Seis linhas de teste iniciam operações experimentais em Bac Ninh
A FPT iniciou operações experimentais numa fábrica de teste e encapsulamento de semicondutores no norte do Vietname, acrescentando uma unidade com seis linhas de teste e uma capacidade máxima de projeto de 300 milhões de chips por ano. A empresa anunciou o início das operações a 3 de novembro de 2026, numa altura em que as empresas vietnamitas alargam o seu papel numa indústria em que a atividade nacional se tem centrado sobretudo na conceção e nos serviços prestados por investidores estrangeiros.
Índice
- Seis linhas de teste iniciam operações experimentais em Bac Ninh
- O que acontece quando um chip é testado?
- O calor, a humidade e a eletricidade estática também contam
- As normas de gestão e a IA fazem parte da expansão
- Engenheiros experientes vão formar a próxima geração
- Dos projetos de chips de potência a uma fábrica maior
- O Vietname está a desenvolver várias etapas da cadeia de produção de chips
- A Viettel acrescenta um chip de segurança e uma parceria em IA
- Um novo negócio num grupo tecnológico muito maior
- Pontos principais
A fábrica ocupa 1.600 metros quadrados no Parque Industrial Yen Phong II-C, na província de Bac Ninh, e é explorada pela FPT Analysis Technologies JSC. A FPT descreve-a como a primeira unidade do género no Vietname pertencente a uma empresa nacional e por ela operada.
Prevê-se que a primeira encomenda comercial de testes venha de um parceiro sul-coreano. A FPT não identificou o cliente, não revelou o volume da encomenda nem indicou uma data para a conclusão dos trabalhos. O valor de 300 milhões refere-se à capacidade máxima anual de projeto da fábrica; a produção efetiva dependerá das encomendas e das condições de funcionamento à medida que a unidade avança nas operações experimentais.
O foco imediato está em verificar a funcionalidade, a qualidade e a fiabilidade dos chips. A FPT também planeia desenvolver tecnologias mais avançadas de teste e encapsulamento de chips, utilizando a fábrica para formar estudantes e alargar os serviços a clientes no Vietname e no estrangeiro.
O que acontece quando um chip é testado?
A fábrica da FPT combina equipamento de teste automatizado, conhecido como ATE, com máquinas chamadas manipuladores. O aparelho de teste verifica se um chip executa as funções previstas e cumpre os requisitos técnicos. O manipulador posiciona cada chip e, em seguida, separa-o consoante passe ou não no teste.
Um chip pode conter muitos circuitos eletrónicos minúsculos, pelo que testá-lo implica mais do que ligá-lo. Os engenheiros têm de determinar quais as medições relevantes para aquele projeto específico, definir as condições em que são feitas e analisar os resultados. Um chip que controla energia elétrica requer um programa de testes diferente de um que processa imagens.
Os engenheiros da FPT estão a desenvolver programas adaptados às funções e especificações de cada chip. O trabalho abrange os parâmetros a medir, as condições de teste e a análise necessária para determinar se o produto cumpre os requisitos.
A área de testes funciona numa sala limpa de Classe 10.000, equivalente à Classe ISO 7. Esta classificação diz respeito à concentração de partículas no ar. O controlo do pó e do ambiente ajuda a proteger os pequenos componentes eletrónicos e a manter condições de teste consistentes.
O encapsulamento tem outra finalidade: envolve o chip numa estrutura de proteção e disponibiliza as ligações necessárias para o utilizar num dispositivo eletrónico. As prioridades iniciais da FPT centram-se nos testes, estando capacidades de encapsulamento mais avançadas incluídas nos planos de desenvolvimento.
O calor, a humidade e a eletricidade estática também contam
A FPT está também a verificar a resistência dos chips a condições exigentes. Os trabalhos de fiabilidade da unidade incluem exposição a temperaturas elevadas, variações repetidas de temperatura e combinações de calor e humidade. Estes testes ajudam os engenheiros a avaliar se um componente consegue cumprir as condições exigidas para a utilização prevista.
