Falta de capacidade no ponto de ligação
A região da capital da Coreia do Sul representava 674 dos 1 107 pedidos apresentados, até ao final de setembro de 2025, no âmbito de um programa-piloto de avaliação da rede elétrica. Dos 648 pedidos da região da capital cuja análise técnica a Korea Electric Power Corporation tinha concluído, 313, ou 48,3%, receberam uma decisão de impossibilidade de fornecimento de eletricidade.
Índice
- Falta de capacidade no ponto de ligação
- Porque Namyangju precisa de mais do que um estaleiro de obras
- O que revelam os números dos pedidos
- Uma aprovação condicional pode significar uma longa espera
- Porque tantos projetos ficam abaixo dos 10 megawatts
- Ansan mostra como os projetos se acumulam localmente
- A forte procura mantém o interesse dos promotores
- O que mudou o governo
- A expansão da rede também exige acordo local
- Principais pontos
Fora da região da capital, que inclui Seul, a província de Gyeonggi e Incheon, a mesma decisão foi tomada em 33 das 327 análises concluídas, ou 10,1%. A taxa de rejeição na região da capital foi cerca de 4,8 vezes superior, segundo dados da KEPCO enviados a Kim Sung-won, deputado do Partido do Poder Popular.
Os números mostram as dificuldades enfrentadas pelas empresas que tentam construir centros de dados perto dos seus clientes e das empresas já existentes. Um projeto precisa de mais do que terrenos, financiamento e servidores. Precisa também de ligação a uma rede elétrica capaz de fornecer uma quantidade elevada e constante de energia.
O centro de dados de inteligência artificial que o Shinhan Bank planeia construir em Namyangju ilustra o problema. O banco anunciou, em dezembro de 2024, um investimento de 850 mil milhões de wons, depois de analisar 130 localizações possíveis em todo o país. Na altura a que se referia o relato dos números de setembro, o projeto escolhido, com uma capacidade elétrica prevista de cerca de 50 megawatts, ainda não tinha sido aprovado na avaliação do impacto na rede.
Desde então, os procedimentos governamentais foram alterados. O Ministério do Clima, Energia e Ambiente anunciou revisões a 28 de novembro de 2025, enquanto uma página oficial de avaliação apresenta atualizações datadas de 13 de fevereiro e 27 de março de 2026. Estes desenvolvimentos posteriores fazem dos números de setembro uma medida datada do estrangulamento, e não uma contagem atual dos pedidos rejeitados.
Porque Namyangju precisa de mais do que um estaleiro de obras
O complexo industrial urbano de Wangsuk, em Namyangju, destina-se a acolher centros de dados de empresas financeiras e tecnológicas, incluindo o Shinhan Bank, o Woori Bank e a Kakao. A construção de uma subestação de 345 quilovolts faz parte do desenvolvimento das infraestruturas elétricas da zona.
Uma subestação altera a tensão e encaminha a eletricidade pela rede. As linhas de transporte levam energia ao longo de distâncias maiores, enquanto as linhas de distribuição a fazem chegar mais perto dos utilizadores individuais. Um centro de dados pode estar pronto a funcionar antes de estarem concluídas as instalações necessárias para o ligar à rede.
Os 50 megawatts previstos para o projeto do Shinhan correspondem a uma potência de consumo de eletricidade, não à quantidade consumida ao longo de um ano. Um megawatt equivale a 1 000 quilowatts. Garantir essa capacidade implica assegurar que a rede consegue suportar uma carga adicional substancial sempre que as instalações precisarem.
O processo de aprovação tem, por isso, várias etapas práticas. O promotor tem de obter uma avaliação favorável, acordar a forma como a eletricidade chegará ao local e aguardar pela construção das linhas ou subestações necessárias. A aprovação numa fase inicial pode deixar o projeto dependente de anos de obras de infraestrutura.
O que revelam os números dos pedidos
A região da capital representava 60,9% de todos os pedidos registados no programa-piloto de avaliação até setembro de 2025. A sua quota da procura era elevada e a taxa de análises técnicas sem aprovação foi muito superior à de outras regiões.
