A expansão em Taiwan coincide com uma corrida à memória para IA
A Micron abriu a sua segunda unidade de embalagem avançada e testes em Taichung, acrescentando uma etapa crucial à produção de memória para sistemas de inteligência artificial, numa altura em que os clientes garantiram a maior parte da oferta de memória de alta largura de banda, ou HBM, que a empresa prevê disponibilizar em 2027.
Índice
- A expansão em Taiwan coincide com uma corrida à memória para IA
- Porque é importante a unidade de Taichung
- Quatro locais, funções e calendários diferentes
- Marcos a acompanhar
- O investimento acelerou acentuadamente
- Os clientes estão a garantir fornecimento com anos de antecedência
- Circuitos mais pequenos e maior rapidez nas fábricas
- Taiwan combina processadores avançados com memória
- Outros fabricantes de memória também estão a expandir-se
- Principais pontos
A inauguração, a 15 de outubro de 2026, reúne dois desenvolvimentos importantes: uma nova unidade, que deverá iniciar a produção de HBM em meados de outubro, e uma expansão em quatro locais de produção em Taiwan. Donghui Lu, presidente da Micron Taiwan, afirmou que o investimento acumulado em Taiwan ultrapassou os 1,6 biliões de dólares taiwaneses (NT$) em junho de 2026, tendo cerca de metade sido realizado nos quatro anos anteriores.
Os compromissos dos clientes são fortes, embora a Micron tenha clarificado o âmbito das encomendas contratadas. A maioria da oferta de HBM da empresa para o ano civil de 2027 já está abrangida por acordos finais com clientes. A empresa esclareceu que parte da produção da segunda unidade de Taichung continua fora desses contratos, qualificando a descrição inicial de que toda a capacidade da nova unidade para 2027 estaria esgotada.
Taichung é o centro de embalagem de uma rede mais ampla. Taoyuan e Tongluo, no condado de Miaoli, estão a expandir a produção de wafers, enquanto Tainan está a aumentar a capacidade de testes de wafers. Em conjunto, estes projetos abrangem várias etapas necessárias para transformar silício em memória funcional para computadores de IA.
Para os clientes que constroem sistemas de IA, a questão prática é a rapidez com que essas etapas podem ser expandidas em simultâneo. Mais circuitos de memória exigem capacidade correspondente para os empilhar, ligar e testar antes de poderem tornar-se produtos acabados.
Porque é importante a unidade de Taichung
A Micron converteu instalações de armazém e espaços de produção convencionais existentes na zona de Houli, em Taichung, na sua segunda unidade de embalagem avançada. Os trabalhos começaram em 2025 e o presidente Lai Ching-te afirmou na inauguração que a unidade tinha sido concluída em pouco mais de um ano.
A HBM combina vários chips de memória DRAM empilhados na vertical. Pequenas ligações que atravessam o silício, chamadas vias através do silício, permitem que as camadas troquem dados. O produto resultante consegue transferir grandes quantidades de informação rapidamente, ajudando os processadores de IA de elevado desempenho a receber os dados de que necessitam.
A embalagem é, por isso, uma etapa central no fabrico de HBM. Os chips têm de ser empilhados e ligados com precisão e, depois, testados para confirmar que a memória acabada funciona. A expansão isolada da produção de wafers deixaria outra parte da cadeia de fabrico a precisar de mais capacidade.
Taichung já é a maior base de produção da Micron em Taiwan, reunindo fabrico avançado de DRAM com produção e embalagem de HBM. Lu afirmou que a área ocupada pela Micron no parque de Houli aumentou de cerca de 23% em 2013 para cerca de 73%, ilustrando o crescimento da sua presença local.
Quatro locais, funções e calendários diferentes
Os quatro projetos da Micron encontram-se em fases diferentes. O início da produção em Taichung, as expedições de produtos previstas em Tongluo e a instalação de equipamento em Tainan assinalam etapas distintas entre a preparação de um edifício e a entrega de memória utilizável.
