Exportações e investimento impulsionam o terceiro trimestre mais forte de Taiwan em 48 anos
A economia de Taiwan cresceu, segundo uma estimativa, 14,36% entre julho e setembro de 2026, face ao mesmo período do ano anterior, com a procura de equipamento para inteligência artificial a impulsionar as exportações e as empresas a aumentarem o investimento na capacidade produtiva. A Direção-Geral do Orçamento, Contabilidade e Estatística (DGBAS) divulgou os valores preliminares a 30 de outubro.
Índice
- Exportações e investimento impulsionam o terceiro trimestre mais forte de Taiwan em 48 anos
- Por que razão a previsão foi superada
- Procura de IA eleva as exportações para 244,9 mil milhões de dólares
- Fábricas compram equipamento e aumentam a capacidade
- Famílias gastam mais em automóveis, telemóveis e serviços
- Viagens ao estrangeiro explicam parte da despesa
- Quatro trimestres de crescimento de dois dígitos
- Indicadores da indústria transformadora mostram um quadro desigual
- Conclusão
O resultado superou em 2,94 pontos percentuais a previsão de 11,42% feita pela agência em agosto e assinalou o crescimento mais forte num terceiro trimestre em 48 anos. O crescimento acelerou face aos 12,93% registados entre abril e junho, marcando o quarto trimestre consecutivo de expansão de dois dígitos.
Dois indicadores mostram de onde veio grande parte do dinamismo. A formação de capital, que inclui o investimento e as variações de existências, contribuiu com 6,32 pontos percentuais para o crescimento. As exportações líquidas, ou seja, o valor das exportações menos o das importações, contribuíram com mais 4,94 pontos. Em conjunto, estas contribuições representaram cerca de 78% da expansão de 14,36%.
O consumo das famílias também aumentou, com o consumo privado real a subir 5,37%. A recuperação das vendas de automóveis, a compra de novos smartphones e a valorização do património das famílias, impulsionada pela subida das cotações, ajudaram a sustentar a despesa para além das fábricas que abastecem o setor da IA.
A estimativa preliminar situou o crescimento nos primeiros nove meses em 14,22%, o melhor desempenho para esse período em cerca de meio século. Não foi indicada uma data para a divulgação da próxima revisão.
Por que razão a previsão foi superada
A DGBAS apontou o reforço das exportações e do investimento empresarial como os principais motivos para o crescimento ter ultrapassado a projeção feita em agosto. O resultado de 14,36% também superou a previsão de 12% atribuída aos economistas.
A diferença entre uma previsão e uma estimativa é importante neste caso. O valor de 11,42% divulgado em agosto era uma previsão feita antes do fim do trimestre. O valor de 14,36% divulgado em outubro foi um cálculo inicial da atividade durante o trimestre já concluído, com base em mais informação sobre o comércio, o investimento e a despesa.
O investimento gerou uma surpresa particularmente significativa. A formação de capital real cresceu 26,36%, superando em 4,26 pontos percentuais a previsão anterior e atingindo o crescimento mais forte em 14 trimestres. Em contrapartida, o consumo privado ficou apenas 0,01 pontos percentuais acima da previsão de agosto.
Os valores do crescimento medem o produto interno bruto real, ou PIB: o valor dos bens e serviços produzidos em Taiwan, depois de ajustado às variações de preços. Esse ajustamento ajuda a distinguir um aumento da produção de uma subida dos preços.
Procura de IA eleva as exportações para 244,9 mil milhões de dólares
As exportações de mercadorias de Taiwan atingiram 244,9 mil milhões de dólares durante o terceiro trimestre, mais 44,63% do que no mesmo período do ano anterior. O total superou em 6,9 mil milhões de dólares, ou cerca de 2,9%, a previsão de 238 mil milhões de dólares.
A procura foi impulsionada pela expansão das aplicações de IA, da computação de alto desempenho e dos serviços na nuvem. Estas atividades exigem chips e equipamento informático para processar e armazenar enormes quantidades de informação. Taiwan fornece semicondutores avançados e fabrica equipamento utilizado nos centros de dados que sustentam esses serviços.
Também aumentaram as encomendas de componentes eletrónicos utilizados em novos produtos de consumo. A subida dos preços dos produtos contribuiu para o valor, em dólares, dos bens expedidos, a par da procura de mais equipamento.
As exportações reais de bens e serviços subiram 21,12%. Este indicador abrange um leque de trocas comerciais mais vasto do que as exportações de mercadorias e é ajustado aos preços. A subida de 44,63% refere-se ao valor, em dólares, dos bens físicos expedidos para o estrangeiro, enquanto o valor de 21,12% traduz o crescimento das exportações de bens e serviços após o ajustamento aos preços.
