Malásia vai rejeitar novas licenças de fabrico assentes numa forte dependência de mão de obra estrangeira

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Malaysia to Reject New Manufacturing Licences Built on Heavy Reliance on Foreign Labour

Novas aprovações de fábricas sujeitas a critérios de emprego mais exigentes

A Malásia vai rejeitar pedidos de novas licenças de fabrico que dependam fortemente de trabalhadores estrangeiros pouco qualificados, afirmou Datuk Seri Johari Abdul Ghani, ministro do Investimento, Comércio e Indústria, na Dewan Rakyat, a 2 de novembro de 2026. O Governo quer que os novos investimentos criem empregos mais bem remunerados para os malaios e destinem mais recursos a maquinaria, automação e tecnologia digital.

Índice
  1. Novas aprovações de fábricas sujeitas a critérios de emprego mais exigentes
  2. O que vai mudar para quem pede uma licença?
  3. Maior investimento de capital e novos critérios fiscais
  4. A diferença salarial por detrás do debate sobre a contratação
  5. Fabricantes apontam os limites da automação
  6. Os setores existentes serão modernizados, não afastados
  7. Apoio às pequenas empresas e participação local
  8. Medir os progressos rumo a 2030
  9. Principais pontos

Johari apresentou várias medidas que sustentam esta orientação: a exigência de que os malaios representem pelo menos 80% da força de trabalho a tempo inteiro de uma empresa, sujeita à implementação do Mecanismo de Taxa por Escalões Múltiplos, e um investimento de capital mínimo de RM140,000 por trabalhador na avaliação das licenças de fabrico. Os incentivos fiscais também serão avaliados em função dos resultados alcançados pelos investimentos.

O ministro afirmou que a Malásia já tinha cerca de 2,6 milhões de trabalhadores estrangeiros, excluindo os que não possuem documentação válida, e que o conjunto de diplomados do ensino e formação técnico-profissional, conhecido como TVET, ultrapassava os 400.000. Desafiou os fabricantes que continuam a procurar mão de obra estrangeira depois de operarem na Malásia há 10 a 20 anos.

Para as fábricas existentes, o Governo descreveu uma abordagem diferente: modernização progressiva, apoiada por financiamento e assistência tecnológica. Johari rejeitou uma política generalizada de transferência para o estrangeiro da produção com níveis tecnológicos mais baixos. Em conjunto, as medidas pressionam os novos investidores a proporem um modelo de emprego diferente, ao mesmo tempo que dão apoio às empresas estabelecidas para alterarem os seus métodos de produção.

O que vai mudar para quem pede uma licença?

O Ministério do Investimento, Comércio e Indústria, conhecido como MITI, e a Autoridade de Desenvolvimento de Investimentos da Malásia, ou MIDA, explicarão as condições de emprego às empresas que solicitam aprovação. Johari afirmou que serão rejeitados os pedidos que reproduzam operações existentes dependentes de trabalhadores estrangeiros.

Continuará a ser permitida a contratação de trabalhadores estrangeiros para tarefas descritas como sujas, perigosas e difíceis, habitualmente designadas por empregos 3D. Para as restantes funções, o ministro afirmou que os empregadores devem oferecer salários que tornem esses empregos compensadores para os malaios.

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A condição para a licença de fabrico exige que pelo menos 80% dos trabalhadores a tempo inteiro de uma empresa sejam cidadãos malaios, estando sujeita ao Mecanismo de Taxa por Escalões Múltiplos. Em termos simples, uma força de trabalho na proporção de 80:20 teria pelo menos 80 malaios por cada 100 trabalhadores, com um máximo de 20 trabalhadores estrangeiros.

Johari associou esta orientação ao Novo Plano Diretor Industrial 2030, ou NIMP 2030, e ao 13.º Plano da Malásia, conhecido como RMK13. O Governo não apresentou um calendário de implementação detalhado para as restrições às licenças e as alterações às taxas, nem explicou como serão tratados os pedidos individuais, as exceções e os períodos de transição.

Maior investimento de capital e novos critérios fiscais

As avaliações das licenças de fabrico estabelecem também um investimento de capital mínimo por trabalhador, ou CIPE, de RM140,000. Este indicador divide o investimento de capital de uma empresa pelo número de trabalhadores, permitindo às autoridades avaliar quanto investimento corresponde a cada emprego.

Com este limiar, uma operação com 100 trabalhadores precisaria de RM14 milhões em investimento de capital. O cálculo ajuda a explicar a orientação preferida pelo Governo: fábricas com mais investimento associado à sua força de trabalho e menos empregos que dependam sobretudo de trabalho manual pouco qualificado.