As obras da Fab 11E, em Taoyuan, começaram a 30 de julho de 2026. A entrada em funcionamento está prevista para cerca de 2028, embora uma calendarização anterior apontasse para o período entre o final de 2027 e o início de 2028. O edifício foi concebido para litografia ultravioleta extrema, ou EUV, que utiliza comprimentos de onda muito curtos para formar padrões minúsculos de circuitos no silício.
O projeto de Taoyuan também prevê a instalação futura de equipamento EUV de elevada abertura numérica (High-NA), uma versão mais avançada da tecnologia, destinada a criar padrões mais finos. Lu afirmou que era necessário um novo edifício porque as instalações mais antigas tinham limitações relacionadas com a resistência dos pisos, a altura do equipamento e o espaço para manutenção.
A aquisição da P5, em Tongluo, foi concluída a 16 de março de 2026. O local dispõe de cerca de 300 000 pés quadrados de salas limpas existentes, e a Micron planeia construir outro edifício de fabrico, com cerca de 270 000 pés quadrados. Na apresentação de resultados de 30 de setembro, a empresa afirmou que as expedições de produtos em grande escala a partir de Tongluo continuam previstas para meados de 2027.
Em Tainan, está a ser adaptada uma antiga unidade de ecrãs da AUO. O primeiro equipamento chegou no início de setembro de 2026. Um armazém com cerca de 11 metros de altura está a ser convertido em três pisos de salas limpas, sobretudo para testes de wafers. A Micron não anunciou uma data de produção ou de expedição para esta operação.
Marcos a acompanhar
A expansão da Micron estende-se desde as aquisições e obras de 2026 até à entrada em funcionamento prevista para 2028. A sequência mostra por que razão a oferta adicional chegará por etapas, em vez de surgir toda ao mesmo tempo.
- 16 de março de 2026: a Micron concluiu a aquisição da P5, em Tongluo.
- 30 de julho de 2026: começaram as obras da Fab 11E, em Taoyuan.
- Início de setembro de 2026: começou a instalação de equipamento na unidade adaptada de Tainan.
- 15 de outubro de 2026: a Micron inaugurou a segunda unidade de embalagem avançada e testes em Taichung, com a produção de HBM prevista para meados de outubro.
- Meados de 2027: estão previstas expedições de produtos em grande escala a partir de Tongluo.
- Cerca de 2028: prevê-se que a Fab 11E, em Taoyuan, entre em funcionamento.
Tongluo ilustra o trabalho necessário entre a aquisição de uma fábrica e o fornecimento aos clientes. O equipamento começou a ser transferido menos de duas semanas após a conclusão da transação, e Lu afirmou que, até à apresentação de outubro, já tinham chegado mais de 100 máquinas, perto de 200. Ainda era necessário remover ou modificar o equipamento e as linhas de serviços existentes para os adaptar aos processos da Micron.
Taichung e Tainan também dependem de adaptações, em vez de construções inteiramente novas. A conversão da produção de ecrãs para testes de memória em Tainan exige alterações às infraestruturas de eletricidade, água, gases, produtos químicos e águas residuais. Os edifícios existentes servem de ponto de partida, mas é o trabalho técnico que determina quando poderão contribuir para as expedições.
O investimento acelerou acentuadamente
Lu afirmou que cerca de metade do investimento acumulado da Micron em Taiwan, superior a 1,6 biliões de NT$, foi realizado nos quatro anos anteriores, aproximadamente o mesmo que nos 25 anos que os precederam. Na cerimónia de 15 de outubro, Lai referiu um valor acumulado inferior, superior a 1,4 biliões de NT$ ao longo de três décadas.
O valor mais recente de 1,6 biliões de NT$ da Micron diz respeito ao investimento acumulado em Taiwan até junho de 2026. Uma estimativa distinta avaliou a atual expansão da capacidade em Taiwan em mais de 85,1 mil milhões de NT$. Os valores abrangem períodos e categorias de despesa diferentes: décadas de investimento no primeiro caso e um programa de expansão em curso no segundo.