O crescimento também chegou a setores fora da eletrónica e das tecnologias da informação e comunicação. Excluindo estes dois grupos, as exportações de mercadorias aumentaram 18,86%. Esta expansão aponta para uma recuperação entre os exportadores tradicionais, embora a procura mais forte continuasse estreitamente ligada à informática e à eletrónica.
Fábricas compram equipamento e aumentam a capacidade
As empresas responderam ao reforço da procura comprando máquinas, modernizando a tecnologia de produção e expandindo a capacidade. Chiang Hsin-yi, especialista da DGBAS, associou o aumento do investimento à construção de infraestruturas de IA, à melhoria dos processos de fabrico e à continuidade da despesa em investigação e desenvolvimento.
As importações de bens de equipamento, medidas em novos dólares taiwaneses, subiram 58,50% face ao mesmo período do ano anterior. Dentro desta categoria, as importações de equipamento para semicondutores aumentaram 35,66%. A produção de bens de investimento em Taiwan cresceu 62,75%, mostrando que o aumento da despesa em equipamento também chegou aos fabricantes nacionais.
As máquinas foram apenas uma parte da expansão. O investimento aumentou também em equipamento de transporte, propriedade intelectual e construção. O investimento em propriedade intelectual inclui ativos como a investigação e desenvolvimento, que podem ajudar uma empresa a criar novos produtos ou a melhorar os seus métodos.
O valor de 26,36% da formação de capital combina o investimento fixo com as variações de existências. O investimento fixo abrange ativos utilizados ao longo do tempo, como fábricas e máquinas. As existências são bens que as empresas produziram ou adquiriram, mas ainda não venderam nem utilizaram.
A contribuição de 6,32 pontos percentuais tornou a formação de capital um contributo direto para o crescimento superior ao das exportações líquidas. A relação entre ambos ajuda a explicar o trimestre: a procura externa incentivou as empresas a investir, e esse investimento aumentou a atividade em Taiwan.
Famílias gastam mais em automóveis, telemóveis e serviços
O consumo privado real cresceu 5,37%, assinalando o segundo trimestre consecutivo com um crescimento superior a 5%. Os fortes resultados das empresas, a melhoria do mercado de trabalho e as cotações bolsistas de Taiwan em máximos históricos apoiaram o rendimento e o património das famílias.
Chiang explicou como estas condições se refletiram na despesa dos consumidores. Numa declaração traduzida, o especialista da DGBAS afirmou:
Os máximos históricos da bolsa e a melhoria contínua do mercado de trabalho reforçaram o património e o rendimento das famílias. A recuperação da compra de automóveis e o entusiasmo pelos novos smartphones também impulsionaram o consumo associado.
As matrículas de automóveis ligeiros de passageiros aumentaram quase 10%. As vendas a retalho subiram 7,60%, enquanto as receitas dos restaurantes e dos serviços de alimentação cresceram 3,93%. A intensa negociação nos mercados financeiros também gerou mais comissões em transações de valores mobiliários e fundos.
A relação com o mercado bolsista é muitas vezes designada por efeito riqueza. Quando o valor dos investimentos de uma família aumenta, os seus membros podem sentir-se mais à vontade para gastar. Neste trimestre, esse efeito surgiu a par da melhoria das condições de emprego e da procura de produtos específicos, incluindo automóveis e telemóveis.
Os valores mostram uma recuperação da despesa mais abrangente do que sugeriria apenas um boom das exportações. Revelam também ritmos de expansão diferentes: o consumo cresceu de forma constante, enquanto a formação de capital aumentou quase cinco vezes mais depressa.
Viagens ao estrangeiro explicam parte da despesa
Os residentes de Taiwan aumentaram em 12,54% a despesa no estrangeiro, em termos reais, durante o terceiro trimestre, face a um crescimento de 4,90% na despesa realizada no país. O interesse contínuo pelas viagens ao estrangeiro ajuda a explicar o aumento mais rápido fora de Taiwan.
A contabilidade do PIB regista estas compras tanto no consumo como no comércio. A despesa de um residente em alojamento ou noutros serviços no estrangeiro entra no consumo das famílias, enquanto o serviço adquirido no estrangeiro é registado como uma importação. Na contabilização do PIB de Taiwan, o registo da importação compensa essa produção estrangeira.
