Uzbequistão prevê penas de prisão até 10 anos por adesão a organizações proibidas

9 min de leitura
Uzbekistan Sets Prison Terms of Up to 10 Years for Joining Banned Organisations

Penas de prisão, multas e um registo público

O Uzbequistão alterou a legislação relativa ao extremismo, prevendo penas de prisão de cinco a 10 anos para a participação em organizações extremistas, separatistas, fundamentalistas ou outras organizações proibidas, segundo um comunicado do Ministério da Justiça. As alterações introduzem também sanções administrativas para determinadas atividades relacionadas com materiais e símbolos extremistas, além de um registo eletrónico público mantido pelo ministério.

Índice
  1. Penas de prisão, multas e um registo público
  2. Que condutas são punidas com pena de prisão?
  3. Que materiais e símbolos são abrangidos?
  4. Qual é o valor das sanções administrativas?
  5. Quando pode uma infração repetida tornar-se um processo penal?
  6. O que constará do registo eletrónico?
  7. Como chega um material ao Supremo Tribunal?
  8. Um termo mais abrangente e proteção para quem denuncia atividades
  9. Principais pontos

Os cidadãos incorrem em multas de 50 a 100 vezes o valor base de cálculo por estas infrações administrativas. Para os funcionários, as multas variam entre 100 e 150 vezes esse valor. A detenção administrativa até 15 dias é uma sanção alternativa, e os objetos envolvidos na infração estão sujeitos a apreensão.

A legislação substitui também a expressão «extremismo religioso» por «extremismo» nas disposições legais em vigor. Além das sanções penais, as alterações estabelecem a forma como organizações, materiais e determinadas fontes em linha serão inscritos num registo acessível através do sítio oficial do Ministério da Justiça.

O Senado do Oliy Majlis aprovou a legislação a 13 de agosto de 2026. A lei entra em vigor no dia da sua publicação oficial. O comunicado não indica a data dessa publicação, a data de lançamento do registo nem o valor monetário a utilizar para converter as multas em soms uzbeques.

Que condutas são punidas com pena de prisão?

A disposição do Código Penal prevê uma pena de cinco a 10 anos de prisão para a participação em organizações extremistas, separatistas, fundamentalistas ou outras organizações proibidas. Refere-se à participação numa organização, enquanto as disposições administrativas mencionadas no comunicado dizem respeito a atividades relacionadas com materiais, atributos e símbolos.

A redação abrange várias categorias de organizações. Em geral, o separatismo refere-se a esforços para separar um território de um Estado existente. Para compreender a alteração, a questão jurídica central é a conduta abrangida por cada disposição: a participação numa organização proibida é punida com pena de prisão, enquanto as infrações especificadas relativas a materiais e símbolos estão sujeitas às sanções administrativas descritas abaixo.

Publicidade

Os limites mínimo e máximo da pena definem o intervalo previsto pela alteração. O comunicado não discrimina as penas aplicáveis a diferentes formas de participação nem identifica as organizações a que a disposição se aplica.

Que materiais e símbolos são abrangidos?

As alterações ao Código da Responsabilidade Administrativa abrangem a produção de determinados materiais ou a sua posse para distribuição. As categorias incluem materiais com ideias de extremismo, separatismo ou fundamentalismo; apelos a massacres ou à deslocação forçada de cidadãos; e conteúdos destinados a provocar pânico na população.

A disposição abrange também a produção ou posse, para distribuição ou exibição, de atributos ou símbolos de organizações extremistas e terroristas. Em termos correntes, trata-se de sinais ou emblemas identificativos associados a essas organizações, com o objetivo declarado de os distribuir ou exibir.

O objetivo faz parte da redação descrita no comunicado. No caso da posse de materiais, a disposição refere a intenção de os distribuir. Quanto aos atributos e símbolos de organizações, refere a intenção de os distribuir ou exibir. Estes pormenores ajudam a esclarecer as atividades abrangidas pelas novas regras administrativas.