Um chip que funciona durante um breve teste elétrico pode ainda ter de suportar calor prolongado ou variações repetidas de temperatura num produto acabado. Os testes de fiabilidade avaliam estas exigências e fornecem aos clientes informação que vai além de um simples resultado de aprovação ou reprovação nas funções básicas.
A eletricidade estática é outra preocupação durante o manuseamento. Uma pequena descarga elétrica de uma pessoa ou de um equipamento pode danificar componentes sensíveis. A fábrica utiliza medidas de controlo destinadas a reduzir esse risco à medida que os chips avançam pelos processos.
A FPT afirma que vai expandir a área de testes de fiabilidade em conformidade com os requisitos internacionais de competência para laboratórios de ensaio e calibração. A calibração consiste em verificar se o equipamento de medição fornece leituras fiáveis, um passo essencial para produzir resultados úteis para os clientes.
As normas de gestão e a IA fazem parte da expansão
A FPT está a trabalhar para cumprir normas de gestão que abrangem várias áreas das operações da fábrica: ISO 9001 para a qualidade, ISO 14001 para a gestão ambiental e ISO 45001 para a saúde e segurança no trabalho. Os controlos da sala limpa seguem o quadro da ISO 14644.
As descrições das normas aplicadas na fábrica diferem quanto ao grau de implementação. Algumas referem que os sistemas de gestão já funcionam de acordo com essas normas, enquanto outras apresentam a conformidade como um objetivo ainda em curso. O programa prático abrange procedimentos de qualidade, controlos ambientais, segurança dos trabalhadores e requisitos de teste dos produtos.
A FPT está também a desenvolver uma plataforma de inteligência artificial para automatizar partes da criação de programas de teste. Entre as funções previstas contam-se a normalização de dados, o processamento de requisitos técnicos, a configuração de testes e a avaliação de resultados.
O trabalho previsto com IA visa a preparação de engenharia necessária para cada projeto de chip. Atualmente, os engenheiros definem o que testar e como interpretar as medições. A automatização de parte dessa preparação poderá ajudar a FPT a lidar com uma gama mais ampla de produtos à medida que a sua base de clientes cresce. A plataforma continua em desenvolvimento.
Engenheiros experientes vão formar a próxima geração
A FPT reuniu especialistas em testes e encapsulamento de semicondutores, incluindo engenheiros que trabalharam durante anos na unidade da Intel no Vietname. As suas responsabilidades incluem estabelecer procedimentos técnicos, operar equipamentos e formar trabalhadores.
A empresa planeia disponibilizar a fábrica para formação prática de estudantes, através de um programa-piloto com o FPT Polytechnic College a partir de dezembro de 2026. Espera-se que os estudantes adquiram experiência direta com equipamento de teste, linhas de produção e procedimentos operacionais.
Os números relativos à mão de obra vietnamita no setor dos semicondutores mostram a importância dessa componente prática. Dados apresentados na inauguração de um centro nacional de apoio à prototipagem de chips indicam que o ecossistema do país conta com cerca de 60 empresas de conceção de chips, 7.000 engenheiros de chips e 166 instituições de ensino superior com programas relacionados.
A fábrica dá aos estudantes acesso a equipamento e rotinas que o ensino em sala de aula, por si só, não pode proporcionar. Para a FPT, integrar a formação na mesma unidade onde decorrem os testes comerciais cria uma via para formar profissionais familiarizados com a maquinaria e os processos técnicos da empresa.
Dos projetos de chips de potência a uma fábrica maior
A FPT afirma ter mais de uma década de experiência no setor dos semicondutores. O seu trabalho de conceção inclui circuitos integrados de potência e circuitos integrados de gestão de energia, ou PMIC. Estes componentes ajudam a fornecer, regular e distribuir eletricidade em produtos eletrónicos.
Em 2025, a empresa entregou a um parceiro japonês o primeiro lote de chips baseados nos seus próprios projetos de chips de potência. A unidade de Bac Ninh acrescenta serviços de teste a essa atividade de conceção, dando à FPT um novo papel na disponibilização de produtos semicondutores aos clientes.
