Livros apreendidos ao abrigo de poderes acrescentados em março
A Alfândega de Hong Kong apreendeu mais de 60 livros importados de Taiwan pelo grupo Hou Niao, invocando poderes previstos nas regras de aplicação da lei de segurança nacional, segundo um auto de apreensão descrito pelo grupo. A remessa deveria ter chegado a 13 de outubro, mas chegou a 20 de outubro com grande parte do conteúdo em falta.
Índice
- Livros apreendidos ao abrigo de poderes acrescentados em março
- Uma remessa chega com a maioria dos livros em falta
- Como os acontecimentos se desenrolaram
- O que permite o poder da Alfândega
- Como podem os proprietários pedir a devolução dos seus bens
- Livros importados e vendidos anteriormente no território
- O que está em causa para vendedores e leitores
- Principais pontos
O Hou Niao, que apoia pessoas detidas na prisão, afirmou que o auto fazia referência ao Anexo 3, secção 13B(1), das Regras de Aplicação do Artigo 43 da Lei de Segurança Nacional de Hong Kong. A disposição permite que os agentes alfandegários que trabalhem em locais determinados apreendam artigos que suspeitem razoavelmente terem uma intenção sediciosa, quer alguém tenha ou não sido detido por causa desses artigos.
O grupo tornou a apreensão pública a 2 de novembro. Disse ter enviado pedidos de esclarecimento e exposições por escrito à Alfândega e ter recebido confirmação de que os agentes levaram os livros, mas continuava sem saber por que motivo tinham sido apreendidos.
A Alfândega recusou comentar o caso concreto. Disse que, quando os agentes encontram artigos com intenção sediciosa, estes são retidos para investigação nos termos da lei e, consoante as circunstâncias, o caso é encaminhado para o Departamento de Segurança Nacional da Polícia.
A disputa centra-se em livros que, segundo o Hou Niao, já tinham entrado anteriormente em Hong Kong e estavam à venda no território. O grupo quer que lhe sejam devolvidos, enquanto as regras preveem um processo para os proprietários ou possuidores contestarem uma apreensão e para um magistrado decidir o que deve acontecer aos bens.
Uma remessa chega com a maioria dos livros em falta
O Hou Niao afirmou que a encomenda deveria conter duas caixas de livros destinadas à loja Ru Yi. Após um atraso de cerca de uma semana, recebeu apenas cerca de meia caixa de livros desorganizados. Faltavam mais de 60 exemplares.
A empresa de transporte informou o grupo de que a Alfândega tinha retido livros para inspeção. Também lhe entregou um auto de apreensão da Alfândega que identificava a disposição legal invocada, dando ao Hou Niao fundamento para pedir informações ao departamento sobre o stock em falta.
O Hou Niao insistiu por escrito e por telefone. O grupo afirmou que uma breve resposta recebida perto do final de outubro não explicava o motivo da apreensão dos livros. Contesta a alegação de que o seu conteúdo tem uma intenção sediciosa.
A quantidade em falta refere-se a exemplares de livros. O Hou Niao não identificou publicamente os títulos nem os autores, pelo que se desconhece o número de obras distintas afetadas. Yau Sze-chung, membro do grupo, afirmou que não era conveniente revelar esses pormenores e que alguns dos livros continuavam à venda em Hong Kong.
Como os acontecimentos se desenrolaram
As datas da entrega mostram como uma remessa comercial atrasada se transformou numa disputa sobre o uso de poderes de segurança nacional. A data exata da apreensão não foi divulgada, um pormenor importante porque o prazo para apresentar exposições por escrito começa a contar a partir dessa data.
- Março: As Regras de Aplicação do Artigo 43 foram alteradas para incluir a disposição sobre a apreensão pela Alfândega referida neste caso.
- 13 de outubro: Os livros provenientes de Taiwan deveriam chegar à loja Ru Yi.
- 20 de outubro: A remessa atrasada chegou, com mais de 60 livros em falta, segundo o Hou Niao.
- Final de outubro: Após contactar a Alfândega, o grupo recebeu uma resposta breve, mas afirmou continuar sem explicação para a apreensão.
- 2 de novembro: O Hou Niao descreveu publicamente os livros em falta, o auto de apreensão e o pedido de devolução.
O Hou Niao já tinha apresentado exposições por escrito quando tornou o incidente público. Não foi indicada qualquer data para uma resposta adicional, um requerimento judicial ou uma audiência.
O que permite o poder da Alfândega
A secção 13B(1) confere aos agentes alfandegários um poder relacionado com o exercício das suas funções em locais determinados. O critério previsto na disposição é a suspeita razoável de que um artigo tem uma intenção sediciosa. Em termos simples, os agentes podem apreender os bens quando têm motivos para suspeitar que se enquadram nessa categoria jurídica.
