Projeto de chips no Texas avança para um modelo operacional diferente
Elon Musk estará a aceitar que a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. seja a principal responsável pela construção e operação da Terafab, o projeto planeado de fabrico de chips no Texas, depois de ter insistido anteriormente que a Tesla e a SpaceX o geririam por conta própria. A mudança poderá redefinir as responsabilidades num projeto que prevê produzir um chip de teste funcional por volta de maio ou junho de 2027 e iniciar a produção em volume no segundo semestre de 2028.
Índice
- Projeto de chips no Texas avança para um modelo operacional diferente
- O que mudou entre Musk e a TSMC?
- Porque é importante controlar a fábrica
- A ligação da Intel ao processo 14A precisa de ser esclarecida
- Dois marcos, com critérios diferentes para avaliar o progresso
- Como evoluíram as negociações
- Preços de mercado oferecem um retrato separado
- Principais pontos
Fontes da cadeia de abastecimento dizem que Musk moderou a sua posição e que se espera que as conversações com a TSMC sejam retomadas. A orientação das negociações atribuiria à fabricante taiwanesa de chips a principal responsabilidade pela construção e pelas operações diárias, enquanto a estrutura de propriedade e os acordos de investimento continuam em discussão.
Isso representaria uma mudança substancial em relação à posição de Musk a 7 de outubro, quando afirmou que a Tesla e a SpaceX construiriam e operariam a Terafab e que a TSMC poderia, no máximo, subarrendar parte das instalações. O presidente e diretor-executivo da TSMC, C.C. Wei, afirmou posteriormente que qualquer fábrica que envolvesse a sua empresa teria de ser operada pela TSMC.
A proposta baseia-se em informações de fontes da cadeia de abastecimento, não tendo sido feito qualquer anúncio oficial pela Tesla, pela SpaceX ou pela TSMC. As empresas não responderam de imediato aos pedidos de comentário. Não foram divulgados quaisquer acordos definitivos, montantes de investimento, capacidades de produção ou calendários de construção, e não foi explicado qual seria o lugar da Intel num modelo operacional liderado pela TSMC.
O que mudou entre Musk e a TSMC?
A posição da TSMC quanto ao controlo operacional parece não ter mudado. A 15 de outubro, Wei afirmou que eram possíveis diferentes formas de cooperação, mas que a TSMC teria de operar qualquer fábrica em que participasse. Nessa altura, ambas as partes reconheceram que estavam em conversações, sem divulgar informações financeiras ou de produção.
A novidade é a alegada disponibilidade de Musk para aceitar essa condição. Na proposta anterior, a TSMC ocuparia apenas parte de uma instalação controlada pela Tesla e pela SpaceX. Segundo a orientação agora em discussão, a TSMC assumiria a principal responsabilidade por construir a fábrica e manter a produção em funcionamento.
Operar uma fábrica de semicondutores implica gerir muito mais do que um edifício. O operador coordena o equipamento de fabrico, as etapas de produção, os técnicos especializados e os controlos de qualidade. As decisões em cada uma destas áreas afetam a fiabilidade dos chips e a quantidade de chips funcionais obtida em cada lote.
A propriedade e a responsabilidade operacional são questões distintas. Uma empresa pode investir numa fábrica sem gerir o seu funcionamento diário. As negociações envolvem, por isso, duas decisões relacionadas: quem fornece o financiamento e detém participações, e quem assume a responsabilidade pelo fabrico.
Porque é importante controlar a fábrica
A Terafab enfrenta exigências consideráveis em matéria de equipamento avançado, processos de fabrico, rendimentos de produção e mão de obra qualificada. O rendimento corresponde à proporção de chips produzidos que funcionam como previsto. Uma fábrica com maquinaria dispendiosa pode continuar a ter dificuldades comerciais se demasiados chips não passarem nos testes.
A TSMC assumir o comando poderá reduzir a incerteza em torno da construção e do fabrico, atribuindo essas tarefas a um produtor de chips estabelecido. O seu papel iria além de prestar aconselhamento ou arrendar espaço. Caber-lhe-ia coordenar o trabalho prático necessário para transformar uma instalação planeada numa operação de produção funcional.
A Tesla e a SpaceX continuariam a precisar de um acordo compatível com as suas necessidades de chips e decisões de investimento. O controlo operacional é importante porque a empresa que gere a fábrica tem de tomar decisões diárias sobre equipamento, ajustes dos processos e qualidade da produção, enquanto os investidores têm de acordar na partilha dos custos e das responsabilidades.
A mudança relatada diz, portanto, respeito à própria estrutura do projeto. Musk propôs inicialmente que a construção e a operação ficassem a cargo da Tesla e da SpaceX. A posição que agora emerge nas negociações colocaria um fabricante especializado no centro dessas tarefas.
A ligação da Intel ao processo 14A precisa de ser esclarecida
A Intel tornou-se a primeira grande fabricante de chips publicamente associada à Terafab em abril de 2026. Musk afirmou que a Tesla tencionava utilizar no projeto o processo de fabrico 14A, a próxima geração da Intel. A Intel continua a ser o único parceiro de fabrico identificado publicamente no plano inicial do projeto.
Um processo de fabrico é o conjunto de tecnologias e etapas de produção utilizadas para fabricar um chip. 14A é o nome da geração de processos planeada pela Intel. A escolha do processo influencia o desenho do chip, o equipamento e os métodos técnicos necessários e a preparação do fabrico.
