Tailândia insta Myanmar a afastar os combates da fronteira antes da visita de 12 de novembro

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Thailand Urges Myanmar to Keep Border Fighting Away as November 12 Visit Nears

Feridos na fronteira pressionam conversações diplomáticas

A Tailândia pediu a Myanmar que mantenha as operações militares afastadas do território tailandês, depois de combates ao longo da fronteira comum terem danificado bens e ferido um civil tailandês. O vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Sihasak Phuangketkeow, tenciona visitar Myanmar a 12 de novembro, levando diretamente para as conversações as preocupações com a segurança e as relações de Myanmar com os seus vizinhos do Sudeste Asiático.

Índice
  1. Feridos na fronteira pressionam conversações diplomáticas
  2. O que aconteceu junto à fronteira?
  3. Tailândia pede que operações militares se mantenham afastadas
  4. A importância de Hpapun nos combates
  5. Uma sequência breve de combates e diplomacia
  6. Participação na ASEAN depende de progressos
  7. Temas da visita de 12 de novembro
  8. Pontos principais

Sihasak abordou o assunto numa conversa telefónica de cerca de 10 minutos com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Myanmar, Tin Maung Swe, a 3 de novembro. A partir de Pequim, onde participava na 11.ª reunião de Cooperação Mekong-Lancang, afirmou que as operações contra grupos armados étnicos, em particular os ataques aéreos junto à fronteira, não devem afetar a Tailândia.

A preocupação imediata é a segurança das pessoas que vivem junto a uma fronteira com 2416 quilómetros, ou 1501 milhas. Uma tailandesa foi hospitalizada em Mae Sot a 29 de outubro, depois de ter sido ferida por fogo de artilharia proveniente do município de Myawaddy, em Myanmar. As autoridades tailandesas também comunicaram danos materiais provocados pelos combates, e a Tailândia reforçou a segurança ao longo da sua fronteira ocidental.

A mensagem de Sihasak foi além de prevenir novos ferimentos. A Tailândia quer que Myanmar volte a participar de forma mais plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático, conhecida como ASEAN, mas Sihasak afirmou que os progressos dependem da redução da violência e da melhoria das condições para conversações de paz.

A visita prevista conjuga estes dois objetivos: proteger agora as comunidades tailandesas e procurar compromissos que possam moldar a diplomacia regional. Os líderes da ASEAN têm encontro marcado em Manila, de 16 a 18 de novembro, embora uma calendarização anterior da visita indicasse que a cimeira se realizaria de 15 a 17 de novembro.

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O que aconteceu junto à fronteira?

O ferimento em Mae Sot ocorreu na sequência de fogo de artilharia proveniente do município de Myawaddy, no estado de Karen, onde os combates entre o exército de Myanmar e o Exército de Libertação Nacional Karen se intensificaram em outubro. Mae Sot fica do lado tailandês da fronteira, o que torna o incidente uma preocupação direta para as autoridades tailandesas.

As autoridades tailandesas contabilizaram um civil ferido e disseram que houve danos materiais. O exército de Myanmar, num comunicado divulgado pelos meios de comunicação estatais a 4 de novembro, atribuiu a responsabilidade pelo ferimento a grupos armados étnicos e a forças pró-democracia. A responsabilidade pelo disparo específico que feriu a mulher continua a ser contestada.

Outro incidente ocorreu a 31 de outubro, quando aeronaves militares de Myanmar atacaram uma base da União Nacional Karen, perto da fronteira, no município de Hpapun. Vários edifícios ficaram danificados, mas não foram comunicadas vítimas nesse ataque. Os ataques causaram receio entre os residentes tailandeses do outro lado da fronteira, na província de Mae Hong Son.

Os dois incidentes explicam por que razão Banguecoque está a abordar tanto o fogo de artilharia como as operações aéreas. A mulher foi ferida perto de Myawaddy, enquanto os ataques aéreos ocorreram mais a norte, nas proximidades de Hpapun. As preocupações tailandesas abrangem, por isso, mais do que um ponto da fronteira.

