Sri Lanka regista 2.142 casos de cancro do pulmão e médicos alertam para diagnósticos tardios

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Sri Lanka Records 2,142 Lung Cancer Cases as Doctors Warn of Late Diagnosis

Mais de 2.100 diagnósticos e um alerta para os atrasos nos cuidados

O Sri Lanka registou 2.142 casos de cancro do pulmão em 2023, incluindo 1.521 entre homens e 621 entre mulheres, segundo dados do Registo Nacional do Cancro citados pelo Programa Nacional de Controlo do Cancro. Os médicos alertam que muitos doentes só chegam ao hospital quando a doença já está avançada, reduzindo as possibilidades de tratamento numa fase mais precoce.

Índice
  1. Mais de 2.100 diagnósticos e um alerta para os atrasos nos cuidados
  2. O que mostram os números de 2023
  3. Como foi medido o aumento
  4. Porque é importante o estádio em que a doença é diagnosticada
  5. O tabagismo é o principal fator de risco evitável
  6. As mulheres e quem nunca fumou também estão em risco
  7. O ar poluído pode afetar as pessoas dentro e fora de casa
  8. Outras exposições devem ser consideradas na avaliação médica
  9. Pontos principais

O cirurgião torácico consultor Dr. Saman Iddagoda, do Hospital Nacional de Doenças Respiratórias, em Welisara, afirmou que a maioria dos doentes com cancro do pulmão tratados no hospital recebe o diagnóstico no estádio III ou IV. A sua análise dos dados hospitalares e do programa nacional concluiu também que os casos registados entre homens e mulheres aumentaram cerca de 50% entre 2010 e 2020.

Os números evidenciam duas preocupações prementes: o aumento dos casos registados ao longo de uma década e o diagnóstico tardio entre os doentes que chegam a um importante hospital de doenças respiratórias. A médica de saúde pública consultora Dr. Hasarali Fernando, do Programa Nacional de Controlo do Cancro, afirmou que a deteção precoce pode aumentar as hipóteses de sucesso do tratamento e de recuperação.

O tabagismo continua a ser o principal fator de risco evitável identificado pelos médicos. O alerta abrange também quem nunca fumou, em particular as mulheres, e aponta como riscos a exposição ao fumo do tabaco de outras pessoas, à poluição do ar e ao fumo que se acumula dentro de casa.

O que mostram os números de 2023

Segundo os dados do Registo Nacional do Cancro citados pelas autoridades de saúde, o Sri Lanka registou 39.658 doentes com cancro em 2023. Mais de 18.000 eram homens e cerca de 21.500 eram mulheres. O cancro do pulmão representou aproximadamente 5,4% do total, valor calculado a partir dos 2.142 casos registados.

Os homens corresponderam a cerca de 71% dos diagnósticos de cancro do pulmão e as mulheres a aproximadamente 29%. O total de casos entre os homens foi cerca de 2,4 vezes superior ao das mulheres. Estes números descrevem a distribuição dos casos registados; o risco individual depende também de fatores como a idade e a exposição ao fumo do tabaco ou a outras substâncias nocivas.

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Fernando colocou o cancro do pulmão em terceiro lugar entre os cancros que afetam os homens do Sri Lanka, depois do cancro da cavidade oral e do cancro da próstata. Iddagoda afirmou que a doença está também a tornar-se um dos dez cancros mais comuns entre as mulheres, sendo uma preocupação para ambos os grupos.

Há uma percentagem que precisa de esclarecimento. Fernando afirmou que o cancro do pulmão representa cerca de 12% dos cancros entre os homens, mas 1.521 casos divididos pelo total indicado de mais de 18.000 doentes com cancro do sexo masculino correspondem a uma proporção inferior a 8,5%. Não foi especificada a base de cálculo dos 12%.

Como foi medido o aumento

A estimativa de Iddagoda de um aumento de cerca de 50% baseia-se em dados sobre o cancro do pulmão do Hospital de Doenças do Tórax de Welisara e do Programa Nacional de Controlo do Cancro, relativos ao período de 2010 a 2020. Segundo afirmou, o aumento verificou-se tanto entre os homens como entre as mulheres.

