Uma mostra de 134 dias com uma promessa duradoura
A Tailândia inaugurou a Exposição Internacional de Horticultura de Udon Thani 2026 a 2 de novembro, com a meta de receber mais de 3,6 milhões de visitantes, uma previsão de mais de 20 mil milhões de baht em atividade económica e a promessa de transformar o espaço situado numa zona húmida num local permanente de aprendizagem pública e agrícola.
Índice
- Uma mostra de 134 dias com uma promessa duradoura
- Plantas, água e pessoas dão forma à exposição
- O que os visitantes vão encontrar nas seis zonas
- Como espera o Governo que a despesa beneficie as comunidades
- Falta de transporte em vaivém coloca serviços aos visitantes em foco
- Tempestade interrompe as celebrações de abertura
- O que significa aqui o modelo BCG
- A cultura de Isan está integrada no recinto
- O que acontece depois de março de 2027
- Pontos-chave
O primeiro-ministro e ministro do Interior, Anutin Charnvirakul, presidiu à inauguração às 18h20, no distrito de Mueang Udon Thani. A exposição começou a receber visitantes a 1 de novembro e prolonga-se até 14 de março de 2027, num total de 134 dias.
O programa reúne 32 jardins internacionais, mais de 50 jardins com plantas distintas e mais de um milhão de plantas com flor e ornamentais, que serão substituídas ao longo do evento. A entrada geral custa 199 baht e o recinto está aberto todos os dias, das 8h00 às 20h00.
Anutin apresentou a exposição como um ponto de encontro para agricultores, investigadores e empresas, ligando o aumento da produção agrícola à conservação e ao turismo. A sua principal promessa foi que o investimento continuaria a servir as comunidades locais depois de os jardins deixarem de receber visitantes da exposição.
A inauguração também trouxe preocupações operacionais imediatas. Foram reportados serviços de transporte em vaivém insuficientes e poucas zonas de espera, enquanto o vento forte e a chuva perturbaram partes do programa da noite. Com despesas reportadas superiores a 2,7 mil milhões de baht, as questões práticas relacionadas com o conforto dos visitantes coexistem com as ambições económicas muito mais vastas do Governo.
Plantas, água e pessoas dão forma à exposição
O tema completo da exposição é Diversidade da Vida: Ligar Pessoas, Água e Plantas para uma Vida Sustentável. A sua localização na zona húmida de Nong Dae, no subdistrito de Kut Sa, faz da água parte da própria exposição, em vez de ser apenas o cenário das mostras florais.
Os organizadores descrevem o evento como a primeira exposição internacional de horticultura do mundo realizada numa zona húmida. A horticultura consiste no cultivo e estudo de plantas como frutos, legumes, flores e árvores ornamentais. Neste caso, o programa associa esse trabalho à proteção de espécies vegetais, à preservação de zonas húmidas e à adaptação da agricultura às alterações climáticas.
O ministro da Agricultura e das Cooperativas, Suriya Juangroongruangkit, indicou que a área da exposição ocupa mais de 1 030 rai, cerca de 164,8 hectares. Outra descrição aponta para um recinto mais amplo, com quase 2 000 rai, aproximadamente 320 hectares, dos quais se estima que 60 a 70% sejam cobertos por água. Não foi esclarecido que limites foram usados para calcular cada uma das áreas.
Na sua intervenção de abertura, Anutin ligou o tema da conservação a um objetivo agrícola prático: usar tecnologia para produzir melhores colheitas e aumentar o seu valor. Pretende-se estabelecer uma ligação entre o que os visitantes veem nos jardins, o conhecimento que os investigadores podem partilhar e aquilo que os agricultores podem aplicar nos seus negócios.
O que os visitantes vão encontrar nas seis zonas
O secretário permanente da Agricultura, Rapheephat Chantarasriwong, descreveu uma exposição que combina jardins internacionais, jardins de instituições tailandesas, mostras científicas, comércio local e arquitetura inspirada no nordeste da Tailândia. Os 32 jardins internacionais representam a participação de 17 países e duas organizações internacionais, com 16 jardins ao ar livre e 16 em espaços interiores.
Há ainda 16 jardins de organismos públicos e organizações privadas tailandeses. Mais de 50 jardins de exposição de plantas apresentam exemplares distintos e raros, entre os quais sumaúmas gigantes, tamareiras, embondeiros variegados, oliveiras e árvores podadas de forma artística provenientes da China. As plantas com flor e ornamentais, num total de um milhão, serão substituídas ao longo da exposição, alterando as mostras com o passar do tempo.
As seis zonas principais abrangem a entrada e os serviços de bilheteira; os jardins de exposição e os edifícios principais; os jardins internacionais; as exposições interiores; as exposições académicas ao ar livre; e as plantas da província, os jardins de bambu e as áreas de viveiros. As instalações interiores incluem espaços dedicados a orquídeas, plantas de sombra e plantas do deserto, como os cactos.