Tailândia pede que operações militares se mantenham afastadas

Sihasak disse a Tin Maung Swe que as operações militares de Myanmar não devem afetar a Tailândia e que os ataques aéreos devem ocorrer o mais longe possível da fronteira tailandesa. O pedido centrou-se em manter os efeitos dos combates dentro de Myanmar, sem os deixar atingir as comunidades vizinhas.

Para os residentes fronteiriços, isso significa impedir que obuses, explosões ou outros efeitos dos ataques causem feridos e danos do lado tailandês. Para o Governo, está também em causa a soberania, ou seja, o direito de um país a controlar e proteger o seu próprio território.

Segundo Sihasak, Tin Maung Swe reconheceu as preocupações da Tailândia e prometeu transmiti-las prontamente à liderança de Myanmar. A próxima oportunidade prevista para uma conversa direta é o encontro de ambos, a 12 de novembro.

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A importância de Hpapun nos combates

Hpapun é disputada há mais de dois anos, desde que o Exército de Libertação Nacional Karen tomou a localidade, em março de 2024. Esta força é o braço armado da União Nacional Karen, ou KNU, uma organização étnica envolvida no conflito com o exército de Myanmar.

A KNU afirmou que uma contraofensiva militar, envolvendo quase 2000 soldados, começou a 5 de maio. Hpapun fica a cerca de 177 quilómetros a norte de Hpa-An, capital do estado de Karen. Os ataques aéreos de 31 de outubro ocorreram no contexto dessa luta mais ampla pelo controlo do território.

Myawaddy é outra zona onde o exército e as forças Karen têm combatido. A intensificação dos confrontos na região em outubro, seguida pelo ferimento em Mae Sot, mostra como os combates dentro de Myanmar podem ter consequências imediatas para as pessoas que vivem do outro lado da fronteira.

O pedido diplomático de Banguecoque abrange essas consequências, onde quer que ocorram. Manter as aeronaves mais afastadas da fronteira responde a um dos perigos, enquanto o incidente com a artilharia torna igualmente urgente impedir que os disparos atinjam o território tailandês.

Uma sequência breve de combates e diplomacia

A visita de novembro surge após vários meses de contactos entre responsáveis tailandeses e de Myanmar. A Tailândia manteve esses contactos enquanto pressionava Myanmar a responder às preocupações da ASEAN sobre o conflito.

  • Março de 2024: O Exército de Libertação Nacional Karen tomou Hpapun.
  • Abril: Sihasak realizou a sua visita anterior a Myanmar.
  • 5 de maio: Começou em Hpapun uma contraofensiva militar que envolveu quase 2000 soldados, segundo a KNU.
  • Julho: Banguecoque acolheu Tin Maung Swe e os ministros dos Negócios Estrangeiros de vários países membros da ASEAN.
  • 6–7 de agosto: Min Aung Hlaing visitou Banguecoque e reuniu-se com o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, para discutir o regresso de Myanmar a uma participação mais plena na ASEAN.
  • 29 de outubro: Uma tailandesa foi hospitalizada em Mae Sot depois de ter sido ferida por fogo de artilharia proveniente do município de Myawaddy.
  • 31 de outubro: Ataques aéreos atingiram uma base da KNU perto da fronteira, no município de Hpapun.
  • 3 de novembro: Sihasak abordou a segurança na fronteira numa conversa telefónica com Tin Maung Swe.
  • 12 de novembro: Sihasak tem prevista uma visita a Myanmar.
  • 16–18 de novembro: Os líderes da ASEAN têm encontro marcado em Manila.

A viagem de 12 de novembro está prevista para quatro dias antes da abertura da cimeira de Manila. Dá à Tailândia a oportunidade de ouvir a posição de Myanmar antes de os líderes regionais discutirem os próximos passos.

