Malásia redireciona 5 mil milhões de RM de empréstimos para oleodutos fracassados para um projecto de abastecimento de água em Perak e Penang

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Malaysia Redirects RM5 Billion From Failed Pipeline Loans to Perak and Penang Water Scheme

Prejuízos com oleodutos passam a financiar infra-estruturas de água

A Malásia garantiu um acordo para redireccionar 5 mil milhões de RM de financiamento associado a dois projectos de oleodutos cancelados para um plano de abastecimento de água no norte de Perak e em Penang, reduzindo os prejuízos estimados do país de 8 mil milhões para 3 mil milhões de RM, segundo o primeiro-ministro e ministro das Finanças, Anwar Ibrahim.

Índice
  1. Prejuízos com oleodutos passam a financiar infra-estruturas de água
  2. O que muda com o acordo de 5 mil milhões de RM
  3. Como falharam os projectos originais
  4. Uma década de contratos, cancelamentos e negociações
  5. Os investigadores continuam a procurar informações
  6. Para onde irá a nova água
  7. Porque quer Penang uma segunda grande fonte de abastecimento
  8. Prazos, tarifas e aprovações do abastecimento
  9. O que é prometido em alternativa a Sabah
  10. Principais pontos

O acordo entre a Suria Strategic Energy Resources Sdn Bhd (SSER) e o Export-Import Bank of China (CEXIM) financiará o Plano de Abastecimento de Água do Norte de Perak. Entre as metas estão o fornecimento diário de 700 milhões de litros de água ao norte de Perak, 300 milhões de litros a Penang e outros 500 milhões de litros de água não tratada para irrigação agrícola.

O comunicado do Ministério das Finanças sobre a reafectação do empréstimo, datado de 30 de Outubro de 2026, refere que a Malásia continuou responsável por empréstimos de 8 mil milhões de RM após o cancelamento, em 2018, dos projectos do Oleoduto Multiproduto (MPP) e do Gasoduto Trans-Sabah (TSGP). O ministério descreve o novo acordo como uma recuperação parcial, através da utilização do financiamento em infra-estruturas essenciais.

Anwar disse na Dewan Rakyat, a 3 de Novembro, que as investigações aos projectos dos oleodutos continuam abertas. Até 2018, tinham sido pagos 8,3 mil milhões de RM de contratos no valor de cerca de 9,4 mil milhões de RM, embora o progresso da construção comunicado fosse de apenas 13%. Anwar afirmou que esse valor não tinha sido auditado nem verificado.

A decisão liga duas preocupações públicas: como pode a Malásia recuperar valor de projectos dispendiosos que falharam e como podem as famílias, as explorações agrícolas e as empresas obter um abastecimento de água mais fiável. Deixa também os investigadores a apurar responsabilidades pelos pagamentos originais, enquanto se prepara um novo programa de construção.

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O que muda com o acordo de 5 mil milhões de RM

A SSER, empresa detida pela Minister of Finance Incorporated, assinou o acordo através do membro do conselho de administração Mohd Fariszan Ahmad. O vice-presidente do CEXIM, Kang Wang, assinou em nome do banco chinês, numa cerimónia testemunhada por Anwar.

O Governo federal tinha garantido os empréstimos originais para os oleodutos. Uma garantia do Governo significa que o Estado tem de cumprir a obrigação de reembolso se o mutuário não o puder fazer. O cancelamento da construção deixou, assim, a Malásia responsável por empréstimos associados a projectos que não tinham prestado os serviços previstos.

Anwar afirmou que a reestruturação recupera 5 mil milhões de RM em valor, ao direccionar o financiamento para o plano de abastecimento de água. Face à responsabilidade de 8 mil milhões de RM identificada pelo Ministério das Finanças, isso representa 62,5%, deixando prejuízos estimados em 3 mil milhões de RM, segundo os cálculos do Governo.

Ao explicar ao Parlamento o custo restante, Anwar disse que parte dos 3 mil milhões de RM correspondia a indemnizações por trabalhos preliminares e a outras despesas suportadas pelos empreiteiros. Descreveu assim o efeito financeiro do acordo:

O acordo de reestruturação do empréstimo reduz os prejuízos do país para 3 mil milhões de RM, ao recuperarmos 5 mil milhões de RM em valor através do financiamento do novo projecto de desenvolvimento do NPWSS.