Um aumento de 50% significa que o número passou para cerca de uma vez e meia o valor inicial. Por exemplo, um total inicial de 100 passaria a 150. Não foram divulgados os números de casos que serviram de base para a década, pelo que a percentagem é a principal medida apresentada para esse período.

As datas principais correspondem a diferentes partes do cenário:

  • 2010: Ano inicial da análise dos dados hospitalares e do programa nacional.
  • 2020: Ano final da análise, que revelou um aumento de cerca de 50%.
  • 2023: Ano a que dizem respeito os 2.142 casos de cancro do pulmão registados.
  • 4 de novembro de 2026: Iddagoda e Fernando abordaram as tendências e os riscos do cancro do pulmão numa sessão informativa para os meios de comunicação do Gabinete de Promoção da Saúde.

O índice de incidência do cancro do Programa Nacional de Controlo do Cancro inclui publicações sobre incidência e mortalidade relativas a 2020, 2021 e 2022, publicações anuais sobre incidência de 2006 a 2019 e um registo de cancro infantil. Os totais de 2023 citados pelas autoridades dizem respeito a um ano posterior ao das publicações aí indicadas.

Porque é importante o estádio em que a doença é diagnosticada

A experiência de Welisara aponta para um problema grave quanto ao momento em que os doentes chegam aos cuidados especializados. Iddagoda afirmou que a maioria dos doentes com cancro do pulmão tratados no hospital recebe o diagnóstico no estádio III ou IV. Disse também que a sua análise identificou o cancro do pulmão como responsável pelo maior número de mortes por cancro no Sri Lanka.

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O estádio de um cancro indica até que ponto se propagou. Em geral, o cancro do pulmão no estádio III propagou-se dentro do tórax, afetando muitas vezes estruturas próximas ou gânglios linfáticos. No estádio IV, propagou-se mais longe, por exemplo, a outro órgão ou ao outro pulmão. Os gânglios linfáticos são pequenas estruturas que fazem parte do sistema imunitário do organismo.

As opções de tratamento dependem, em parte, da propagação da doença, bem como do tipo de cancro e do estado de saúde do doente. Fernando afirmou que o cancro do pulmão pode ser tratado com sucesso quando é detetado precocemente. A recomendação prática é procurar aconselhamento médico quando surgem sintomas, dando aos médicos a oportunidade de investigar mais cedo.

A descrição de Iddagoda diz respeito aos doentes tratados em Welisara. Não foi indicada a percentagem nacional de doentes diagnosticados em cada estádio. Ainda assim, o seu relato identifica a chegada tardia dos doentes ao hospital como uma preocupação importante numa unidade central para a análise da evolução do cancro do pulmão no país.

O tabagismo é o principal fator de risco evitável

Fernando estimou que cerca de 90% dos casos de cancro do pulmão estão associados ao tabagismo; outra descrição das suas declarações apontou para um intervalo de 80% a 90%. Identificou a prevenção do tabagismo e o apoio a quem quer deixar de fumar como medidas importantes para reduzir o impacto da doença.

O fumo do tabaco contém substâncias que podem danificar as instruções genéticas das células. Quando esses danos afetam os mecanismos que regulam o crescimento celular, as células podem começar a multiplicar-se de forma anormal e formar um cancro. O risco aumenta com a exposição, pelo que prevenir o tabagismo e interromper a exposição continuada são medidas importantes.

Fernando identificou também o fumo passivo como um fator de risco. Trata-se do fumo inalado a partir do tabaco consumido por outras pessoas. Assim, uma pessoa pode estar exposta ao fumo do tabaco em casa, no trabalho ou noutro espaço partilhado, mesmo sem fumar.

Manter os espaços interiores partilhados sem fumo de tabaco permite reduzir diretamente essa exposição. Quem fuma também beneficia as pessoas à sua volta ao procurar ajuda para deixar de fumar. A mensagem de prevenção dos médicos relaciona um hábito individual com o ar respirado por toda a família.

As mulheres e quem nunca fumou também estão em risco

Iddagoda afirmou que os casos de cancro do pulmão estão a aumentar entre quem não fuma, em particular entre as mulheres. Os 621 diagnósticos entre mulheres em 2023 correspondem a quase três em cada dez casos registados nesse ano.

