Dois novos poços fornecem gás à rede elétrica de Luzon
O Presidente Ferdinand Marcos Jr. presidiu à primeira entrega cerimonial de gás natural de dois novos poços de Malampaya, a 5 de novembro de 2026, assinalando uma expansão de quase mil milhões de dólares que, segundo a operadora Prime Energy, poderá prolongar a vida produtiva do campo em cerca de seis anos.
Índice
- Dois novos poços fornecem gás à rede elétrica de Luzon
- O que Marcos disse sobre os preços da eletricidade
- Da perfuração à cerimónia de novembro
- Quanto gás foi acrescentado?
- A importância da infraestrutura existente
- Um recurso nacional numa economia dependente das importações
- Empreiteiros e competências envolvidos no projeto
- Batangas aposta no investimento e no emprego
- Novos contratos e prioridade ao gás filipino
- Principais pontos
A cerimónia decorreu na unidade de processamento de gás terrestre de Malampaya, em Tabangao Ambulong, na cidade de Batangas. O gás dos poços Malampaya East-1 e Camago-3 é transportado de Palawan, ao largo da costa, através do sistema de transmissão existente até Batangas, onde as centrais elétricas o utilizam para produzir eletricidade para a rede de Luzon.
A Prime Energy estima que o projeto acrescentou 222 mil milhões de pés cúbicos às reservas recuperáveis de gás natural. A empresa afirma que o gás adicional poderá gerar cerca de 31,46 mil milhões de quilowatts-hora de eletricidade, o equivalente ao consumo anual de 13,11 milhões de agregados familiares filipinos.
A entrega ocorre numa altura em que as Filipinas procuram reduzir a exposição aos preços dos combustíveis e às perturbações no abastecimento no estrangeiro. As fontes importadas representaram 52 por cento do abastecimento total de energia primária do país em 2025, segundo os dados governamentais citados na ocasião. Este indicador abrange a energia utilizada em toda a economia, e não apenas a eletricidade.
Malampaya já fornece gás a centrais que satisfazem cerca de um quinto das necessidades de eletricidade de Luzon. Os novos poços dão a essas centrais uma fonte adicional de combustível nacional, enquanto a integração no sistema de produção existente e o aumento da produção prosseguirão nos próximos meses.
O que Marcos disse sobre os preços da eletricidade
Marcos apresentou o novo fornecimento de gás como uma forma de tornar a eletricidade mais fiável e reforçar a concorrência, num contexto de subida das tarifas. Disse que o aumento da utilização de gás filipino reduziria a exposição à imprevisibilidade dos preços internacionais dos combustíveis.
O Presidente explicou os benefícios esperados nas suas declarações durante a cerimónia em Batangas:
A maximização da utilização do gás de Malampaya poderá contribuir para tarifas de eletricidade mais competitivas, porque dependemos menos de fontes de energia importadas, sujeitas à volatilidade dos preços internacionais da energia.
Para os consumidores de eletricidade, a mudança imediata é a disponibilidade de uma fonte adicional de combustível para a produção de energia. O anúncio não indicou qualquer valor ou calendário para uma redução das faturas de eletricidade domésticas.
A disponibilidade de gás e os preços da eletricidade estão ligados através das centrais que queimam esse combustível. O acesso a mais gás nacional pode dar a essas centrais outra opção de abastecimento, apoiando o objetivo do Presidente de reduzir a dependência da energia comprada no estrangeiro.
Da perfuração à cerimónia de novembro
A Fase 4 de Malampaya envolveu a perfuração e os testes de dois poços, seguidos da ligação à infraestrutura que já serve o campo. O projeto retomou a perfuração ao largo da costa das Filipinas após um intervalo de cerca de uma década.
As principais etapas até à primeira cerimónia de fornecimento de gás foram:
- Primeiro trimestre de 2026: foram perfurados e testados os poços Malampaya East-1 e Camago-3.
- Junho de 2026: os dois poços foram ligados ao sistema submarino de produção existente de Malampaya.
- 5 de novembro de 2026: Marcos e Enrique Razon, presidente da Prime Energy, assistiram ao primeiro fluxo cerimonial na unidade de Batangas.
- Meses seguintes: prevê-se que a integração e o aumento da produção prossigam.