O anúncio do ministério não especifica a nova taxa de juro, o calendário de reembolso, a movimentação detalhada dos fundos nem uma discriminação completa dos prejuízos restantes. Esses termos permitiriam perceber como o acordo afecta os pagamentos futuros do Governo federal, além do valor das infra-estruturas que financia.

Como falharam os projectos originais

Os dois contratos dos oleodutos foram adjudicados por negociação directa à China Petroleum Pipeline Bureau a 1 de Novembro de 2016. O valor combinado era de aproximadamente 9,4 mil milhões de RM, sendo 85% cobertos por empréstimos do CEXIM e o restante garantido pelo Governo federal.

O contrato do MPP, no valor de 5,35 mil milhões de RM, abrangia um oleoduto de petróleo com 600 quilómetros, de Melaka e Port Dickson, no Negeri Sembilan, até Jitra, em Kedah. O TSGP, no valor de 4,06 mil milhões de RM, destinava-se a ligar o Terminal de Gás de Kimanis a Sandakan e Tawau, em Sabah. Anwar indicou que tinha 680 quilómetros; outra descrição publicada aponta para 662 quilómetros.

Anwar identificou o mecanismo de pagamento como uma falha central. Os pagamentos seguiam um calendário predefinido, em vez de dependerem do progresso da construção verificado, permitindo que grandes quantias fossem pagas antes de as autoridades confirmarem a conclusão dos trabalhos correspondentes.

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Anwar, que também detém a pasta das Finanças, ilustrou o mecanismo na sua resposta parlamentar:

Se o pagamento vencia em Dezembro, era efectuado mesmo que o projecto não tivesse avançado. Não compreendo o método, mas era assim que os pagamentos eram aprovados.

A percentagem de 88% do valor dos contratos paga até 2018 excedia em 75 pontos percentuais os 13% de progresso da construção comunicados. As análises também encontraram questões fundiárias por resolver e dúvidas sobre a viabilidade do abastecimento de gás para o TSGP, enquanto os direitos de instalação do oleoduto do MPP continuavam por definir. Estes eram requisitos básicos para construir e explorar os projectos.

Uma década de contratos, cancelamentos e negociações

As decisões relativas aos oleodutos atravessaram vários governos. O TSGP foi proposto durante o Governo da Barisan Nasional para transportar gás da costa ocidental de Sabah até uma central eléctrica planeada para a costa oriental. O Governo da Pakatan Harapan cancelou os projectos em 2018, após surgirem preocupações sobre os pagamentos e o reduzido avanço da construção.

Os acontecimentos posteriores incluem uma tentativa de retomar o TSGP, seguida de novo cancelamento e de negociações renovadas sobre o financiamento:

  • 1 de Novembro de 2016: Os contratos dos oleodutos foram adjudicados por negociação directa à China Petroleum Pipeline Bureau.
  • 2018: Os projectos foram cancelados depois de pagos 8,3 mil milhões de RM e de o progresso da construção ter sido estimado em cerca de 13%.
  • 10 de Fevereiro de 2021: O Governo de Muhyiddin Yassin decidiu retomar o TSGP, segundo uma resposta parlamentar posteriormente dada pelo então ministro das Finanças, Tengku Zafrul Abdul Aziz. O MPP continuou sujeito a estudos e negociações.
  • 2024: A Malásia retomou as negociações sobre o financiamento dos oleodutos, ainda por resolver.
  • 19 de Fevereiro de 2025: Uma resposta escrita do Ministério da Economia no Parlamento registou que o TSGP tinha sido novamente cancelado.
  • 2025: Anwar abordou a questão do financiamento com o Presidente chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang.
  • 30 de Outubro de 2026: A SSER e o CEXIM assinaram o acordo de reafectação dos 5 mil milhões de RM do empréstimo.

O Ministério das Finanças afirmou que as tentativas de três governos anteriores não tinham conseguido resolver a questão do empréstimo. O acordo mais recente cria uma forma de obter valor em infra-estruturas a partir de parte do financiamento, enquanto a investigação prossegue em separado.

Os investigadores continuam a procurar informações

Anwar disse ao Parlamento que as informações recebidas apontavam para indícios de apropriação indevida. Afirmou que a Comissão Malaia de Luta contra a Corrupção enfrentou dificuldades em obter informações por se tratar de uma investigação que envolve dois países, incluindo dados solicitados à China.

Em resposta a perguntas sobre o estado da investigação, Anwar afirmou:

O caso não foi encerrado.