O programa inclui também 16 exposições, divididas igualmente entre espaços interiores e exteriores, sete categorias de concursos de plantas e encontros académicos nacionais e internacionais. As exposições ao ar livre abordam a produção de frutos, a tecnologia agrícola, as orquídeas, os lótus e os créditos de carbono. As tecnologias de conservação de zonas húmidas dão ao tema ambiental uma dimensão prática no evento.
Como espera o Governo que a despesa beneficie as comunidades
Suriya afirmou que se esperava que a exposição gerasse mais de 20 mil milhões de baht em atividade económica, através do turismo, do emprego e das oportunidades de negócio. Os organizadores estabeleceram como meta receber mais de 3,6 milhões de visitantes durante todo o período da exposição.
Tomando os 3,6 milhões como referência, a meta de visitantes corresponde a cerca de 26 900 visitas por dia, ao longo de 134 dias. Este número dá uma ideia da dimensão dos serviços de transporte, entrada e apoio aos visitantes necessários durante todo o evento, para além da cerimónia de inauguração.
Anutin apontou os agricultores, as pequenas empresas, os hotéis, os restaurantes, os operadores de transportes e outros prestadores de serviços como beneficiários pretendidos. As oportunidades variam: os agricultores poderão encontrar compradores ou adquirir conhecimentos sobre produção, enquanto os hotéis e restaurantes dependem mais diretamente das pessoas que se deslocam a Udon Thani e gastam dinheiro na região.
Um mercado comunitário à beira da água oferece uma via mais imediata para a participação local. As suas 50 lojas vendem, em sistema rotativo, alimentos, produtos agrícolas e artigos comunitários, integrando os vendedores locais na experiência dos visitantes. O mercado promove também a redução do uso de plástico e a separação de resíduos.
O vice-governador Natthaphon Withi descreveu uma ambição provincial que vai além da exposição: atrair turismo, comércio, investimento e o setor dos congressos e exposições. Para Udon Thani, a exposição é, por isso, tanto uma atração sazonal como uma tentativa de criar procura para futuras visitas e eventos.
Falta de transporte em vaivém coloca serviços aos visitantes em foco
Relatos da inauguração apontaram para um número insuficiente de veículos de transporte em vaivém e zonas de espera limitadas. Estes problemas afetam a facilidade com que os visitantes se deslocam num recinto de grandes dimensões, sobretudo quando as condições meteorológicas interrompem as atividades ao ar livre.
As despesas reportadas, superiores a 2,7 mil milhões de baht, aumentaram as expectativas de que a exposição esteja preparada para receber multidões e justificar o dinheiro público gasto. A meta de visitantes dá uma medida concreta do desafio: os serviços terão de suportar uma afluência diária constante durante mais de quatro meses.
Os transportes e as zonas de espera também são importantes para o comércio local. Os visitantes que conseguem deslocar-se confortavelmente entre os jardins, as exposições e o mercado à beira da água têm mais oportunidades de chegar às empresas que o Governo pretende apoiar. As dificuldades verificadas na inauguração tornam as operações quotidianas um primeiro teste aos planos económicos da exposição.
Tempestade interrompe as celebrações de abertura
Ventos fortes e relâmpagos frequentes acompanharam o discurso de Anutin, seguindo-se chuva fraca após as suas palavras de abertura. O programa de entretenimento previsto para a noite incluía atuações culturais, espetáculos de luz e som e drones que formariam imagens associadas a Udon Thani e à exposição.
Durante a inauguração, foram reportadas formações de drones com os símbolos do evento, enquanto outro relato indicou que a chuva e o vento obrigaram a cancelar partes do espetáculo e do programa de drones. Não ficou claro que parte do programa chegou a ser realizada.
Anutin, primeiro-ministro e ministro do Interior da Tailândia, aproveitou as condições meteorológicas para fazer uma piada sobre as promessas que tinha feito. Disse que a chuva seria benéfica para as plantas e explicou depois porque é que os relâmpagos o preocupavam:
A única coisa que me assusta são os relâmpagos. Fiz tantas promessas, e aquele a quem as fiz também anda por aqui.
A cerimónia reuniu membros do Governo tailandês, diplomatas, o ministro da Agricultura do Laos e representantes da Associação Internacional de Produtores de Horticultura, conhecida pela sigla AIPH. A associação apoiou a exposição.
O que significa aqui o modelo BCG
Anutin associou a exposição ao modelo económico Bio-Circular-Verde da Tailândia, geralmente abreviado como BCG. Os três elementos referem-se à utilização de recursos biológicos para criar valor, à manutenção dos materiais em uso durante mais tempo e à redução dos danos ambientais.