A Prime Energy afirmou que o projeto atingiu o marco da primeira produção de gás 27 meses após a decisão final de investimento, o momento em que o promotor se comprometeu a financiar e executar os trabalhos. Isso aconteceu cerca de cinco meses antes do calendário inicial, que previa um prazo de aproximadamente 32 meses.
O evento de novembro assinalou a entrada no sistema operacional do gás proveniente dos novos poços. Os trabalhos em curso integrarão a produção destes poços nas operações regulares do campo.
Quanto gás foi acrescentado?
A Prime Energy e o consórcio de Malampaya estimam em 222 mil milhões de pés cúbicos as reservas recuperáveis adicionais. As reservas recuperáveis correspondem à parcela do gás subterrâneo que se prevê extrair, e não à totalidade do gás que poderá existir sob o leito marinho.
Nas descrições da cerimónia de novembro foi também referida uma estimativa inferior, de cerca de 41,46 mil milhões de pés cúbicos de reservas recuperáveis. A razão da diferença não foi explicada. A estimativa divulgada pela Prime Energy para o projeto é de 222 mil milhões de pés cúbicos.
A estimativa de eletricidade associada ao projeto é de cerca de 31,46 mil milhões de quilowatts-hora. O quilowatt-hora é uma unidade de energia utilizada nas faturas de eletricidade: um aparelho que consome um quilowatt utiliza um quilowatt-hora quando funciona durante uma hora.
Dividindo a produção de eletricidade projetada pelos 13,11 milhões de agregados familiares indicados, obtêm-se cerca de 2400 quilowatts-hora por agregado familiar ao longo de um ano, ou aproximadamente 200 por mês. Este cálculo explica a comparação com os agregados familiares utilizada para descrever a dimensão do recurso.
Prevê-se que o gás seja produzido ao longo de vários anos. O seu contributo projetado dependerá da quantidade extraída dos poços e utilizada pelas centrais durante esse período.
A importância da infraestrutura existente
A Fase 4 liga os dois novos poços à plataforma de produção marítima existente de Malampaya, através de equipamento instalado debaixo de água. O gás segue depois pela infraestrutura de transmissão já estabelecida, desde as águas ao largo de Palawan até Batangas.
Em Batangas, as centrais queimam o gás para produzir eletricidade para Luzon. Os poços marítimos, as instalações de produção, o sistema de transmissão e as centrais formam uma cadeia interligada, sendo necessária cada etapa para transformar o gás sob o leito marinho em eletricidade para os consumidores.
O investimento de quase mil milhões de dólares da Prime Energy cobriu os dois poços em águas profundas e a infraestrutura submarina que os liga à plataforma de produção. O projeto aproveita o percurso e as instalações que transportam gás de Malampaya desde o início das operações comerciais, em 2001.
Os testes iniciais dos poços indicam que o abastecimento adicional poderá prolongar a vida produtiva do campo em cerca de seis anos. A duração dependerá das futuras aquisições de gás, ou seja, da quantidade comprada e retirada do sistema. Uma utilização mais rápida esgota o recurso mais cedo; uma utilização mais lenta prolonga-o por mais tempo.
Um recurso nacional numa economia dependente das importações
Em 2025, as Filipinas obtiveram 52 por cento do seu abastecimento total de energia primária a partir de fontes importadas. As fontes nacionais representaram, por conseguinte, os restantes 48 por cento, ficando quatro pontos percentuais abaixo das importações.
Marcos associou essa dependência à exposição a tensões geopolíticas, interrupções no abastecimento e oscilações súbitas dos preços internacionais. Disse que uma economia em crescimento precisaria de mais energia para apoiar as fábricas e outras atividades.
O Presidente descreveu os limites da dependência do abastecimento proveniente do estrangeiro:
Não podemos depender totalmente de outros países para nos fornecerem estes recursos em todas as circunstâncias.
O contributo de Malampaya concentra-se no fornecimento de gás para a produção de eletricidade. As centrais que serve satisfazem cerca de um quinto, ou aproximadamente 20 por cento, das necessidades de eletricidade de Luzon, tornando o campo uma parte consolidada do sistema energético da ilha.
Marcos apelou também a um maior desenvolvimento das energias renováveis, a par da exploração de recursos nacionais. A abordagem que defendeu combina o aumento da produção de gás filipino com esforços para expandir outras fontes de energia locais.