A disposição permite expressamente a apreensão, quer alguém tenha ou não sido detido por uma infração relacionada com o artigo e que ponha em perigo a segurança nacional. Assim, os bens podem ficar retidos enquanto as autoridades analisam o material e ponderam outras medidas.
A Alfândega descreveu a sua abordagem geral como a retenção dos artigos para investigação, com eventual encaminhamento para o Departamento de Segurança Nacional da Polícia, consoante as circunstâncias. O departamento não disse se tal encaminhamento ocorreu no caso do Hou Niao.
O motivo para a escolha destes livros em particular continua a ser a principal questão sem resposta. Sem uma explicação da Alfândega ou a divulgação dos títulos, os leitores e outros livreiros dispõem de pouca informação concreta sobre o conteúdo que levou os agentes a intervir.
Como podem os proprietários pedir a devolução dos seus bens
As regras de aplicação permitem que o proprietário ou possuidor dos artigos apreendidos apresente exposições por escrito ao Comissário da Alfândega e dos Impostos Especiais de Consumo no prazo de 60 dias após a apreensão. Isto dá à pessoa ou organização afetada a oportunidade formal de expor a sua posição.
O Hou Niao afirmou ter recorrido a esse processo, além de ter pedido informações. O grupo defende que os livros contêm reflexões racionais sobre assuntos sociais e relatos de experiências e sentimentos pessoais, pelo que devem ser devolvidos.
A Alfândega pode requerer a um magistrado a perda dos artigos a favor do Estado. Essa perda significa que os bens são retirados definitivamente ao proprietário através do processo legal, em vez de ficarem apenas retidos enquanto prosseguem as averiguações.
Se um magistrado não considerar provado que os artigos têm uma intenção sediciosa, pode ordenar a sua devolução ou outro destino. Para o Hou Niao, a questão prática imediata é saber se conseguirá recuperar o stock através das suas exposições ou se o caso seguirá para tribunal.
Livros importados e vendidos anteriormente no território
O Hou Niao afirmou que os livros apreendidos não eram publicações recentes. As mesmas obras já tinham sido importadas de Taiwan mais do que uma vez e vendidas na loja Ru Yi e em algumas livrarias independentes. Segundo o grupo, as autoridades nunca os tinham anteriormente identificado como uma ameaça à segurança nacional.
Yau afirmou que o grupo não tinha procurado deliberadamente contestar a lei. Enquanto as autoridades não derem instruções claras, continuará a vender livros de acordo com critérios que considera razoáveis e legais.
O Hou Niao também expôs a sua posição numa declaração pública, afirmando que não tem intenção nem capacidade para pôr em perigo a segurança nacional:
Não temos intenção nem capacidade para pôr em perigo a segurança deste país.
A resposta do grupo associa duas preocupações imediatas: recuperar os livros apreendidos e decidir o que poderá continuar a ter em stock. O relato das importações anteriores explica por que razão pede à Alfândega que indique um motivo concreto para esta apreensão.
O que está em causa para vendedores e leitores
Para o Hou Niao, mais de 60 exemplares não estão disponíveis para venda enquanto a disputa prossegue. O atraso na entrega também deixou a organização dependente do auto fornecido pela empresa de transporte e dos seus próprios pedidos de informação para apurar o que acontecera aos livros em falta.
Os outros vendedores que comercializam as mesmas obras enfrentam um problema mais básico de falta de informação: os títulos não foram divulgados publicamente e a Alfândega limitou-se a apresentar a sua posição geral sobre a aplicação da lei. A afirmação de Yau de que alguns exemplares continuam à venda significa que a apreensão e a disponibilidade dos livros no território estão a ocorrer em simultâneo.
Os próximos passos concretos dependem da análise das exposições por escrito do Hou Niao e de uma eventual decisão de requerer a perda dos bens a favor do Estado. Uma resposta que explicasse os fundamentos da apreensão também esclareceria a questão que o grupo tem colocado repetidamente desde a chegada da remessa.
Principais pontos
- O Hou Niao afirma que a Alfândega apreendeu mais de 60 livros de uma remessa importada de Taiwan.
- Os livros deveriam chegar a 13 de outubro e chegaram a 20 de outubro, com grande parte da remessa em falta.
- Um auto de apreensão fazia referência ao Anexo 3, secção 13B(1), das Regras de Aplicação do Artigo 43.
- O Hou Niao contesta que os livros tenham uma intenção sediciosa e pediu a sua devolução.
- A Alfândega recusou comentar o caso e afirmou que os casos relevantes podem ser encaminhados para o Departamento de Segurança Nacional da Polícia.
- Os proprietários ou possuidores podem apresentar exposições por escrito no prazo de 60 dias após a apreensão; um magistrado pode decidir sobre a perda dos bens a favor do Estado ou a sua devolução.






