Proteção gratuita contra infeções que podem tornar-se graves
O Ministério da Saúde Pública da Tailândia começou a disponibilizar gratuitamente a vacina pneumocócica conjugada, ou VPC, a crianças pequenas em todo o país, com um esquema padrão de três doses aos 2, 4 e 12 meses. A campanha abrange crianças nascidas a partir de 1 de outubro de 2025 e visa prevenir infeções que podem causar pneumonia, meningite, incapacidade ou morte.
Índice
- Proteção gratuita contra infeções que podem tornar-se graves
- Porque é que a doença pneumocócica preocupa
- O que revelam os dados de vigilância da Tailândia
- Que crianças são elegíveis e em que datas?
- Como funcionam as três doses
- Falhar uma consulta não significa recomeçar
- Algumas crianças precisam de uma quarta dose
- O que esperar numa consulta de vacinação
- O que muda para as famílias com a campanha
- Pontos-chave
O Departamento de Controlo de Doenças registou 5 217 casos de doença pneumocócica grave entre crianças dos 0 aos 5 anos, de 2023 a 2025, tendo as taxas de doença aumentado durante esse período. As vacinas foram enviadas para hospitais de todo o país. Os pais de crianças até aos 12 meses podem contactar um hospital próximo para confirmar se são elegíveis e marcar uma consulta.
O ministério prevê que os casos de doença e as complicações graves na infância diminuam substancialmente no prazo de 12 a 18 meses após o início dos serviços. Para as famílias, a mudança imediata é o acesso à vacinação sem terem de pagar a vacina, através do programa público, a par de um esforço para reduzir os custos médicos associados a infeções graves.
A elegibilidade depende da data de nascimento e do historial de vacinação. As orientações para o ano fiscal de 2027 incluem no grupo de vacinação de rotina as crianças nascidas a partir de 1 de outubro de 2026, enquanto as crianças tailandesas nascidas a partir de 1 de outubro de 2025 estão incluídas no grupo das que se apresentam tardiamente. Estas duas datas correspondem a diferentes formas de acesso ao programa, pelo que confirmar a elegibilidade junto de um hospital é particularmente útil para as famílias cujos filhos já falharam uma dose prevista.
Porque é que a doença pneumocócica preocupa
A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae. Esta pode alojar-se no nariz e na garganta e propagar-se através de gotículas expelidas pela tosse ou pelos espirros, ou por contacto próximo. Existem mais de 100 tipos desta bactéria.
As crianças pequenas, sobretudo as com menos de 5 anos, correm maior risco de desenvolver doença grave. As pessoas idosas e as pessoas com o sistema imunitário enfraquecido, determinadas doenças crónicas ou ausência do baço ou mau funcionamento deste órgão também são mais vulneráveis. O baço é um órgão que ajuda o organismo a combater algumas infeções bacterianas.
A infeção pneumocócica pode afetar os pulmões, causando pneumonia, ou propagar-se à corrente sanguínea. Também pode causar meningite, uma infeção das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinal. Estas formas graves explicam por que motivo o programa de vacinação se centra na proteção desde os primeiros anos de vida, antes de a criança ultrapassar as idades de maior vulnerabilidade.
O que revelam os dados de vigilância da Tailândia
Os dados digitais de vigilância de doenças do Departamento de Controlo de Doenças mostram que os casos de pneumonia de causa não especificada aumentaram todos os anos entre 2021 e 2024. Em 2024, as crianças dos 0 aos 4 anos registaram a taxa mais elevada: 3 767 casos por cada 100 000 pessoas desse grupo etário.
As pessoas com 70 ou mais anos registaram a segunda taxa mais elevada, com 1 955 casos por cada 100 000 pessoas. Assim, a taxa entre as crianças pequenas foi cerca de 1,9 vezes superior à dos adultos mais velhos. Esta comparação ajuda a explicar a prioridade dada à vacinação infantil.
As orientações apontam também para uma estimativa de 3 683 casos de pneumonia pneumocócica entre crianças com menos de 4 anos em 2024, além de 98 076 casos de pneumonia de causa não especificada. O número relativo à doença pneumocócica é uma estimativa de casos causados por uma bactéria específica; a categoria mais abrangente da vigilância inclui pneumonias cuja causa não foi identificada.
Os casos de meningite de causa não especificada também aumentaram entre 2021 e 2024. As crianças com menos de 4 anos registaram a taxa mais elevada, com 7,95 casos por cada 100 000 pessoas. Em conjunto, estes números mostram um peso considerável das infeções pulmonares e de outras infeções graves entre as crianças pequenas.