A FPT está também a investigar sistemas em chip de IA na periferia da rede. Um sistema em chip combina várias funções de computação num único componente. A IA na periferia consiste em processar informação perto do local onde é recolhida, por exemplo, dentro de uma câmara ou de outro dispositivo, em vez de enviar todas as tarefas para um centro de dados remoto.
A próxima expansão prevista é significativa. Numa segunda fase, programada para 2028 a 2030, a FPT pretende aumentar a área da fábrica de 1.600 para cerca de 6.000 metros quadrados e acrescentar linhas de teste e encapsulamento. A unidade passaria a ter cerca de 3,75 vezes a dimensão atual, um aumento de aproximadamente 4.400 metros quadrados.
Os principais marcos vão do anúncio da fábrica à expansão dos serviços e da formação:
- Janeiro de 2026: a FPT anunciou a fábrica de teste e encapsulamento.
- 26 de junho de 2026: o Ministério da Ciência e Tecnologia do Vietname inaugurou o centro nacional de apoio à prototipagem de chips VNMPW/CC.
- 3 de novembro de 2026: a FPT anunciou que a unidade de Bac Ninh tinha iniciado operações experimentais.
- Dezembro de 2026: está previsto o início do programa-piloto de formação prática com o FPT Polytechnic College.
- 2028 a 2030: a FPT planeia expandir a fábrica para cerca de 6.000 metros quadrados.
O Vietname está a desenvolver várias etapas da cadeia de produção de chips
O Ministério da Ciência e Tecnologia do Vietname estimou que, no final de 2025, o setor contava com cerca de 60 empresas de conceção de chips, oito projetos de encapsulamento e teste e mais de 20 fornecedores de materiais e equipamento para semicondutores. Entre as empresas estrangeiras que já operam no país encontram-se a Intel, a Amkor Technology e a Hana Micron, nas áreas de montagem, teste e encapsulamento.
A estratégia nacional para os semicondutores tem como objetivo, até 2030, alcançar pelo menos 100 empresas de conceção, uma pequena fábrica de fabrico de chips e 10 unidades de encapsulamento e teste. As metas de longo prazo para 2050 incluem 300 empresas de conceção, três fábricas de fabrico e 20 unidades de encapsulamento e teste.
A fábrica da FPT integra a componente de teste e encapsulamento desse plano. O fabrico de bolachas de silício é uma etapa distinta, em que os circuitos eletrónicos são produzidos em discos finos de material semicondutor, antes de os chips individuais serem separados e preparados para utilização.
O centro nacional VNMPW/CC abrange outra etapa: ajudar investigadores e empresas a transformar projetos em protótipos físicos. O seu papel é ligar as necessidades nacionais de conceção aos serviços de fabrico e apoiar os testes e a avaliação após o fabrico.
Nguyen Khac Lich, diretor do departamento da indústria das tecnologias de informação do Ministério da Ciência e Tecnologia, identificou a capacidade de transformar projetos em chips reais como um obstáculo ao progresso do Vietname. A produção de protótipos envolve etapas dispendiosas, incluindo o tape-out, ou seja, o envio de um projeto de chip concluído para fabrico.
Em conjunto, o centro de prototipagem e a unidade de testes da FPT respondem a necessidades práticas distintas. Os projetistas precisam de acesso ao fabrico para obter um chip físico e, depois, de medições que lhes permitam saber se funciona como previsto.
A Viettel acrescenta um chip de segurança e uma parceria em IA
A Viettel e o Comité Governamental de Cifras também apresentaram capacidades nacionais no setor dos semicondutores de segurança a 3 de novembro. O chip de segurança VGC v1.0 da Viettel contém 300 milhões de transístores, utiliza um processo de fabrico de 28 nanómetros e cabe num encapsulamento com 10 por 10 milímetros.
Os seus criadores afirmam que os testes mostraram que o chip conseguia cifrar e decifrar dados cerca de 15 vezes mais depressa do que uma solução que executasse as mesmas tarefas apenas por software. A cifragem transforma informação legível em dados protegidos, que exigem a chave correta para serem desbloqueados.
