Quase metade dos jovens do Sri Lanka partiria, apesar do forte sentimento de pertença nacional

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Nearly Half of Young Sri Lankans Would Leave Despite Strong National Belonging

Um forte sentimento de pertença, mas um futuro incerto

Quase metade dos jovens do Sri Lanka inquiridos nos 25 distritos afirma que deixaria o país se tivesse oportunidade, incluindo mais de quatro em cada 10 dos que sentem uma forte pertença nacional. Os resultados colocam o emprego, o custo de vida e a confiança no futuro no centro do desafio do país para reter a geração mais jovem.

Índice
  1. Um forte sentimento de pertença, mas um futuro incerto
  2. O sentimento de pertença não implica ficar
  3. As dificuldades financeiras são generalizadas, mas desiguais
  4. A discriminação aumenta a pressão para partir
  5. Um inquérito anterior encontrou uma tendência semelhante entre os jovens
  6. Querer partir e preparar a partida
  7. O descontentamento político fazia parte do quadro anterior
  8. Um alerta dos organizadores do estudo
  9. Principais conclusões

O estudo My Sri Lanka | Next, realizado pela Global Unites South Asia em parceria com o Centenary Movement, reuniu respostas de 2418 pessoas e incluiu 22 consultas provinciais. Centrou-se na Geração Z e nos Millennials mais jovens, gerações confrontadas com decisões sobre emprego, independência financeira e onde construir as suas vidas.

Entre os inquiridos, 80 por cento identificaram-se sobretudo como cingaleses e 73,7 por cento referiram um forte sentimento de pertença nacional. Ainda assim, 49,1 por cento disseram que partiriam se tivessem oportunidade. Entre os inquiridos da Geração Z, a vontade de emigrar chegou aos 52,7 por cento.

O estudo identificou a deterioração das condições de vida, a escassez de empregos e a incerteza económica como os principais motivos para querer partir. A sua conclusão central é que, para muitos jovens, o apego ao Sri Lanka e a procura de um futuro no estrangeiro coexistem.

O sentimento de pertença não implica ficar

Entre os inquiridos que sentiam uma forte pertença nacional, 42,4 por cento estavam dispostos a partir. Para este grupo, o sentimento de ligação ao país coexiste com a preocupação de saber se este oferece perspetivas de futuro viáveis.

A identidade nacional, o apego emocional e as intenções de emigrar medem diferentes dimensões da vida de uma pessoa. Alguém pode identificar-se como cingalês, sentir-se próximo da sua comunidade e, ainda assim, procurar emprego ou maior segurança financeira no estrangeiro.

O valor relativo à Geração Z ficou 3,6 pontos percentuais acima dos 49,1 por cento registados no conjunto do estudo. Um ponto percentual mede a diferença entre duas percentagens. Neste caso, a geração mais jovem manifestou uma vontade de partir ainda maior do que o grupo mais alargado de jovens inquiridos.

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Para as organizações que procuram envolver os jovens do Sri Lanka, os resultados colocam as oportunidades concretas a par do sentimento de pertença cívica. Muitos inquiridos já sentem ligação ao país. As suas preocupações centram-se na possibilidade de ter meios para viver e trabalhar no Sri Lanka.

As dificuldades financeiras são generalizadas, mas desiguais

A pressão financeira afetava 69,8 por cento dos inquiridos, que se descreveram como financeiramente stressados ou em dificuldades. Outro indicador de carência revelou que 16,6 por cento tinham dificuldade em pagar bens essenciais, cerca de uma pessoa em cada seis.

Os dados por província mostram que essa pressão é sentida de forma desigual. O stress financeiro atingia 84,3 por cento na Província do Norte e 78,3 por cento na Província do Leste, face a 63,5 por cento na Província do Oeste.

A taxa da Província do Norte era 20,8 pontos percentuais superior à da Província do Oeste. A da Província do Leste era 14,8 pontos percentuais superior. Mesmo na Província do Oeste, a zona de comparação com o valor mais baixo entre estas três, quase dois terços dos inquiridos referiram dificuldades financeiras.

