Uzbequistão alarga leis contra o extremismo, fixa penas de prisão e cria registo público

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Uzbekistan Expands Extremism Laws, Sets Prison Terms and Creates Public Register

Penas de prisão e um novo registo público

O Uzbequistão reviu as suas leis sobre extremismo, fixando penas de prisão de cinco a 10 anos para a participação em organizações proibidas e criando um registo público eletrónico de organizações, materiais e fontes da internet extremistas. O pacote introduz também sanções administrativas para uma primeira infração relacionada com determinados materiais extremistas, aplicando-se responsabilidade criminal a atos repetidos após uma sanção administrativa.

Índice
  1. Penas de prisão e um novo registo público
  2. O que muda quanto aos materiais e símbolos?
  3. Como se alarga a definição
  4. Como uma fonte passa a constar do registo
  5. Telegram domina a lista de fontes proibidas
  6. O que a lei anterior já prevê
  7. Por que razão um defensor dos direitos está preocupado
  8. Prevenção, denúncia e reabilitação
  9. Calendário legislativo
  10. Principais pontos

O Ministério da Justiça será responsável pelo registo no seu sítio oficial. Este incluirá organizações cujas atividades tenham sido suspensas por atividade extremista, organizações declaradas extremistas, materiais reconhecidos como extremistas e fontes online que divulguem repetidamente este tipo de conteúdo.

As alterações surgem numa altura em que a lista do Supremo Tribunal do Uzbequistão de fontes da internet proibidas chegou a 2.057 entradas em 3 de novembro de 2026. São mais 142 do que as 1.915 registadas em julho, um aumento de cerca de 7,4%. Os canais e grupos do Telegram representam 967 entradas, quase metade do total.

A legislação combina penas mais severas para o envolvimento em organizações proibidas com uma resposta jurídica inicial menos severa a infrações específicas relacionadas com materiais. Para uma pessoa singular, uma sanção administrativa pode ainda significar uma multa avultada, a apreensão de bens ou detenção até 15 dias.

As alterações substituem também a expressão «extremismo religioso» por «extremismo» na legislação pertinente. Os legisladores apresentam as mudanças como uma forma de tornar mais coerentes as definições jurídicas e a sua aplicação. Abdurahmon Tashanov, ativista dos direitos humanos e presidente da Sociedade Ezgulik, saúda a eliminação da referência religiosa, mas alerta para o risco de uma definição mais abrangente também abranger opiniões políticas e ativismo.

O que muda quanto aos materiais e símbolos?

O novo artigo 184-5 do Código da Responsabilidade Administrativa estabelece responsabilidade administrativa pela primeira infração relacionada com a produção, a posse para distribuição ou a distribuição de materiais que promovam o extremismo, o separatismo ou o fanatismo. As disposições abrangem também materiais que apelam a massacres ou à deslocação forçada de cidadãos, bem como materiais destinados a espalhar o pânico.

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As pessoas singulares ficam sujeitas a multas de 50 a 100 unidades de cálculo base. Os funcionários ficam sujeitos a multas de 100 a 150 unidades. A unidade de cálculo base é um valor de referência utilizado para calcular multas e outros pagamentos, pelo que o montante a pagar depende do valor aplicável à unidade. A detenção administrativa até 15 dias é uma sanção alternativa, e os materiais ou objetos em causa estão sujeitos a apreensão.

As regras abrangem também atributos e símbolos de organizações extremistas e terroristas. A preparação ou a posse para distribuição ou exibição pública está incluída nas disposições administrativas. A resposta jurídica estende-se assim para além de declarações escritas e vídeos, abrangendo objetos e símbolos associados a organizações proibidas.

A responsabilidade administrativa significa que uma infração é inicialmente tratada ao abrigo do código administrativo, em vez de dar origem a uma condenação penal. As alterações preveem responsabilidade criminal quando a conduta especificada se repete após uma sanção administrativa. A participação numa organização extremista, separatista, fundamentalista ou noutra organização proibida é punida com uma pena de prisão separada, de cinco a 10 anos.

