A aposta de Jokowi no PSI põe à prova o mapa das coligações na Indonésia para 2029, enquanto Gibran enfrenta pressão política

14 min de leitura
Jokowi's PSI Push Tests Indonesia's 2029 Coalition Map as Gibran Faces Political Pressure

Uma ligeira subida nas sondagens contrasta com uma ambição política muito maior

O Partido da Solidariedade da Indonésia (PSI) subiu de 2,3% para 2,9% em duas sondagens da Poltracking Indonesia, realizadas em agosto e entre setembro e outubro de 2026. Trata-se de uma subida modesta para um partido que procura eleger os seus primeiros deputados para a Câmara dos Representantes nacional da Indonésia em 2029. O seu apoiante mais proeminente, o antigo presidente Joko Widodo, exibiu publicamente o seu número de filiado no PSI em Bandung, a 22 de setembro.

Índice
  1. Uma ligeira subida nas sondagens contrasta com uma ambição política muito maior
  2. O que as sondagens mediram realmente
  3. Duas eleições mostram a dimensão do desafio do PSI
  4. Jokowi quer uma rede partidária que chegue às aldeias
  5. A Java Central torna-se o teste mais concreto
  6. Porque podem os eleitores escolher primeiro os candidatos e só depois os partidos
  7. As perspetivas de Gibran dependem de mais do que a popularidade
  8. A disputa sobre as habilitações académicas entra na política parlamentar
  9. Uma ação parlamentar exige acordo entre partidos
  10. Pontos-chave

A intervenção de Jokowi reúne três ambições políticas: levar o PSI ao parlamento nacional, expandir o partido liderado pelo seu filho mais novo, Kaesang Pangarep, e reforçar a rede política em torno do filho mais velho, o vice-presidente Gibran Rakabuming Raka. Cada ambição depende de diferentes pessoas e instituições, desde organizadores locais até dirigentes de partidos maiores.

A posição do PSI é especialmente delicada porque a sua ligação familiar mais forte está dentro da presidência, enquanto o próprio partido continua fora do parlamento nacional. Gibran enfrenta uma pressão política crescente devido à documentação relativa à sua formação académica, com deputados a discutirem o escrutínio parlamentar e eventuais processos constitucionais.

Os números eleitorais revelam tanto oportunidades como distância a percorrer. O PSI obteve 2,81% dos votos válidos nas eleições legislativas de 2024, abaixo do limiar de 4% exigido para entrar na Câmara. O valor mais recente referido nas sondagens, 2,9%, deixa o partido à procura de uma base mais ampla, enquanto o Gerindra, partido do presidente Prabowo Subianto, continua muito à frente.

Para os eleitores, a questão central é concreta: saber se o apoio pessoal a Jokowi pode transformar-se numa organização capaz de eleger deputados, servir as comunidades e dar uma voz mais forte aos seus aliados políticos quando os partidos negociarem a próxima candidatura presidencial.

O que as sondagens mediram realmente

A divulgação dos resultados da sondagem de agosto da Poltracking Indonesia fornece a base metodológica mais clara. Os entrevistadores inquiriram presencialmente 1 220 pessoas em todas as 38 províncias, entre 14 e 20 de agosto de 2026. A organização indicou uma margem de erro de mais ou menos 2,9 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%.

A sondagem recorreu a várias etapas de seleção aleatória, com uma cobertura provincial proporcional ao recenseamento eleitoral de 2024 e estratificação por género. Yoki Alvetro, investigador da Poltracking, divulgou os resultados a 23 de setembro.

Publicidade

Numa simulação de voto com 18 partidos, o Gerindra obteve 23,2%, o Partido Democrático de Luta da Indonésia (PDI Perjuangan, PDIP) 11,6% e o Golkar 10,4%. Seguiram-se o PKB, com 6,2%, o Partido Democrático, com 6,1%, o NasDem, com 4,4%, o PAN, com 3,4%, o PKS, com 3,3%, o PSI, com 2,3%, e o PPP, com 1,9%.

A sondagem posterior, realizada entre 30 de setembro e 7 de outubro, colocou o PSI nos 2,9%, à frente do PAN e do PPP e um ponto percentual atrás do NasDem. O Gerindra manteve-se em primeiro lugar, com 22,9%, seguido pelo PDIP, com 13,4%, e pelo Golkar, com 9,1%. Outros 24,2% responderam que não sabiam ou não deram resposta.

A subida do PSI foi de 0,6 pontos percentuais. Para interpretar uma variação desta dimensão, é necessário conhecer a incerteza amostral nas duas sondagens; o relato dos resultados da sondagem posterior não especificou a dimensão da amostra nem a margem de erro. A margem de erro indicada para a sondagem de agosto dá aos leitores uma medida útil da incerteza que pode estar associada a uma estimativa.