Uma base de dados anterior do Ministério do Clima, Energia e Ambiente, relativa à primeira fase de análise técnica entre agosto de 2024 e março de 2025, registou 279 decisões de impossibilidade de fornecimento entre 522 pedidos da região da capital, ou 53,4%. O valor posterior de 48,3% abrange um período mais longo e um número diferente de análises concluídas.
Estas estatísticas de avaliação coexistem com um indicador mais específico do desenvolvimento de centros de dados. Registos da KEPCO obtidos por Choi Ki-sang, deputado do Partido Democrático, mostraram que, durante o período de 2025 a que os dados se referem, foram apresentados 72 pedidos de fornecimento de eletricidade para centros de dados na região da capital. Destes, 64 solicitavam menos de 10 megawatts.
A pressão já era visível anteriormente. Em março de 2023, o Ministério do Comércio, Indústria e Energia identificou 601 potenciais localizações para novos centros de dados na região da capital até 2029. Considerou-se que apenas 40, ou 6,7%, poderiam receber eletricidade a tempo. Em conjunto, os números revelam um desfasamento persistente entre as localizações preferidas e as ligações disponíveis.
Uma aprovação condicional pode significar uma longa espera
Os registos da KEPCO de agosto de 2025 identificavam 232 clientes ainda na fase de pedido de fornecimento de eletricidade para uma capacidade contratada igual ou superior a 5 megawatts, depois de excluídos os contratos de fornecimento concluídos, os cancelamentos e outros casos excluídos. A capacidade total pedida rondava os 12 gigawatts.
Este valor era cerca de quatro vezes superior aos aproximadamente 2,95 gigawatts de capacidade contratada pelos clientes de centros de dados que já recebiam eletricidade da KEPCO. A comparação mostra a dimensão da fila de pedidos face ao fornecimento já contratado.
Outra base de dados da KEPCO, relativa às análises de planeamento do fornecimento entre 2021 e agosto de 2025, classificou 65 das 179 análises concluídas como condicionalmente viáveis. Isso correspondia a 36,3% do total.
A KEPCO explicou que as decisões condicionais podiam resultar de uma discrepância entre a data prevista para a conclusão de uma subestação e a data em que o cliente pretendia iniciar as operações, ou da necessidade de mais tempo para construir uma linha de fornecimento. Na prática, o promotor poderá ter de adiar a abertura para a fazer coincidir com o calendário de construção da rede elétrica.
Os dados do setor citados na reportagem apontam para prazos de construção de cerca de seis anos e meio a sete anos e meio para instalações de transporte e subestações de 154 quilovolts. Para instalações de 345 quilovolts ou mais, os prazos médios de construção citados rondavam os dez anos. Para empresas que investem em tecnologia de inteligência artificial em rápida evolução, isso cria um desfasamento difícil de gerir no planeamento.
Porque tantos projetos ficam abaixo dos 10 megawatts
Dos 72 pedidos de fornecimento de eletricidade para centros de dados na região da capital, 52 solicitavam capacidade na ordem dos 9 megawatts. Os pedidos abaixo dos 10 megawatts aumentaram de 31 em 2024 para 64 durante o período de 2025 a que os dados se referem.
O limiar dos 10 megawatts é importante porque determina se um projeto fica sujeito ao processo de avaliação do impacto na rede. Também afeta as condições de ligação: segundo as regras de fornecimento da KEPCO referidas, as instalações acima dos 10 megawatts exigem, em geral, ligações de transporte de 154 quilovolts e infraestruturas associadas, enquanto as instalações mais pequenas podem receber eletricidade através de linhas de distribuição de 22,9 quilovolts.
Por conseguinte, os promotores têm apresentado instalações urbanas mais pequenas como centros de dados de proximidade. Uma instalação deste tipo processa informação mais perto do local onde as pessoas ou as máquinas a utilizam, reduzindo o tempo necessário para enviar dados para um centro de computação distante. Isso pode beneficiar transações financeiras, automação fabril e outros serviços que exigem respostas rápidas.