Como se alarga a definição

O quadro jurídico em vigor no Uzbequistão já define o extremismo e as condutas a ele relacionadas. A Lei de Combate ao Extremismo publicada pelo Governo, com o número O'RQ-489, foi aprovada pela Câmara Legislativa em 12 de junho de 2018, pelo Senado em 28 de junho e entrou em vigor em 1 de novembro desse ano. O texto da ligação apresenta a versão datada de 29 de novembro de 2023.

O artigo 3 dessa versão define o extremismo como ações destinadas a desestabilizar a situação sociopolítica, alterar pela força a ordem constitucional, tomar o poder e incitar a hostilidade nacional, racial, étnica ou religiosa. Define separadamente a atividade extremista, o seu financiamento, os grupos, os materiais e as organizações extremistas.

As alterações descrevem com maior pormenor as condutas abrangidas. Incluem a destituição pela força de titulares de cargos eleitos ou nomeados nos termos da lei, o planeamento ou incentivo de determinadas ações violentas, apelos públicos à atividade terrorista e a promoção da superioridade ou inferioridade nacional, racial, étnica ou religiosa com o objetivo de criar hostilidade ou discórdia.

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Um grupo extremista é definido como duas ou mais pessoas envolvidas em atividade extremista ou que tentem praticá-la. Os materiais extremistas incluem informações que apelam a essa atividade ou a justificam. Uma organização extremista é uma organização ou estrutura informal proibida ou dissolvida por decisão judicial devido a atividade extremista.

Vários conceitos, incluindo o limiar de duas pessoas para a constituição de um grupo e as definições relativas a apelos à atividade extremista, já constam da lei anterior. As alterações revêm a sua redação e âmbito, ao mesmo tempo que substituem a referência religiosa na legislação relativa à informação, à atividade digital, à política para a juventude, ao emprego e à edição.

Como uma fonte passa a constar do registo

O registo do Ministério da Justiça reunirá várias categorias jurídicas num único sistema de acesso público. As entradas incluirão organizações suspensas, organizações formalmente declaradas extremistas, materiais proibidos e fontes eletrónicas que alojem ou distribuam sistematicamente materiais extremistas através de redes de telecomunicações ou da internet.

No caso das fontes eletrónicas, «sistematicamente» significa duas ou mais ocorrências no prazo de um ano. O procedimento começa com a apresentação de um requerimento à Procuradoria-Geral por uma entidade pública responsável pelo combate ao extremismo.

Cada requerimento tem de incluir uma avaliação pericial que confirme a presença de material extremista. Os procuradores analisam depois se os documentos justificam o prosseguimento do processo. Em caso afirmativo, o procurador-geral ou um adjunto remete o caso para o Supremo Tribunal, que decide se o material ou a fonte deve ser declarado extremista segundo o procedimento legal.

A declaração judicial de uma organização ou de um material tem de ser inscrita no registo no prazo de 10 dias, com divulgação pública nos meios de comunicação social no prazo de um dia. O sistema associa assim uma decisão judicial à sua publicação, proporcionando aos cidadãos e às organizações um local público onde podem consultar as classificações legais. Não foi especificada uma data para o lançamento do novo registo.

Telegram domina a lista de fontes proibidas

A lista do Supremo Tribunal, datada de 3 de novembro de 2026, mostra a importância que a aplicação da lei já atribui às plataformas sociais e aos serviços de mensagens. As 2.057 entradas incluem 967 canais e grupos do Telegram, 454 perfis do Instagram, 276 páginas do Facebook, 214 canais do YouTube, 68 contas do TikTok, 44 páginas do Odnoklassniki, um perfil do Threads e 33 sítios e outras fontes.