Duas eleições mostram a dimensão do desafio do PSI

O PSI entrou na competição eleitoral após a sua fundação, no final de 2014. Em 2019, obteve 2 650 361 votos, ou 1,89% dos votos válidos a nível nacional. Em 2024, recebeu 4 260 169 votos, ou 2,81%.

O partido ganhou 1 609 808 votos entre as duas eleições, um aumento de cerca de 61%. A sua percentagem nacional de votos subiu 0,92 pontos percentuais. Apesar deste crescimento, o PSI continuou fora da Câmara, pois a sua percentagem ficou aquém do limiar parlamentar de 4% aplicado nessas eleições.

Um limiar parlamentar é a percentagem mínima de votos a nível nacional que um partido tem de alcançar para participar na distribuição dos lugares na Câmara. As eleições para os parlamentos provinciais são distintas, o que explica como o PSI pode ter lugares na Java Central sem representação na Câmara nacional.

Face ao mesmo referencial de 4%, o resultado do PSI em 2024 ficou aquém por 1,19 pontos percentuais, enquanto a sondagem mais recente referida ficou 1,1 pontos abaixo. As regras das eleições de 2029 determinarão o objetivo final, pelo que o limiar anterior é uma referência útil para avaliar a dimensão do desafio eleitoral do partido.

Jokowi quer uma rede partidária que chegue às aldeias

Jokowi declarou publicamente o seu apoio ao PSI no congresso do partido, em julho de 2025, em Surakarta, também conhecida como Solo. Kaesang foi reconduzido na presidência do partido para o mandato de 2025 a 2030, colocando o projeto político do antigo presidente sob a liderança do filho mais novo.

Publicidade

As instruções de Jokowi no congresso centraram-se na organização, e não apenas na visibilidade pública. Apelou à conclusão das estruturas partidárias em todas as províncias, distritos, cidades e aldeias, fixando um prazo anterior à fase final da próxima campanha eleitoral nacional.

O antigo presidente disse aos participantes do congresso:

«Por isso, exorto-vos a trabalharmos arduamente em conjunto para que as estruturas do partido em todas as regiões sejam concluídas em breve. No mínimo, até ao final de 2027»,

Lili Romli, investigadora sénior de política na Agência Nacional de Investigação e Inovação (BRIN), afirmou que a popularidade de Jokowi poderia ajudar o PSI. Sublinhou também que a reação do público e o trabalho regular nas comunidades influenciariam o resultado.

Ao explicar por que razão o apoio do antigo presidente trazia oportunidades e riscos, Lili disse:

«No entanto, isso pode não acontecer automaticamente nem estar garantido. Depende da reação do público, seja positiva ou negativa. Se for negativa, será certamente um desafio para Jokowi e para o PSI»,

O analista político Saiful Huda Ems apresentou uma avaliação mais cética a 3 de novembro de 2026. Defendeu que faltavam ao PSI dirigentes com experiência suficiente na gestão de um grande partido e questionou a força eleitoral dos políticos que estavam a entrar nas suas fileiras. Estas são avaliações da capacidade do partido; os resultados eleitorais constituem o registo mensurável do seu progresso até agora.

A Java Central torna-se o teste mais concreto

Kaesang fixou ao PSI o objetivo de conquistar 17 lugares no parlamento provincial da Java Central em 2029. O partido ganhou dois lugares nessa província em 2024, contra 33 do PDIP.

Chegar aos 17 exigiria que o PSI conquistasse mais 15 lugares e multiplicasse por 8,5 a sua representação face ao nível de 2024. A Java Central será, assim, um teste exigente para perceber se o apoio a Jokowi e a organização local do PSI conseguem alterar um equilíbrio de poder estabelecido.

Lili previu uma disputa entre o PSI e o PDIP na província, onde os apoiantes de Jokowi constituem um importante eleitorado político. A competição tem também uma história pessoal: foi através do PDIP que Jokowi construiu a sua carreira política anterior.

Djarot Saiful Hidayat, dirigente da comissão executiva nacional do PDIP responsável pela ideologia e pela formação de quadros, respondeu a 30 de outubro, alertando contra o abuso do poder do Estado. Alegou que a polícia tinha sido mobilizada durante as eleições de 2024 para pressionar dirigentes regionais, chefes de aldeia e organizações partidárias, e apelou aos futuros concorrentes para disputarem votos através de programas nas comunidades.