Uma comunicação anterior da i-stock sobre a empresa indicava que o investimento da Micron em Taiwan ultrapassava os 30 mil milhões de dólares norte-americanos em junho de 2024. O fornecedor de logística também descreveu uma cerimónia, a 25 de dezembro de 2024, relativa a um terceiro edifício de escritórios em Taichung, cuja conclusão estava prevista para maio de 2025, bem como planos para expandir o fabrico e a investigação de HBM.
Segundo Lu, a Micron emprega agora mais de 15 000 pessoas em Taiwan. As suas atividades vão além da produção e incluem investigação, desenvolvimento de produtos, laboratórios e vendas. A equipa de Taiwan inclui trabalhadores de 34 países, e a empresa está a recrutar através de parcerias com universidades, oferecendo também oportunidades de colocação nos Estados Unidos, no Japão e em Singapura.
Os clientes estão a garantir fornecimento com anos de antecedência
A Micron afirma que os clientes assinaram acordos estratégicos com uma duração de três a cinco anos, alguns dos quais se prolongam até 2031. A maioria da oferta de HBM prevista para 2027 já está abrangida por contratos finalizados, e a empresa diz que os preços previstos nesses contratos são superiores aos de 2026.
A Micron prevê que a oferta de memória seja mais restrita em 2027 e 2028 do que em 2026. As suas previsões apontam também para que o crescimento da procura de HBM ultrapasse o da DRAM convencional até 2028. Estas são previsões da empresa, enquanto os acordos assinados mostram como os clientes estão a reagir agora, garantindo fornecimento com maior antecedência.
O desenvolvimento de HBM envolve cada vez mais conceções adaptadas a sistemas de computação específicos. A Micron afirma estar a trabalhar com a TSMC, a Intel, a NVIDIA e a AMD na integração técnica, incluindo tecnologias de embalagem que ligam a memória a processadores de elevado desempenho. Segundo a empresa, também está a avançar o desenvolvimento da HBM4 e da HBM4E, futuras gerações do produto.
Os acordos de maior duração dão aos clientes um calendário de fornecimento mais claro e permitem à Micron planear com maior visibilidade a construção de fábricas dispendiosas e a compra de equipamento. O desafio continua a ser a execução: a empresa tem de pôr em funcionamento a capacidade de fabrico de wafers, embalagem e testes ao ritmo exigido pelos clientes.
Circuitos mais pequenos e maior rapidez nas fábricas
As atualizações dos processos de fabrico da Micron avançam em paralelo com os projetos de construção. Lu afirmou que as gerações recentes de DRAM avançada, incluindo 1α, 1β e 1γ, foram frequentemente introduzidas primeiro em Taiwan após o desenvolvimento. A geração 1γ é o primeiro processo DRAM da Micron a utilizar EUV.
A Micron afirma que a 1γ aumenta em mais de 30% a densidade de bits de memória por wafer, em comparação com a 1β. Em termos simples, um wafer pode conter mais capacidade de memória. O volume final de produtos acabados também depende do número de wafers processados pela fábrica, de quantos chips funcionam corretamente e da capacidade de embalagem disponível.
A comunicação anterior da i-stock descreveu um aumento previsto da produção mensal de HBM da Micron, de 20 000 para 60 000 wafers, uma meta de triplicar a produção. Referiu também a ambição do diretor executivo, Sanjay Mehrotra, de ultrapassar uma quota de 20% do mercado de HBM no ano seguinte. Eram metas anteriores; os anúncios de expansão de outubro de 2026 centram-se nas instalações e nos compromissos dos clientes que sustentam a próxima fase.
A i-stock afirmou que a sua colaboração renovada com a Micron introduziria armazenamento automatizado, sistemas de triagem, veículos guiados e robôs, ligando também os sistemas de gestão da fábrica aos sistemas de gestão empresarial. Este equipamento movimenta materiais entre etapas de produção e acompanha a sua localização, uma necessidade operacional à medida que entram em funcionamento mais instalações e processos.
Taiwan combina processadores avançados com memória
O presidente Lai Ching-te aproveitou a inauguração em Taichung para relacionar o investimento da Micron com o papel mais amplo de Taiwan na computação de IA. Destacou as capacidades avançadas de fabrico de chips e de embalagem da TSMC, juntamente com a expansão da memória da Micron.