Jonathan Yasin, deputado por Ranau, perguntou como seriam recuperados os pagamentos relativos a trabalhos incompletos e qual tinha sido o resultado das investigações anteriores. Shafie Apdal, deputado por Semporna, defendeu medidas que envolvessem tanto responsáveis malaios como empresas chinesas.

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Os projectos também foram mencionados em alegações relacionadas com tentativas de resgatar o fundo estatal de investimento 1Malaysia Development Berhad (1MDB), em dificuldades. Amhari Efendi Nazaruddin, antigo assessor especial de Najib Razak, testemunhou no julgamento de Najib por corrupção relacionada com o 1MDB que os oleodutos estavam entre os negócios de infra-estruturas oferecidos à China como parte de um alegado plano de resgate. O seu testemunho também implicou o empresário foragido Low Taek Jho, conhecido como Jho Low, no planeamento desses acordos.

Anwar afirmou que a investigação envolvia líderes de governos anteriores. O debate parlamentar reuniu o acordo de financiamento e as exigências de responsabilização: a Malásia procura obter infra-estruturas úteis enquanto os investigadores continuam a apurar como foram aprovados os compromissos e pagamentos originais.

Para onde irá a nova água

O Plano de Abastecimento de Água do Norte de Perak prevê transportar água bruta do rio Perak para a barragem de Bukit Merah, melhorar as infra-estruturas ao longo do rio Kurau e do canal Terusan Besar e construir estações de tratamento de água. O Ministério das Finanças indica Kamunting e Bogak como locais das estações; outra descrição das declarações parlamentares de Anwar menciona Kamunting e Bagan Serai.

O ministério apresenta três metas de abastecimento:

  • 700 milhões de litros por dia para o norte de Perak, incluindo a zona industrial de Kerian.
  • 300 milhões de litros por dia para Penang.
  • 500 milhões de litros por dia de água bruta para irrigação agrícola.

As metas totalizam 1,5 mil milhões de litros por dia, destinados ao abastecimento de água e à irrigação. As estações de tratamento purificam a água dos rios para distribuição, enquanto a água para irrigação se destina às necessidades agrícolas. Anwar disse que Penang receberia apenas água tratada.

A distribuição prevista para Perak conjuga a procura doméstica e industrial com o abastecimento agrícola. A transferência para Bukit Merah e as melhorias dos cursos de água fazem, por isso, parte do mesmo programa que as estações de tratamento, não se tratando apenas de uma conduta que transporta água de um estado para outro.

Anwar disse que a China aceitou a condição da Malásia de a construção ser adjudicada a empreiteiros locais através de concurso público. O concurso público permite que empresas elegíveis concorram aos trabalhos. Prometeu também uma governação e fiscalização mais rigorosas, em resposta às falhas na contratação e nos pagamentos que identificou nos contratos dos oleodutos.

Porque quer Penang uma segunda grande fonte de abastecimento

A compra prevista de água a Perak destina-se a reduzir a dependência de Penang do rio Muda. Zairil Khir Johari, presidente da comissão estadual para as infra-estruturas e os transportes, disse na assembleia estadual que se previa que a procura de água de Penang ultrapassasse 1 162 milhões de litros por dia até 2032.

Um fornecimento diário de 300 milhões de litros corresponderia a cerca de 26% dessa referência de 1 162 milhões de litros. Como a procura prevista é superior a esse valor, a proporção efectiva seria ligeiramente menor, mas continuaria a representar uma segunda fonte substancial.

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A Penang Water Supply Corporation (PBAPP) e a Prasarana Air dan Irigasi Perak Sdn Bhd (PAIP) assinaram a 15 de Julho um acordo condicionado para fornecer pelo menos 300 milhões de litros diários de água tratada entre 2032 e 2072. Zairil afirmou que a PAIP suportaria custos de desenvolvimento das infra-estruturas estimados em 8,4 mil milhões de RM, incluindo construção, operação, manutenção e aquisição de terrenos.

O montante de 5 mil milhões de RM da reafectação do empréstimo e a estimativa de 8,4 mil milhões de RM dizem respeito a diferentes componentes dos acordos de financiamento e execução. O primeiro refere-se ao valor redireccionado do empréstimo contraído para os oleodutos; o segundo corresponde ao custo estimado das infra-estruturas associado ao acordo de abastecimento de água.

Zairil afirmou que comprar água tratada a Perak era mais económico e prático do que dessalinizar água do mar em grande escala. A dessalinização remove o sal da água do mar, num processo que exige muita electricidade e investimento em instalações.