Na exposição, estas ideias ligam várias atividades que, de outro modo, poderiam parecer distintas. A investigação e o cultivo de plantas relacionam-se com a bioeconomia. A separação de resíduos e a redução do uso de plástico estão ligadas à manutenção dos recursos em circulação. A proteção das zonas húmidas e os esforços para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa relacionam-se com a economia verde.
A diretora-geral adjunta do Departamento de Agricultura, Sasanya Pantun, afirmou que os preparativos incluíram a gestão de recursos e resíduos ao abrigo da norma ISO 20121, uma norma internacional para a gestão de eventos que tem em conta a sustentabilidade. Os organizadores referiram também os critérios ESG, ou seja, considerações ambientais, sociais e de governação, e uma declaração voluntária de neutralidade carbónica relativa às emissões do evento.
O programa académico inclui uma conferência sobre cidades verdes. Em conjunto com as mostras de tecnologia agrícola e os concursos de plantas, proporciona aos investigadores e produtores um espaço para trocar conhecimentos, a par dos jardins abertos ao público. Anutin afirmou que essa cooperação deverá ajudar os agricultores a melhorar a qualidade dos produtos, chegar aos mercados e desenvolver relações comerciais.
A cultura de Isan está integrada no recinto
A identidade cultural de Udon Thani está presente tanto nos edifícios como nas atuações. Um edifício de divulgação com a forma de um jarro inspira-se na cerâmica de Ban Chiang e nos tradicionais cestos de bambu para apanhar peixe. Um edifício administrativo tem a forma de uma armadilha de pesca local.
A estufa inspira-se em casas tradicionais geminadas, combinando formas locais com um projeto aberto pensado para favorecer a ventilação. Uma zona que recria uma aldeia de Isan apresenta vários tipos de casas tradicionais, integrando a arquitetura do quotidiano na exposição, a par dos projetos de jardins internacionais.
Estão previstas mais de 200 atuações culturais ao longo do evento, além de atividades festivas e exposições comemorativas reais. O programa dá aos visitantes motivos para permanecerem no recinto para além das mostras de plantas e cria outra ligação entre a exposição e as empresas de alimentação, artesanato e cultura do nordeste da Tailândia.
Os planos turísticos do governo provincial ligam a exposição a atrações de Udon Thani e das zonas circundantes. Esta abordagem coloca a identidade local no centro da proposta económica: os visitantes são convidados a conhecer um lugar, além de uma exposição internacional de horticultura.
O que acontece depois de março de 2027
Anutin afirmou que, após a exposição, o recinto continuará a funcionar como centro de aprendizagem em horticultura, espaço de apresentação de produtos e inovações agrícolas e local para eventos internacionais. Os planos incluem também espaços verdes públicos, zonas de estudo ecológico, um jardim botânico e turismo agrícola permanente.
Rapheephat descreveu a continuidade da utilização de Nong Dae como um plano de legado, que prevê manter a conservação da zona húmida a par da educação e do turismo. O compromisso associa o valor duradouro do evento a duas tarefas: manter as instalações úteis para a população e cuidar do ambiente natural que dá identidade à exposição.
Anutin anunciou também outra exposição internacional de horticultura no distrito de Pak Chong, na província de Nakhon Ratchasima, sem indicar uma data de abertura. Disse que a agricultura deveria tornar-se uma prioridade nacional e anunciou uma reunião do Governo em Udon Thani para 3 de novembro.
As principais datas enquadram a inauguração num programa mais longo:
- 29 de outubro de 2026: Os organizadores apresentaram os preparativos, as atrações e as metas de visitantes.
- 1 de novembro de 2026: A exposição abriu ao público.
- 2 de novembro de 2026: Anutin presidiu à cerimónia oficial de inauguração.
- 3 de novembro de 2026: Estava prevista uma reunião do Governo em Udon Thani.
- 14 de março de 2027: Está previsto que a exposição encerre, após 134 dias.
Os visitantes podem comprar o bilhete de entrada geral por 199 baht nos balcões All Ticket das lojas 7-Eleven, através do serviço de bilhetes online ou no recinto. O horário diário publicado é das 8h00 às 20h00, até 14 de março.
Pontos-chave
- A exposição de Udon Thani decorre de 1 de novembro de 2026 a 14 de março de 2027.
- Os organizadores esperam receber mais de 3,6 milhões de visitantes e preveem mais de 20 mil milhões de baht em atividade económica.
- As mostras incluem 32 jardins internacionais e mais de um milhão de plantas com flor e ornamentais, que serão substituídas durante o evento.
- Entre as preocupações na inauguração estavam a falta de transporte em vaivém, as zonas de espera limitadas e as perturbações causadas pelas condições meteorológicas.
- O Governo planeia continuar a utilizar o recinto para lazer público, aprendizagem agrícola, estudo ecológico e eventos internacionais.
- A entrada geral custa 199 baht e o horário diário é das 8h00 às 20h00.