Na região da capital, a dimensão destes projetos também reflete o limiar de aprovação para o fornecimento de eletricidade. Numa auditoria parlamentar realizada a 6 de outubro de 2025, o ministro do Clima, Energia e Ambiente, Kim Sung-hwan, pronunciou-se sobre dois centros propostos em lotes contíguos no distrito de Geumcheon, em Seul, que pediam 9 e 9,9 megawatts. Disse que dividir um projeto de maior dimensão em vários pedidos seria ilegal se isso correspondesse a uma tentativa de contornar as regras.
Ansan mostra como os projetos se acumulam localmente
As zonas industriais de Banwol e Sihwa, em Ansan, são um exemplo concentrado do crescimento dos centros de dados. Nove instalações em funcionamento, em construção ou planeadas tinham uma capacidade declarada de receção de eletricidade de 417,6 megawatts no total.
O conjunto inclui o centro de dados de 40 megawatts da Kakao no campus ERICA da Universidade de Hanyang, concluído em setembro de 2023 e com capacidade para 120 000 servidores. Entre os outros projetos estão o Ansan Global Cloud Center, de 40 megawatts, cuja conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027, e uma instalação da KT Cloud de 50 megawatts, prevista para 2029.
Estão também a surgir projetos de menor dimensão. A construção do OUR Data Center começou a 12 de outubro de 2025, com conclusão prevista para outubro de 2027. A capacidade de receção de eletricidade prevista é de 7,6 megawatts, incluindo 4,82 megawatts para equipamento informático. A diferença corresponde à eletricidade necessária para a refrigeração e outros sistemas de apoio.
O plano para o setor da inteligência artificial de Ansan, apresentado em maio de 2025, centrava-se em aplicações industriais, incluindo a utilização de IA nas zonas de produção de Banwol e Sihwa. As descrições publicadas do plano e os pedidos apresentados pela cidade ao governo nacional em julho não incluíam centros de dados nem planeamento do fornecimento de eletricidade.
Para uma cidade industrial, a questão prática é como integrar centenas de megawatts de procura prevista para computação com as fábricas que já utilizam a rede. O planeamento local tem de articular as aprovações de cada projeto com as subestações e linhas que servem toda a zona industrial.
A forte procura mantém o interesse dos promotores
Os dados do imobiliário comercial ajudam a explicar por que razão as empresas continuam a procurar locais difíceis de viabilizar. A Cushman & Wakefield registou uma descida da taxa de desocupação dos centros de dados na região da capital, de 6,9% no segundo semestre de 2024 para 1,1% no primeiro semestre de 2025.
Os dados da CBRE situaram as rendas médias mensais por quilowatt em cerca de 140 000 wons em 2019 e 250 000 wons em 2024, uma subida de aproximadamente 79%. Em conjunto, a menor disponibilidade e as rendas mais elevadas criam um incentivo financeiro para garantir capacidade utilizável perto de Seul.
As instalações mais pequenas também enfrentam pressões de custos próprias. O contrato de construção referido para um centro de 9 megawatts perto da estação de Samseong, em Gangnam, foi de 129,6 mil milhões de wons, enquanto um projeto de 9,8 megawatts em Bucheon tinha um contrato de construção de 126,8 mil milhões de wons. Os respetivos custos por megawatt foram de cerca de 14,4 mil milhões e 12,9 mil milhões de wons.
O custo de construção referido para um projeto de 40 megawatts em Ansan foi de 400 mil milhões de wons, ou 10 mil milhões de wons por megawatt. O âmbito das obras varia consoante o projeto, mas os valores ilustram por que razão os promotores têm de ponderar o acesso mais rápido a uma ligação de menor dimensão face às vantagens de custo de construir em maior escala.
O que mudou o governo
O aviso sobre o procedimento-piloto do Ministério do Clima, Energia e Ambiente, com o número 2025-139 e datado de 28 de novembro de 2025, reviu as regras de avaliação do impacto na rede ao abrigo do artigo 23.º da Lei Especial de Promoção da Energia Distribuída.
O aviso alterou os critérios de avaliação, introduziu procedimentos simplificados e condições preferenciais e acrescentou taxas de análise técnica. Também remeteu os requerentes para orientações revistas sobre a preparação dos documentos de avaliação.