Prazos, tarifas e aprovações do abastecimento

O acordo condicionado de compra de água prevê encargos de capacidade de cerca de 210 milhões de RM por ano. Estes encargos pagam a disponibilização de capacidade de abastecimento. Mantendo-se o valor anual, 210 milhões de RM ao longo de 40 anos totalizariam 8,4 mil milhões de RM, antes de contabilizar efeitos de financiamento ou ajustamentos contratuais.

Zairil apontou como riscos os atrasos ou a insuficiência dos ajustamentos tarifários, o aumento dos custos da electricidade e dos produtos químicos e as interrupções do abastecimento. Os custos para os consumidores e as tarifas futuras ainda não tinham sido definidos. Qualquer proposta de alteração tarifária teria de ser aprovada pela Comissão Nacional dos Serviços de Água (SPAN) antes de ser apresentada ao Conselho de Ministros federal.

O acordo de abastecimento também carecia da aprovação da SPAN e dos accionistas da PBA Holdings Berhad, empresa-mãe da PBAPP. Nas declarações feitas na assembleia a 30 de Outubro, Zairil disse que se realizaria no mês seguinte uma assembleia-geral extraordinária para obter a aprovação dos accionistas.

O período de abastecimento previsto começa em 2032. Se as condições de fornecimento não forem cumpridas até 1 de Janeiro de 2035, a PBAPP poderá aceitar uma prorrogação ou deixar caducar o acordo. Outras cláusulas abrangem o incumprimento do fornecedor, a insolvência e interrupções prolongadas seguidas de negociações sem acordo.

Outra cláusula permite a rescisão condicionada caso as partes não cheguem a acordo sobre a revisão do preço antes do 22.º ano do contrato. Zairil afirmou que isso implicaria o pagamento do valor actual líquido dos encargos de capacidade restantes e dos montantes em dívida. O valor actual líquido traduz pagamentos futuros num montante equivalente no presente.

O que é prometido em alternativa a Sabah

Deputados de Sabah questionaram o redireccionamento de financiamento parcialmente associado a um projecto inacabado no seu estado. Anwar afirmou que o Governo federal continuaria a apoiar as necessidades de electricidade e de condutas de Sabah através de outros projectos, referindo um apoio de quase 5 mil milhões de RM.

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Entre os projectos que mencionou estavam o sistema de armazenamento de energia em baterias de Lahad Datu, no valor de 644 milhões de RM, e 765 milhões de RM de financiamento para o projecto de transmissão de electricidade Southern Link. O armazenamento em baterias permite guardar electricidade para utilização posterior, enquanto as infra-estruturas de transmissão transportam energia entre diferentes partes da rede.

Anwar mencionou também o projecto hidroeléctrico de Ulu Padas, no valor de 4 mil milhões de RM, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2030. O promotor financia o projecto ao abrigo de um acordo de produtor independente de energia que envolve a Sabah Energy Corporation. Neste modelo, um produtor desenvolve instalações de produção e vende electricidade à rede de abastecimento.

Os três montantes mencionados totalizam cerca de 5,4 mil milhões de RM e têm diferentes modalidades de financiamento, incluindo financiamento pelo promotor. Para Sabah, o resultado concreto dependerá de esses projectos proporcionarem capacidade de armazenamento, transmissão e produção, após anos de incerteza quanto ao gasoduto proposto.

Principais pontos

  • A Malásia redireccionou 5 mil milhões de RM de financiamento dos oleodutos para o Plano de Abastecimento de Água do Norte de Perak.
  • Anwar afirma que o acordo reduz os prejuízos estimados com os oleodutos de 8 mil milhões para 3 mil milhões de RM.
  • Até 2018, tinham sido pagos 8,3 mil milhões de RM, apesar de o progresso da construção comunicado ser de 13%, um valor que Anwar disse não ter sido verificado.
  • O plano de abastecimento de água prevê 700 milhões de litros diários para o norte de Perak, 300 milhões para Penang e 500 milhões para irrigação.
  • Segundo Anwar, a construção será entregue a empreiteiros locais através de concurso público.
  • As investigações sobre suspeitas de apropriação indevida continuam abertas.
  • O acordo condicionado de compra de água por Penang prevê o início do abastecimento em 2032, enquanto a entrada em funcionamento do projecto hidroeléctrico de Ulu Padas, em Sabah, está prevista para 2030.
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