Estas diferenças são importantes para qualquer resposta à emigração dos jovens. Um programa nacional destinado a promover o emprego ou a apoiar as finanças dos agregados familiares teria de atuar em locais onde o nível de pressão declarado varia substancialmente. Os dados do Norte e do Leste apontam para necessidades particularmente urgentes.

A escassez de emprego agrava o problema. Os jovens que decidem onde viver têm de ponderar tanto a disponibilidade de trabalho como a possibilidade de o rendimento cobrir as necessidades básicas. O estudo coloca estas contas do dia a dia no centro das intenções de emigrar.

A discriminação aumenta a pressão para partir

Os inquiridos que tinham sido vítimas de discriminação mostraram-se mais dispostos a emigrar do que os que não tinham passado por essa experiência. No primeiro grupo, 55,8 por cento disseram que partiriam, contra 37 por cento no segundo.

A diferença foi de 18,8 pontos percentuais. Por outras palavras, mais de metade dos que referiram ter sido vítimas de discriminação manifestou vontade de partir, contra pouco mais de um terço dos que não relataram qualquer caso.

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Este resultado alarga a discussão para além dos salários e dos preços. As experiências de tratamento justo também influenciam a forma como os jovens avaliam as suas perspetivas no Sri Lanka. As oportunidades económicas e o tratamento recebido na sociedade fazem parte do quadro que o estudo traça sobre o apelo de um futuro noutro país.

O inquérito descreve uma associação entre a discriminação e as intenções de emigrar. A mensagem prática é que os esforços para tornar mais atrativo ficar devem ter em conta as experiências dos jovens nas suas comunidades, além da sua situação financeira.

Um inquérito anterior encontrou uma tendência semelhante entre os jovens

Em 2021, o desejo de emigrar já era expressivo entre os jovens adultos. No relatório sobre migração do SLOTS, publicado a 17 de novembro de 2021, o investigador Ravi P. Rannan-Eliya concluiu que 27 por cento dos adultos do Sri Lanka gostariam de emigrar se tivessem oportunidade.

Esse relatório do Sri Lanka Opinion Tracker Survey, com o número 2021-01, baseou-se em entrevistas a 746 adultos realizadas entre 21 de setembro e 14 de novembro de 2021. Cerca de metade dos inquiridos entre os 18 e os 29 anos, bem como cerca de metade dos licenciados, queria emigrar. Nas províncias do Norte e do Leste, a proporção rondava duas pessoas em cada cinco.

Os dois estudos permitem acompanhar a evolução dos resultados, embora abranjam populações diferentes:

  • Antes das eleições presidenciais de 2019, 56 por cento esperavam que a economia melhorasse no ano seguinte, segundo os inquéritos anteriores citados no relatório do SLOTS.
  • Entre 21 de setembro e 14 de novembro de 2021, o SLOTS inquiriu 746 adultos e concluiu que o interesse em emigrar era especialmente elevado entre os jovens e os licenciados.
  • A 17 de novembro de 2021, o SLOTS publicou uma análise que relacionava o interesse em emigrar com o pessimismo económico e o desencanto político.
  • O estudo My Sri Lanka | Next inquiriu 2418 jovens em todos os 25 distritos e concluiu que 49,1 por cento estavam dispostos a partir.

O valor de 27 por cento registado em 2021 abrangia adultos de todas as idades, enquanto o estudo mais recente se centra nas gerações mais jovens. A comparação mais próxima é, por isso, a relativa aos jovens: em 2021, cerca de metade dos adultos entre os 18 e os 29 anos queria partir, face aos 52,7 por cento dos inquiridos da Geração Z no estudo mais recente.

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Não foram especificadas as datas do trabalho de campo do estudo mais recente, nem os detalhes completos da amostragem e os limites etários exatos. Essas informações ajudariam a avaliar até que ponto os inquiridos podem ser comparados com os do inquérito anterior.

Querer partir e preparar a partida

O relatório do SLOTS de 2021 oferece ainda uma perspetiva sobre a evolução das decisões de emigrar. Entre as pessoas que queriam emigrar, uma em cada quatro tinha planos ou já começara a preparar a partida, o equivalente a cerca de um adulto em cada 16 nesse inquérito.