A Viettel afirma que o VGC v1.0 já é utilizado em dispositivos de armazenamento USB seguros destinados a organismos governamentais e de defesa. A Viettel e o Comité Governamental de Cifras assinaram um acordo para planear a produção em volume e desenvolver uma plataforma de segurança com vários núcleos de processamento e componentes criptográficos dedicados.
A plataforma de semicondutores de segurança associada utiliza RISC-V, uma norma aberta que define as instruções que um processador pode executar. Segundo a Viettel, esta norma dá aos seus engenheiros margem para conceber e modificar processadores, mantendo o controlo sobre a conceção e a verificação dos núcleos.
O presidente e diretor executivo da Viettel, Tao Duc Thang, descreveu a ambição da empresa de desenvolver tecnologia nacional:
«Chegar mais tarde não significa aceitar a dependência dos outros»,
Também explicou a abordagem que a Viettel pretende seguir:
Com a estratégia certa, recursos concentrados e um compromisso sustentado, podemos reduzir gradualmente a distância e, em última análise, assumir o controlo de tecnologias de importância estratégica para o nosso país.
A FPT e a Viettel tinham anunciado em janeiro planos para desenvolver em conjunto chips de IA destinados a câmaras, drones e outros dispositivos inteligentes. A parceria abrange a conceção, o fabrico, os testes e o encapsulamento, ligando os novos serviços da FPT a um esforço nacional de desenvolvimento mais amplo.
Um novo negócio num grupo tecnológico muito maior
O programa fabril da FPT surge numa altura em que o grupo regista crescimento no conjunto das suas atividades. Nos primeiros nove meses de 2026, as receitas consolidadas atingiram 40.023 mil milhões de dong vietnamitas, cerca de 1,5 mil milhões de dólares, um aumento de 12,4%. O lucro antes de impostos subiu 17%, para 8.770 mil milhões de dong.
O segmento tecnológico, que inclui serviços de tecnologias da informação no mercado interno e no estrangeiro, representou 89% das receitas e 58% do lucro antes de impostos. Estes valores mostram a dimensão da atividade de serviços já existente, em comparação com a operação mais recente de semicondutores.
As receitas do segmento de educação, investimento e outras atividades caíram 3,1%, para 4.508 mil milhões de dong, enquanto o lucro antes de impostos subiu 17,6%, para 3.719 mil milhões de dong. A FPT não divulgou valores separados de receitas ou lucros para a fábrica de Bac Ninh.
Os próximos passos concretos são a esperada encomenda de testes sul-coreana e o programa-piloto de formação de estudantes previsto para dezembro. Nos anos seguintes, a FPT pretende expandir as capacidades laboratoriais, desenvolver tecnologias de encapsulamento e aumentar a fábrica. Para os projetistas vietnamitas de chips, a mudança imediata é o acesso a mais um prestador nacional capaz de verificar se os seus produtos funcionam corretamente e resistem a condições exigentes.
Pontos principais
- A FPT anunciou o início de operações experimentais a 3 de novembro de 2026 na sua fábrica de teste e encapsulamento de semicondutores em Bac Ninh.
- A unidade, com 1.600 metros quadrados, dispõe de seis linhas de teste e de uma capacidade máxima de projeto de 300 milhões de chips por ano.
- Os serviços iniciais centram-se na funcionalidade, qualidade e fiabilidade dos chips; espera-se que a primeira encomenda de testes venha de um parceiro sul-coreano.
- A FPT está a desenvolver ferramentas de IA para preparar programas de teste e planeia iniciar a formação de estudantes em dezembro de 2026.
- Uma expansão prevista para 2028 a 2030 aumentaria a área da fábrica para cerca de 6.000 metros quadrados.
- A fábrica acrescenta capacidade nacional de teste às iniciativas vietnamitas de conceção e prototipagem de chips e de desenvolvimento de semicondutores de segurança.