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O Telegram representa cerca de 47% de todas as entradas. O Telegram e o Instagram, em conjunto, somam 1.421, ou cerca de 69%. Os números contam as fontes inscritas, como perfis e canais, e não o número de pessoas que as utilizam.

O Supremo Tribunal afirma que, no Uzbequistão, é proibido importar, produzir, armazenar, distribuir e exibir os materiais incluídos na lista. A sua comunicação pública insta também os cidadãos a evitar fontes da internet proibidas por decisões judiciais.

O Supremo Tribunal, o órgão judicial mais alto do Uzbequistão, dirigiu-se diretamente aos cidadãos no seu alerta sobre fontes online proibidas:

«Tenha sempre cuidado para não cair na armadilha do fundamentalismo religioso, do extremismo e do terrorismo. Nunca permita que destruam a sua vida e os seus sonhos. Mantenha-se afastado de fontes da internet proibidas pelo tribunal», declarou o Supremo Tribunal.

O registo previsto pelo Ministério da Justiça acrescenta um sistema de publicação mais abrangente, que inclui organizações e materiais, além de fontes eletrónicas. A sua utilidade prática dependerá de permitir ao público identificar facilmente estas categorias jurídicas e as decisões judiciais pertinentes.

O que a lei anterior já prevê

O artigo 11 da lei de 2018 já proíbe a importação, o fabrico, a posse, a distribuição ou a exibição de materiais extremistas e de símbolos de organizações, inclusivamente através da internet e dos meios de comunicação social. Exige que os conteúdos proibidos sejam destruídos ou removidos, ou que o acesso seja restringido quando a remoção não for possível.

Os fornecedores de acesso à internet podem ser responsabilizados se não cumprirem uma ordem autorizada para remover material ou restringir o acesso. As alterações assentam num sistema já existente de restrições de conteúdos, revendo as sanções e o processo de registo das classificações.

O artigo 10 prevê também medidas contra pessoas coletivas quando os funcionários identificam infrações indicativas de atividade extremista. Se as infrações não forem corrigidas no prazo estabelecido, ou se surgirem novos factos relevantes no prazo de um ano após a notificação formal, a atividade pode ser suspensa por um período máximo de seis meses ou proibida por decisão do Supremo Tribunal.

Os controlos financeiros constituem outra parte do quadro jurídico. O artigo 12 exige que as organizações pertinentes que movimentam dinheiro ou bens acompanhem as transações e realizem verificações. Em circunstâncias especificadas, têm de suspender transações ou congelar fundos e outros bens sem aviso prévio. A alteração de novembro de 2023 citada na versão apresentada da lei diz respeito a estes procedimentos de financiamento.

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Por que razão um defensor dos direitos está preocupado

Abdurahmon Tashanov, presidente da Sociedade Ezgulik, vê vantagens na eliminação da palavra «religioso» da expressão usada na legislação. Afirma que a redação anterior por vezes contribuía para rotular o Islão ou determinadas comunidades de crentes, e considera que uma definição geral mais clara pode ser uma mudança positiva.

Tashanov alerta também para o facto de uma definição mais abrangente poder permitir que opiniões políticas ou atividades de ativismo sejam interpretadas como extremismo. A sua preocupação centra-se no pluralismo político, ou seja, na possibilidade de diferentes opiniões e grupos políticos existirem e participarem na vida pública.

Os legisladores apresentam as definições revistas como uma forma de reduzir a incerteza e criar uma abordagem coerente. Tashanov centra-se na forma como a polícia, os procuradores e os tribunais poderão aplicar uma redação ampla em casos individuais. Defende regras precisas que deixem menos margem para visar opiniões políticas de que os funcionários não gostam.

A lei em vigor enumera a legalidade, a primazia dos direitos e liberdades humanos, a transparência e a responsabilização entre os seus princípios. Permite também que as pessoas contestem notificações formais junto de uma autoridade superior ou de um tribunal. Para as pessoas afetadas pelo quadro alargado, as definições, as avaliações periciais e o controlo judicial serão elementos centrais do processo jurídico.