As sanções combinam uma multa ou um curto período de detenção com a apreensão dos objetos envolvidos. A apreensão significa que esses objetos são retirados no âmbito da resposta legal à infração.

Qual é o valor das sanções administrativas?

O Uzbequistão expressa estas multas em múltiplos do seu valor base de cálculo, uma unidade monetária padrão utilizada para calcular determinados pagamentos e sanções legais. Para apurar o montante a pagar em soms, é necessário multiplicar o valor base de cálculo aplicável pelo número indicado na sanção.

  • Cidadãos: multa de 50 a 100 vezes o valor base de cálculo.
  • Funcionários: multa de 100 a 150 vezes o valor base de cálculo.
  • Sanção alternativa: detenção administrativa até 15 dias.
  • Objetos envolvidos na infração: apreensão.

A diferença entre os dois escalões de multas é significativa. A multa mínima para um funcionário, equivalente a 100 vezes o valor base de cálculo, é igual à multa máxima para um cidadão. O máximo aplicável a um funcionário é de 150 vezes esse valor, contra 100 vezes para um cidadão.

Publicidade

A detenção administrativa é uma sanção distinta da pena de prisão de cinco a 10 anos pela participação numa organização proibida. É importante distinguir as duas disposições: a lei atribui sanções diferentes a condutas diferentes.

Quando pode uma infração repetida tornar-se um processo penal?

Nas discussões no Senado, foi descrita uma sanção administrativa como resposta inicial a determinadas infrações relacionadas com a produção de materiais extremistas ou a sua posse para distribuição. A responsabilidade penal aplicar-se-ia caso a conduta se repetisse depois de imposta uma sanção administrativa.

Para as infrações relativas a materiais debatidas pelos senadores, estabelece-se assim uma sequência: uma infração inicial pode dar origem a uma sanção administrativa e a sua repetição após essa sanção pode implicar responsabilidade penal. A sanção anterior é, por isso, uma etapa importante no percurso que pode levar a um processo penal posterior.

A pena de prisão pela participação numa organização proibida consta de uma disposição diferente. O intervalo de cinco a 10 anos aplica-se à participação, enquanto a explicação do Senado diz respeito ao agravamento das consequências de determinados atos repetidos relacionados com materiais. O comunicado não indica o intervalo de penas aplicável a essas infrações repetidas.

As etapas legislativas descritas são:

  • 13 de agosto de 2026: o Senado aprovou a lei e debateu o tratamento das infrações iniciais e repetidas relativas a materiais.
  • Comunicado do Ministério da Justiça: o ministério apresentou as alterações ao Código Penal e à legislação administrativa.
  • Publicação oficial: a lei entra em vigor nesse dia.

O que constará do registo eletrónico?

As alterações à Lei de Combate ao Extremismo atribuem ao Ministério da Justiça a responsabilidade de manter um registo eletrónico de organizações extremistas e de materiais ou fontes. O registo será disponibilizado no sítio oficial do ministério e estará aberto à consulta pública.

O âmbito do registo vai além das organizações já reconhecidas como extremistas. Incluirá também organizações cujas atividades tenham sido suspensas devido à sua ligação a atividades extremistas. Quem consultar o registo terá, por isso, de prestar atenção ao estatuto atribuído a cada organização.

O registo incluirá quatro categorias:

  • Organizações cujas atividades tenham sido suspensas por estarem relacionadas com atividades extremistas.
  • Organizações reconhecidas como extremistas.
  • Materiais reconhecidos como extremistas.
  • Fontes eletrónicas em redes de telecomunicações ou na Internet onde materiais extremistas tenham sido publicados e distribuídos pelo menos duas vezes no prazo de um ano.
Publicidade

O limiar aplicável às fontes eletrónicas quantifica a repetição da atividade: duas ou mais ocorrências no espaço de um ano. O registo poderá, assim, identificar tanto materiais específicos como fontes eletrónicas associadas a publicações e distribuições repetidas.