O Novo Quadro de Incentivos, ou NIF, acrescenta outra dimensão à política. Johari afirmou que os incentivos fiscais estão a transitar plenamente para uma abordagem baseada nos resultados alcançados, utilizando uma grelha de avaliação orientada pelas Aspirações Nacionais de Investimento e pelo NIMP 2030. Assim, as empresas que procurem vantagens fiscais serão avaliadas em função das prioridades industriais do Governo.

As empresas que continuem a depender de mão de obra estrangeira pouco qualificada também enfrentarão custos crescentes ao abrigo da política faseada descrita por Johari. O mecanismo de taxas pretende integrar as opções relativas à força de trabalho no cálculo financeiro dos empregadores. Em conjunto, as condições das licenças, os requisitos de capital, as taxas e os incentivos fiscais exercem pressão em diferentes fases das decisões de investimento das empresas.

A diferença salarial por detrás do debate sobre a contratação

O salário mediano no setor do fabrico é atualmente de RM2,775, afirmou Johari, face ao objetivo de RM4,510 definido no NIMP 2030. A mediana corresponde ao salário do trabalhador que fica a meio quando os trabalhadores são ordenados do mais mal pago ao mais bem pago, sendo útil para descrever quanto ganha um trabalhador típico.

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A diferença é de RM1,735 por mês. Passar de RM2,775 para RM4,510 exigiria um aumento de cerca de 62,5%. Esta diferença dá uma medida concreta da ambição do Governo: a transformação industrial deverá alterar os salários, além do equipamento das fábricas.

Johari criticou as empresas que obtêm lucros de centenas de milhões de ringgit, mas continuam relutantes em pagar RM2,000 por mês aos trabalhadores locais. Afirmou que algumas continuam a contratar trabalhadores por RM1,700 e oferecem aos diplomados do TVET salários comparáveis aos pagos a trabalhadores estrangeiros pouco qualificados.

A diferença entre esses dois salários iniciais é de RM300 por mês, ou RM3,600 ao longo de um ano, antes de descontos. Para alguém que pague alojamento e despesas diárias, esse montante pode influenciar se compensa aceitar um emprego numa fábrica. Johari referiu especificamente o custo de vida, incluindo o alojamento, ao abordar a dificuldade dos empregadores em atrair malaios.

Os malaios que se deslocam diariamente para Singapura ou optam por trabalho em plataformas digitais demonstram que as pessoas estão dispostas a trabalhar quando os rendimentos o justificam, argumentou. A sua resposta colocou os salários e o valor das competências técnicas no centro do debate sobre a contratação, a par do número de trabalhadores disponíveis.

Fabricantes apontam os limites da automação

Durante o período de perguntas orais, Tan Hong Pin, deputado por Bakri, levantou uma preocupação prática: as necessidades variam consoante o setor e alguns fabricantes consideram ter automatizado tanto quanto é comercialmente viável, continuando, ainda assim, a precisar de trabalhadores para tarefas manuais. Perguntou se a contratação de trabalhadores estrangeiros poderia ser mais flexível para ter em conta essas diferenças.

A viabilidade comercial refere-se à possibilidade de uma empresa justificar o custo de uma máquina ou sistema de produção através das poupanças ou do aumento da produção que espera obter. A pergunta de Tan incidiu sobre as fábricas em que, segundo a administração, esse cálculo continua a exigir trabalhadores para tarefas manuais.

Tan advertiu também que dizer às empresas que procuram mão de obra mais barata para se mudarem para a Indonésia ou o Vietname poderia levar os fabricantes a abandonar a Malásia. Perguntou quais seriam os critérios e o calendário para transferir para o estrangeiro setores com níveis tecnológicos mais baixos, e como proteger as redes de produção do país.

A resposta de Johari centrou-se na modernização das empresas existentes. A discussão deixa as empresas perante duas exigências interligadas: justificar melhor qualquer necessidade continuada de trabalhadores estrangeiros e demonstrar como o investimento, a tecnologia e melhores salários podem transformar as suas operações.

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Os setores existentes serão modernizados, não afastados

Johari afirmou que o Governo não considera adequada uma relocalização generalizada da produção com níveis tecnológicos mais baixos. O plano passa por introduzir progressivamente tecnologia, automação e sistemas digitais, reforçando simultaneamente as cadeias de abastecimento nacionais.

O MITI identificou três características das atividades de fabrico que pretende transformar:

  • Forte dependência de processos manuais e trabalho físico.
  • Baixa produtividade e baixo valor acrescentado.
  • Modelos operacionais dependentes de um grande número de trabalhadores com competências limitadas.