Lai, na qualidade de presidente de Taiwan, descreveu na cerimónia a relação entre a procura de IA e as capacidades de fabrico da ilha:
Quanto mais o mundo precisar de IA, mais precisará de Taiwan
A TSMC fabrica chips lógicos avançados e disponibiliza a embalagem CoWoS, que integra chips de computação e memória num encapsulamento sofisticado. A Micron fornece a tecnologia de memória e está a expandir a sua capacidade para a fabricar, empilhar e testar. A presença de ambas em Taiwan reúne várias partes essenciais da produção de hardware para IA na mesma rede industrial.
Lai afirmou que a Micron tinha recebido apoio ao abrigo do Programa A+ de Inovação Industrial e I&D do Ministério da Economia para a investigação de HBM em Taiwan. Disse também que os três principais programas governamentais de incentivos ao investimento tinham sido prorrogados até 2027, com financiamento e serviços destinados a ajudar as empresas a responder às necessidades de terrenos, água e eletricidade.
A expansão gera procura de equipamento, materiais, componentes de precisão e automação. As adaptações da Micron mostram também a diversidade do trabalho envolvido, desde a alteração das infraestruturas das fábricas à instalação de ferramentas de produção e ao desenvolvimento dos processos de embalagem necessários às sucessivas gerações de memória.
Outros fabricantes de memória também estão a expandir-se
O investimento em memória em Taiwan não se limita à Micron. Uma estimativa do setor aponta para mais de 674,4 mil milhões de NT$ em despesas de expansão anunciadas, enquanto as empresas respondem à procura de diferentes tipos de memória.
A Nanya Technology planeia iniciar a produção na Fab 5A no segundo semestre de 2027, com o objetivo de começar o processamento de 30 000 wafers por mês em 2028 e de 35 900 em 2029. O início do processamento de um wafer corresponde à sua entrada no processo de fabrico. As metas implicam um aumento de 5 900 wafers por mês, ou cerca de 19,7%, entre esses dois anos.
A Nanya recebeu também, a 1 de outubro, autorização para uma unidade de embalagem e testes de wafers 3D no Parque Científico de Pingtung. O projeto utilizará vias através do silício e empilhamento de wafers para memória de alto desempenho. Não foram anunciados a geração de HBM, as especificações, o montante do investimento nem os calendários de construção e produção.
A Winbond planeia expandir a fábrica de Kaohsiung, de 15 000 para 24 000 wafers por mês, um aumento de 60%. A construção de outra unidade deverá começar em janeiro de 2027, seguindo-se a instalação de equipamento em janeiro de 2029 e o início da produção em massa no final desse ano.
A Macronix está a investir 37,8 mil milhões de NT$ em memória flash NAND de célula de nível único e em memória eMMC, com capacidade adicional prevista para 2027 e uma produção mensal de wafers de 12 polegadas que deverá ultrapassar os 30 000. Estes projetos destinam-se a diferentes mercados de memória, enquanto a abertura da unidade da Micron em Taichung expande diretamente a cadeia de embalagem de HBM utilizada em sistemas de IA.
Principais pontos
- A Micron inaugurou a sua segunda unidade de embalagem avançada e testes em Taichung a 15 de outubro de 2026.
- A maioria da oferta global de HBM da empresa para 2027 está contratada, embora parte da produção da nova unidade de Taichung continue fora dos acordos finalizados.
- O investimento acumulado em Taiwan ultrapassou 1,6 biliões de NT$ em junho de 2026, tendo cerca de metade sido realizado em quatro anos.
- Taoyuan, Tongluo, Taichung e Tainan estão a expandir diferentes etapas do fabrico de wafers, da embalagem de HBM e dos testes.
- As expedições de Tongluo estão previstas para meados de 2027, seguindo-se a entrada em funcionamento da Fab 11E, em Taoyuan, por volta de 2028.
- A Micron prevê uma oferta de memória mais restrita em 2027 e 2028, com alguns acordos com clientes a prolongarem-se até 2031.