Publicidade

Djarot descreveu também a passagem de membros do PDIP para o PSI como um processo que separa os membros leais dos oportunistas políticos. A sua resposta mostra que a disputa vai além da conquista de eleitores indecisos: os partidos competem também por organizadores, relações locais e pessoas capazes de transformar apoio em votos.

Porque podem os eleitores escolher primeiro os candidatos e só depois os partidos

Os resultados da sondagem de agosto da Poltracking ajudam a explicar a insistência de Jokowi na criação de estruturas locais. Questionados sobre as eleições legislativas, 53,3% dos inquiridos disseram ter maior tendência para escolher um candidato individual, contra 24,7% que preferiam escolher um partido.

Apenas 12,3% disseram sentir-se próximos de um partido político, enquanto 66,8% afirmaram que não. Cerca de 57,6% disseram não saber quem era o deputado da Câmara nacional que representava a sua área; 26,2% disseram saber.

Para o PSI, estes números apontam para uma tarefa prática de recrutamento. Candidatos reconhecidos e organizadores que mantenham contacto com os residentes podem ser tão determinantes como um apoio nacional. O apelo de Lili a um trabalho regular junto das comunidades enquadra-se nesse padrão.

A Poltracking também identificou limites à ligação entre as preferências presidenciais e legislativas. Cerca de 44,6% disseram que o apoio de um partido a uma candidatura presidencial não influenciava a sua escolha partidária, contra 32,8% que disseram que sim. Assim, os eleitores podem apoiar uma figura política e, ao mesmo tempo, fazer uma escolha diferente no boletim de voto para as eleições legislativas.

O conhecimento público das regras de acesso ao parlamento também era limitado: 17,7% disseram conhecer o limiar de 4%, enquanto 64,7% afirmaram desconhecê-lo. A campanha do PSI terá de decorrer num eleitorado em que muitas pessoas dão prioridade aos candidatos e conhecem pouco as regras nacionais que determinam a representação dos partidos.

As perspetivas de Gibran dependem de mais do que a popularidade

Nasarudin, diretor executivo da NSL Political Consultant and Strategic Campaign, identificou três trunfos de Gibran para 2029: atratividade eleitoral, o apoio do PSI e as redes de voluntários de Jokowi. David Pajung, representante dos voluntários, manifestou otimismo a 7 de fevereiro de 2026 quanto à possibilidade de Gibran voltar a acompanhar o presidente em exercício na candidatura.

O cargo de vice-presidente, porém, também depende de negociações entre partidos com ambições próprias. Nasarudin recorreu ao livro de 1962 de William Riker, The Theory of Political Coalitions, para explicar por que razão os parceiros políticos ponderam os votos que um candidato pode trazer face aos cargos e à influência que terão de partilhar.

Publicidade

O Partido Democrático tem interesse nas perspetivas do seu presidente, Agus Harimurti Yudhoyono (AHY). Nasarudin defendeu que as boas relações entre Jokowi e o antigo presidente Susilo Bambang Yudhoyono poderiam facilitar o diálogo, embora as decisões sobre uma candidatura presidencial continuassem a depender dos interesses da própria liderança do partido.

O PDIP tem uma história política diferente com Gibran. Apoiou Ganjar Pranowo e Mahfud MD em 2024, enquanto Gibran se candidatou ao lado de Prabowo. Nasarudin abordou também a possibilidade de um limiar de nomeação presidencial igual a zero, o que daria ao PDIP maior margem para escolher uma candidatura de forma independente.

A procura do PSI por lugares na Câmara tem, por isso, importância para além da sobrevivência do partido. Uma representação legislativa maior daria ao partido mais deputados nas instituições onde são estabelecidos acordos políticos, juntando-se às redes pessoais já associadas a Jokowi.

A disputa sobre as habilitações académicas entra na política parlamentar

O PKS recebeu o grupo da sociedade civil Gerakan Merebut Kembali Kedaulatan Rakyat a 29 de outubro de 2026. Denny Indrayana, antigo vice-ministro da Justiça, exortou o partido a avançar com uma ação constitucional relativa à documentação académica de Gibran. O PKS afirmou que faria chegar as exigências do grupo à sua bancada na Câmara e que comunicaria com outros partidos.

Denny afirmou posteriormente que o Supremo Tribunal tinha dado provimento ao recurso de H.M. Subhan Palal relativo a uma carta que reconhecia os estudos de Gibran no estrangeiro. O processo foi identificado como Decisão n.º 742 K/TUN/2026, relativo à declaração de equivalência n.º 9149/D.D1/KS/2019.