A produtividade descreve a quantidade que uma empresa produz com os recursos que utiliza. O valor acrescentado corresponde ao valor adicional criado pela sua atividade de produção. O objetivo do Governo é que as fábricas produzam bens de maior valor através de melhores processos e competências, em vez de crescerem sobretudo através da contratação de mais trabalhadores mal pagos.

As cadeias de abastecimento nacionais são importantes porque a produção de um fabricante pode ser um componente essencial para outra empresa. Tan perguntou como evitar que o Governo enfraqueça essas ligações. Johari afirmou que a transformação será planeada de forma a reforçar as redes de produção locais, promover tecnologias mais avançadas e tornar a produção mais sustentável, em vez de relocalizar empresas apenas com base no seu nível tecnológico.

Apoio às pequenas empresas e participação local

O MITI prevê disponibilizar subvenções, fundos e incentivos fiscais para promover tecnologias inteligentes e a automação. Johari afirmou que o apoio financeiro e tecnológico ajudará as empresas locais, incluindo micro, pequenas e médias empresas, a adotar tecnologias da Indústria 4.0.

A Indústria 4.0 refere-se à utilização de máquinas conectadas, informação digital e sistemas automatizados na produção. Para um fabricante, isso pode traduzir-se numa nova forma de acompanhar e organizar o trabalho na fábrica, a par do investimento em equipamento.

A Missão 4 do NIMP 2030 integra a segurança económica e a inclusão no programa industrial. Johari afirmou que a modernização deverá beneficiar as empresas mais pequenas e os interesses Bumiputera através de dotações governamentais, subvenções e desenvolvimento tecnológico.

O apoio responde a uma preocupação concreta levantada pela mudança proposta: os fabricantes de menor dimensão têm de financiar novos equipamentos e sistemas enquanto mantêm as empresas em funcionamento. O Governo associou a exigência de reduzir a dependência da mão de obra estrangeira a um apoio destinado a ajudar as empresas existentes a modernizarem-se sem quebrar as redes empresariais locais a que servem.

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Medir os progressos rumo a 2030

O MITI está a trabalhar com o Departamento de Estatística da Malásia para aperfeiçoar a recolha de dados sobre o fabrico, afirmou Johari em resposta a uma pergunta de Datuk Dr Ku Abd Rahman Ku Ismail, deputado por Kubang Pasu, sobre os progressos do NIMP 2030.

O trabalho abrange o fabrico de equipamento elétrico e eletrónico, produtos químicos, materiais avançados, setor aeroespacial e cuidados de saúde. Johari afirmou que dados mais detalhados ajudariam a medir as mudanças na estrutura da indústria e a orientar estratégias para que os novos investimentos complementem a atividade económica nacional.

Os números discutidos no Parlamento dão aos leitores vários indicadores a acompanhar: a proporção de trabalhadores malaios, o investimento de capital por trabalhador e o salário mediano no setor do fabrico. Cada um acompanha uma dimensão diferente da mudança proposta. Uma fábrica pode, por exemplo, investir em maquinaria, enquanto a composição da sua força de trabalho e os salários continuam a ser questões distintas a avaliar.

Os marcos temporais definidos na discussão da política são:

  • 2 de novembro de 2026: Johari apresentou as restrições às licenças, as condições relativas à força de trabalho e a abordagem de modernização durante o período de perguntas na Dewan Rakyat.
  • 2030: o NIMP 2030 visa um setor do fabrico mais avançado, com tecnologia superior, maior valor acrescentado e um salário mediano de RM4,510.

Para os trabalhadores, a mudança prometida é o acesso a empregos no setor do fabrico que tirem melhor partido da formação técnica e paguem o suficiente para compensar. Para os fabricantes, a mensagem imediata é que as propostas de investimento serão analisadas com maior atenção à organização da produção, às pessoas contratadas e aos salários pagos.

Principais pontos

  • A Malásia rejeitará pedidos de novas licenças de fabrico que dependam fortemente de mão de obra estrangeira pouco qualificada.
  • As condições das licenças de fabrico exigem que pelo menos 80% dos trabalhadores a tempo inteiro sejam malaios, estando sujeitas ao Mecanismo de Taxa por Escalões Múltiplos.
  • As avaliações das licenças incluem um investimento de capital mínimo de RM140,000 por trabalhador.
  • Johari situou o salário mediano no setor do fabrico em RM2,775, face ao objetivo de RM4,510 do NIMP 2030.
  • A contratação de trabalhadores estrangeiros continua a ser permitida para empregos sujos, perigosos e difíceis.
  • O Governo pretende modernizar os setores existentes através de tecnologia e apoio financeiro, em vez de promover uma relocalização generalizada para o estrangeiro.
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