O acesso público permite que pessoas e organizações consultem o registo oficial. A sua utilidade prática dependerá de os registos identificarem corretamente a organização, o material ou a fonte em causa e o respetivo estatuto jurídico.

Como chega um material ao Supremo Tribunal?

Os organismos estatais responsáveis pelo combate ao extremismo dão início ao processo para pedir que um material ou uma fonte sejam reconhecidos como extremistas. Apresentam um requerimento à Procuradoria-Geral, acompanhado de uma avaliação pericial que confirme a presença de material extremista.

A Procuradoria-Geral verifica depois se os documentos que fundamentam o pedido são consistentes. Caso concorde com o pedido, o procurador-geral ou um procurador-adjunto apresenta um requerimento ao Supremo Tribunal.

O Supremo Tribunal aprecia o reconhecimento do material ou da fonte como extremista ao abrigo do procedimento estabelecido pela lei. O processo envolve, assim, uma avaliação apresentada por um organismo estatal responsável, uma análise dos procuradores e um requerimento ao mais alto tribunal do país.

A avaliação pericial tem uma função específica neste processo: fundamenta o requerimento através da análise do conteúdo. Os procuradores analisam os fundamentos do pedido e o Supremo Tribunal toma a decisão judicial prevista na legislação. Estas etapas explicam como um conteúdo pode passar de uma avaliação inicial do Estado ao reconhecimento formal como extremista.

Um termo mais abrangente e proteção para quem denuncia atividades

A substituição de «extremismo religioso» por «extremismo» elimina a referência religiosa da redação jurídica em causa. A terminologia passa, assim, a estar alinhada com disposições que abordam expressamente ideias e atividades extremistas, separatistas e fundamentalistas.

Os senadores afirmaram também que a legislação clarificaria o conceito de extremismo e melhoraria os mecanismos de proteção das pessoas que denunciam atividades extremistas. O comunicado não apresenta pormenores sobre esses mecanismos de proteção nem sobre a definição revista. Esses aspetos da lei são importantes para quem pretende compreender o alcance total das alterações.

Publicidade

O pacote reúne várias alterações concretas: uma pena de prisão para a participação em organizações proibidas, sanções administrativas para determinadas infrações relacionadas com materiais e símbolos, a possibilidade de responsabilidade penal por certos atos repetidos e um registo público apoiado num processo que envolve os procuradores e o Supremo Tribunal.

Para cidadãos, funcionários e organizações, os aspetos práticos imediatos são as condutas abrangidas por cada disposição, o objetivo associado à produção ou posse de materiais e símbolos e o estatuto das entradas no registo. A data da publicação oficial determina quando começam a aplicar-se as alterações.

Principais pontos

  • A participação em organizações extremistas, separatistas, fundamentalistas ou outras organizações proibidas é punida com uma pena de prisão de cinco a 10 anos.
  • Determinadas infrações relativas a materiais e símbolos são punidas com multas ou detenção administrativa até 15 dias, além da apreensão dos objetos envolvidos.
  • Os cidadãos incorrem em multas de 50 a 100 vezes o valor base de cálculo; os funcionários, de 100 a 150 vezes.
  • Nas discussões no Senado, foi referida a possibilidade de responsabilidade penal por certas infrações repetidas relativas a materiais, após a aplicação de uma sanção administrativa.
  • O Ministério da Justiça manterá um registo eletrónico público que abrange organizações, materiais e fontes eletrónicas que preencham os critérios.
  • Os pedidos de reconhecimento de materiais ou fontes como extremistas são encaminhados, através da Procuradoria-Geral, para o Supremo Tribunal.
  • O Senado aprovou a lei a 13 de agosto de 2026. A lei entra em vigor com a publicação oficial.
Partilhar este artigo

Também pode gostar