Para os projetos que pretendam ficar isentos da obrigação de avaliação, o ministério alterou os critérios de identificação dos setores estratégicos nacionais avançados que podem beneficiar da isenção, bem como o procedimento de candidatura. Remeteu os requerentes para o artigo 23.º da lei, o artigo 26.º do respetivo decreto de execução e um formulário específico para o pedido de isenção.
A página oficial com o ponto de situação das avaliações apresenta documentos datados de 13 de fevereiro e 27 de março de 2026. A página indica as datas dessas atualizações, mas os números incluídos nos PDF não constam do excerto publicado, pelo que não é possível indicar aqui uma taxa de rejeição mais recente.
Os principais marcos cronológicos mostram a evolução da pressão e da resposta política:
- Março de 2023: O Ministério da Indústria identificou apenas 40 das 601 potenciais localizações na região da capital como capazes de receber eletricidade a tempo.
- Agosto de 2024 a março de 2025: As análises técnicas iniciais concluíram que não era possível fornecer eletricidade a 279 dos 522 pedidos da região da capital.
- Setembro de 2025: O conjunto de dados alargado do programa-piloto registou 313 decisões de impossibilidade de fornecimento em 648 análises concluídas na região da capital.
- 28 de novembro de 2025: O Ministério do Clima e Energia anunciou procedimentos revistos para as avaliações do programa-piloto.
- 27 de março de 2026: Foi publicado o documento de avaliação mais recente, de acordo com a data indicada na página oficial de acompanhamento.
A expansão da rede também exige acordo local
Até setembro de 2025, a KEPCO recebeu 5 095 queixas relacionadas com centros de dados, em comparação com uma em 2021. Relatos do setor descreveram um aumento da oposição por preocupações com a saúde e o risco de incêndio, a par da contestação a linhas de transporte e subestações.
Os promotores enfrentam, por isso, tanto os prazos de engenharia como o desafio de obter aceitação local. Um centro mais pequeno pode caber numa propriedade industrial existente, mas a zona envolvente continua a precisar de capacidade de rede suficiente para servir vários projetos em simultâneo.
Num seminário organizado pelo Conselho Consultivo Económico Nacional a 28 de novembro, foram analisadas propostas para resolver o estrangulamento. Os participantes sugeriram depósitos de garantia de execução e taxas de reserva de capacidade para filtrar pedidos com poucas hipóteses de avançar.
Outras propostas incluíram separar a contabilização dos investimentos na rede das perdas da KEPCO nas vendas de eletricidade e repercutir gradualmente os custos de construção nas tarifas. Os participantes propuseram também a criação de um organismo temporário com plenos poderes para definir prioridades e princípios de repartição de custos no prazo de seis meses, seguindo-se o início da construção de projetos prioritários em Yongin e Honam no prazo de 36 meses. Estes prazos foram apresentados como objetivos propostos, não como compromissos de construção anunciados.
O desafio imediato consiste em alinhar três calendários: quando uma empresa pretende abrir, quando a rede consegue fornecer energia e quando as infraestruturas necessárias podem ser aprovadas e construídas. O projeto de Namyangju e a concentração de pedidos abaixo dos 10 megawatts mostram como este desfasamento já está a moldar as decisões de investimento.
Principais pontos
- Até setembro de 2025, 48,3% das análises técnicas concluídas na região da capital concluíram que não era possível fornecer eletricidade, contra 10,1% fora da região.
- Uma aprovação condicional pode obrigar os promotores a esperar pela construção de novas subestações ou linhas de fornecimento.
- Dos 72 pedidos de fornecimento de eletricidade para centros de dados na região da capital durante o período de 2025 a que os dados se referem, 64 solicitavam menos de 10 megawatts.
- Nove instalações em funcionamento, em desenvolvimento ou planeadas nas zonas industriais de Banwol e Sihwa, em Ansan, totalizavam 417,6 megawatts de capacidade declarada de receção de eletricidade.
- O governo reviu os procedimentos de avaliação em novembro de 2025, e a página oficial de acompanhamento apresenta uma atualização posterior, datada de 27 de março de 2026.






