Quatro diplomas, duas audiências e uma sala de tribunal sob forte controlo
O antigo presidente indonésio Joko Widodo exibiu quatro diplomas escolares e universitários no Tribunal Distrital de Jacarta Oriental, a 5 de novembro de 2026, quando testemunhou num processo por difamação contra o antigo ministro Roy Suryo. O tribunal limitou a assistência a 80 pessoas, enquanto as autoridades mobilizaram cerca de 1.200 elementos de segurança e instalaram ecrãs de televisão no exterior para que mais pessoas pudessem acompanhar a sessão.
Índice
- Quatro diplomas, duas audiências e uma sala de tribunal sob forte controlo
- Por que só podiam entrar 80 pessoas
- Como decorreu a comparência de Jokowi em tribunal
- A exibição foi precedida por uma troca de palavras com a juíza
- Três datas no centro do relato sobre a universidade
- A fotografia e o acesso aos originais
- Por que razão Jokowi disse ter recorrido à polícia
- Roy rejeitou o testemunho e pediu novos exames
- O que as acusações exigem que o tribunal apure
- Principais pontos
Jokowi, o sétimo presidente da Indonésia, compareceu como testemunha da acusação no âmbito das alegações de que o seu diploma de licenciatura da Universidade Gadjah Mada (UGM) era falsificado. Rejeitou as acusações, descreveu o seu percurso escolar, do ensino primário à universidade, e identificou como sua a fotografia no diploma universitário.
Roy rejeitou o seu testemunho e pediu uma nova perícia às provas. A audiência levou a disputa a um interrogatório direto perante os juízes, com procuradores, advogados de defesa e o próprio Roy a questionarem o antigo presidente.
Jokowi estava previsto testemunhar em dois processos distintos nessa quinta-feira: o de Roy, às 9h00, e o que envolve a ativista da saúde Tifauzia Tyassuma, amplamente conhecida como Dokter Tifa, às 14h00. Ambos os arguidos enfrentam acusações relacionadas com os seus questionamentos às credenciais académicas de Jokowi.
Os principais desenvolvimentos do dia foram além da exibição dos documentos. Jokowi indicou datas precisas para a defesa da sua tese, em 1985, para a emissão do diploma e para a cerimónia de graduação; explicou por que razão recorreu à justiça em 2025; e descreveu a sua recusa em mostrar os documentos originais a manifestantes que se deslocaram a sua casa. A resposta de Roy manteve a análise desses documentos no centro da defesa.
Por que só podiam entrar 80 pessoas
O presidente do tribunal, Efendi, anunciou o limite de assistência a 3 de novembro, afirmando que a sala de audiências tinha capacidade para, no máximo, 80 pessoas. Disse que as audiências continuariam abertas ao público e que os apoiantes de Jokowi, os apoiantes dos arguidos e os restantes cidadãos seriam tratados em pé de igualdade.
Efendi apresentou o limite como uma questão de espaço, conforto e ordem. Disse também que o tribunal manteria a neutralidade: caberia aos procuradores tentar provar as acusações e aos advogados de defesa representar os seus clientes.
Os ecrãs de televisão instalados no exterior do tribunal deram aos jornalistas e ao público outra forma de acompanhar a sessão. A solução alargou o acesso para lá da sala de audiências, mantendo o número de pessoas no interior dentro da capacidade anunciada.
O chefe da polícia de Jacarta Oriental, o comissário sénior Alfian Nurrizal, descreveu três perímetros de segurança: no interior da sala de audiências, em redor do edifício do tribunal e no exterior do edifício. A polícia também organizou parques de estacionamento separados para os grupos de apoiantes rivais e desviou o trânsito em torno do tribunal.
Estas medidas responderam a duas preocupações práticas em simultâneo: manter a ordem no interior durante a audiência e reduzir os encontros entre grupos rivais no exterior. Foram mobilizados cerca de 1.200 elementos de segurança, embora não tenha sido especificado quantos foram destacados para cada perímetro.
Como decorreu a comparência de Jokowi em tribunal
Jokowi chegou por volta das 8h30, num Toyota Kijang Innova Zenix preto, acompanhado pelos seus ajudantes. Os seus filhos, Kahiyang Ayu e Kaesang Pangarep, também compareceram e sentaram-se perto da frente da sala de audiências.
Questionado sobre os documentos escolares que trouxera, o antigo presidente respondeu brevemente:
Trago-os todos comigo.
Jokowi entrou na sala de audiências por volta das 9h13, confirmou a sua identidade e jurou dizer a verdade. A sua chegada atraiu apoiantes ao tribunal, onde as medidas de segurança tinham sido preparadas para fazer face à presença de grupos rivais.
O calendário seguiu os pedidos apresentados nas audiências da semana anterior. Os procuradores tinham pedido que os dois depoimentos fossem ouvidos no mesmo dia, invocando preocupações de segurança.