Na discussão política, afirmou-se também que o Tribunal Constitucional não tinha encontrado provas de uma habilitação equivalente ao diploma indonésio do ensino secundário. O Supremo Tribunal cancelou uma conferência de imprensa explicativa prevista para 2 de novembro, por o seu gabinete jurídico e de relações públicas não ter recebido a decisão completa. A fundamentação integral da decisão judicial e o seguimento administrativo permaneciam, por isso, por esclarecer na discussão pública descrita naquele momento.

As principais datas permitem acompanhar como os esforços eleitorais do PSI e a pressão sobre Gibran evoluíram em paralelo:

  • Julho de 2025: Jokowi declarou publicamente o seu apoio ao PSI e apelou à conclusão das estruturas partidárias até ao final de 2027.
  • 14 a 20 de agosto de 2026: a Poltracking mediu o apoio ao PSI em 2,3%.
  • 22 de setembro de 2026: Jokowi exibiu o seu número de filiado no PSI em Bandung.
  • 30 de setembro a 7 de outubro de 2026: uma sondagem posterior da Poltracking colocou o PSI nos 2,9%.
  • 29 de outubro de 2026: o PKS recebeu ativistas que pediam medidas relativas às habilitações de Gibran.
  • 2 a 3 de novembro de 2026: intensificou-se a discussão sobre a decisão do Supremo Tribunal e os poderes de fiscalização parlamentar.

Uma ação parlamentar exige acordo entre partidos

Os deputados discutiram dois instrumentos principais: um inquérito, conhecido como hak angket, e o direito de expressar uma opinião, conhecido como hak menyatakan pendapat. Um inquérito investiga uma questão; uma expressão de opinião formaliza a posição da Câmara e pode fazer parte de processos constitucionais que envolvam o presidente ou o vice-presidente.

Publicidade

Adi Prayitno, diretor executivo da Parameter Politik Indonesia, afirmou que a proposta de um inquérito exige pelo menos 25 deputados de mais do que uma bancada, seguida de aprovação numa sessão plenária. Agung Baskoro, analista político, referiu os 53 lugares do PKS e os 110 do PDIP, num total de 163, como uma possível base inicial para a cooperação parlamentar.

Muhammad Khozin, deputado do PKB, afirmou que os direitos de fiscalização do parlamento podiam ser exercidos separadamente. Aan Eko Widiarto, especialista em direito da Universidade de Brawijaya, afirmou igualmente que uma expressão de opinião poderia avançar sem um inquérito prévio. Descreveu um processo que exige provas de apoio, aprovação substancial da Câmara, análise do Tribunal Constitucional e uma decisão final da Assembleia Consultiva do Povo (MPR).

Sugiat Santoso, porta-voz do Gerindra, apelou ao ministério responsável e às instituições para que explicassem publicamente o seguimento administrativo. Deddy Yevri Sitorus, deputado do PDIP, defendeu o início de um processo constitucional, enquanto Ahmad Doli Kurnia, vice-presidente do Golkar, argumentou que, caso os deputados pretendessem afastar Gibran do cargo, a via adequada seria uma expressão de opinião.

Muhaimin Iskandar, presidente do PKB, tinha já saudado o regresso de Jokowi à política partidária ativa, e Cucun Ahmad Syamsurijal, vice-presidente do partido, defendera o direito de todos os cidadãos a aderirem a um partido. Essas declarações de apoio coexistem com uma discussão posterior em que cada político e bancada terá de decidir como reagir ao caso de Gibran.

Agung alertou que uma iniciativa sem sucesso poderia gerar simpatia pública por Gibran, beneficiando-o a ele, ao PSI e a Jokowi. Para o PSI, o prazo organizativo imediato continua a ser o final de 2027. A ambição mais ampla depende de transformar a atenção nacional em candidatos, estruturas locais e votos suficientes para entrar na Câmara em 2029.

Pontos-chave

  • O PSI subiu de 2,3% para 2,9% nas duas sondagens da Poltracking referidas, enquanto o Gerindra manteve uma vantagem expressiva.
  • O PSI obteve 2,81% dos votos válidos em 2024 e continuou fora da Câmara nacional.
  • Jokowi quer que a organização do PSI chegue até ao nível das aldeias e esteja concluída até ao final de 2027.
  • Kaesang aponta a 17 lugares nas eleições legislativas da Java Central em 2029, contra os dois conquistados em 2024.
  • As perspetivas de Gibran dependem do PSI, dos voluntários de Jokowi e das negociações com partidos maiores.
  • Uma ação parlamentar relativa à documentação académica de Gibran depende de provas, de acordo entre bancadas e de procedimentos constitucionais.
Partilhar este artigo

Também pode gostar