares na montagem de servidores e equipamento periférico no Tennessee. A Wistron recebeu aprovação para investir 150 milhões de dólares numa subsidiária norte-americana que monta placas de circuitos e prevê investir mais 146 milhões de dólares na renovação de uma fábrica no Texas.

Os dois valores da Wistron totalizam 296 milhões de dólares. No conjunto, os investimentos aprovados da Quanta e os investimentos aprovados e previstos da Wistron ascendem a 1,269 mil milhões de dólares. Estes projetos mostram que a deslocação da produção vai além do fabrico de chips e abrange também o trabalho de montagem necessário para transformar componentes em sistemas utilizáveis.

A expansão de 265 mil milhões de dólares da TSMC nos EUA é substancialmente maior. Os parques industriais responderiam a outra parte da rede de produção: as empresas de menor dimensão e as operações de apoio de que as grandes fábricas e os montadores necessitam nas proximidades.

Expansão da TSMC acompanha forte procura e negociações por concluir

A TSMC prevê que as vendas cresçam 61% no trimestre atual, depois de ter registado um aumento de 51% das receitas no terceiro trimestre. A previsão supera em 10 pontos percentuais a taxa de crescimento registada no trimestre anterior, dando conta da dimensão da procura que acompanha a vaga de investimento.

A empresa também está a discutir uma possível participação no projeto Terafab, de Elon Musk. O presidente executivo da TSMC, C.C. Wei, disse aos analistas que as conversações prosseguiam e indicou a condição que impõe para operar a fábrica de chips proposta.

Ainda estamos em conversações, digamos assim», afirmou Wei. «Mas a fábrica tem de ser gerida pela TSMC.

Musk tinha afirmado anteriormente que as suas empresas construiriam e operariam as instalações, podendo a TSMC arrendar uma parte do espaço. As duas posições tornam o controlo operacional uma questão central nas negociações. A TSMC confirmou separadamente que está a ponderar construir fábricas no Texas.

A possível parceria Terafab continua em discussão, enquanto a expansão anunciada nos EUA já representa um investimento de grande dimensão na produção. A proposta de exportação de Taiwan funcionaria em paralelo com essa transferência de investimento, controlando o acesso a equipamento avançado enquanto as empresas expandem os locais onde o fabricam.

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O que muda para os fabricantes de chips e os compradores chineses

A Nvidia e a AMD enfrentam um mercado em que o acesso a clientes chineses depende cada vez mais de autorização governamental. Ambas obtiveram receitas substanciais na China. Controlos taiwaneses mais abrangentes acrescentariam outro sistema nacional de fiscalização às restrições que já afetam os seus produtos avançados.

Os exportadores taiwaneses teriam de avaliar o equipamento, o cliente e o destino à luz das regras definitivas. As transações com intermediários exigiriam atenção especial, uma vez que as redes suspeitas de desvio fazem passar equipamento por países fora da China.

Entretanto, os fabricantes chineses de chips têm conquistado quota no mercado interno de chips de IA à Nvidia, com a Huawei entre as empresas a desenvolver alternativas. Os compradores chineses procuram, assim, processadores nacionais, embora alguns continuem a tentar obter equipamento estrangeiro sujeito a restrições.

Pequim opôs-se firmemente às restrições norte-americanas aos chips, e um alinhamento mais estreito de Taiwan acrescenta outro ponto de tensão. A mudança comercial imediata recairia sobre as empresas que manuseiam equipamento controlado: os responsáveis por envios não autorizados poderiam ser acusados de um crime de exportação em Taiwan.

Pontos-chave

  • Taiwan planeia acrescentar chips avançados de IA e servidores à lista de produtos sujeitos a controlo.
  • Uma alteração proposta à Lei do Comércio Externo permitiria a acusação criminal direta de envios não autorizados para a China.
  • Os controlos abrangeriam não só empresas identificadas, como a Huawei e a SMIC, mas também compradores relevantes em toda a China.
  • Kung Ming-hsin associou a proposta aos compromissos comerciais de Taiwan com os Estados Unidos.
  • Os investigadores alegaram que houve um desvio substancial de chips através de redes de intermediários, incluindo rotas pelo Sudeste Asiático.
  • As empresas taiwanesas estão a expandir a produção nos EUA, incluindo o investimento previsto de 265 mil milhões de dólares da TSMC.
  • O Governo ainda não especificou quando entrará em vigor o novo quadro de controlo das exportações.
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