- 28 de outubro de 2026: os procuradores no processo de Roy pediram que a audiência se realizasse a 5 de novembro, na mesma data do processo de Tifa, invocando preocupações de segurança.
- 29 de outubro: a procuradora Tri Yanti Merlyn Christin anunciou que Jokowi seria chamado a depor no julgamento de Tifa.
- 3 de novembro: Efendi anunciou que a sala de audiências teria uma assistência máxima de 80 pessoas.
- 5 de novembro: Jokowi chegou para a audiência da manhã, que envolvia Roy; a audiência de Tifa estava marcada para a tarde.
A exibição foi precedida por uma troca de palavras com a juíza
Os procuradores começaram por apresentar documentos relativos aos diplomas perante o coletivo de juízes. Jokowi, Roy e membros da equipa de defesa aproximaram-se para os examinar. Jokowi pediu então para mostrar os documentos aos jornalistas e às restantes pessoas presentes na audiência.
A juíza presidente, Christina Endarwati, sugeriu inicialmente que os exibisse noutra ocasião, possivelmente depois da audiência. Jokowi repetiu o pedido, explicando que tinha prometido publicamente mostrar os diplomas do ensino primário, do ensino básico, do ensino secundário e da universidade.
Os juízes acabaram por autorizar a exibição. Jokowi virou-se para a assistência e mostrou os quatro documentos, um a um, antes de regressar ao lugar das testemunhas.
Jokowi disse ter frequentado a Escola Primária Pública 111, a Escola Básica Pública 1 e a Escola Secundária Pública 6, todas em Surakarta, na província de Java Central. Depois estudou na Faculdade de Silvicultura da UGM, em Jogjacarta.
Os apoiantes aplaudiram durante a exibição. Roy, que foi visto a rir, pediu à juíza que mandasse sair as pessoas que estavam a gritar. A troca de palavras trouxe de imediato para primeiro plano a preocupação do tribunal com a ordem: o público podia assistir, mas a audiência exigia que os interrogatórios e as respostas decorressem de forma controlada.
Três datas no centro do relato sobre a universidade
O testemunho de Jokowi distinguiu três etapas da conclusão da licenciatura: a aprovação na defesa da tese, a emissão do diploma, com a data indicada pela universidade, e a participação na cerimónia de graduação.
O antigo presidente indicou diretamente ao tribunal a data da defesa da tese:
A defesa da minha tese teve lugar a 23 de outubro de 1985, Meritíssima.
Jokowi disse que obteve a nota A, fez pequenas alterações e mandou imprimir a tese na Percetakan Perdana. Segundo afirmou, a gráfica tratou da capa e da folha de aprovação.
O diploma, testemunhou, tem a data de 5 de novembro de 1985 e está assinado pelo reitor da UGM e pelo decano da Faculdade de Silvicultura. Situou a cerimónia de graduação a 19 de novembro de 1985, no edifício Purna Budaya, em Bulaksumur, Jogjacarta.
Segundo estas datas, o diploma foi emitido 13 dias depois da defesa da tese e a cerimónia realizou-se mais 14 dias depois. No relato de Jokowi, a defesa concluiu a avaliação académica, o diploma registou a qualificação e a cerimónia assinalou publicamente a graduação.
Jokowi recordou que 14 licenciados da Faculdade de Silvicultura estiveram presentes na cerimónia e disse ter sido o 12.º da lista. Não se lembrava do nome de todos os licenciados.
A fotografia e o acesso aos originais
Os procuradores perguntaram a Jokowi se o diploma universitário apresentado em tribunal lhe pertencia e se a fotografia era sua ou de Dumatno Budi Utomo, identificado na disputa como seu primo.
Jokowi confirmou que tanto o diploma como a fotografia eram seus. Explicou que usava óculos e tinha um bigode fino quando frequentava a universidade, dando ao tribunal uma explicação para a diferença entre o seu aspeto na fotografia e a imagem pública pela qual é conhecido.
Jokowi disse também que a polícia apreendeu os seus diplomas do ensino secundário e da licenciatura durante a investigação. A tese continuava na sua posse.
Roy e Tifa alegaram que o diploma da UGM era falsificado e que Jokowi nunca se licenciou. O diploma contestado esteve entre os documentos utilizados na candidatura de Jokowi às eleições presidenciais de 2014. Jokowi e a UGM rejeitaram repetidamente as alegações.
Jokowi contestou os fundamentos da análise feita por Roy ao documento, afirmando que este nunca tinha visto o original antes de chegar à sua conclusão. Também testemunhou que Roy e os seus associados não lhe tinham pedido autorização nem o tinham informado de que usariam o diploma para investigação. Disse que as alegações não se baseavam em dados primários, ou seja, em informação obtida diretamente do material original.
Por que razão Jokowi disse ter recorrido à polícia
Jokowi disse ao tribunal que um assessor lhe mostrou um vídeo em que Roy questionava o seu diploma de licenciatura, por volta de 26 de março de 2025. Disse que alegações semelhantes circulavam desde 2020, ressurgiram em 2024 e se agravaram durante 2025.