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Os médicos identificaram várias fontes de exposição além do tabagismo: o fumo do tabaco de outras pessoas, a poluição exterior, o fumo em casa e determinadas substâncias perigosas. Algumas doenças respiratórias crónicas foram também apontadas como fatores que podem aumentar o risco.

Quem nunca fumou também deve procurar assistência médica perante sintomas preocupantes. O historial de tabagismo é uma informação útil para o médico, juntamente com as condições em casa, a exposição no trabalho e eventuais doenças respiratórias. O alerta de Fernando inclui quem não fuma no apelo à sensibilização e à avaliação precoce.

O ar poluído pode afetar as pessoas dentro e fora de casa

Fernando associou a poluição do ar no exterior aos gases de escape dos veículos e à atividade industrial. Dentro de casa, chamou a atenção para o fumo produzido pela utilização de lenha ou querosene para cozinhar, sobretudo em locais com pouca ventilação.

A ventilação permite a entrada de ar fresco e a saída do ar poluído. Quando o fumo da cozinha se acumula numa divisão, as pessoas que se encontram nas proximidades continuam a inalá-lo. A preocupação prende-se, por isso, tanto com o combustível utilizado como com a facilidade com que o fumo produzido consegue sair.

Os médicos recomendaram manter os espaços limpos e bem ventilados como forma de reduzir a exposição. Nas casas onde se utiliza lenha ou querosene, o problema concreto identificado é a acumulação de fumo no espaço habitacional, onde quem cozinha e os restantes membros da família podem passar longos períodos.

A prevenção do tabagismo e a melhoria da qualidade do ar em casa combatem fontes de exposição diferentes. Ambas fazem parte da explicação dos médicos para a necessidade de a prevenção do cancro do pulmão chegar também a quem não fuma.

Outras exposições devem ser consideradas na avaliação médica

Fernando identificou também o radão, o amianto e a sílica como fatores de risco para o cancro do pulmão. O radão é um gás radioativo que pode ter origem no solo e em alguns materiais de construção. As substâncias radioativas libertam energia que pode danificar células vivas.

O amianto designa fibras minerais que foram utilizadas historicamente na construção e noutros materiais. A sílica encontra-se em materiais como a pedra e a areia, e pode tornar-se um perigo respiratório quando o trabalho produz poeiras finas. Fernando destacou a exposição profissional a estas substâncias, tornando o historial laboral relevante para a avaliação médica.

Algumas doenças respiratórias de longa duração foram outro fator de risco mencionado. Ao descrever problemas respiratórios, o doente pode ajudar o profissional de saúde se explicar a existência de doenças pulmonares, a exposição ao fumo do tabaco ou ao fumo em casa, e o trabalho com poeiras ou fibras perigosas.

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A consulta médica precoce e a redução da exposição são as duas prioridades práticas sublinhadas pelos alertas dos médicos. O número de casos registados no Sri Lanka ultrapassa os 2.100 num ano, enquanto a experiência de Welisara mostra que muitos doentes chegam com a doença avançada. Uma avaliação mais precoce permite tentar tratar a doença antes de ela chegar a esse estádio.

Pontos principais

  • O Sri Lanka registou 2.142 casos de cancro do pulmão em 2023: 1.521 entre homens e 621 entre mulheres.
  • O cancro do pulmão representou cerca de 5,4% dos 39.658 doentes com cancro registados nesse ano.
  • Uma análise dos dados de Welisara e do programa nacional concluiu que os casos aumentaram cerca de 50% entre 2010 e 2020.
  • Iddagoda afirmou que a maioria dos doentes com cancro do pulmão tratados em Welisara recebe o diagnóstico no estádio III ou IV.
  • O tabagismo é o principal fator de risco evitável identificado por Fernando, mas quem nunca fuma também está em risco.
  • Entre os outros fatores de risco estão o fumo passivo, a poluição do ar em casa e no exterior, o radão, o amianto e a sílica.
  • Os médicos recomendaram evitar o tabagismo, reduzir a exposição a fumos nocivos e procurar aconselhamento médico assim que surgirem sintomas.
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