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Participação na ASEAN depende de progressos

Os principais dirigentes políticos de Myanmar estão excluídos das reuniões da ASEAN ao mais alto nível desde o período que se seguiu ao golpe militar de 2021, que afastou do poder o Governo liderado por Aung San Suu Kyi e desencadeou uma guerra civil. Os responsáveis militares de topo foram impedidos de participar nessas reuniões a partir de outubro de 2021, depois de não terem aplicado o plano de paz acordado pela ASEAN.

O plano, designado Consenso de Cinco Pontos, foi acordado em abril de 2021. A redução da violência e o início do diálogo são elementos centrais do esforço diplomático que a Tailândia está agora a discutir. Diálogo significa reunir as partes em conflito para conversações, em vez de tentar resolver o conflito através da continuação dos combates.

Sihasak, vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros da Tailândia, afirmou que a redução dos combates por todas as partes permitiria criar melhores condições para conversações de paz:

A desescalada por todas as partes ajudará a criar um ambiente propício ao diálogo essencial e ao processo de paz.

Sihasak também relacionou os progressos na redução da violência e nas conversações de paz com a ponderação, pela ASEAN, da participação de Myanmar:

Se houver progressos nestas frentes, esse será um fator positivo para a ASEAN ponderar na cimeira dos líderes, quando decidirmos como avançar perante a situação em Myanmar, incluindo a participação de Myanmar nas reuniões da ASEAN.

Prevê-se que Myanmar envie um alto funcionário civil à cimeira de Manila. A proposta da Tailândia prende-se com a possibilidade de os progressos permitirem uma participação mais ampla em futuras reuniões, uma decisão que caberá à ASEAN ponderar coletivamente.

Temas da visita de 12 de novembro

Sihasak tenciona reunir-se com Tin Maung Swe durante a visita. Na altura em que a viagem foi anunciada, ainda estavam a ser organizados os preparativos para um encontro com o líder de Myanmar, Min Aung Hlaing. Sihasak afirmou que a Tailândia queria conhecer a posição mais recente de Myanmar antes da cimeira da ASEAN.

A visita dá continuidade ao encontro de julho, em Banguecoque, a primeira reunião do género entre o ministro dos Negócios Estrangeiros de Myanmar e vários ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN desde o golpe. Em agosto, Min Aung Hlaing reuniu-se com Anutin, e os chefes militares dos dois países conversaram duas semanas depois.

Min Aung Hlaing tomou posse como presidente civil em abril, na sequência de eleições amplamente desacreditadas pelos observadores eleitorais. Desde então, foi recebido oficialmente na Índia, na China e em vários países da ASEAN, enquanto a Tailândia prossegue os esforços para estreitar o envolvimento regional com Myanmar.

A segurança na fronteira acrescenta agora uma prova imediata a essa diplomacia. Os residentes tailandeses precisam de ser protegidos dos combates nas proximidades, enquanto os governos da ASEAN procuram progressos no sentido de menos violência e de diálogo político. Sihasak pede a Myanmar que responda a ambas as questões antes de os líderes se reunirem em Manila.

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Pontos principais

  • A Tailândia afirma que os combates perto da fronteira com Myanmar feriram um civil tailandês e danificaram bens.
  • Uma tailandesa foi hospitalizada em Mae Sot a 29 de outubro, depois de ter sido atingida por fogo de artilharia proveniente do município de Myawaddy.
  • Os ataques aéreos de 31 de outubro perto de Hpapun danificaram edifícios, sem que tenham sido comunicadas vítimas.
  • Sihasak pediu a Myanmar que impeça as operações militares de afetarem o território tailandês e que mantenha os ataques aéreos mais afastados da fronteira.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros da Tailândia visitará Myanmar a 12 de novembro e tem prevista uma reunião com Tin Maung Swe.
  • A Tailândia afirma que os progressos na redução da violência e na promoção da paz poderão contribuir para uma participação mais plena de Myanmar nas reuniões da ASEAN.
  • Os líderes da ASEAN têm encontro marcado em Manila, de 16 a 18 de novembro.
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