Que crianças são elegíveis e em que datas?
O anúncio da campanha estabelece 1 de outubro de 2025 como a data de nascimento mais antiga abrangida. As orientações para o ano fiscal de 2027 distinguem depois as consultas de rotina destinadas a um grupo de crianças nascidas mais recentemente da vacinação de crianças elegíveis que se apresentam tardiamente. O ano fiscal de 2027 da Tailândia começa a 1 de outubro de 2026.
As principais datas e etapas são:
- 2023 a 2025: o Departamento de Controlo de Doenças registou 5 217 casos de doença pneumocócica grave entre crianças dos 0 aos 5 anos.
- 1 de outubro de 2025: a data de nascimento mais antiga abrangida pelo anúncio da campanha e a data aplicável às crianças tailandesas que se apresentam tardiamente, segundo as orientações para o ano fiscal de 2027.
- 1 de outubro de 2026: a data de nascimento a partir da qual as crianças integram o grupo de vacinação de rotina descrito nas orientações para o ano fiscal de 2027.
- Aos 2, 4 e 12 meses: as idades previstas para as três doses da VPC.
- Nos 12 a 18 meses após o início dos serviços: o período em que o ministério prevê uma redução substancial dos casos de doença e das complicações graves.
O anúncio não indica uma data exata para o início da campanha em todo o país, pelo que a melhoria prevista pelo ministério ainda não pode ser associada a um mês específico. Os pais podem confirmar junto de um hospital se o filho está abrangido pelo programa, indicando a data de nascimento e o historial de vacinação.
Como funcionam as três doses
O esquema padrão consiste em duas doses iniciais, aos 2 e aos 4 meses, seguidas de uma dose de reforço aos 12 meses. Nas orientações clínicas, este esquema é designado por 2p+1: duas doses primárias e uma dose de reforço. As primeiras doses estimulam a resposta imunitária da criança e a dose posterior reforça a proteção.
A vacina identificada nas orientações para o ano fiscal de 2027 é a SII PNEUMOSIL, produzida pelo Serum Institute of India. É uma vacina VPC10, o que significa que protege contra 10 tipos de pneumococo, também designados por serótipos.
Uma vacina conjugada associa componentes de açúcares bacterianos a uma proteína transportadora, para que o sistema imunitário de uma criança pequena possa responder de forma mais eficaz. A vacina ensina o organismo a reconhecer determinados tipos de pneumococo antes de ocorrer uma infeção.
A VPC reduz o risco de doença causada pelos tipos de pneumococo que abrange. A pneumonia também pode ser causada por outras bactérias e vírus, pelo que as crianças ainda podem desenvolver pneumonia após a vacinação. O objetivo de saúde pública é reduzir uma parte evitável deste problema, em particular as infeções pneumocócicas graves.
As orientações indicam que a SII PNEUMOSIL pode ser utilizada a partir das 6 semanas de idade e até antes do segundo aniversário. Este limite etário do produto torna-se especialmente relevante quando uma criança inicia a vacinação tardiamente e a dose seguinte teria de ser administrada depois de ultrapassada essa idade.
Falhar uma consulta não significa recomeçar
As crianças que recebem uma dose com atraso não têm de recomeçar todo o esquema. Os profissionais de saúde devem rever as doses já administradas e marcar as vacinas restantes, respeitando os intervalos recomendados e o intervalo mínimo permitido entre doses.
A Divisão de Doenças Transmissíveis Gerais do Departamento de Controlo de Doenças e a Sociedade de Doenças Infecciosas Pediátricas da Tailândia elaboraram em conjunto recomendações para a administração da VPC e para as crianças que se apresentam tardiamente no âmbito do Programa Nacional de Imunização. A abordagem consiste em integrar as doses em falta nas consultas de vacinação já previstas, sempre que possível.
As vacinas administradas anteriormente no setor privado também são relevantes. As orientações permitem utilizar diferentes produtos VPC para completar o esquema. Por exemplo, uma criança que tenha recebido anteriormente VPC13 numa clínica privada pode receber uma dose subsequente de VPC10 ao abrigo do programa público, sem ter de recomeçar.
É necessário dar especial atenção às crianças que se aproximam do segundo aniversário. As orientações dão o exemplo de uma criança que recebe a primeira dose com 1 ano e 11 meses e precisa de outra dose pelo menos oito semanas depois. Os profissionais de saúde têm de escolher um produto adequado à idade da criança na data em que essa dose posterior for administrada.