Empreiteiros e competências envolvidos no projeto
A Prime Energy Resources Development B.V., operadora do projeto, afirmou que a Fase 4 recorreu a uma cadeia de abastecimento que abrangeu 17 países. Entre os países mencionados estavam a Alemanha, o Reino Unido, a Noruega, os Países Baixos, os Estados Unidos, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália, Singapura, a Malásia e as Filipinas.
Os trabalhos exigiram equipamento especializado, componentes fabricados e pessoal técnico. Entre os artigos fornecidos ou recondicionados encontravam-se válvulas, cabos, geradores, condutas, sistemas submarinos e equipamento instalado no topo dos poços.
Empresas filipinas de fabrico e produção também apoiaram o projeto. A Prime Energy atribuiu a conclusão dos trabalhos em 27 meses, apesar da complexidade da construção em águas profundas, à coordenação entre empreiteiros e fornecedores.
Marcos afirmou que o projeto trouxe benefícios para além da produção de gás, incluindo emprego e desenvolvimento de competências técnicas. O Presidente descreveu esses benefícios durante a cerimónia:
Para além da segurança energética, este projeto promove o emprego, desenvolve a especialização técnica filipina e contribui para as receitas do Estado.
Batangas aposta no investimento e no emprego
Batangas acolhe a unidade terrestre que recebe o gás de Malampaya e as centrais que o transformam em eletricidade. A governadora Vilma Santos-Recto afirmou que o aumento do abastecimento poderia ajudar a atrair investidores e a apoiar os meios de subsistência na província.
Santos-Recto associou o investimento às oportunidades para os residentes:
Assim, com mais investidores, haverá certamente mais oportunidades de emprego e melhores meios de subsistência para os nossos cidadãos.
As suas declarações expressaram as expectativas da província quanto à atividade para além do próprio projeto de construção. As instalações de gás e as centrais em operação conferem a Batangas um papel contínuo no transporte de energia de Palawan, ao largo da costa, até aos consumidores de eletricidade de Luzon.
Malampaya também gera receitas para o governo nacional. A Prime Energy afirmou que o Contrato de Serviço n.º 38, ao abrigo do qual o projeto opera, gerou mais de 14 mil milhões de dólares em receitas para o governo desde o início da produção, em 2001.
Novos contratos e prioridade ao gás filipino
Marcos referiu 14 novos contratos de serviços petrolíferos que abrangem oportunidades no petróleo, no gás natural e no hidrogénio nativo. Hidrogénio nativo é o hidrogénio que ocorre naturalmente no subsolo, em vez de ser produzido com eletricidade ou outros combustíveis.
O governo concedeu também incentivos especiais aos empreiteiros que trabalham em novas áreas de exploração, zonas de fronteira e projetos de gás em locais remotos. Estas medidas destinam-se a incentivar o investimento em locais onde a descoberta e o desenvolvimento de recursos podem ser difíceis.
Outra iniciativa, o Projeto Filipino de Levantamento Gravimétrico e Sísmico, destina-se a identificar possíveis oportunidades de exploração. As medições gravimétricas e os levantamentos sísmicos ajudam a cartografar as estruturas subterrâneas, permitindo aos promotores avaliar onde poderão encontrar-se recursos.
Marcos referiu também a Lei de Desenvolvimento da Indústria do Gás Natural das Filipinas, que dá prioridade à aquisição e utilização de gás natural nacional em detrimento do gás natural importado nas centrais que queimam gás. Esta política confere preferência à produção nacional no mercado, à medida que os novos poços começam a fornecer combustível.
A Fase 4 dá ao governo um projeto concluído que pode apresentar a par dessas medidas de exploração. O próximo passo operacional consiste em prosseguir a integração dos poços e aumentar a produção nos próximos meses.
Principais pontos
- Marcos presidiu à primeira entrega cerimonial de gás dos poços Malampaya East-1 e Camago-3, na cidade de Batangas, a 5 de novembro de 2026.
- A Prime Energy estima em 222 mil milhões de pés cúbicos as reservas recuperáveis adicionais e em 31,46 mil milhões de quilowatts-hora a potencial produção de eletricidade.
- O projeto, no valor de quase mil milhões de dólares, atingiu a primeira produção de gás em 27 meses, cerca de cinco meses antes do previsto.
- Os poços poderão prolongar a produção de Malampaya em cerca de seis anos, dependendo da utilização do gás.
- As fontes importadas forneceram 52 por cento da energia primária das Filipinas em 2025.
- A integração e o aumento da produção prosseguirão nos próximos meses.