A situação financeira e a escolaridade influenciavam a passagem do interesse à preparação. Segundo o relatório, os inquiridos com mais recursos e maior escolaridade tinham maior probabilidade de começar a tomar medidas concretas. Emigrar exige recursos, pelo que quem sente maior pressão para partir poderá ter menos meios para o fazer.

O valor do My Sri Lanka | Next mede a vontade de partir caso surja uma oportunidade. A partida efetiva depende de outras decisões e preparativos, incluindo conseguir trabalho, financiar a viagem e obter autorização para entrar ou viver noutro país. Os autores do estudo apresentaram as intenções de emigrar como um sinal da necessidade de tornar possível um futuro viável no Sri Lanka.

O relatório anterior estimava também que o desejo de emigrar provavelmente duplicara em relação aos inquéritos realizados três a cinco anos antes de 2021. O autor reconheceu as dificuldades das comparações históricas e baseou essa avaliação em inquéritos anteriores que usaram as mesmas perguntas.

O descontentamento político fazia parte do quadro anterior

Em 2021, o SLOTS concluiu que as expectativas económicas e a insatisfação com a resposta do Governo à COVID-19 estavam associadas ao desencanto político. Entre as pessoas que tinham votado em Gotabaya Rajapaksa, os eleitores desencantados tinham uma probabilidade três vezes superior à dos eleitores fiéis de querer emigrar.

O relatório definia como desencantados os antigos apoiantes de Rajapaksa que deixavam de o escolher quando lhes perguntavam em quem votariam numa eleição hipotética. Muitos disseram que não votariam ou recusaram responder, em vez de escolherem um candidato da oposição.

O pessimismo económico era generalizado. Entre os eleitores desencantados de Rajapaksa, 66 por cento esperavam que a economia piorasse no ano seguinte, contra 59 por cento dos eleitores fiéis e 72 por cento dos adultos em geral.

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As opiniões sobre a resposta à pandemia também divergiam: 47 por cento dos eleitores desencantados classificaram como boa a resposta do Governo, contra 74 por cento dos eleitores fiéis. O estudo anterior enquadra o interesse em emigrar numa perda de confiança mais ampla, tanto nas perspetivas económicas como nas decisões do Governo.

Um alerta dos organizadores do estudo

No lançamento do My Sri Lanka | Next, Prashan De Visser, fundador e presidente da Global Unites, apelou a medidas para responder às queixas dos jovens. Disse que os estudos iniciais da organização identificaram ciclos de violência com intervalos de cerca de 15 a 18 anos e descreveu o Sri Lanka como estando num ponto correspondente a 18 anos desse padrão.

De Visser associou o alerta a um apelo aos líderes cívicos reunidos no lançamento. Defendeu a criação de condições para que os mais jovens possam prosperar:

O Sri Lanka merece melhor. Os nossos filhos merecem melhor. Temos o poder de fazer parte dessa mudança, e é disso que se trata hoje.

O inquérito traduz esse apelo em prioridades concretas: emprego, bens essenciais a preços acessíveis, alívio da pressão financeira e tratamento justo. O resultado mais marcante continua a ser a coexistência entre o sentimento de pertença e a vontade de partir. Muitos dos jovens inquiridos sentem-se fortemente ligados ao Sri Lanka, mas procuram maior segurança para o futuro noutro lugar.

Principais conclusões

  • O estudo inquiriu 2418 pessoas nos 25 distritos e incluiu 22 consultas provinciais.
  • 49,1 por cento deixariam o Sri Lanka se tivessem oportunidade; entre os inquiridos da Geração Z, a proporção sobe para 52,7 por cento.
  • 73,7 por cento referiram um forte sentimento de pertença nacional. Dentro desse grupo, 42,4 por cento estavam dispostos a partir.
  • 69,8 por cento enfrentavam stress financeiro, proporção que chegava aos 84,3 por cento na Província do Norte.
  • A vontade de emigrar era de 55,8 por cento entre os inquiridos que tinham sido vítimas de discriminação, contra 37 por cento entre os que não tinham passado por essa experiência.
  • O inquérito do SLOTS de 2021 também encontrou interesse em emigrar em cerca de metade dos jovens adultos; os recursos pessoais influenciavam quem começava a preparar a partida.
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