As importações também são relevantes para o investimento. Uma empresa pode aumentar a sua despesa ao comprar uma máquina fabricada no estrangeiro, mas a produção dessa máquina pertence à economia exportadora. No cálculo do PIB de Taiwan, o investimento é registado e o equipamento importado é subtraído através das trocas comerciais.
É por isso que a contribuição de 4,94 pontos percentuais das exportações líquidas é útil. Mede o contributo do comércio depois de contabilizadas as importações, em vez de considerar apenas o aumento das exportações.
Quatro trimestres de crescimento de dois dígitos
A expansão mais recente de Taiwan prolonga uma tendência iniciada antes de 2026. A última vez que a economia registou um período mais longo de crescimento de dois dígitos foi em 1986 e 1987, quando alcançou seis trimestres consecutivos, enquanto o Governo foi aliviando gradualmente os controlos de capitais e as restrições cambiais.
Os valores atuais mostram tanto um crescimento mais forte como uma melhoria substancial face às expectativas:
- Abril a junho de 2026: o PIB real cresceu 12,93% face ao mesmo período do ano anterior.
- Agosto de 2026: a DGBAS previu um crescimento de 11,42% no terceiro trimestre.
- Julho a setembro de 2026: o crescimento preliminar atingiu 14,36%, o quarto trimestre consecutivo de expansão de dois dígitos.
- 30 de outubro de 2026: a DGBAS divulgou a estimativa preliminar para o terceiro trimestre e situou o crescimento dos primeiros nove meses em 14,22%.
Nos primeiros três trimestres, as exportações reais de bens e serviços cresceram 25,34%, a formação de capital aumentou 16,69% e a procura interna expandiu-se 8,83%. Estes valores mostram que a robustez se prolongou durante grande parte do ano, com as exportações a crescerem mais depressa do que a procura interna.
Chiang afirmou que a expansão ocorria sobre o crescimento do ano anterior, com um bom desempenho tanto da procura interna como da procura externa. O aumento das encomendas estava a refletir-se nas compras de equipamento e na capacidade produtiva, sustentando uma expansão rápida apesar de a comparação ser feita com uma economia de maior dimensão.
Indicadores da indústria transformadora mostram um quadro desigual
Os indicadores da indústria transformadora de Taiwan foram menos uniformemente positivos do que o valor principal do PIB. O indicador de conjuntura da indústria transformadora do Instituto de Investigação Económica de Taiwan situou-se em 16,22 pontos em setembro, abaixo do valor de agosto, embora se mantivesse na categoria amarelo-vermelho pelo quinto mês consecutivo. Esta categoria assinala uma economia industrial em expansão.
Entre as cinco componentes do indicador, a procura registou a maior descida. A confiança empresarial melhorou, com uma maior proporção de fabricantes a manifestar otimismo quanto à conjuntura do mês. No conjunto, os dados revelaram uma maior confiança das empresas, a par de uma dinâmica da procura mais fraca.
Hsu Pi-shu, investigadora associada do instituto, apontou o conflito no Médio Oriente, a evolução dos preços da energia e a subida das taxas de rendibilidade da dívida pública nas principais economias como riscos para a indústria transformadora. Taxas de rendibilidade mais elevadas podem repercutir-se nos custos de financiamento, encarecendo o financiamento de equipamento e da expansão para as empresas.
Os preços da energia também afetam os custos de produção e transporte. Para as empresas que investem em novas instalações, esses custos são importantes, a par da robustez das encomendas recebidas. Os valores do terceiro trimestre mostram um investimento substancial já em curso, enquanto o indicador da procura de setembro assinala um ponto mais fraco do panorama industrial.
Conclusão
- O PIB real de Taiwan cresceu, segundo uma estimativa, 14,36% no terceiro trimestre de 2026, o melhor desempenho num terceiro trimestre em 48 anos.
- O resultado superou em 2,94 pontos percentuais a previsão de agosto e prolongou o crescimento de dois dígitos até ao quarto trimestre consecutivo.
- As exportações de mercadorias atingiram 244,9 mil milhões de dólares, mais 44,63%, enquanto as exportações reais de bens e serviços cresceram 21,12%.
- A formação de capital aumentou 26,36% e contribuiu com 6,32 pontos percentuais para o crescimento do PIB. As exportações líquidas contribuíram com 4,94 pontos.
- O consumo privado aumentou 5,37%, apoiado pelos automóveis, pelos smartphones, pela melhoria das finanças das famílias e pela atividade dos serviços financeiros.
- O crescimento nos primeiros nove meses atingiu 14,22%, enquanto o indicador industrial de setembro revelou uma procura mais fraca, a par de uma melhoria da confiança empresarial.