Algumas crianças precisam de uma quarta dose
Recomenda-se que as crianças com elevado risco de infeção pneumocócica grave recebam quatro doses, aos 2, 4, 6 e 12 meses. Este esquema é designado por 3p+1: três doses iniciais seguidas de uma dose de reforço.
As orientações identificam as crianças com o sistema imunitário enfraquecido, sem baço ou com determinadas doenças crónicas como grupos que necessitam de atenção adicional. Alguns exemplos são a infeção por VIH, o cancro, a função reduzida do baço e as doenças renais que provocam perda anormal de proteínas.
As crianças que tomam medicamentos imunossupressores precisam de uma avaliação individual. A VPC não é uma vacina viva, mas a resposta imunitária pode ser mais fraca em algumas crianças. O médico assistente deve ter em conta a doença subjacente, a medicação, o historial de vacinação e o calendário das doses.
Em geral, os bebés prematuros devem ser considerados para vacinação com base na idade real desde o nascimento, bem como no seu estado clínico e nas instruções do produto. As orientações desaconselham o adiamento da vacinação sem motivo médico, uma vez que estes bebés podem correr maior risco de doença pneumocócica.
O que esperar numa consulta de vacinação
A VPC pode ser administrada no mesmo dia que outras vacinas do Programa Nacional de Imunização. Os profissionais de saúde devem utilizar locais de injeção separados, com uma distância mínima de uma polegada entre eles. A coordenação das consultas pode reduzir o número de deslocações das famílias, mantendo a criança dentro do calendário previsto.
Segundo as orientações, podem ocorrer dor, inchaço ou vermelhidão no local da injeção em cerca de 20% a 40% das pessoas vacinadas. Estas reações podem ser mais frequentes após uma dose de reforço ou em crianças mais velhas e costumam desaparecer em dois a três dias. Também pode ocorrer febre ligeira ou cansaço.
As orientações referem ainda irritabilidade, sonolência, diminuição do apetite e febre alta entre as reações possíveis, bem como reações alérgicas graves. Os pais devem informar a equipa de vacinação sobre reações anteriores a vacinas e alergias conhecidas a componentes das vacinas.
A alergia a um antibiótico não impede automaticamente a vacinação com VPC. Os profissionais têm de avaliar a alergia específica e os componentes da vacina. As contraindicações indicadas incluem hipersensibilidade a um dos componentes e antecedentes de alergia à vacina contra a difteria.
As crianças com febre alta aguda devem adiar a vacinação. Antecedentes de níveis baixos de plaquetas, uma doença hemorrágica ou um tratamento com medicamentos que reduzem a coagulação do sangue também exigem cuidados ao planear a injeção.
O que muda para as famílias com a campanha
Os hospitais passam agora a ter um papel central na concretização do direito nacional à vacinação completa. Para os pais, o primeiro passo prático é contactar um hospital próximo, confirmar a elegibilidade e pedir aos profissionais que revejam as doses que a criança já recebeu.
As famílias com crianças até aos 12 meses são especificamente incentivadas a confirmar se têm direito à vacinação e a marcar uma consulta. Os pais de crianças elegíveis que se apresentem tardiamente também devem perguntar pelas medidas de recuperação previstas nas orientações para o ano fiscal de 2027, sobretudo se o filho se estiver a aproximar do limite etário do produto.
O objetivo do ministério é reduzir substancialmente os casos de doença e as complicações graves no prazo de 12 a 18 meses. Vacinar as crianças cedo, completar a dose de reforço e organizar esquemas adequados para as que correm maior risco são as medidas práticas que sustentam essa expectativa.
Pontos-chave
- A Tailândia começou a disponibilizar gratuitamente a VPC em todo o país, com doses de rotina aos 2, 4 e 12 meses.
- A campanha abrange crianças nascidas a partir de 1 de outubro de 2025; as orientações para o ano fiscal de 2027 distinguem os grupos de vacinação de rotina e de apresentação tardia.
- O Departamento de Controlo de Doenças registou 5 217 casos de doença pneumocócica grave entre crianças dos 0 aos 5 anos, de 2023 a 2025.
- Recomenda-se uma dose adicional aos 6 meses para as crianças com elevado risco.
- As crianças que falham uma dose prevista podem completar o esquema sem recomeçar, após avaliação clínica.
- Os pais podem contactar um hospital próximo para confirmar a elegibilidade, as doses anteriores e as consultas disponíveis.