Prevenção, denúncia e reabilitação

O pacote vai além das sanções e dos conteúdos proibidos. Estabelece bases jurídicas para programas estatais de prevenção do extremismo, monitorização de ameaças e avaliação de riscos. Inclui também apoio à investigação sobre o combate ao extremismo.

As pessoas que denunciem atividade extremista deverão receber proteção e incentivos adicionais. Os debates no Senado abordaram essas proteções, juntamente com medidas destinadas a impedir a disseminação de ideias extremistas através da internet e dos meios de comunicação social.

As alterações abordam também a reintegração de pessoas condenadas por crimes relacionados com o extremismo. Os programas dos centros de reabilitação podem durar até um ano, estabelecendo um prazo para os esforços destinados a ajudar os participantes a regressar à vida social normal.

O pacote mais amplo inclui uma restrição que impede pessoas com uma condenação por crime doloso ainda não expurgada de prestar apoio psicológico. Uma condenação não expurgada é uma condenação que continua a produzir efeitos jurídicos. Esta regra é relevante para o recrutamento de serviços que incluam apoio psicológico nos seus programas de reabilitação.

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Calendário legislativo

A cronologia legislativa indica que o pacote foi aprovado pela Câmara Legislativa em 28 de abril, aprovado pelo Senado em 8 de agosto e assinado pelo presidente em 2 de novembro; outra data indicada para a aprovação pelo Senado é 13 de agosto de 2026. As alterações entram em vigor após a publicação oficial, que constitui o momento legal a partir do qual produzem efeitos.

  • 12 e 28 de junho de 2018: A Câmara Legislativa aprova a Lei de Combate ao Extremismo original e o Senado dá-lhe aprovação.
  • 1 de novembro de 2018: A lei original entra em vigor.
  • 29 de novembro de 2023: A versão oficial apresentada incorpora a alteração citada relativa aos procedimentos de financiamento.
  • 28 de abril, agosto e 2 de novembro: O pacote de alterações percorre o processo legislativo e é assinado pelo presidente; a data de aprovação pelo Senado é indicada como 8 de agosto e também como 13 de agosto de 2026.
  • De julho a 3 de novembro de 2026: A lista do Supremo Tribunal cresce de 1.915 para 2.057 fontes proibidas.

A aplicação envolverá várias instituições: as autoridades de execução preparam requerimentos, peritos avaliam os conteúdos, os procuradores analisam os documentos, o Supremo Tribunal decide as classificações e o Ministério da Justiça publica as entradas do registo. Os cidadãos terão de compreender tanto as condutas proibidas como o estatuto jurídico dos materiais que armazenam, distribuem ou exibem.

Principais pontos

  • A participação em organizações extremistas, separatistas, fundamentalistas ou noutras organizações proibidas é punida com cinco a 10 anos de prisão.
  • Determinadas primeiras infrações relacionadas com materiais extremistas são punidas com sanções administrativas; a repetição após uma sanção administrativa pode levar a responsabilidade criminal.
  • As pessoas singulares ficam sujeitas a multas de 50 a 100 unidades de cálculo base, enquanto os funcionários ficam sujeitos a multas de 100 a 150 unidades. A detenção administrativa pode durar até 15 dias.
  • O Ministério da Justiça publicará um registo de organizações, materiais e fontes eletrónicas.
  • A lista do Supremo Tribunal incluía 2.057 fontes proibidas em 3 de novembro de 2026, mais 142 do que em julho.
  • O pacote elimina a referência religiosa das disposições pertinentes sobre extremismo e acrescenta medidas de prevenção, proteção de denunciantes e reabilitação.
  • Abdurahmon Tashanov, presidente da Ezgulik, saúda a eliminação da referência religiosa, mas alerta para a possível aplicação das disposições a opiniões políticas e ao ativismo.
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