Descreveu sentir-se insultado e humilhado, afirmando que as acusações prejudicaram a sua reputação e a da sua família. Depois de consultar os seus advogados, apresentou uma queixa à polícia metropolitana de Jacarta a 30 de abril de 2025.
Jokowi afirmou que a queixa apresentava uma cronologia dos acontecimentos, em vez de identificar Roy ou outra pessoa específica como autor da alegada infração. Descreveu as alegações como tendo sido difundidas em debates televisivos, programas em linha e redes sociais, incluindo Facebook, X e YouTube.
Prestou declarações à polícia em Jacarta em maio de 2025 e comprometeu-se a apresentar o diploma original quando lhe fosse solicitado. Roy e Tifa foram constituídos arguidos em novembro de 2025. Os relatos sobre a detenção posterior indicam 19 de junho como data da detenção, seguida da libertação de ambos, sem especificar o ano.
Jokowi também descreveu a chegada de manifestantes, de autocarro, à sua casa em Surakarta. Disse que recebeu três representantes no interior, mas recusou o pedido para examinarem o diploma original, por não terem autoridade oficial. Disse ao tribunal que o mostraria se tal lhe fosse solicitado por investigadores, procuradores ou juízes.
Roy rejeitou o testemunho e pediu novos exames
A juíza Christina pediu a Roy que respondesse depois de Jokowi terminar o depoimento. Roy rejeitou o testemunho, descreveu as respostas como confusas e disse que perguntas básicas tinham ficado sem resposta. Quando a juíza lhe pediu que especificasse o que contestava, respondeu que a maior parte estava errada.
Roy pediu uma nova análise independente das provas, incluindo do diploma, pelo laboratório forense da polícia. Referiu alterações na liderança da polícia para justificar o pedido. A juíza registou a rejeição do testemunho da testemunha por parte de Roy.
O advogado de defesa Refly Harun também contestou os documentos exibidos em tribunal, afirmando que pareciam diferentes dos apresentados durante uma análise especial do caso. O ponto imediato da disputa era, portanto, tanto o relato de Jokowi como a exigência da defesa de que as provas materiais fossem novamente examinadas.
Os relatos da audiência não indicam qualquer decisão sobre o pedido de novos exames nem uma data para a próxima sessão. A audiência de Tifa ainda decorria quando foram publicados os relatos do dia.
Depois de prestar depoimento e responder às perguntas dos procuradores, dos advogados de defesa e de Roy, Jokowi dirigiu-se à zona reservada à defesa e cumprimentou Roy e os seus advogados.
O que as acusações exigem que o tribunal apure
Roy, que foi ministro da Juventude e do Desporto durante a presidência de Susilo Bambang Yudhoyono, enfrenta acusações relacionadas com alegada difamação e crimes relativos a informação eletrónica. Os procuradores acusam-no de ter divulgado informações falsas sobre o diploma de Jokowi.
As principais disposições do código penal citadas na acusação são o artigo 433.º, n.º 1, conjugado com o artigo 441.º, n.º 1, da Lei n.º 1 de 2023, relativa ao Código Penal. A acusação também invoca disposições da Lei n.º 11 de 2008, relativa à Informação e às Transações Eletrónicas, comummente designada por Lei ITE.
Estas disposições relativas à informação eletrónica incluem o artigo 35.º, conjugado com o artigo 51.º, n.º 1, e o artigo 32.º, conjugado com o artigo 48.º, n.º 1, bem como a Lei n.º 1 de 2026, relativa a ajustamentos penais. A expressão jurídica «conjugado com» significa que as disposições citadas se aplicam em conjunto. Uma acusação subsidiária dá aos juízes uma base jurídica alternativa a considerar caso não se prove a acusação principal.
O tribunal tem de apreciar as acusações com base nas provas e nos interrogatórios; cabe à acusação procurar provar o caso e à defesa contestar testemunhas e documentos. O testemunho de Jokowi apresentou a sua versão do percurso académico e dos danos que disse ter sofrido; a resposta de Roy levou os juízes a considerar novos exames dos documentos.
Principais pontos
- Jokowi exibiu quatro diplomas escolares e universitários quando testemunhou no Tribunal Distrital de Jacarta Oriental, a 5 de novembro de 2026.
- O tribunal limitou a assistência a 80 pessoas, instalou ecrãs de televisão no exterior e mobilizou cerca de 1.200 elementos de segurança.
- Jokowi indicou 23 de outubro de 1985 como a data da defesa da tese, 5 de novembro como a data do diploma e 19 de novembro como a data da cerimónia de graduação.
- Roy rejeitou o testemunho e pediu um novo exame forense das provas.
- Os processos de Roy e de Tifa tinham audiências para ouvir testemunhas marcadas para o mesmo dia, em sessões distintas.
- Não foi anunciada qualquer decisão sobre o pedido de novos exames de Roy nem uma data para a próxima audiência.