Um papel mais abrangente para a TSMC colocaria a relação entre a gestão da fábrica e a tecnologia de fabrico no centro das negociações. A decisão sobre quem gere as instalações teria de ser compatível com as decisões sobre que chips serão produzidos e como serão fabricados.
O próximo passo concreto em relação à Intel seria explicar como a sua participação no processo 14A, anunciada anteriormente, se enquadra no plano revisto. Até as empresas descreverem esse acordo, o plano público do projeto continua a incluir o compromisso com o processo da Intel, a par do papel operacional proposto para a TSMC.
Dois marcos, com critérios diferentes para avaliar o progresso
Musk apontou dois marcos de produção: um chip de teste funcional numa fábrica de investigação em Austin por volta de maio ou junho de 2027, seguido da produção em volume na Terafab no terceiro ou quarto trimestre de 2028. Abordou estas metas durante a chamada sobre os resultados da SpaceX relativos ao terceiro trimestre.
Musk, diretor-executivo da Tesla e líder da SpaceX, descreveu a meta de produção em volume com uma palavra que indica uma ambição, não um compromisso firme de entrega:
aspiração
Um chip de teste funcional seria um primeiro marco técnico. Demonstraria que um determinado projeto e processo de fabrico produziram um dispositivo funcional. A produção em volume exige que a fábrica repita o processo de fabrico para grandes quantidades de chips, mantendo níveis aceitáveis de qualidade e rendimento.
O calendário proposto prevê cerca de 15 a 19 meses entre a meta do chip de teste e o possível início da produção em volume, consoante a data exata dos marcos nos meses e trimestres indicados. Esse intervalo ligaria um resultado inicial de investigação à tarefa muito mais ampla de manter a produção de forma continuada.
Musk também aludiu a possíveis avanços no fabrico de chips. Ao falar da tecnologia durante a mesma chamada, afirmou que a empresa tinha:
alguns avanços potencialmente significativos no fabrico de chips.
As declarações relatadas não especificaram qualquer avanço concreto no fabrico. Para quem acompanha o projeto, as datas indicadas para o chip de teste e para a produção são os marcos mais claros para avaliar o progresso.
Como evoluíram as negociações
A sequência entre abril e o início de novembro mostra como o plano de fabrico e a estrutura operacional do projeto evoluíram em momentos distintos. O processo da Intel foi identificado primeiro; a divergência sobre quem geriria a fábrica só se tornou pública mais tarde.
- Abril de 2026: Musk afirmou que a Tesla tencionava utilizar o processo de fabrico 14A, a próxima geração da Intel, nos chips da Terafab.
- 7 de outubro de 2026: Musk afirmou que a Tesla e a SpaceX construiriam e operariam a Terafab, podendo a TSMC subarrendar parte das instalações.
- 15 de outubro de 2026: C.C. Wei, presidente e diretor-executivo da TSMC, afirmou que qualquer fábrica que envolvesse a empresa teria de ser operada pela própria.
- Início de novembro de 2026: Fontes da cadeia de abastecimento descreveram Musk como mais recetivo a que a TSMC assumisse a principal responsabilidade pela construção e pelas operações.
- Maio ou junho de 2027: Meta de Musk para um chip de teste funcional na fábrica de investigação de Austin.
- Terceiro ou quarto trimestre de 2028: Ambição de Musk para o início da produção em volume na Terafab.
A divergência de outubro centrou-se no controlo da fábrica. A orientação mais recente das negociações sugere uma mudança nessa questão, embora a estrutura financeira continue por discutir. Quanto ao calendário de produção, definir quem constrói e gere as instalações seria um passo prático para atribuir a responsabilidade pela sua concretização.
Preços de mercado oferecem um retrato separado
As ações da Tesla fecharam a sexta-feira anterior às informações divulgadas no início de novembro a cair 0,87%, nos 399,81 dólares, e depois subiram 0,10%, para 400,22 dólares, na negociação após o fecho do mercado. A TSMC estava cotada a 370,50 euros na plataforma de negociação alemã Lang & Schwarz às 09:30, hora da Europa Central, a 2 de novembro de 2026.
O valor da TSMC era uma indicação anterior à abertura da Xetra, enquanto os valores da Tesla correspondiam ao fecho de uma sessão regular e à negociação subsequente. Tratam-se de contextos de negociação e moedas diferentes. Nenhuma das empresas tinha anunciado qualquer transação relativa à Terafab juntamente com estes dados de mercado.
Para o projeto, os próximos elementos úteis serão de natureza operacional e financeira: a definição do operador, uma estrutura de investimento, a clarificação da relação com a Intel e um plano de produção alinhado com essas decisões. Esses elementos mostrarão como se espera que a fábrica passe das negociações à execução.
Principais pontos
- Segundo fontes da cadeia de abastecimento, Musk está mais disponível para deixar a TSMC liderar a construção e as operações diárias da Terafab.
- A posição da TSMC mantém-se: terá de operar qualquer fábrica em que participe.
- Os termos de propriedade e investimento continuam em negociação e não foi anunciado qualquer acordo oficial.
- O papel anteriormente anunciado da Intel no processo 14A precisa de ser esclarecido à luz da estrutura operacional proposta.
- Musk prevê um chip de teste funcional em Austin por volta de maio ou junho de 2027 e descreve a produção em volume no final de 2028 como uma ambição.






